Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

21 de Julho de 2015, 10:50

Por

Finalmente, a examinite é contestada

cratoDemorou alguns anos até que se juntasse coragem. A pressão não era pequena: exames, avaliações, comparações, competições, implodir o ministério da 5 de Outubro, serviu-se de tudo para justificar e aplicar um sistema de ensino que tinha que ser mais autoritário para ser mais ensinador. O resultado foi um monstro. Crato levou tudo ao exagero, afinal ele tinha sido escolhido na onda de uma campanha ideológica e a sua qualificação para ministro era simplesmente ser um dos porta-vozes dos neoconservadores no nosso país.

Tudo resumido, Portugal tornou-se um dos países com mais exames ao longo do percurso escolar dos alunos. O resultado foi nulo do ponto de vista da aprendizagem, prejudicial do ponto de vista da vida na escola, negativo do ponto de vista da percepção dos estudantes, absurdo do ponto de vista das famílias. A escola passou a ser um lugar de desespero.

Por isso, saúdo os que saíram a terreiro para atacar esta monstruosidade examinista.

Hélder de Sousa, presidente do Instituto de Avaliação Educativa, é categórico: os exames não estão a melhorar a educação. Daniel Sampaio alerta para o abuso de retenções no segundo ano, mais de 10%: chumbos em catástrofe. Mariana Mortágua lembra que só num outro país comparável com o nosso, a Áustria, há também exames no quarto ano de escolaridade, ou seja, para crianças com nove ou dez anos.

Consequência deste monstro: Portugal tem a terceira maior taxa de retenção até aos 15 anos. Chumba-se em vez de se ensinar, desiste-se das crianças à primeira dificuldade.

Um especialista da OCDE, aqui no PÚBLICO, vai ainda mais longe sobre os exames no 4º ano, denunciando o seu potencial de exclusão social e criticando o “ensino dual”, que tem esse efeito.

Crato adoptou esta divisão dos percursos educativos como um talismã para o seu mandato. Era uma imitação da Alemanha, Merkel bem o lembrou quando fez uma visita oficial a Lisboa para assinar um acordo sobre o ensino profissional e, depois, quando nos explicou que temos “demasiados licenciados”.

Assim, a ideia caiu nas boas graças de quem de direito. Valorizar o ensino profissional, dizia-se. Na verdade, trata-se de “limpar as turmas dos indesejáveis”, como escreve Paulo Guinote, ou de “mascarar o trabalho infantil com o ensino vocacional”, como lembra Maria de Lurdes Rodrigues.

A multiplicação de exames e as lógicas da escola autoritária levaram a isto. Degradação do ensino, abdicação do objectivo de ensinar, trabalhar para a estatística, marcar a diferença social, agravar a exclusão. Salvar a escola desta gente é uma prioridade para Portugal.

Comentários

  1. O sr. Louçã é um pseudo sintético redundante, diria mesmo um matraqueiro. Em determinada eleições votei nesse senhor, depois quando veio a TROKA, em vez de participar nas reuniões, não foi em representação dos seus eleitores, independetememte se gostasse ou não. Disse

  2. Claro que se as avaliações fossem rigorosas os exames seriam redundantes. E dispensáveis!
    Sou adepto de algum facilitismo, ou melhor, não sou adepto do rigor cego e a 100%, mas o facilitismo que existe é exagerado.

