Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

14 de Julho de 2015, 08:28

Por

Munique ou Versalhes? Infelizmente, Europa

MunichAgreementSarajevo (um incidente sangrento que viria a desencadear uma guerra mundial) ou Munique (uma capitulação que abriu o caminho para a guerra seguinte)? Munique, escreve-me um amigo italiano, professor de economia e indignado: temos um Pétain em França, Chamberlain em tantos outros governos e todos alegres em Munique (na foto, o regresso de Chamberlain, “a paz está garantida”).

Munique ou antes Versalhes (o tratado da humilhação, que ajudou a criar as condições para a guerra seguinte)? Versalhes, isto é Versalhes, responde Varoufakis, saído ao fim de poucos dias do seu silêncio para castigar um acordo que acha que será uma crucificação.

 

Explica Viriato Soromenho Marques: é uma vingança contra os gregos e revela todas as patologias da Europa. Acrescenta Wolfgang Munchau: a brutalidade dos credores demoliu o projecto da Eurozona. É no Financial Times.

Marisa Matias escreve hoje ainda mais claramente no Diário Económico:

Os termos deste acordo são relevantes para determinar o que será o futuro da Grécia e do primeiro governo grego que se atreveu a lutar para defender o seu país, mas temo bem que, para a Europa, seja tarde demais. A imposição de uma humilhação nacional, contra a vontade inequívoca e esmagadora de um povo, à qual se seguirão mais três anos de massacre gerará inevitavelmente um ressentimento profundo.

As respostas a esse ressentimento só poderão ser emancipatórias, senão não serão respostas, mas terão que ser certamente construídas contra esta pseudo-União, na Grécia e onde quer que os cidadãos se fartem dos maus-tratos de uma elite de rufias e mafiosos. Agradeçam à Sra. Merkel: ontem à noite, começou a morrer a Zona Euro. Paz à sua alma.”

Todas estas críticas estão de acordo no ponto essencial, isto é o princípio do fim. Uma União baseada na perseguição à democracia e numa economia socialmente inviável para tantos milhões de pessoas não tem consistência e cairá.

Acresce ainda o ponto mais relevante da declaração de Varoufakis para o curtíssimo prazo, a sua certeza: o acordo é inaplicável (e ele próprio não se preparou para a alternativa, como assinala Ricardo Paes Mamede). Mariana MortáguaMiguel Sousa Tavares (as condições medievais de conquista), José Vítor MalheirosPedro Santos Guerreiro insistem no mesmo: é ignóbil e impossível.

É inaplicável porque não há 50 mil milhões de activos do Estado grego disponíveis para o fundo de garantia dos credores – muitos desses activos seriam usados para recapitalizar os bancos, mas eles já são garantias dos bancos… Não há tempo para a operação, porque o sistema bancário precisa de uma resolução (mas os credores ficavam a perder) ou de uma recapitalização (e não há fundos) a curtíssimo prazo. Não há meios para a recuperação económica, porque o efeito recessivo (aumento do IVA e corte de pensões) é imediato, mas o investimento prometido tarda, se é que vem. Não há a mais remota possibilidade de a Grécia conseguir os pagamentos imediatos a que se obriga no acordo.

E não há tempo político de resposta a uma contingência no curto prazo, porque se o parlamento grego eslovacoaceitar tudo, ainda pode um dos outros parlamentos (Alemanha, Finlândia, Áustria, Holanda, Eslováquia, Estónia) deitar o acordo a perder. Tanto mais que a vingança parece ser o motivo desta gente: veja na foto ao lado um tweet do ministro das finanças da Eslováquia (entretanto apagado), a explicar que isto é a retribuição contra o atrevimento dos gregos e da sua “primavera”, ou seja a sua democracia.

Além disso, se todo o esquema funcionasse e mesmo que não houvesse vingança, a receita vai sempre falhar. Como lembram os economistas Mariana Mazzucato e Robert Boyer, a austeridade nunca funciona, a recessão não cura a recessão, andamos todo o século XX para aprender isso e para saber que a solução é a criação de emprego e não a destruição económica.

Para a Europa se reencontrar, terá que vencer esta mafia financeira que acha que a sua renda vale mais do que a vida de milhões de pessoas. Mas para isso será precisa uma esquerda que nos liberte da prisão.

Comentários

  1. Impressão de leitor, crítica sumária e pontual… Não penso que se trate de vingança (nem de humilhação, etc., etc.), e penso de resto que o uso até ao abuso da tragédia de costumes neste contexto (de conflito ideológico violento, cerrado) vela mais do que revela. O exemplo muito bem escolhido por si do tweet de Peter Kazimir, não me parece indicar em nada um desejo de vingança (ou de humilhação, etc., etc.), mas evidenciar — a referência à “Primavera Árabe”, é muito clara — a intenção por parte das instituições europeias e internacionais de conter e erradicar todo o exercício e acesso ao poder das esquerdas da Esquerda anti-austeritária na Europa. Não é vingança, não é humilhação, etc.. É uma erradicação.

