Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

22 de Julho de 2015, 11:04

Por

Rosselini e a Alemanha, a “Trilogia da Guerra”

rosseliniRoberto Rosselini (1906-1977), um dos cineastas maiores do neo-realismo, filmou a Segunda Grande Guerra como poucos. Com 39 anos dirigiu “Roma, Cidade Aberta” (1945), uma história da resistência italiana contra a ocupação nazi. Logo no ano seguinte, fez “Paisà”, um mosaico de pequenas histórias sobre a ocupação e a libertação. E, em 1948, fez “Alemanha, Ano Zero”, em parte filmado nos escombros de Berlim.

Os três filmes, que compõem a “Trilogia da Guerra”, que acabou de ser editada em Portugal em versão restaurada (Leopardo Filmes), seguem técnicas narrativas semelhantes, modos de filmagem parecidos e histórias com o mesmo tipo de trama, entre os heróis e os denunciantes, os pequenos dramas e a luta pela sobrevivência, as ameaças permanentes e a grandeza dos gestos das pessoas desconhecidas, tratando de uma esperança que sobrevive quando não há horizonte.

Mas é “Alemanha, Ano Zero”, o mais precário dos três filmes, o mais desconhecido, que também mais impressiona. Numa paisagem de destruição irremediável, conta Rosselini que, durante as filmagens (Berlim, 1947), pouca gente na rua reparava na equipa técnica, ocupada como estava com a luta pela sobrevivência. É dessa luta que trata o filme. Um adolescente, Edmond Kohler, ocupa-se da sua família, pai doente e dois irmãos mais velhos, um deles ex-soldado escondido com medo das represálias, e cruza-se com ex-nazis, piratas do mercado negro, crianças perdidas, prostitutas e outros sobreviventes. Vai por todos os lados, vende o que pode, negoceia o que não pode, acredita no que lhe dizem, passa as fronteiras, vive e morre.

A trilogia é o modo de Rosselini, homem de grandes paixões e inebriado pela libertação, nos falar da destruição pela guerra e da que ficou depois da guerra acabar. Em alguma medida, é então a sua história da Alemanha na meia noite do século, com o auge do nazismo e depois a ocupação da sua cidade e do seu país. Ficaram pessoas, vulneráveis, lutando como todos por um bocado de pão e pelo dia seguinte.

Estes são tempos em que precisamos de perceber a dimensão gigantesca destas histórias de pessoas frágeis e as memórias do que deixaram fazer, do que fizeram e do que sofreram. Entre os carrascos nazis e os resistentes e as crianças que são vítimas do horror da guerra, percebemos um pouco melhor a Alemanha que nos atormenta.

 

Comentários

  1. Já que estamos a falar de filmes, recomendo A Imagem Que Falta (imdb: tt2852470), do realizador cambojano Rithy Panh. O filme também é sobre uma gloriosa revolução ideológica. Refere-se a uma ideologia particular, mas com pequenas alterações podia estar a referir-se ao estado islâmico ou a outra das muitas ideologias que têm ensombrado a história humana.

  2. E pior ficaram os alemães da antiga República Democrática Alemã, os povos da Checoslováquia, Hungria, Bulgária, Roménia, Albânia, Jugoslávia, Letónia, Lituânia, Estónia e Polónia que livraram-se dos nazis (isto é, dos nacional-socialista, gosta-se sempre de esquecer o termo socialista dos fascistas alemãs) para passarem a ser dominados por outro mal, os social-fascistas da União Soviética. Na segunda guerra mundial, é bom relembrar que o facto desencadeante foi a invasão da Polónia pela Alemanha e União Soviética (o pacto secreto do Tratado de Não Agressão Ribbentrop-Molotov https://en.wikipedia.org/wiki/Ribbentrop-Molotov_pact_negotiations), à qual a França e Inglaterra tinham dado garantias que a defenderiam no caso de ataque da Alemanha. Deve ficar também para a história a cobardia de franceses e ingleses que permitiram que a Polónia, que juraram defender, ficasse sob o domínio soviético (para além de todos os povos da antiga cortina de ferro). Como vergonhoso foi a capitulação dos aliados ocidentais em Potsdam perante o social-fascista do Estaline ao permitirem a reformulação da fronteiras da Alemanha e Polónica para garantir ganhos territoriais da União Soviética (ainda hoje mantém o enclave de Klainingrad Oblast – https://en.wikipedia.org/wiki/Oblast_Kaliningrad).

  3. Uma observação a propósito de, falando-se desta extraordinária Trilogia, um leitor ter acrescentado que também deveria ser recordado um filme anterior de Rossellini, Un Pilota Ritorna. A ética e o rigor histórico obrigam a recordar um facto que ainda há uns meses tive oportunidade de referir neste jornal: é que de facto antes da Trilogia da Guerra, Rossellini dirigiu o que cabe ser designada por uma Trilogia Fascista (bem sei que isto será uma surpresa para muitos) constituída por La nave bianca, Un Piloto Ritorna e L’Uomo della Croce. Isto nada diminui a extraordinária importância da Trilogia seguinte, na qual, entre outros aspectos, ele captou como ninguém um decisivo momento da história do século XX, nem cabe falar, com um simplismo moralista, de oportunismo ou reviravolta política, ou antes, a reviravolta, se é que o termo é pertinente, aconteceu porque homens como Rossellini, ou Antonioni, um dos argumentistas de Un Piloto Ritorno, não foram insensíveis, antes se envolveram exponencionalmente por meio do cinema, no massivo movimento popular de libertação e da luta contra os ocupantes nazis. Mas recordar Un Piloto Ritorna, que se conclui com a rendição grega à invasão nazi-fascista de alemães e italianos é aqui despropositado, Os filmes são a preto e branco, mas a História não o é assim de modo simplista. Vir relembrar esse filme a propósito da crucial importância da Trilogia da Guerra é que é todo descabido.