  3. Dou aulas há alguns anos e a percepção que tenho é ligeiramente diferente: pelas escolas por onde tenho passado o nível de retenções que tenho observado é muito baixo, cerca de 3 por turma, no pior dos casos. Não considero que isto seja insucesso. Considero antes sucesso! Mas é apenas aparente. Se observassem o que se passa nas reuniões de avaliação do final do ano, percebiam porquê. Este ano, numa das minhas turmas (uma das piores) tivemos de repetir a reunião porque a turma tinha 6 retenções, nº considerado elevado. Resultado: passou-se alunos que tinham 6 negativas! Alteram-se as negativas mais altas, por vezes por votação, e está resolvido o problema.
    Os únicos alunos nesta turma que chumbaram tinham 9 negativas.
    Hoje em dia o perfil de um aluno que fica retido é muito simples de se traçar: não tem, nem nunca teve hábitos de estudo, passa as aulas na conversa e a fazer disparates, não tem regras elementares de disciplina, insulta o professor e desrespeita os colegas. Nos casos que testemunhei, não traziam sequer material básico como caderno diário, muito menos manuais para as aulas.
    Não considero que os exames nacionais tornem o nosso sistema de ensino necessariamente mais autoritário. Antes, considero que são uma forma de avaliação um pouco mais objectiva e realista do nível de conhecimento dos alunos. Repare-se que o facilitismo é tal que há alunos, que mesmo com exames, chegam ao 9º ano ainda quase a soletrar, sem saber fazer uma conversão de unidades ou um raciocínio lógico elementar.
    Quando passamos uma aluno que espera ter 6 negativas, que pouco ou nada trabalhou ao longo do ano, estamos a dizer-lhe, a ele e aos colegas, que esse não trabalho e desleixo e pouca dedicação é suficiente para passar de ano. A malandrice compensa, pelo menos a curto prazo, tanto como o trabalho sério.
    No entanto, apesar do facilitismo, acho que o sistema de ensino, no geral, está melhor agora do que há umas décadas atrás.
    Não tenho dúvidas que a qualidade dos professores, em geral, é hoje melhor. E isso vê-se.

  4. Sr francisco Louçã, o especialista da OCDE não criticou o ensino dual, o que ele disse foi: “Paulo Santiago deixou ainda alertas sobre as escolhas precoces de uma via profissionalizante, sublinhando também o “potencial de penalização” para a carreira e o futuro dos jovens que escolhem este caminho demasiado cedo. Por uma questão de maturidade dos alunos, a OCDE entende que essa escolha nunca deve ser feita antes dos 14, 15 anos.” A OCDE entende que essa escolha não deve ser feita antes dos 14, 15 anos. Isto não é uma critica ao ensino dual!
    O ensino dual não provoca exclusão social! Pelo contrário, o ensino dual é um elevador social, combate o desemprego cria riqueza, A sr. Merkel tem toda a razão quando disse: que não tinhama-mos a noção das “virtudes” do ensino dual O que provoca exclusão social é o ensino tal como ele estava desde há decadas a formar gerações de “nems, nems”, na qual eu me encluo-o. criando assim, desemprego, pobrega, criminalidade.
    Com todo o respeito, penso que seu o envisiamento ideológico o impede de ver a realidade e o faz criticar excelentes ideias só porque elas vêm de adversários ideológicos,
    Se me permite este video cheio de ensinamentos aonde o ensino dual tem papel fundamentale no milagre Suiço.
    https://www.youtube.com/watch?v=eiFaf7zxvEQ&list=PL8nXsTLtV4spkVDyoxdCvvWXU10AkvYxR

  5. Nasci na África do Sul e tive a oportunidade de estudar numa escola inglesa e depois de estudar na escola portuguesa. Isso não me torna especialista no estudo dos diferentes sistemas e metodologias de ensino. Mas, tenho a perspectiva de ter estudado numa escola diferente da portuguesa.

    A prfimeira percepção que tive, ainda criança, com 11 e 12 anos, foi que a competência dos professores portugueses era baixa. Mesmo ao nível do ensino universitário. Ora, não é possível ter um ensino de qualidade sem a valorização dos próprios professores. Durante muitos anos, vi muitos licenciados em tudo e mais alguma coisa a concorrer à profissão de professor, não por vocação, mas apenas por falta de emprego na área em que se licenciaram. Esse comportamento é normal. E não estou a censurá-lo. Mas, a questão da vocação não é irrelevante.