  2. Keynes – “As consequências económicas da paz”, 1919.
    Por Medeiros Ferreira – “Não há mapa cor-de-rosa – a história (mal)dita da integração europeia”, 2014. Pg 37-39

    [Sobre o Tratado de Versalhes:]
    “As cláusulas económicas do Tratado são suficientemente extensas para causarem o empobrecimento da Alemanha no presente e para impedirem o crescimento futuro. Colocada em tal situação, a Alemanha deve proceder a pagamentos em moeda…”
    [Medeiros Ferreira] Keynes coloca em dúvida a capacidade de a Alemanha conseguir pagar tais montantes e obrigações, o que se veio revelar pertinente. Seriam três o meios pelos quais a a Alemanha poderia pagar a dívida:
    1. Riquezas imediatamente cedidas como espécies em ouro, navios e capitais depositados no estrangeiro;
    2. Valor dos bens existentes nos territórios perdidos, ou evacuados, depois do armisticio;
    3. Prestações anuais repartidos no tempo, consistindo quer em espécies, quer em matéria-primas tais como hulha, a potassa e produtos corantes.

    [MF] Esses aspectos draconianos do Tratado do Versalhes mencionados por Keynes seriam depois atenuados com moratórias e a redução de montantes incluidas posteriormente nos Planos de Dawer, Young e com o acordo na Conferência de Lousanne de 1932, um ano antes da subida ao poder na Alemanha de Adolf Hitler.
    “O Tratado não inclui nenhuma disposição destinada à restauração económica da Europa – e não decide nada para colocar os Impérios Centrais vencidos no meio dos novos vizinhos – nada para organizar os novos Estados europeus ou para salvar a Rússia. O Tratado não organiza sequer um contrato de solidariedade económica entre os Aliados. Nenhuma disposição foi tomada para restaurar finanças desregradas da França e da Itália, e para organizar o funcionamento do antigo e novo mundo.”

    Para Keynes o sistema económico europeu funcionava à volta da Alemanha:
    “As estatísticas de interdependencia da Alemanha e dos vizinhos são esmagadoras; a Alemanha era o melhor cliente da Rússia, da Noruega, da Holanda, da Bélgica, da Suíça, da Itália, da Áustria-Hungria; ela vinha em segundo lugar nas compras feitas à Grã-Bretanha, à Suécia, à Dinamarca, em terceiro para as compras feitas à França. Ela era fonte de abastecimento mais abundante para a Rússia, a Noruega, a Suécia, a Dinamarca, a Holanda, a Suíça, a Itália, a Áustria-Hungria, a Roménia e a Bulgária; e a segunda para a Grã-Bretanha, a Bélgica e a França.
    A Alemanha não se limitava.a ter relações comerciais com esses Estados, ela também lhes fornecia uma grande parte dos capitais de que eles tinham necessidade para seu próprio desenvolvimento. Ela tinha investido 500 milhões de libras na Rússia, na Áustria-Hungria, Bulgária, Roménia e Turquia, de um total de 1250 milhões de libras colocados no estrangeiro (…). Toda a Europa situada a leste do Reno entrou assim na órbita industrial germânica e a sua vida foi moldada em consequência (…)”

  3. Este acordo está envenenado. A subida do IVA da alimentação de 13% para 23% ao mesmo tempo que cortam no subsídio do gasóleo para a agricultura e cortam nos rendimentos têm um objetivo bastante óbvio. Causar uma calamidade na Grécia.
    O tal fundo de saque é mais do mesmo. Os alemães estão a tentar fazer o mesmo que já fizeram na Grécia no passado mas em versão “light” e com luvas de veludo.

    Se não me engano a Grécia está atualmente próxima da auto-suficiência alimentar. A melhor solução era mesmo renegar o acordo e a médio prazo sair do Euro. O único problema, como eu já disse antes, é se os militares se mantém tranquilos durante um processo desses.

  4. Cada vez mais me parece que o euro é mesmo uma fraude e uma armadilha. Tiraram aos países toda a capacidade e a soberania para decidirem as suas políticas monetárias com o compromisso de a UE agir como uma união e de solidariamente ocorrer a todas as necessidades.
    Está à vista que não é assim. A Grécia só poderá ter algum futuro se sair do euro com tudo o que isso acarreta. Joseph Stiglitz diz que os gregos podem ” tomar o seu destino nas suas próprias mãos. Os gregos podem ganhar a oportunidade de ‘moldar um futuro “que, embora talvez não tão próspero quanto o passado, é muito mais esperançoso do que a tortura inconcebível do presente.”
    Talvez o “erro” do povo grego e do governo, foi terem afirmado, com muita clareza, que não querem, em caso algum, sair do euro. Não encararam a necessidade de sair do euro por sua iniciativa e no momento que considerassem mais oportuno. Perderam a “bomba atómica” que colocava em sentido o “diktat” reinante e lhes dava algum poder negocial. Concederam-lhes muito tempo e eles prepararam-se. Agora correm com a Grécia – depois de a estrangularem – já não por esta não aceitar as suas condições, mas por que é necessário esmagar um governo de esquerda que tem abalado os alicerces do poder único que domina a Europa.

  5. Aquilo que a “europa coligada”, actual administração da gerência dos destinos do espaço financeiro, não admite é que se vá contra as suas ordens e, sobretudo, contra o status…
    Não digo que não tivesse sido considerada a saída da Grécia, pelo seu “atrevimento” de confronto a esse muro empedernido, mas, efectivamente, a falsa condescendência de ceder uns trocos àquele povo representa o exercício do grande poder sobre um subjugado com fracas escolhas. Ou, por outras palavras, recebem, mas ajoelham e baixam a cabeça agradecidos. Nenhum povo aceita isto sem revolta.
    E há uma ideia clara de querer vergar este governo, que não é alinhado com a onda política vigente…

  6. Se não concordavam com as condições do novo empréstimo, recusem-no, saiam do Euro (aliás já “começou a morrer a Zona Euro), tentem obter outras formas de financiamento. A Europa é mais que a Grécia, chega de 6 meses dominados por problemas de quem não os quer resolver.