    1. Concordo que a História não é tão preta e branca como frequentemente se pinta nos filmes. Iria até mais longe, nem a História é tão preta e branca como frequentemente se pinta nos livros de História.

      Muito se fala sobre as atrocidades cometidas pelo Nazismo, pouco se fala de quem os financiava. Mas ai de um Iraque ou Irão que financie o Estado Islâmico… E pouco se fala também, por exemplo, das atrocidades cometidas no Japão, talvez obliteradas e esquecidas pelo uso de bombas atómicas, como se um mal apagasse outro.

      Existe um documentário interessante – embora bem pesado – sobre os experimentos realizados num infame centro de pesquisas de armas químicas no Japão.

      No documentário são entrevistados médicos-cientistas que trabalharam no centro e que acreditavam estar a fazer uma tarefa divina, que envolveu, entre outras atrocidades, a dissecação de uma mulher viva e grávida… Sem anestesia (temiam que a anestesia pudesse alterar os resultados). Como mecanismo de auto-defesa, suponho, os médicos desumanizavam as cobaias humanas apelidando-as de “troncos”.

      Apenas um médico sobrevivente participou de um encontro onde se desculpou perante familiares das vítimas. Um outro entrevistado disse que faria tudo de novo.

      Podemos racionalizar quanto quisermos que a História não é preta e branca, racionalizar motivos não são pretos e brancos, racionalizar que “bem” e “mal” não são pretos e brancos, mas uma coisa é certa; O sofrimento das vítimas da insensibilidade humana não tem nada de branco nem cinzento… É negro. E não há racionalidade que valha nos casos mais extremos.

  4. Povo é uma instituição que a barbárie germânica nunca teve. “Senatus Populusque Romanus” quer dizer “os velhos e novos de Roma”. Populus era uma instituição como o senado, para funcionarem as duas em conjunto. E é parte de uma cultura que os germânicos nunca tiveram. Entendes tanto de historia como O passos entende de economia. As tribos Germânicas eram livres e independentes entre sim. Como tal para que serve um senado, se não existem subjugados. É um texto idiota sem sentido e racistas. As frustrações da vida levam alguns a criarem ilusões para esconder as suas realidades.

  5. Nunca vi Alemanha Ano Zero, mas não duvido que deve ser um filme magnífico. Gostei do seu texto, só não concordo, e não percebo quando diz «esta Alemanha que nos atormenta». Não creio que a Alemanha «atormente» ninguém hoje em dia, a não ser a consciência de uma certa esquerda que tem por Merkel e o seu governo um ódio de estimação. Aceitemos a «hegemonia» da Alemanha na EU como um facto natural: é o Estado mais populoso (não pode ter o mesmo peso que Malta) e também o mais rico ( não pode ter a importância económica da Bulgária). Sei que a esquerda não gosta da Alemanha, talvez gostasse mais se ela estivesse governada pelo SPD. Todavia não é essa a vontade dos Alemães que estão cada vez mais contentes com a Merkel. Mas em boa verdade, sejamos justos, isso não faz da Alemanha nada que «nos atormente», Francisco Louçã. Os fantasmas do séc. passado, para esta Europa, não devem ser chamados nem têm qualquer lugar. Tudo isso já está morto e enterrado. E se não está devia estar.

    1. “Aceitemos a hegemonia da Alemanha”… Não creio que isso estava na brochura do projeto Europeu que foi vendido aos povos europeus.

      Mais, a Alemanha pode até ser mais populosa que qualquer outro estado, mas está bem longe de ser mais populosa que o restante dos estados juntos.

      Dito isto, concordo que não é a “Alemanha que nos atormenta”… A meu ver são apenas a mão firme de um corpo maior que se estende a outros estados e que seria – a meu ver – muito bem-vinda, se fosse um pouco menos bruta e não estivesse lucrando com as crises nos estados periféricos.

    2. Quanto a ser um passado morto e enterrado, enquanto o pensamento e os motivos que o originaram estiverem vivos, pode até estar enterrado, mas morto não está…

    3. Tiago Figueiredo «os pensamentos e motivos» que originaram o que se passou no séc. XX estão mortos, na Europa. Só por facilitismo intelectual e demagogia ainda se agitam esse fantasmas e fantasias. Nem mesmo os próprios movimentos populistas, como o francês «Front National» em França, em bom rigor, e se quisermos ser rigorosos, podem ser chamados de «fascistas». O Fascismo era outra coisa. A sociedade alemã atual não tem nada a ver já com o que se passou na década de 1930. O mesmo talvez já não possa dizer da sociedade espanhola.

    4. Digo-lhe mais Tiago Figueiredo: o que se assiste na Europa, hoje, é algo de novo, singular, e admirável. Pela primeira vez, na nossa história, ninguém põe em causa, ou questiona a legitimidade dos nossos regimes representativos e Democracias parlamentares. É um caminho exatamente ao contrário do que está a seguir a Rússia, o mundo Árabe ou a China, por exemplo. Isto é algo de novo e admirável na Europa contemporânea; algo a preservar a todo o custo.Talvez para o Tiago (presumo que seja jovem) este aspeto lhe passe ao lado, mas para mim que vi e vivi, grande parte do séc. passado. XX, este aspeto não pode deixar de me entusiasmar e chamar a atenção. Hoje, Seja Marine le Pen, seja Passos Coelho, seja Jerónimo de Sousa, seja Merkel, Tsipras ou Pablo Iglésias, ninguém questiona a legitimidade dos fundamentos dos nossos regimes democráticos e representativos. A Democracia está de pedra e cal na Europa. Orban na Hungria talvez seja a estranha exceção à regra. Como é que se pode ainda falar de fascismo, liberalismo ou marxismo, nestas circunstâncias? Recordo-lhe que qualquer uma dessa vias questionou sempre a legitimidade das democracias representativas, e que marxismo e liberalismo subverteram quanto puderam os próprios fundamentos do Estado. Hoje, nada disso acontece.