    A ideia que uma criança com 4 anos de escolaridade tem que fazer um exame geral deixa-me apreensivo. Nunca estudei esta questão do ponto de vista das neurociências e até da psicologia, mas tenho muitas reservas sobre a bondade desse exame.

    Gostava de ler propostas concretas, não populistas e baseadas nas neurociências e no estudo comparado de vários sistemas de ensino, sem excluir a economia, a sociedade e a cultura desses estudos comparativos, dado que não podemos isolar o ensino do respectivo contexto.

  6. Uma das características mais vincadas da nossa contemporaneidade, nos últimos quinze anos é a obsessão pelo processos de quantificação. Tudo nas nossas sociedades é hoje quantificado e examinado. Todos são examinados, tudo e todos são avaliados e submetidos a um qualquer processo de quantificação e simplificação estatística. Os números e as estatísticas já são a própria carne das notícias. Em larga medida este estado de coisas resulta, creio, eu das imensas possibilidades de análise de dados oferecidas pelas tecnologias da informação e da comunicação. Outro aspeto curioso deste processo universal de quantificação a que se assiste é o facto de se estabeleceram as relações estatísticas e matemáticas mas não se procurarem as suas explicações sociológicas. Para isso, para »«interpretar» é necessário recurso da Filosofia, da História, das Ciências Sociais que, como se sabe, estão cada vez mais relegadas par o sítio das coisas inúteis. É como se os números e as suas relações bastassem para explicar os fenómenos. Creio que este é um aspeto curioso, deste início do séc. XXI, o qual não deixará, seguramente de chamar a atenção do historiadores quando estudarem a época que nos está a ser dada viver.

    1. O problema é mais geral e da própria ciência, que foi dividida em especializações e em hierarquias de autoridade, que aprovam bolsas, financiamentos, etc.

      A interdisciplinaridade é essencial à evolução da ciência actual. E, apesar de notar com razão o abuso dos processos de quantificação, não podemos cair na respectiva minimização. Com o enquadramento que refere, são essenciais para a ciência, para a qual nada existe que não possa ser medido.

      Aqui, noto outro problema. A ciência é monoteísta. Não só trata mal as ciências humanas, como rejeita outros métodos de conhecimento, como, por exemplo, a arte.

  7. No início dos exames deste ano, no meu diário de professor registei assim: “Começou a época de exames; não agora, mas já há três ou quatro semanas devido à sua criação. São os exames para tudo e de todo o tipo: para alunos que dizem que são normais e outros para alunos que são “especiais”; exames para a primeira fase e exames para a segunda fase; exames a nível de escola e exames a nível nacional; exames que são corrigidos internamente e exames que são de correção externa; exames práticos e exames que dizem que são teóricos; exames que se responde no enunciado e exames que têm papel extra para responder. Estamos a falar de exames escolares, claro. É a informação/matriz do conteúdo/estrutura do que será proposto ao aluno; é/são os critérios de correção; é o exame propriamente dito. Tudo isto acrescido de uma “folha” de rosto com características próprias que mudam todos os anos. Naturalmente toda estas tarefas/trabalhos são acrescidas/os aos professores para além das suas aulas, dos seus alunos e todas as outra tarefas pedagógicas e administrativas que tão “gozo” dão. A nossa escola, por agora, transforma-se numa espécie de teatro de marionetas onde os professores, oleados ou não, têm de ter capacidade para se torcer, torcer e torcer, manipulados ou não.

    1. Obrigado pelo testemunho. Chama a atenção para a outra parte do problema, a degradação da função do professor nesta tecnificação do ensino por via da examinite e da luta pela estatística.

  8. «Degradação do ensino, abdicação do objectivo de ensinar, trabalhar para a estatística, marcar a diferença social, agravar a exclusão. Salvar a escola desta gente é uma prioridade para Portugal.»…não posso concordar mais com o professor Louçã…mas também não esquecer as campanhas, que como líder do BE, apadrinhou contra MLR enquanto ministra…todos erramos ora bem, o difícil é reconhecer isso…obrigado.