  7. É importante e pertinente evocar os Tratados de Versalhes e Munique, como Francisco Louçã hoje faz. Também é bom não nos esquecermos da negação em ajudar o governo eleito e republicano espanhol contra o golpe de Estado franquista, por parte dos governos “democráticos” europeus, em particular o francês, na altura também “socialista”, sabendo todos eles que Franco estava a ser apoiado, económica e militarmente, por Mussolini e Hitler. O resultado foi a tragédia da guerra civil, que serviu de laboratório para a consolidação do fascismo e nazismo, com a consequente Guerra Mundial (Vicenç Navarro chama a atenção para este facto, em dois artigos publicados recentemente).
    Considerando os ensinamentos que diferentes Tratados nos dão, não pude, entretanto, esquecer o de Brest-Litovsk, assinado entre a Rússia e os alemães, em que Lenine cede a Polónia, Lituânia e parte da Letónia aos alemães, para, com isso, proporcionar a paz ao povo russo, condição indispensável para o progresso daquele povo.
    E, foi com base nesta experiência – a de que é necessário dar um passo atrás, para que se possa dar dois em frente – que acreditei estar perante uma estratégia do governo grego, em particular de Alexis Tsipras, nas cedências a que fomos assistindo, mesmo antes do referendo.
    Mas, infelizmente, não é disso que se trata, como confirma, definitivamente, este acordo de traição ao povo grego (não encontro outro palavra para o definir, com muita pena minha e, certamente, de muitos/as outros/as).
    Julgo, igualmente, indispensável, porque justo, falar da posição do Partido Comunista Grego em todo este processo. Pode-se discutir o grau de ortodoxia, de esclerosamento do KKE. Não se pode, contudo, ignorar ou dizer que não tinha razão, quando votou como votou na véspera do referendo (contra as propostas de Bruxelas e, simultaneamente, contra o programa do Syriza), alertando para a natureza, maioritariamente social-democrata, isto é, defensora do capitalismo, ainda que “democrático”.
    Uma lição, parece-me, tem que ser tirada: quem se diz de esquerda e defender as classes populares e trabalhadoras tem de tornar muito claro quem é o seu inimigo e, a partir daí, definir uma estratégia (idealmente, em comum), para derrotar esse inimigo – o capitalismo “tout court” -, que nos destrói a vida, o país, o planeta.

    1. Pode-se reescrever a história. Mas o KKE, partido comunista grego, não votou contra o ultimato e contra a proposta do Syriza. O que estava no boletim de voto era aprovar ou rejeitar o ultimato. O KKE votou nulo. Era-lhe indiferente que fosse aprovado ou rejeitado o ultimato. O PCP tomou uma posição bem mais inteligente, e que deve ter provocado alguma azia no KKE, que foi saudar a vitória do Não. Sim, quem se diz de esquerda tem que saber muito bem quem é o seu inimigo.

    2. Leio e ouço, sempre com interesse, Francisco Louçã e, regra geral, concordo com o que diz. Mas, como não há regra sem excepção, desta feita cumpriu-se a máxima, ou, talvez, não me tenha feito entender.
      O meu comentário foi a expressão de quem se sente traída e revoltada contra quem não merece o povo que tem, que votou como votou no referendo, nem a confiança que muita e muita gente, pela Europa fora, depositou no governo Syriza..
      Sinto-me enganada. E, com humildade, não a cristã, mas aquela que, penso, deve ser uma qualidade da Esquerda, reconheço o erro e engano em que caí.
      Engano, quando, por exemplo, traduzi, com todo o entusiasmo, para o meu blog, o discurso de Tsipras, de 28 de Fevereiro, perante o Comité Central do Syriza (postado em 24 de Março, em oqueelesescondem.blogspot.com) ou quando critiquei severamente o KKE pela posição que assumiu, no Parlamento grego, ao votar contra o referendo (post de 29 de Junho, em irresiliencias.blogspot.com).
      Resta-me a consolação de saber que, dentro do Syriza, há ainda quem defenda a dignidade, demonstrada pelo povo grego.

      Com estima e consideração de quem não pretende reescrever a história, mas aprender com ela.

  8. Lamento dizê-lo, mas acho que os ânimos exaltados estão a fazer pessoas que tem razão perde-la num minuto. Em particular, a cronica de José Vítor Malheiros e inominável. Pretender estabelecer comparações entre a Alemanha de hoje e a de 1938 e não só insultuoso para os Alemães, mas sobretudo para as vitimas do Nazismo, Gregos incluídos. Como já o disse aqui, a Alemanha atual parece comportar-se como os seus credores de 1919 em Versailles, e a senhora Merkel parece querer fazer de uma espécie de Chanceler Brunning a escala europeia, a impor continuamente uma solução que não funciona (e a chocar o ovo da serpente no processo). E sim, o comportamento do Governo Alemão deveria envergonhar quem o elegeu, não o do Governo Grego, por mais atabalhoado que tenha sido. E convém não esquecer quer as contribuições de um Harald Schumann na denuncia do processo de resgate aos bancos europeus, quer a critica por parte do Linke e dos Verdes Alemães as posições do atual governo em Berlim. Alias, suspeito que o Anti-Comunismo primário de parte da CDU tem algo a ver com a forma como estes tratam o Syriza, da mesma família política do Linke… O que esta em causa e a deriva neoliberal do PPE e o mutismo do PSE perante tal coisa, não um conflito entre povos… Ja bastam os problemas que temos…

    1. Sim, acho que a sua prevenção é sensata e que as comparações devem ser cuidadosas. Mas há uma capitulação europeia perante o poder de Berlim que é trágica para o futuro da União.