    5. Caro José Manuel Ferreira, bem que eu gostaria de acreditar que o pensamento e os motivos estão mortos, mas – infelizmente – não acredito e – sem qualquer intenção de ofender – creio ser bastante ingénuo acreditar no contrário de forma tão absoluta. E digo-lhe porquê.

      Desde Malthus, pelo menos, as elites mundiais deixaram de ver a população apenas como um recurso para a verem como uma ameaça. O fantasma da fome e do caos social como consequência da insustentabilidade do crescimento demográfico e econômico continua bem vivo. Quem sabe até são o principal motivo para tanta austeridade na Europa, considerando que o padrão de vida europeu é insustentável se replicado a uma população de 7 bilhões de pessoas. Quem sabe se não foi um dos motivos que levaram aos experimentos realizados tanto nos campos de concentração nazis como nos japoneses. Entre outras experiências, os nazis experimentaram formas de esterilização química. O uso de flúor na água começou nos seus campos. Não creio que estivessem preocupados com a saúde dental dos judeus.

      Há dois anos atrás, o Príncipe Carlos endossou publicamente na sua página oficial um relatório denominado “Pode um colapso global ser evitado?” O relatório é essencialmente uma revisão da teoria malthusiana e apresenta soluções como reduzir a atividade económica, reduzir o consumo e até reduzir a população de forma humana.

      Na nota de introdução ao relatório, o Príncipe Carlos, herdeiro de uma das famílias mais influentes da Europa, defende que já vem apontando para este tema há bastante tempo e que o futuro dos seus netos depende de tomar a iniciativa e não mais faltar ao cumprimento do dever. Diz também que acredita na capacidade humana, como eu acredito, a diferença que eu tenho é a forma de agir. Não se pode desacreditar nas pessoas e desumanizá-las e simultaneamente acreditar na capacidade humana.

      A pergunta que me assombra é “onde está esse senso de dever na hora de implementar medidas de prevenção?” Onde está o investimento nessas medidas? Se as elites mundiais permanecem tão preocupadas, porque não fazem um pronunciamento mais assertivo ao mundo? Não está claro que pronunciamentos isolados aqui e ali não bastam e que cabe às lideranças mundiais se pronunciarem de forma uníssona para a população levar o assunto com a seriedade que ele requer?

      Será que é porque não acreditam nas pessoas? Se não acreditam, então estão dando força a esse pensamento, que é a raiz que dá origem aos males que aqui foram mencionados. Não se envolvem as pessoas ou tomam medidas de prevenção e depois medidas drásticas e desumanas de correção têm de ser tomadas…

      Será que é por medo da reação popular? Não lhes assustam mais as consequências de não terem a colaboração popular?

      Ou será que não o admitem porque uma admissão pública obrigaria a mais contenção da sua própria parte e maior escrutínio público quanto às suas próprias atividades e padrões de vida?

      Quem sabe os governantes fossem mais honestos para com a população e esta entenderia os motivos, aceitaria a austeridade de forma mais pacífica e colaboraria de forma mais ativa na busca de soluções.

      Quanto à legitimidade das democracias representativas, infelizmente creio que elas perdem legitimidade a partir do momento em que os partidos eleitos se recusam a implementar as medidas de prevenção necessárias para salvaguardar o bem-estar mínimo e a dignidade da população que supostamente representam e se limitam a medidas corretivas, quando não negligenciam medidas que na verdade são prejudiciais.

      Não basta impor uma austeridade bruta E continuar a promover um padrão de vida insustentável, a menos que não haja consideração pela dignidade mínima e pelo sofrimento das milhões de pessoas que supostamente representam. Há que alertar, educar e promover medidas para que os motivos que a justificam sejam erradicados na raiz. Há que implementar medidas para evitar o colapso social, garantindo a dignidade dos mais afetados… E há – sobretudo – que arrumar a própria casa para ter alguma credibilidade.

      A menos claro que o “pensamento nazista” de que em momentos de dificuldade se deve concentrar os esforços para proteger os fortes – como foi colocado no filme Alemanha Ponto Zero – esteja bem mais vivo do que se deseja admitir.

  6. “do que fizeram” – Quem faz (e sofre) é o povo (essa massa informe), pois vota sempre em ladrões e assassínos que os enganam a seu bel-prazer.

    1. Povo de Camões, esperava o quê?
      A terceira estrofe é particularmente elucidativa.

      “Amor é fogo que arde sem se ver;
      É ferida que dói, e não se sente;
      É um contentamento descontente;
      É dor que desatina sem doer.

      É um não querer mais que bem querer;
      É um andar solitário entre a gente;
      É nunca contentar-se de contente;
      É um cuidar que se ganha em se perder.

      É querer estar preso por vontade;
      É servir a quem vence, o vencedor;
      É ter com quem nos mata, lealdade.

      Mas como causar pode seu favor
      Nos corações humanos amizade,
      Se tão contrário a si é o mesmo Amor?”