    1. Contestei o autoritarismo de MLR e a maioria dos professores também. Mas não é isso que se está a discutir aqui, é o examinismo como doutrina e como incapacidade de ensinar. Ainda bem que estmos de acordo.

  9. A questão do (in)sucesso escolar é bastante mais complexa e vai muito alem do numero de exames obrigatórios. Excertos retirados de uma excelente reportagem do Publico sobre o ensino na Polónia, que deu um salto qualitativo enorme, comparativamente a Portugal:
    “Todos os bons sistemas são baseados numa autonomia das escolas e dos professores muito forte. Se vocês querem ter sucesso, têm que fazer isso”
    “Os docentes da Polónia são os que menos tempo passam nas salas de aula na OCDE, com 18 horas de carga lectiva por semana – em Portugal, são mais quatro horas semanais.”
    “a taxa de abandono precoce da educação é de 17,4% entre os estudantes portugueses e de 5,4% para os polacos.”
    “Temos professores excelentes e os meus colegas querem aprender tanto quanto eu e depois seguir para a universidade”.
    “Os nosso estudantes estão a fazer muitos testes, por isso, talvez estejam melhores a fazer estas provas”
    “Põe-se pressão social nos professores para fazerem bem o seu trabalho, mas evitamos algumas ideias loucas, como as que apareceram nos EUA, de punir os professores por maus resultados”.
    “A escola é boa e nota-se que os professores estão empenhados. Mas se calhar também temos sorte, porque os miúdos gostam de estudar”

    1. Tem toda a razão. Não estava a discutir o insucesso escolar (embora o examinismo exagerado conduza a isso). Registei só que não há outro país que não a Austria que exagerou tanto como Crato em Portugal.

  10. Um exame não tem a capacidade de ensinar. O objectivo dos exames sempre foi aferir. É para isso que eles servem. São uma ferramenta para fazer o diagnóstico de cada aluno individualmente, de cada escola escola a um nível regional e do sistema educativo a nível nacional. A função dos exames é descobrir os problemas educativos o mais cedo possível, para que possam ser corrigidos o mais cedo possível. O resto são cantigas.

  11. O Crato realmente é uma nódoa, e exames de quarta classe não servem para nada. No entanto existe 1 exame que acho indispensável e até deveria ter peso total na nota de entrada para a faculdade. São os exame no final do 12, o que valem 40%. A razão disto prende-se com o facto desses exames serem os mesmos no país todo o que permitiria anular o efeito econômico na inflação de notas nos colégios. Eu por exemplo acabei o secundário com média de 17,5 e tive resultados dos exames nacionais em linha com as notas que tinha, mas vi muito menin@ vindo dos colégios com médias de 18 ou 19 que depois no exame que era o mesmo que o meu apareciam 11 e 12 e coisas do género. Neste caso o factor colégio subiu tremendamente a média de entrada destes últimos que valiam pouco mais de 10. Tive colegas na escola pública com médias de 14 exames em linha com a média é ficaram atrás destes mais riquinhos.
    Outra coisa completamente desnivelada mesmo entre escolas públicas é a diferença de acesso e possibilidades entre o interior e o litoral. Fiquei completamente xocado e raivoso quando ouvi a descrição (da minha mulher) do que era a escola pública em Lisboa comparado com a minha escola pública em Mirandela. Desporto lá era correr a volta da escola durante o ano inteiro, passeios de estudo vi muitos pelo national geographic, chover na aula era corriqueiro e também não havia problema porque o frio era tanto que estudávamos de kispo e escrevíamos de luvas. Informática por exemplo não havia é quando apareceu lá pelos meus 15 anos já eu vendia software para ganhar dinheiro. Uma vergonha! E pior ainda deve estar agora que já de lá saí há 20 anos e parece que ainda não teve obras. Uma vergonha!