    2. Sim, concordo, há uma capitulação não só dos Gregos como daqueles que procuraram uma solução mais honrosa e menos custosa para a Grécia, essencialmente a Franca e a Itália (tendo o Governo Português por calculo político ficado vergonhosamente alinhado com Berlim). Mas, mesmo assim, espero que os Gregos aceitem este acordo, porque já se percebeu que a Grécia não esta de todo preparada para sair agora do Euro. Como alguém assinalava ontem na ‘Foreign Policy’, o principal problema da Grécia e a descapitalização da sua banca, sendo que os ativos dos bancos se resumem a benefícios fiscais sobre eventuais futuros lucros. Estes bancos precisam de uma injeção de capital que lhes permita funcionar quando o garrote do BCE for de novo aplicado (e vai se-lo de certeza, esperemos que demore algum tempo ate que isso ocorra). E pode ser que com a ‘ajuda’ do FMI, a Grécia obtenha uma extensão de tal modo grande das maturidades que equivalha na pratica a um ‘haircut’. Eu sei que como estratégia política isto não entusiasmara muito os eleitores do Syriza, mas há que preparar batalhas futuras. E já agora, uma sugestão ao BE e ‘travelling companions’: depois da Auditoria Cidadã da Divida, uma Comissão de Economistas e Juristas para Estudo da Saída de Portugal do Euro seria muito bem vinda, o seu livro e um excelente ponto de partida…

  9. Tendo lido as linhas gerais das medidas não parece nada que não tenha sido aplicado cá por Portugal. Mais duro certo, mas a culpa é do Syriza por ter sido teimoso e destruído a recuperação que já tinha começado. Não se esqueçam que a Grécia já tinha saído da espiral recessiva antes do Syriza chegar ao poder. A sua cegueira ideologia deitou tudo a perder. Quanto aos 50 mil milhões não se preocupe, se não houver empresas para capitalizar o fundo existem ilhas.
    Os vossos presságios do fim da Europa são infundados. O que se viu foi uma união forte contra a loucura dos que pensaram poder implodir a Europa. Seria muito pior satisfazer as reivindicações do Syriza como apoiavam partidos radicais anti-europeus como o Podemos o UKIP, a FN, etc… Esses sim são a verdadeira ameaça à Europa.

    1. Quando a Alemanha exige ficar com as telecomunicações da Grécia e que se crie uma empresa privada com 50 mil milhões de propriedade pública grega, ficamos conversados sobre a ameaça à Europa. Até Paulo Rangel o reconhece…

    2. O Syriza teve 5 meses para explicar como pretende pagar o dinheiro aos credores !!!
      É a única coisa que qualquer credor quer saber: como pretende o seu devedor pagar as dívidas; e era isso que se esperava do Governo grego durante 5 meses… e NADA !
      Que se pode fazer mais pelos gregos que votam num tal Governo ? Um Governo que usa a chantagem política de um plebiscito como arma de arremesso em negociações europeias ? Já alguém pensou que estas condições são talvez as únicas capazes de impedir que os povos da Finlândia, Lituânia, Letónia, Estónia, Eslováquia, Áustria, Eslovénia, Holanda e Alemanha (um total de 135 milhões de eleitores) não reclamem igualmente o direito de submeter os 85.000.000.000 de euros dos seus impostos a referendo ? E quem é que provocou este extremar de posições, quem foi ??? Os camaradas do Syriza. Uma santa tarde para todos.

    3. “Os vossos presságios do fim da Europa são infundados. O que se viu foi uma união forte contra a loucura dos que pensaram poder implodir a Europa. Seria muito pior satisfazer as reivindicações do Syriza como apoiavam partidos radicais anti-europeus como o Podemos o UKIP, a FN, etc… Esses sim são a verdadeira ameaça à Europa.”

      Engana-se. O Podemos, Syriza, UKIP, FN, são um reflexo do que se passa na Europa e não o contrário.

  10. Foi shauble que assinou a certidão de obito da europa.Sauble e os seus colaboracionistas.Sim ,deve-se falar do dr.strangelove(não por causa da cadeira de rodas) como sendo um filme mais qua actual que foi a bandeira de Kubrick/Sellers para criticar duramente o poder,e quando este passa para mãos de gente completamente enlouquecida pela idolatria do dinheiro.

  11. Por acaso, ocorreu-me mais uma malvadeza da troika que partilho aqui. Como sabem, a Irlanda também foi sujeita a um programa da troika. Pelo que se aprende neste blogue, um desses programas em que a troika finge que empresta dinheiro aos países para fazer enriquecer os bancos e que deixam esses países eternamente endividados e pobres.