      Luís de Camões

  7. F, dois comentarios. Os comunistass alemães que pagaram carísimo a persecussão nazi, de igual modo tambem os socialistas, socialdemocratas, que participaram na fundação da RDA e fundaram o partido socialsita unificado alemão, nunca fizeram a crítica profunda do nazismo, do totalitarismo, era como um fenómeno fora da sua historia, un fenómeno que não tinha espiritu alemão, nunca vi, o li nada sobre a vida dos alemães durante a época nazista, que procura-se explicar, entender o comportameno dos alemães, das varias classes sociais, apenas se fez a relção entre o nazismo e os grupos económicos que finanziaram o partido nazi e que tiveram prominência na condução económica. A popularidade do regime nazista entre os alemães é hoje um dado, a aceitação que uma maioria dos alemaes e austriacos tiveram do regime teve muitas expressões, que esa popularidade se extende a sectores da classe operaria e não apenas da pequena burguesia urban e rural. Num pais que ate 1933 tinha uma forte esquerda, com expresão eleitoral que alegrariam hoje a qualquer esquerda europeia, mas que se revelou incapaz e impotente perante o avanzo nazi, a rápida transformação de parte dessa base social em apoiante do nazismo é o que chama minha atenção e é uma lição histórica que convêm ter presente., a participação massiva dos alemães na guerra, o apoio ao esforço de guerra, o modo feroz como os combatentes alemães se bateram na guerra, a participação em actos de genocidio, vão para alem do control e a repressão que a máquina nazi exerceu em toda a sociedade e em particular nas forças armadas, de facto construiram um estado paralelo, um exército paralelo, as criticas nas forças tradicionais da burguesia apareceram quando era claro que a guerra estava perdida, mesmo assim a disciplina, a organização e a locura colectiva os fez resistir ate o fim. A palabra que me ocorre usar neste momento é do nacionalismo alemão, Hitler transformo a guerra de expanssão numa guerra nacional, patriotica, uma guerra defensiva num clima extremamente emocional gerado pela humilhação da derrota da PGM , pela gestão da crisis financeira que levou a banca rota de empresas, deixando milhões de operarios no desemprego por anos seguidos, pela ruina de pequenos proprietarios rurais, o pagamento da dívida pelas reparações guerra deixou o pais de rastos e desencadenou um sentimento anti judio fortissimo, pela presença dos bancos americanos que financiavam o pagamento da dívida , de conhecida propriedade de familis judias, o que foi explorado pelo nazismo. Não creio que toda a geração que perdeu a guerra, com milhões de soldados alemães em campos de concentração tenha mudado muito de opinião, com o sofrimento que a guerra provocou na população, dificilmente creio que tenham asumido a sua responsabilidade directa ou moral. Isso foi mais uma necessidade política do dirigentes politicos que tomaram o control com apoio americano, construir um discurso que fosse como um pedido de disculpa aos europeos. Existem razões, para alem do periodo nazista, do nacionalismo alemão, que não são apenas económicos. O segundo comentario, que vale pena não perder de vista, que existe uma Alemania europeia, uma Alemania mais universalista que esta presente na sua arte, ciencia, na literatura e que influencia tambem as novas gerações de alemães, houve e ha alemães que estão perfeitamente concientes do significado do nacionalismo alemão, das responsabilidades de Alemanha nas guerras, esas forças são minoritárias, tem enormes dificuldades para expressar-se e estabelecer pontes, embora a politica que mais ordena seja a de grupos que tem as suas raices nos grupos que apoiaram o nazismo e que apoiam a CDU-CSU, o curioso que o SPD se comporta como os alemães que cederam a sua conciência pela segurança que o regime de hitler lhes deu, e esse lado inhumano do oportunismo generalizado é muito alemão e mete medo.

  8. …”O historial de comportamentos desumanos contínuos dos germânicos (Godos, Anglo-saxões e Francos principalmente) revela que essas criaturas nunca chegaram a entrar na história da humanidade.”….

    E eu a pensar que ainda me lembrava alguma coisa da 4ª classe… hihihi… onde isso já vai!
    Agora a sério. É justo dizer-se, “ladrão que rouba a ladrão tem 100 anos de perdão”. E isto a propósito dos alemães, que tão bárbaros se tem mostrado, (ou será que os porcos é que viraram bárbaros uns com os outros?). Então não é que me fui lembrar que já os bárbaros roubaram, incendiaram, chantagearam Roma, por sinal, outros tantos enormes ladrões na “estória”! Parece que continuou por aí adiante com Godos, (que viraram Visigodos), Vândalos, Suevos, etc&tal!
    Com tanta escola na história, nem é de admirar que os “porcos” aprendessem alguma “coisinha”. Foi assim com os “fundos” para abate da vinha, da produção leiteira, barcos, “industrias”, colecta de impostos, … etc&tal. Os nossos “compinchas” deram uma mãozinha! Claro que lhes interessava. E com isso transformaram os “porcos” nos seus melhores clientes em artigos car(r)os, que eles se esmeram a produzir. Pois, lá tinha que ser. Emprestam para vender.Espertalhões. Só precisaram de fazer umas trocas de títulos entre eles. Um sobreiro aqui, um “barquito” acolá, mais uma quinta, e umas ilhas,… etc&tal, (ó abreu dá cá o meu), e assim chegamos à tal “divida” e dúvida, de quem é o ladrão e quem é o caloteiro!
    Eu pensava que só tinham provocado 2 grandes guerras, mas afinal (recordando bem) o potencial é muito mais vasto e já vem de longe. A história “repete-se interminavelmente. Agora vai de “rodinhas”, mas não acredito que se contentem e fique por aí. Precisam vender balas, minas e canhões. Preparam uma 3ª, lá terá que ser. Até lá vão-se agachando deixando
    passar as flechas por cima das cadeiras.
    Tudo isto é só mais uma forma atribuída aos “mercados” de fazer mudar de mãos a propriedade e o poder! História é a nossa “saga”!