    1. Agradeço o testemunho. De facto, o exame da “4ª classe” é uma forma de fingir que se ensina e evitar o esforço que as crianças merecem.

  12. Recordando AGOSTINHO DA SILVA.
    Educare = notar que a raiz etimológica do termo relaciona-se com o verbo “educere”, composto do prefixo ex (fora) + ducere (conduzir, levar) – o que significa, traduzindo ao pé da letra, ‘conduzir para fora’, ou seja, preparar a criança para o mundo exterior, fora da protecção dos progenitores. Na significação própria de Agostinho da Silva – «[…] educar é podar; deixar crescer com toda a força o ramo que nos agrada.»

    Numa brevíssima, e sempre incompleta, referência ao pensamento de Agostinho da Silva, ressaltam-me três ideias. Primeiro, a promoção de um outro conceito de escola “integrativa” – que efectivamente prepare a criança para viver em “sociedade”, fazendo realçar o que há de melhor no Homem: a cooperação, a solidariedade, a entreajuda e o amor fraternal, na comunhão e na contemplação da Vida e na edificação do “bem-comum”; logo, diferente, portanto, do ambiente material, individualista e competitivo com que nas “escolas de guerra” dos nossos dias se vão formando adultos. Segundo, importa fazer realçar na criança a curiosidade que motiva a “criatividade” – porque é através do dom de “criar” que o Homem se aproxima e assemelha ao Criador. Terceiro, o pressuposto de que o fim último do conhecimento, da ciência e da tecnologia é a liberdade criadora do Homem – liberto que deve estar de todos os constrangimentos materiais, políticos, económicos e sociais que o privam da sua verdadeira existência: ser “criador” e “poeta”!
    Sem espaço para mais, vejamos, entre muitas outras, algumas citações:

    «Todas as nossas escolas são escolas de guerra, pelo recrutamento, porque só queremos os mais aptos ou aqueles que julgamos mais aptos, pela disciplina do curso e do comportamento, e pelo nosso objectivo de, no final dos estudos, os repartirmos por armas.»

    «[Ensinam-nos] a vencer na vida, afinal, pois que é para eles a vida um campo de batalha em que se ganha ou se é batido, não a única, talvez, ocasião que nos é dada de olhar o esplendor do mundo e de o amar, e de, amando-o como é, muito melhor o sonharmos, para que mais o amemos ainda»

    «Mais forte do que o instinto de posse, mais forte do que o instinto de rivalidade, se levante em cada espírito infantil o instinto criador; antes de vir para lutar e possuir, o homem veio para criar; seria ridículo supor um ser cuja missão fosse a de travar batalha com os seus semelhantes ou a de erguer muros na paisagem do campo (…) a escola (…) há-de responder ao apelo que vem do íntimo das crianças para as deixarem trabalhar com amor, criar com liberdade e sentido social»

    «Em primeiro lugar que falta à sua missão a escola que não desenvolve no aluno toda a sua personalidade; a escola deve ser o lugar em que a criança mostra e afirma a sua originalidade, a sua capacidade de criação e de emoção; a aula não deve ser nunca a máquina que, segundo a expressão vulgar,” quebra a vontade” dos alunos e faz deles os seres passivos, que são realmente cómodos, mas de que a sociedade não tira nenhum proveito: não tem nada que se criar o“obediente”, tem que se criar o “responsável”, o responsável perante si próprio, perante a sua escola, perante a sua cidade, o seu país perante a humanidade inteira»