    Ora, a Irlanda tem o segundo PIB per capita da União Europeia, a seguir ao Luxemburgo e à frente do expoente da exploração capitalista que é a Alemanha!
    https://en.wikipedia.org/wiki/Economy_of_the_European_Union

    E, surpresa, surpresa! Na Irlanda também há partido syriza, o Sinn Fein, que acha que a dívida não é para pagar!
    http://www.irishtimes.com/news/politics/irish-debt-must-be-restructured-alongside-greek-debt-doherty-1.2277615

  12. Uma união monetária onde o banco central provoca propositadamente instabilidade financeira num dos seus membros e inventa regras quando lhe apetece sem qualquer escrutínio democrático. Onde se tratam os estados pobres como se fossem meros utilizadores exteriores da moeda, sem direitos nem voz. E com uma direcção económica decidida por um ‘Eurogrupo’ que se orgulha de não ter qualquer base legal ou qualquer transparência nas suas deliberações (sempre à porta fechada), e que apesar de meia década de fracasso a toda a linha insiste em continuar as mesmas políticas com base unicamente na ideologia do membro mais forte.

    Como é que permitimos que Europa chegasse a este ponto?

    PS: Quero aproveitar para agradecer ao António Costa por clarificar que não se opõe ao golpe que que ocorreu nestes últimos dias para impor abertamente a nova ordem colonialista na zona Euro. Tornou a minha escolha em quem votar muito mais fácil.

    1. Apesar de votar comunismo, chego a um ponto que me apetece votar na extrema-direita, ao menos sabemos com o que contar.

    2. Quando se confunde esquerda e extrema-direita, estamos no pesadelos dos anos trinta e do nazismo.

  13. Embora ache que os europeus devam ser solidários entre si, e neste caso com a Grécia, temos que refletir e pensar se os gregos não estão só a olhar para o seu umbigo! Se perguntassem aos portugueses se queriam cortes nas pensões, nos salários, etc, penso que todos, ou quase todos fariam comos os gregos! O povo grego tem que assumir a responsabilidade democrática das suas anteriores más escolhas políticas, assim como o português, pois não é , com certeza, o povo alemão que tem culpa de se eleger corruptos, velhacos e incompetentes para os órgãos governativos! A democracia é, tb, o exercício da responsabilidade individual e se queremos as coisas boas que daí advêm teremos, tb, que aceitar o mau que poderá advir. A discussão na Europa passa pois por, todos, conseguirmos arranjar um modelo de governança que possa continuar a proporcionar o bem estar a todos mas, sobretudo, a continuar a ser o continente onde se possa continuar a desenvolver novos referenciais democráticos, culturais, ambientais e civilizacionais! As ameaças são mais que muitas para se promover a divisão!

    1. Gregos a olhar para o umbigo? o que vejo é a Alemanha a exigir que uma sua empresa pública fique com as telecomunicações gregas.

  14. Varoufakis explica que no Eurogrupo existem poderes reais obscuros que quando te falam directamente se vê serem como temia, a situação é pior do que ele imaginava.

    E depois explica:
    “Figuras muito poderosas olham-te nos olhos e dizem-te: “tens razão no que dizes mas de qualquer maneira vamos esmagar-te””.

    http://www.newstatesman.com/world-affairs/2015/07/exclusive-yanis-varoufakis-opens-about-his-five-month-battle-save-greece
    “Very powerful figures look at you in the eye and say ‘You’re right in what you’re saying, but we’re going to crunch you anyway’.”

  15. Sejamos pragmáticos: – O que tu farias se estivesses no lugar de Tsipras?
    Esqueçamos resultado do referendo.
    Esqueçamos até a má preparação [e reputação] dos gregos – na elaboração de um Plano B, contingente à saída.
    – Sim, o que tu farias se estivesses “isolado”, sujeito a vários tipos de pressão, “coagido”, “humilhado”, durante 17 horas de “tortura”?
    – O que tu farias, se fosses o “príncipe” ou “ministro” de um país abatido, inteiramente dependente da ajuda externa e sem dinheiro nos cofres – e o teu reino à beira de uma catástrofe humanitária? Manterias a face ou estenderias a mão?
    – O que farias tu, homem valoroso, se tivesses uma pistola apontada à cabeça, coagindo-te a assinares um cheque “sem cobertura” – e que sabes que, sem mais garantias, não vais poder pagar? Morrer como um herói, “morto” na fraqueza da estupidez ou falsa valentia, ou sobreviver na “fé” e na “esperança” de preservar a vida – e, na fortaleza, levantar a cabeça e lutar por melhor fortuna no dia seguinte?

    Porventura Tsipras assinou porque, em boa verdade, não tinha em mãos (por culpa própria ou alheia, já pouco importa) outra alternativa… Sobreviverá agora Tsipras aos gregos, apoiantes e opositores, e aos comentadores e analistas políticos?
    Por vezes os fins poderão até justificar os meios. A Grécia precisa de dinheiro e tempo – como “pão para a boca”, o povo precisa de sobreviver ao dia seguinte, e a “resistência”, ora debilitada e dispersa, precisa de reorganizar-se nas “montanhas” [metáfora] – o que significa reforçar [nova] liderança, colher apoios, mobilizar aliados e melhor preparar a estratégia (ex. reunir condições para a emissão de moeda própria e preparar uma estratégia negociada de saída do euro)

    Mesmo com uma pistola apontada à cabeça… persevera na vida! O mundo muda a cada dia. E, na volatilidade do tempo, uma “mentira” dita hoje na convicção de ser “verdade”, por certo já não o será amanhã. O Euro é – a “besta” – e a grande “mentira”! – E o que pode mudar? Desde logo a “consciência colectiva” que vai moldando e mobilizando a “opinião pública”… Se estiveres certo da tua causa, e não te deixares vencer pelo teu principal inimigo – a “desesperança”, o “medo” e o “ódio” – um dia, no despertar de “consciências”, a humanidade conspirará então a teu favor!
    Resistir é acreditar no bem maior que é a “vida” – mesmo quando a morte [e a ressurreição da imortalidade do Mito] signifique o “reviver” da fé e da esperança de milhares de outras vidas.