  9. Racismo é uma forma de medo. E escrever que os povos que abitam na Europa central são sanguínarios e crueis rsrsrssrs

  10. Acho que é tempo de deixarmos de ser politicamente correctos e dizer com clareza aquilo que está na cabeça de meio mundo: a Alemanha não é confiável. Tem em curso um plano de poder absoluto na Europa, por via do qual pretende subjugar e explorar economicamente grande parte dos povos em seu benefício exclusivo, remetendo-os à pobreza e à perda de soberania, sob sua tutela. Do meu ponto de vista o arianismo alemão está de volta, ou melhor, nunca se foi embora – esteve oculto enquanto a Alemanha precisou de fazer a simulação de uma nação “bem comportada”. Há que denunciar, combater e barrar o caminho ao monstro que de novo se ergue.
    Teremos, nós europeus, que viver debaixo da fatalidade de sermos dominados pela Alemanha e ciclicamente ser confrontados com graves conflitos e guerras entre as nações?
    Não, absolutamente, Não!
    Da mesma forma que o ser humano, individualmente considerado, aprende a moldar, sublimar ou suprimir instintos primários, também os povos podem passar por um processo civilizatório transformando ou eliminando traços de carácter incompatíveis com uma saudável convivência com outros povos.
    Da mesma forma que uma criança se tornaria um adulto anti-social se a sua impulsividade original não fosse educada, também um povo precisa de reeducar os traços de carácter do seu inconsciente colectivo conflituais com os outros povos se aspira a pertencer a uma comunidade de nações onde prevaleça a paz, a cooperação, a liberdade e a democracia – foi esse o espírito fundador da EU.
    Uma dimensão fundamental da educação passa por a criança aprender a lidar com o Não dos adultos. A Alemanha precisa igualmente de aprender a lidar com o Não dos outros países. Mas não é isso que se vê – todos ou quase todos tem uma atitude temerosa e subserviente que incentiva a Alemanha-criança a avançar com os seus instintos contra tudo e contra todos.
    Os governantes alemães deveriam fazer uma adequada pedagogia para que o povo alemão passasse a ser confiável e não uma ameaça para os outros. Mas o que vemos é Shaüble. E por sua vez, Merkel acicata o que há de pior no seu povo e nos outros povos: são os portugueses que trabalham pouco e têm muitas férias; é a caricatura alusiva a Portugal no parlamento alemão com um chouriço que Durão Barros lhe ofereceu; são os espanhóis cujas famílias têm mais património do que as famílias alemãs; é dizer-se que “não é justo que o esforço dos trabalhadores alemães sirva para sustentar a boa vida de outros povos”, etc.
    Nenhuma atitude de protesto ou exigência de desagravo oficiais são apresentados. Nós, por cá, enviamos um filmezinho a uma TV alemã para que os cidadãos alemães façam o favor de ver que não somos assim tão maus e calaceiros como dizem por lá.
    Dizem que o governo alemão tem um problema com a sua opinião pública – é a democracia no seu país que está em causa, dizem. Pois, como não haveriam de invocar este argumento? O governo alemão conta aos seus cidadãos a história que lhe convém para impor aos outros países a sua política europeia. E por outro lado instiga-os contra os outros povos para lhes facilitar esse caminho. O estado da opinião pública alemã não é nada que o governo alemão não tenha desejado e não tenha construído.
    Gustav Le Bom fala-nos da construção do carácter de um povo por via da educação dos seus cidadãos. Sobre esta matéria é importante que nos interroguemos sobre as opções dos governos alemães quanto à educação dos seus jovens em relação responsabilidades da Alemanha em duas guerras mundiais.
    – O que é que consta dos manuais escolares de História no sistema de ensino alemão?
    – Será que os jovens são educados para a tomada de consciência de que a presunção de superioridade da Alemanha conduziu-a a provocar duas catástrofes mundiais?
    – Será que são educados para rejeitar a falácia de uma “raça superior” com “direitos” especiais sobre os outros povos?
    – Será que são educados para a paz, a cooperação e a solidariedade entre os povos, de modo a renunciarem a um certo papel da Alemanha no passado e preconizarem um renovado papel em conformidade com aqueles valores?
    Aparentemente esse trabalho está por fazer e, a ser assim, a Alemanha recusa redimir-se do seu passado negro na História recente. O nazismo continua a ser um assunto tabu na conversa de um alemão com um estrangeiro.
    Há alguns anos foi publicada no Público uma entrevista com um historiador alemão. Ele estava convicto da responsabilidade efectiva do cidadão comum alemão nos crimes do nazismo. Mas, segundo ele, havia na Alemanha um silêncio e um silenciamento deliberados sobre essa matéria. Aos investigadores era vedado pelas autoridades o acesso à investigação sobre o envolvimento directo dos cidadãos nos crimes.
    Recentemente uma cidadã alemã tornou público que fora uma sua irmã, já falecida, quem denunciou à polícia o esconderijo da família de Ann Frank.
    Nos dias de hoje não é difícil supor que, no seu íntimo, o cidadão comum alemão mais facilmente dirá, com mal disfarçado orgulho, que “nós alemães quase dominámos o mundo” do que “nós alemães causámos destruição e morte no mundo.”
    Face ao que hoje nos é permitido observar a Zona Euro, tal como está, é afinal o retorno do famigerado “espaço vital alemão” que desembocou na II Guerra. A zona Euro está para Merkel como o “espaço vital alemão” está para Hitler. E a não surgir rapidamente um movimento europeu de reestruturação da arquitectura do Euro, esse “espaço vital alemão” só tem um destino: ser desmantelado, como foi em 1945.

    1. A Alemanha é apenas uma torre no tabuleiro de xadrez de um trágico jogo, onde Portugal não se contenta com o papel de peão (mas duvido que alguma vez passe disso). Se quer encontrar “desumanos”, pode correr atrás do Rei ou até ir mais longe e correr atrás da mão que o move. Quem sabe descobre que é um velho solitário jogando contra ele mesmo.

    2. Tenha juízo… quer forçar os alemães a esquecerem a sua história? Não conhece o ditado que diz: quem não está bem que se ponha? O povo português que não seja otário e defenda os seus interesses, começando por rejeitar partidos ladrões e subservientes ao poder económico internacional (e nacional, claro). Há partidos que defendem os interesses de Portugal, mas, pelos vistos, tal como o grego, o nosso povéu é viciado em compras de valor acrescentado produzidos por outros países – “I shop therefore I’m”.

  11. Caro Louçã, “… percebemos um pouco melhor a Alemanha que nos atormenta.” Não lhe parece um argumento um bocado grosseiro? Tenho a certeza de que é capaz de fazer melhor. Pode deixar estes argumentos para os discípulos que por aqui comentam.