    «O grande educador não pensa na escola pela escola, como o grande artista não aceita a arte pela arte; é incapaz de se encerrar na relativa estreiteza de uma vida de ensino; a escola, de tudo o que lhe oferecia o universo, é apenas o ponto a que dedicou maior interesse; mas é-lhe impossível furtar-se a mais larga actividade. De outro modo: trabalha com ideias gerais; não dirá que esta escola é o seu mundo, mas que esta escola é parte indispensável do seu mundo. E quererá também que toda a oficina passe a ser uma escola; que haja o trabalho proporcionado e alegre, amorosamente feito, porque se sabe necessário ao progresso, levado a cabo numa atitude de artista e de voluntário, disciplinado remador na jangada comum; que se não esmaguem as faculdades superiores do operário sob o peso e a monotonia de tarefas sem interesse e sem vida; que se faça a clara distinção entre o homem e a máquina; que, finalmente, se ajude o trabalhador a encontrar na sua ocupação, em todas as ideias que a cercam e a condicionam ou que ela própria provoca, o Bem Supremo da sua vida e da vida dos outros.»

    «O homem não nasce para trabalhar, nasce para criar, para ser o tal poeta à solta.»

    1. Num tempo em que papel do professor/educador é tão pouco apreciado pela sociedade convém relembrar as palavras do grande Engenheiro A.L.Casillas, precursor do Ensino de Formação Profissional Industrial, autor do livro “Máquinas Formulário Técnico” que chegou à 19ª edição espanhola, 3.ª portuguesa (1981):
      “O mais belo e nobre de todos os labôres humanos é o de semeador, em qualquer de suas aplicações que suponha utilidade para os seus semelhantes”.

  13. A afirmação da Merkel tem lógica,pois a Alemanha precisa de trabalhadores braçais,doutores tem lá os deles agora quem limpe as retretes. Na Alemanha assim como nos outros paises nórdicos o ensino tem uma divisão das capacidades dos alunos. neste pais temos uma divisão logo no primeiro ano da escola os que não tem dinheiro e não tem cunhas e os que tem dinheiro mesmo sendo do banco e tem as cunhas. Na Holanda o ensino é gratuito os livros o material escolar os transporte para a escola se for preciso. Na holanda as crianças não tem que andar com 15 kilos de livros as costas para irem para a escola. Na Holanda as crianças não tem trabalhos de casa pois a escola são 8 horas,não é 8 e mais horas extras. Na Holanda o mais importante exame é feito aos 14 anos.E é nesse exame que se vai dar a divisão dos alunos os que vão para a universidade e os que vão para o ensino profissional.

    1. Na Holanda tens capitalismo. Tens uma sociedade com um modelo económico liberal.
      Aqui não.

  14. lá está outra x , francisco louçã
    a atacar a ágora – consigo tambem tudo que bule fica aquém à luz do critério

  15. Como sempre para a esquerda, ensinar é “passar de ano”, é distribuir diplomas e certificações, independentemente da qualidade e do nível exigência. Assim entre outras coisas, fica mais fácil para a esquerda governar se forem todos ignorantes. Como se sabe, nos países mais cultos e evoluídos não há blocos de esquerda por exemplo.

    O conhecimento em Portugal tem atingido um nível degradante precisamente pelo facilitismo associado à esquerda/socialismo.

    1. Agradeço imenso esta compilação de banalidades e preconceitos, porque é a este nível que se tem defendido o examinismo. Acontece que só na Áustria há exames como os nossos. Porque é que não há na Alemanha, que tem um sistema de educação melhor do que o nosso? Malandros dos alemães, facilistas, socialistas, degradados, recusam a exigência.

    2. De facto, um rosário de preconceitos que a simples leitura de um desses artigos que corre na net teria evitado. Socialismo = facilitismo?! Falso. Veja-se o ensino russo, por exemplo, remanescente do sistema de educação soviético, um dos mais exigentes do planeta. Outro exemplo: China, etc. Qualquer destes sistemas valoriza o mérito em detrimento de critérios económicos e sociais, que é o que o Crato anda a ver se introduz aqui (ou, melhor dizendo, se aperfeiçoa, porque nunca deixou de existir).

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