    «Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor» [ICor13:13]
    Importa aos gregos, acima do desvio [pecado] do “ressentimento” e do “ódio”, sempre dar expressão jovial dessa “fé, esperança e amor fraternal”. É preciso conquistar a opinião pública – não apenas grega, mas europeia e global – da justeza da sua causa, sem radicalismo e preconceitos ideológicos, denunciando os “pecados originais” na concepção moeda única, a “avareza” dos mercados financeiros e “desvio” [pecado] dos lideres europeus ao ideário do “princípios fundadores” da UE – «a União baseia-se nos valores do respeito pela dignidade humana, da liberdade, da democracia, da igualdade, do Estado de Direito e do respeito pelos direitos humanos».
    A vitória do “farisaísmo” de Schäuble – e dos acólitos da “austeridade” – pode, a seu tempo, caído no descrédito, ser a sua grande derrota… e um grande tremor se abaterá então sob as colunas do Templo desta Europa moribunda!

    1. E não foi a proposta posta em cima da mesa pela Alemanha este fim-de-semana uma surpresa, tendo em conta os antecedentes do processo negocial? Mesmo sabendo o que sabemos sobre a “necessidade” de se acabar com um governo que foi eleito propondo um caminho diferente e da má fé de quem estava do outro lado, não terá essa proposta sido uma enorme surpresa para Tsypras?

    2. P.de ANTÓNIO VIEIRA – «Sermão de Santo António aos Peixes», São Luís do Maranhão, 1654.

      «A maldade é comerem-se os homens uns aos outros, e os que a cometem são os maiores que comem os pequenos […]»

      Há dois dias, o Público noticiou a atribuição do prémio World Press ao cartoonista grego Michael Kountouris.
      Vide: «Até breve, na Europa com que todos sonhamos», Maria João Guimarães. Na imagem, aparecem dois homens empunhando dois cartazes, retratando dois peixes – o “peixe grande” devora o “peixe pequeno”…
      Pegando no mote do artigo de Francisco Louça: Talvez não seja guerra, humilhação ou vingança – mas tão somente “ganância”, neste afã de como “os homens se hão-de comer uns outros”. Infelizmente, este é o retrato da Europa…

      I. «Vós, diz Cristo Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal da terra: e chama-lhe sal da terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção, mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo nela tantos que têm o ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra não se deixa salgar. Ou porque o sal não salga, e os pregadores dizem uma cousa e fazem outra; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes querem mais imitar o que eles fazem, que fazer o que dizem […]
      Suposto, pois, que, ou o sal não salgue ou a terra não se deixe salgar; que há-de fazer a esse sal, e que há-de fazer a esta terra? O que se há-de fazer ao sal que não salga? Cristo logo disse [… (Mt.5-13)]. Se o sal perde a substância e a virtude, e o pregador faltar à doutrina e ao exemplo, o que se há-de fazer, é lançá-lo fora como inútil, para que seja pisado de todos […] E à terra que não se deixa salgar, que se há-de fazer? Este ponto não resolveu Cristo Senhor nosso Evangelho; mas temos sobre ele a resolução do nosso grande português Santo António […] Pregava Santo António em Itália na cidade de Arimino, contra os hereges, que nela eram muitos; e como erros de entendimento são dificultosos de arrancar, não só não fazia fruto o santo, mas chegou o povo a levantar-se contra ele, e faltou pouco para que lhe não tirassem a vida. Que faria neste caso o ânimo generoso do grande António? Sacudiria o pó dos sapatos […]? Retirar-se-ia? Calar-se-ia? Dissimularia? Daria tempo ao tempo? Isso ensinaria porventura a prudência, ou a covardia humana; mas o zelo da glória divina que ardia naquele peito, não se rendeu a semelhantes partidos. Pois que fez? Mudou somente o púlpito e o auditório, mas não desistiu da doutrina. Deixa as praças, vai-se às praias; deixa a terra, vai-se ao mar, e começa a dizer a altas vozes: Já que me não querem ouvir os homens, ouçam-me os peixes. Oh, maravilhas do Altíssimo! […] Começam a concorrer os peixes, os grandes, os maiores, os pequenos […] com as cabeças fora da água, António pregava e eles ouviam»