    Imagine que alguém escrevia “conhecendo os crimes do estalinismo, percebemos um pouco melhor a extrema esquerda que nos atormenta.” Parece razoável? Quando a ideologia interfere com a racionalidade, uma delas fica a perder.

    O resto do artigo é muito interessante e agradeço-lhe porque tomei conhecimento da edição da trilogia de Rossellini pelo seu artigo.

    1. Há uns dias atrás vi um filme interessante, sobre uma filósofa política alemã judia, chamada Hannah Arendt. O filme retrata o momento em que ela é convidada a reportar o julgamento de Adolf Eichmann, um oficial Nazi responsável pelo transporte de judeus para o extermínio.

      Hannah causa furor por retratar Eichmann como um “ninguém”, um mero burocrata que apenas obedecia às ordens e à lei do Fuhrer, e por lembrar que judeus colaboravam nos campos com os seus captores por instinto de sobrevivência. Em sua defesa, ela aponta que os grandes males são praticados quando se instala esta mentalidade de “ninguém”, de negação da propria consciência e obediência cega, enquanto questiona que talvez os judeus pudessem ter encontrado um caminho entre a resistência – que ela mesmo reconhece que seria fútil – e a colaboração…

      A história tem um hábito de se repetir, ainda que com diferentes nuances… Eu diria que estamos assistindo a um novo episódio da mesma história, da qual o estalinismo foi “apenas” outro. Bandeira diferente, mas no fundo não tão diferente. Hoje as bandeiras atuais burocracias são outras, mas – aparentemente – mais uma vez saiu à Alemanha o papel de mau da fita. Talvez sejam os únicos com a frieza necessária para aceitar tal papel numa Europa líder na defesa dos direitos humanos.

      É a (triste) história da humanidade que desistiu do seu dever de promover a consciência – enquanto coletivo -, dever esse que exige persistência e paciência e implica renúncia ao poder de dominação, e quando as consequências se tornam visíveis, levanta bandeiras de bem comum e faz discursos de dever para disciplinar e corrigir a ferro frio a falta de consciência.

    2. Lembra bem, a Arendt é uma das mais importantes filósofas do século XX e o que escreveu sobre a “banalidade do mal”, quanto ao nazismo, fica como um dos grandes debates do nosso tempo. Claro que não se pode resumir a Alemanha a isso, como não se pode reduzir Portugal ao colonialismo e salazarismo.

    3. Ó disciplo, a analogia que Louçã faz é directa. A tua (indirecta) é a falácia preconceituosa/venenosa que a direita costuma fazer para denegrir a esquerda.

    4. De modo alguma resumo a Alemanha ao Nazismo Francisco Louçã, até porque – na minha visão – os atos pelos quais o Nazismo, o Estalinismo ou até mesmo o Estado Novo se tornaram infames são “apenas” formas mais ou menos extremas de atos cometidos pelo mundo fora ao longo da nossa história. Sacrifícios humanos vêm de longe e sempre por um “bom motivo”.

      Mas tirem-se os ismos, as bandeiras e os símbolos, as línguas, locais e personagens diferentes, e chegamos facilmente à conclusão que os atos diferem mais na intensidade do que na essência, deixando bem claro que não se trata deste ou daquele país, deste ou daquele povo, mas de uma forma extrema de pensar e agir que teima em nos assombrar de vez em quando. Vale refletir porquê…

      Pessoalmente, não duvido que os seus responsáveis os entendessem como um mal necessário em nome de um bem comum, o princípio da banalização do mal. Certo é que parece que tendemos mais a falar e agir em nome do bem comum na hora de usar de força extrema… Se as lideranças investissem tanta energia e recursos na educação cívica de qualidade quanto investem nos sacrifícios necessários para corrigir a sua falta, o mundo seria outro…

      Hoje os sacrifícios são outros e de modo geral menos intensos – seguramente com algum “bom motivo” – mas se olharmos casos isolados veremos casos extremos de miséria e sofrimento que pouco ou nada deixam a desejar. Na Grécia, um governador de um hospital público alega que desde o início da crise e das medidas de austeridade, mais de 10.000 pessoas cometeram suicídio, incluindo o próprio filho de 26 anos, que pulou na linha de um metropolitano poucos dias depois de perder o emprego.

      Um pequeno sacrifício em nome de um bem maior, alguém dirá… Não tão pequeno, certamente dirá um Pai que teve de enterrar um filho.

  12. Desde já os meus parabens a uma empresa privada(leopardo filmes)por estar a fazer um autentico serviço publico,ao editar estes filmes em Portugal.Ainda por cima,com o preço,na minha opinião,relativamente acessivel(para esta altura do campeonato).Igualmente meritoria,é a coleção do Publico sobre a Gaumont.Deve-se dizer bem quando as pessoas merecem.É este o caso.

  13. A história repete-se. Desta vez é o terror nazista do grande poder económico mundial, e sem rosto. Acredito que este seja derrotado e os seus carrascos desmascarados

  14. Hà, pelo menos, um outro filme de Rosselini, rodado em 1942, que caberia decerto numa antologia, um pouco mais vasta, sobre a 2a guerra: “Un Pilota ritorna”.

  15. Caro Louçã, se não fosse um universitário saberia que os germânicos não fazem parte da história da humanidade, mas sim da história da desumanidade. Os germânicos nunca chegaram a entrar na história da humanidade, como o seu historial de desumanidade demonstra.

    Foi, mais uma vez, a universidade inventou essa mentira, que diz que os germânicos saíram da pré-história por terem aprendido a ler e escrever o alfabeto latino. No entanto a realidade desmente completamente essa mentira.

    O historial de comportamentos desumanos contínuos dos germânicos (Godos, Anglo-saxões e Francos principalmente) revela que essas criaturas nunca chegaram a entrar na história da humanidade. São desumanos que praticam a desumanidade em todas as suas vertentes: desde a invenção de mentiras para justificar a delinquência, até à prática da delinquência e acabando nas estruturas de suporte da delinquência, como é o caso do suporte à prática da delinquência mercantil actual. A universidade é uma dessas estruturas de suporte dos abusos dos desumanos sobre os humanos.