      IV. «[…] A primeira cousa que me desedifica, peixes, de vós, é que vos comeis uns aos outros. Grande escândalo é este, mas a circunstância o faz ainda maior. Não só vos comeis uns aos outros, senão que os grandes comem os pequenos. Se fora pelo contrário, era menos mal. Se os pequenos comeram os grandes, bastara um grande para muitos pequenos; mas como os grandes comem os pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil, para um só grande. Olhai como estranha isto Santo Agostinho. “Os homens, com suas más e perversas cobiças, vêm a ser como os peixes que se comem uns aos outros”. Tão alheia cousa é, não só da razão, mas da mesma natureza, que, sendo todos criados no mesmo elemento, todos cidadãos da mesma pátria, e todos finalmente irmãos, vivais de vos comer! Santo Agostinho, que pregava aos homens, para encarecer a fealdade deste escândalo, mostrou-lho nos peixes; e eu, que prego aos peixes, para que vejais quão feio e abominável é, quero que o vejais nos homens.
      Olhai, peixes, lá do mar para a terra. Não, não: não é isso o que vos digo. Vós virais os olhos para os matos e o sertão? Para cá, para cá, para a cidade é que haveis de olhar. Cuidais que só os Tapuias se comem uns aos outros? Muito maior açougue é o de cá, muito mais se comem os brancos. Vedes vós todo aquele bulir, vedes todo aquele andar, vedes aquele concorrer às praças e cruzar as ruas […]? Pois tudo aquilo é andarem os homens buscando como hão-de comer, e como se hão-de comer. Morreu algum deles, vereis logo tantos sobre o miserável a despedaçá-lo e comê-lo. Comem-no os herdeiros; comem-no os testamenteiros; comem-no os legatários; comem-no os acredores; comem-nos os oficiais dos órfãos, e os dos defuntos e ausentes; come-os o médico, que o curou ou ajudou a morrer; come-o o sangrador que lhe tirou o sangue; come-o a mesma mulher, que de má vontade lhe dá para mortalha o lençol mais velho da casa; come-o o que lhe abre a cova, o que lhe tange os sinos, e os que, cantando, o levam a enterrar; enfim, ainda o pobre defunto o não comeu a terra, e já o tem comido toda a terra.
      Já os homens se comerem somente depois de mortos, parece que era menos horror e menos matéria de sentimento. Mas para que conheçais a que chega a vossa crueldade, considerai, peixes, que os homens se comem vivos assim como vós. Vivo estava Job, quando dizia: “Porque me perseguis tão desumanamente, vós, que me estais comendo vivo e fartando-vos da minha carne?” (Jó19:22). Quereis ver um Job destes?
      Vede um homem desses que andam perseguidos de pleitos ou acusados de crimes, e olhai quantos o estão comendo. Come-o o meirinho, come-o o carcereiro, come-o o escrivão, come-o o solicitador, come-o o advogado, come-o o inquiridor, come-o a testemunha, come-o o julgador, e ainda não está sentenciado, já está comido. São piores os homens que os corvos. O triste que foi à forca, não o comem os corvos senão depois de executado e morto; e o que anda em juízo, ainda não está executado nem sentenciado, e já está comido.
      E para que vejais como estes comidos na terra são os pequenos, e pelos mesmos modos com que vós comeis no mar, ouvi a Deus queixando-se deste pecado […] A maldade é comerem-se os homens uns aos outros, e os que a cometem são os maiores que comem os pequenos […]»

      1. Público. Cartoon de Michael Kountouris: http://www.publico.pt/mundo/noticia/ate-breve-na-europa-com-que-todos-sonhamos-1701756
      2. António Vieira: Sermão de Santo António aos Peixes – file:///C:/Users/cep/Downloads/portoeditora_peavieira_sermpeixes.pdf

  16. Caro Prof. Louçã,

    Se uma Grécia completamente de rastos, isolada e diabolizada, consegue abanar a Alemanha, imaginemos se um outro país, bastava mais um, estivesse ao lado da Grécia, disposto a salvar esta Europa em decadência económica e moral!?

    Todos devemos agradecer ao governo grego pelo seu esforço quase titânico. Alertou consciências a abriu os olhos.

    Até a porta da saída do euro foi aberta, já não é tabu. A renegociação das dívidas no interior da Europa vão ser aceleradas.
    O racismo e a xenofobia foram encostadas á parede, e só venceram por têm mais dinheiro, e nada mais do que isso.
    Hajam mais países a lutar como a Grécia, e esta pouca vergonha, até para os próprios alemães também eles esmagados pelo seu governo austericida, ficará resolvida a prazo.

    Se a Alemanha nunca ganhou uma guerra, porque raio vamos pensar agora que vai vencer esta guerra económica, racista e xenófoba?

    1. Não pode ganhar, mas para já está a ganhar. Notou como todos os partidos germanófilos (do CDS ao PS) apoiaram o ultimato deste fim de semana e saudaram as conclusões? Falta muita força e muita mudança para impedir esta tragédia.

    2. A lógica que sustenta a permanência de Portugal no euro (e a que se colam muitos “germanófilos”) está bem patente numa frase de Miguel Cadilhe:
      “Eu não estive a favor da entrada de Portugal na zona euro, há muitos anos, quando isto estava no início, porque achei que a moeda única seria demasiado forte para a nossa estrutura produtiva e que Portugal não estava preparado, que íamos sofrer com isso, ter um excessivo défice externo e problemas de competitividade. Mas agora que estamos lá, seria um erro da nossa parte pensar em abandonar o euro”. [2011]

      O Euro não serve. Mas não ter Euro é pior! Ou seja, a “moeda única” é sustentada numa lógica de “menor perda” – e não de “ganho”. E isto explica a distribuição do poder na Europa – um “centro” dominado pela Alemanha, grande beneficiária do euro; e, uma periferia de “perdedores”.
      Assim sendo, não podendo a periferia desafiar o poder hegemónico do “centro” (veja-se o trucidar da Grécia), resta aos “perdedores” enveredar pela adulação que, numa postura de subserviência, possa granjear a protecção e simpatia da potência dominante. É a boa lição cavaquista do “bom aluno”. É aquela velha mania de querer “ser mais papista que o Papa” (exemplo curioso: saber colocar-se ao lado dos “fundamentalistas” que, com convicção mas sem razão, defendem a saída da Grécia e – no virar do bico do prego – “por acaso”, ter a ideia peregrina que vem desbloquear o acordo que dita a permanência)
      Se queremos ter uma atitude verdadeiramente “ganhadora” – que possa sustentar uma nova etapa de prosperidade e de desenvolvimento social e económico – então, é preciso quebrar com este paradigma e esta moeda.
      O Euro, “por defeito”, já faz dos países periféricos perdedores! Será possível (re)inventar a nova “moeda comum”?