    A história dos comportamentos desumanos dos germânicos revela toda a mentira da universidade. Ou, na melhor das hipóteses, o atraso e ignorância da universidade em não saber sequer distinguir os desumanos dos humanos.

    O atraso cultural milenar da pré-histórica cultura germânica revelados nos seus comportamentos desumanos, não desapareçam por obra e graça das mentiras dos universitários. A universidade é, aliás, uma demonstração desse atraso cultural pré-histórico que estorva a humanidade.

    1. É sempre curioso que comente os textos de um universitário, pela sua definição necessariamente ignorante das subtilezas do espírito (e fleizmente há o homem da máscara para invectivar os ignorantes universitários). Mas, sabe, quem escreveu que um povo não pertence à humanidade foi sempre muito longe…

    2. Caro Louçã, não sabe que essa coisa do “povo” é uma invenção da medieval da direita?

      Povo é uma instituição que a barbárie germânica nunca teve. “Senatus Populusque Romanus” quer dizer “os velhos e novos de Roma”. Populus era uma instituição como o senado, para funcionarem as duas em conjunto. E é parte de uma cultura que os germânicos nunca tiveram.

      Para não variar, o termo populus foi usado pela barbárie para justificar a sua delinquência. Povo passou a ter o significado dos retalhos feitos na humanidade, pelos parasitas bélicos da primeira idade média.

      Os delinquentes da primeira idade média cortaram e dividiram a humanidade em retalhos, e passaram a chamar “povo” a esses retalhos, produzidos por eles para serem submetidos ao jugo de cada um desses parasitas bélicos – auto proclamados de “nobreza” e suportados pelas legitimações inventadas pelo “clero” da universidade.

      Povo passou a ser a condição de gado propriedade privada do parasita bélico. À medida que os parasitas bélicos se roubavam e matavam mutuamente o gado roubado mudava de nome, ou aumentava, ou diminuía. Ou seja, povo passou a ter o significado de propriedade privada de um delinquente bélico, ao acaso dos resultados da delinquência bélica entre eles, e dentro de uma cultura em que as pessoas eram consideradas literalmente como gado, pelos parasitas da “nobreza” e do “clero” universitário. E, claro, o delinquente elevado à categoria de criador de povos. Justificaram assim a delinquência da barbárie e apresentam os delinquentes como criadores de “povos”.

      A universidade, como é sua tradição, continua a suportar essa visão que a humanidade deve ser retalhada e dividida em função dos delinquentes bélicos e/ou mercantis. E continua a mostrar como normal que os desumanos retalhem a humanidade em função da sua delinquência mercantil, ou bélica, ou de “interesses” dos mercados livres ou planificados, e afins misérias dos desumanos.

      Não existem povos com o significado que os universitários inventaram, existe uma humanidade doente por estar retalhada por parasitas, com tecidos sociais cortados ao resto da humanidade por esses parasitas bélicos e ou mercantis.

      Caro Louçã, não quer apresentar outra noção medieval divulgada pela universidade para impor o jugo dos desumanos sobre os humanos, como essa mentira do “povo”?

    3. Consegue espantar-me em cada texto que escreve. Só posso imaginar que isto seja tudo um texto sarcástico ou até cómico. É muito bem sucedido nesse mister.

    4. Quando nos atribuímos a autoridade de anular a humanidade dum povo, estamos a fazer exactamente o mesmo que os Europeus faziam aos escravos negros ou o mesmo que o Nazismo fez aos judeus. Não se atreva, meu irmão. A humanidade não pode ser dividida em virtudes e pecados, de tal modo que os vencedores são apenas virtuosos e os vencidos apenas pecadores…

    5. Reconheço no “Eppicuro” um anarquista/niilista e no Louçã um homem do sistema, logo ambos incompatíveis.

    6. Que frase curiosa! A culpa dos “germânicos”, definidos colectivamente como “desumanos”, isso é anarquismo ou niilismo? Para mim, chama-se xenofobia, simplesmente. Não conheço nada mais do sistema do que o discurso xenófobo. Mas, como digo, acho que esses textos “niilistas” são unicamente uma comédia, ninguém pode ser tão absurdamente ofensivo.

    7. A lepra produz leprosos e os leprosos perdem as características físicas do corpo humano. A cultura germânica produz comportamentos desumanos e os indivíduos perdem as características comportamentais humanas.

      Os comportamentos desumanos são uma característica da cultura germânica. Se decidir negar esta realidade será apenas mais uma mentira universitária. Os universitários acham divertido mentir e não ter rigor, devem acreditar que isso os beneficia.

      Quanto às causas: de onde é que acha que vieram os comportamentos desumanos que observamos em todo o historial dos germânicos? Nasceram assim delinquentes, foi? As guerras e crimes contra a humanidade omnipresentes na sua conduta são comportamentos humanos ou desumanos? Vamos todos fingir que somos universitários e mentir, e dizer que os comportamentos desumanos não existem nos germânicos, é?

      Não parece difícil perceber que as culturas são construções humanas e algumas delas são tóxicas, como é o caso da cultura germânica. Talvez esteja a ser demasiado optimista em relação à capacidade das criaturas, que são estranhas à diversidade, perceberem alguma coisa fora dos clichés inventados e difundidos pela universidade.

      Caro Louçã, percebe-se que viajou pouco, viu muito pouco e estudou ainda menos, quando afirma que consigo espantá-lo.

      Repare que no seu blog, e respectivos comentários, não saem da miséria de repetir os clichés existentes na europa ocidental. Não há nada de novo por aqui, apenas da repetição da miséria dos que seguem cegamente as poucas, e rascas, propagandas existentes na europa bárbara, vindas do controlo germânico.

      Repare em si mesmo, o seu espanto é o espanto dos saloios que nunca saíram da sua miséria cultural, da ignorância atroz presente nessa miséria cultural, e que se espantam e não conseguem perceber algo que saia da sua saloia aldeia, e não repita as ignorâncias dos seus saloios líderes.

      Lembre-se, o mundo é novo para os ignorantes, os outros já o conhecem. Viaje um pouco, saia da miséria universitária, do cliché universitário, estude por si mesmo e veja algo para poder ter uma visão própria. Não seja mais um cego papagaio de propaganda velha. Vai ver que é divertido.

    8. Isto é maravilhoso: “o seu espanto é o espanto dos saloios que nunca saíram da sua miséria cultural, da ignorância atroz presente nessa miséria cultural, e que se espantam e não conseguem perceber algo que saia da sua saloia aldeia, e não repita as ignorâncias dos seus saloios líderes”. É pura stand up comedy. Recomendo.

    9. Caro Francisco Louçã, referia-me a este comentário de “Eppicuro”:

      “Os delinquentes da primeira idade média cortaram e dividiram a humanidade em retalhos, e passaram a chamar “povo” a esses retalhos, produzidos por eles para serem submetidos ao jugo de cada um desses parasitas bélicos — auto proclamados de “nobreza” e suportados pelas legitimações inventadas pelo “clero” da universidade.

      Povo passou a ser a condição de gado propriedade privada do parasita bélico. À medida que os parasitas bélicos se roubavam e matavam mutuamente o gado roubado mudava de nome, ou aumentava, ou diminuía. Ou seja, povo passou a ter o significado de propriedade privada de um delinquente bélico, ao acaso dos resultados da delinquência bélica entre eles, e dentro de uma cultura em que as pessoas eram consideradas literalmente como gado, pelos parasitas da “nobreza” e do “clero” universitário. E, claro, o delinquente elevado à categoria de criador de povos. Justificaram assim a delinquência da barbárie e apresentam os delinquentes como criadores de “povos”.

      A universidade, como é sua tradição, continua a suportar essa visão que a humanidade deve ser retalhada e dividida em função dos delinquentes bélicos e/ou mercantis. E continua a mostrar como normal que os desumanos retalhem a humanidade em função da sua delinquência mercantil, ou bélica, ou de “interesses” dos mercados livres ou planificados, e afins misérias dos desumanos.

      Não existem povos com o significado que os universitários inventaram, existe uma humanidade doente por estar retalhada por parasitas, com tecidos sociais cortados ao resto da humanidade por esses parasitas bélicos e ou mercantis.”

      — Concordo com a sua (dele) visão. O ser-humano é o animal mais irracional à face da terra, pois subverte a lei natural e as suas próprias leis, criando um poder corrupto (sem ética nem moral). Por falar em poder, ao qual o agente Louçã faz parte, através da universidade, Foucault diz que as relações de poder, seja pelas instituições, escolas, prisões, quartéis, são marcadas pela disciplina: “mas a disciplina traz consigo uma maneira específica de punir, que é apenas um modelo reduzido do tribunal” (Foucault, 2008:149). E é pela disciplina que as relações de poder se estabelecem entre comando e comandados (opressor-oprimido, mandante-mandatário, persuasivo-persuadido…). A estas instituições Foucault chama de “instituições de sequestro” e que a sua política disciplinar conduz à “continuação da guerra por outros meios”. A sua principal função é a distribuição dos indivíduos no espaço, prescrevendo comportamentos humanos estabelecidos e homogêneos. Ainda Foucault, referindo-se ao “Príncipe” de Maquiavel, diz “[o príncipe] recebe seu principado por herança, por aquisição, por conquista, mas não faz parte dele, lhe é exterior; os laços que o unem ao principado são de violência, de tradição, estabelecidos por tratado com a cumplicidade ou aliança de outros príncipes” Foucault (1979:279). Logo, quem á partida rejeita qualquer ordem de hierarquia na sociedade é um anarquista e se essa rejeição pressupõe que o Homem não tem solução (Homo homini lupus) pode-se considerar um niilista.

    10. Caro lj

      Tal como as carraças existem no corpo de quem não tem higiene, os poderosos existem nos corpos sociais sem higiene. O poder é o resultado da falta de higiene social. Os problemas que se têm com os poderosos são os normais dos corpos com parasitas.

      Repare como Maquiavel sabe distinguir o corpo dos parasitas (nobreza) do corpo social parasitado (população).

      O poder é contra as regras dos humanos, porque a saúde dos humanos determina a higiene de não permitir a existência de poderosos.

      No caso dos universitários é um grau ainda mais abaixo. Os ignorantes inventam leis, os outros sabem que a realidade não se rege pelas invenções dos ignorantes.

      Francisco Louçã acredita piamente que é um homem culto e viajado, e que os seus títulos universitários valem alguma coisa fora do mundinho medieval da universidade. É essa a sua piada: o saloio espanta-se da sua ignorância, mas não acredita no tamanho dela.

    11. Maravilhoso: “Francisco Louçã acredita piamente que é um homem culto e viajado, e que os seus títulos universitários valem alguma coisa fora do mundinho medieval da universidade. É essa a sua piada: o saloio espanta-se da sua ignorância, mas não acredita no tamanho dela”. Isto merece um programa de televisão. Isto tem que ser conhecido, é raro encontrar um talento destes.

  16. Pois…os frágeis,lamento mas não acredito que alguém em Bruxelas se preocupe com os frágeis .Muito obrigado por este seu artigo.

  17. De facto, é uma trilogia para ver/rever; para quem tenha bons conhecimentos de italiano/inglês, existe no amazon uk, em Blu-ray a trilogia. Já agora, recomendo também o filme de Ernst Lubitsch, “Ninotchka”; tal como os filmes de Andrzej Wajda: “O Homem de Mármore” e “O Homem de Ferro”; o filme de Milos Forman, “O Baile dos Bombeiros”. São bastante elucidativos…

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