  17. Há algumas questões que me intrigam: Porque Tsipras cedeu depois de uma vitória estrondosa no referendo que aumentou, ainda mais, o apoio do seu povo? O que é que aconteceu para ele aceitar esta humilhação? Haverá alguma agenda escondida (conflito geo-estratégico, guerras cambiais, pré-preparação para a saída do euro…), que não tenhamos acesso, (e que não pode ser revelado) que fez com que Tsipras acitasse assim esta capitulação? Claro que se pode dizer que ele percebeu que o povo gregoé que iria sofrer com a continuidade do braço-de-ferro, mas ele não sabia isso desdo o início? Tinha que experimentar tamanha humilhação? Convenhamos que não é muito normal, depois de tanto esforço a lutar contra os ditadores da Europa, ele reagir desta forma… um autêntico suicídio político.

    1. A maioria dos gregos continuará a preferir permanecer no Euro, mesmo com um acordo muito mau e humilhante para um povo que tinha acabado de dizer não a algo muito menos mau. Isso poderá explicar que Tsypras não tenha abandonado as negociações, recusando aquele ultimato e atirando (de facto) a Grécia para fora do Euro. Agora, Tsypras podia era ter saído da cimeira com outro discurso, contra a humilhação sofrida pela Grécia. O facto de ter assinado um acordo contra o qual resistiu o que pôde, ponto por ponto, não era impeditivo, porque toda a gente sabe que a palavra final é do parlamento grego.

  18. Aqui está o que eu suspeitava – Varoufakis é o homem, Tsipras é um imberbe agarrado ao poder… e não tem tomates. – “I entered the prime minister’s office elated. I was travelling on a beautiful cloud pushed by beautiful winds of the public’s enthusiasm for the victory of Greek democracy in the referendum. The moment I entered the prime ministerial office, I sensed immediately a certain sense of resignation—a negatively charged atmosphere. I was confronted with an air of defeat, which was completely at odds with what was happening outside.

    ‘At that point I had to put it to the prime minister: “If you want to use the buzz of democracy outside the gates of this building, you can count on me. But if on the other hand you feel like you cannot manage this majestic ‘no’ to an irrational proposition from our European partners, I am going to simply steal into the night.” – Varoufakis

  19. E que tal a Grécia (que nem sequer é o país mais pobre da zona euro) começar a fazer reformas para redistribuir a sua riqueza e poupar para investimento? E que tal a Grécia deixar de exigir que países bastante mais pobres (como os bálticos) ou de riqueza próxima (como Portugal) façam sacrifícios para sustentar o nível de vida grego? E que tal a Grécia deixar de insultar os países que estão a ajudar apesar de a Grécia ter riqueza suficiente para se sustentar? E que tal a Grécia mostrar-se agradecida, pelo menos em relação aos países mais pobres da zona euro? E que tal os calimeros deitarem fora a casca do ovo e crescerem?

    1. O que me apercebi foi que o ministro da Estónia fez um comentário imbecil do género que na Estónia os salários são mais baixos por isso a Grécia não precisa de ajuda nenhuma. O Varoufakis respondeu-lhe que ele não tinha percebido nada. O tipo da Estónia sentiu-se insultado! Como se dignava este Grego a corrigi-lo!
      O facto de os preços dos bens de primeira necessidade na Grécia serem mais altos que na Estónia claro que não interessa para nada. Nem o facto de os empréstimos que eles contraíram para comprar habitação manterem-se. Ao mesmo tempo que lhes cortam os salários. O desemprego de 25%? Não interessa para nada. Um aumento de 35% na taxa de suicídios? Irrelevante. O que interessa é o salário mínimo ser mais alto! A audácia deste tipo Grego que tem os salários mais altos dizer que tinha um problema financeiro! A audácia!

      Podem continuar a tentar extrair mais riqueza de gente desempregada que só vai acabar bem de certeza.

    2. Para Kalimero (15-jul, 1:08): Os problemas que aponta são reais e a UE deve ajudar a resolvê-los. Contudo, a Grécia tem de fazer a sua parte: as reformas que assegurem que o problema não continua crónico. Não faz sentido que países que também têm problemas e que até são mais pobres do que a Grécia continuem a transferir riqueza para a Grécia porque os governos gregos não se atrevem a redistribuir a riqueza interna. Sem reformas, a Grécia vai continuar a empobrecer por mais sacrifícios que os outros países façam.

  20. O problema da Europa não é o desemprego, mas a falta de trabalho. Só o desenvolvimento de outras zonas do planeta vai resolver este problema. Com o atual diferencial de nível de vida ( 1º mundo, 3º mundo ), e a globalização económica crescente, os problemas vão intensificar-se. A solução seria encontrar uma civilização rica algures no universo. Assim há que gastar menos, de acordo com a menor riqueza criada.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Tópicos

Pesquisa

Arquivo