Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

10 de Julho de 2015, 08:36

Por

Guião para ler as horas até domingo

Entregues as propostas gregas ontem à noite, mas não se sabendo se existe uma segunda proposta efectiva sobre a dívida, escolho não comentar para já estas informações parciais ou as suas interpretações.

Em contrapartida, apresento-vos o que me parece ser o guião adequado para ler as informações que receberemos de hoje até domingo sobre a decisão do Eurogrupo e depois do Conselho Europeu sobre um acordo com o governo grego, ou sobre a imposição da saída da Grécia do euro.

Primeira regra: se há um novo resgate, é um recuo da Grécia. O governo tinha sido categórico desde o início, não aceitando o formato jurídico de um novo resgate, com o que ele implica de intromissão, de protectorado e de submissão. A sua alternativa era uma reestruturação da dívida. Tinha coerência: um abatimento do valor actual da dívida, obtido de uma forma ou de outra, permitiria reduzir o saldo da balança de rendimentos, usando muito menos recursos para pagar a prestação anual da dívida. A diferença seria o investimento viável e portanto a solução para a recessão. Mas Tsipras não conseguiu esse acordo de reestruturação, ele nem foi considerado pelas autoridades europeias, e portanto perderam-se cinco meses.

Segunda regra: se são propostas novas medidas de austeridade, a recessão vai agravar-se e a desconfiança também. O referendo convocou os gregos para rejeitarem o ultimato europeu e as suas propostas. Retomar o essencial dessas propostas seria sempre uma derrota política para a Grécia.

grecia voto socialTerceira regra: qualquer política fiscal ou orçamental tem que responder à divisão social da Grécia. Os pobres votaram Não porque nada têm a esperar das políticas europeias de austeridade (veja o mapa, que apresenta do lado esquerdo a diferença para o Não e do lado direito a distribuição dos rendimentos médios no território: os mais ricos votaram Sim, os mais pobres Não). É para os desempregados que têm que ser as medidas prioritárias. Se assim não for, a Grécia perde.

Quarta regra neste guião: se, apesar de novas medidas de austeridade, é aplicada alguma forma concreta de reestruturação da dívida, o balanço entre os ganhos e as perdas decidirá o resultado político final desse acordo. Nesse caso, a Grécia ganharia no que deixaria de pagar em dívida (através de um período de carência, de extensão dos pagamentos com juros adequados ao seu crescimento do PIB, ou simplesmente por redução do stock da dívida com os credores institucionais) e perderia do outro lado, no efeito recessivo da austeridade agravada. Se essa austeridade afectar as contas em 12 mil milhões, o que seria um impacto fortíssimo mesmo que ao longo dos três anos, seria sempre preciso um efeito equivalente ou superior em redução do saldo da balança de rendimentos para compensar a Grécia por via da redução da dívida. Isso não seria então uma derrota e poderia mesmo transformar-se numa recuperação da Grécia.

Quinta regra: se houver um plano sobre a dívida, mas ele se limitar a prometer conversações futuras ou estudos a realizar, então a Grécia perde. O FMI e mesmo as autoridades europeias admitiram ontem que essa reestruturação seria necessária, mas nem adiantaram objectivos e instrumentos, nem afastaram a proibição legal (Schauble veio declarar, com cinismo, que esse abatimento da dívida seria necessário mas ilegal face aos tratados europeus).

Sexta regra: se a compensação de medidas de austeridade for uma “ajuda humanitária”, então a Grécia perde. Nenhuma “ajuda humanitária” resolve 30% de desemprego provocado pelo desastre da austeridade.

Sétima regra para o guião: se o financiamento acordado for de 10 ou 15 mil milhões, então será simplesmente uma forma de dar com uma mão e tirar com outra.

Oitava regra: se os bancos não recebem liquidez imediata, então a escolha foi impor à Grécia a saída do euro. O Bundesbank continua a procurar levar o BCE a impor a falência dos bancos gregos – se assim acontecer, nenhum acordo tem qualquer significado ou qualquer viabilidade. A Grécia estará fora do euro na segunda feira.

Comentários

  1. OS EUROPEUS TERÃO DE DECIDIR: DEMOCRACIA OU EURO?
    Estimado Francisco Louçã, vai chegar a hora em que os europeus terão de decidir se querem preservar a Democracia ou persistir no erro do Euro. Para empregar uma imagem bíblica, não há como servir dois senhores!
    A Democracia – na falta de unidade e solidariedade europeia, e em contradição com qualquer alinhamento do tipo federalista a que se comprometia a adesão ao euro – dependente da soberania do Estado-nação. Diminuir a soberania é diminuir a democracia!
    O Euro, por seu turno, não só não serve à prometida convergência e prosperidade europeia, como vem comprometer a integração e coesão na UE. Mais, o Euro, como temos visto de forma mais evidente no desenrolar da crise grega, tornou-se num perigoso instrumento de dominação, chantagem e MEDO.
    Assim sendo, no novo alinhamento de forças em torno de Hollande e Merkel, percebemos que uma questão ainda mais relevante se coloca já para lá da resposta urgente sobre o que fazer com os gregos. – PARA ONDE CAMINHA [perigosamente] O EURO?
    Se a actual moeda única serve a divisão, a discórdia, a inimizade, num novo conflito de poderes e hegemonia no comando da eurozona, então, talvez tenha chegado a hora de assumir o FALHANÇO DO EURO – em vez de querer fazer da Grécia um novo “Estado falhado”!

    Estimado Francisco Louçã, escrevo este comentário profundamente consternado. Tal como muitos portugueses, acreditei que avançar para a prosperidade prometida do EURO, seria preferível a permanecer isolado na pobreza do Escudo. Enganei-me (ou fomos todos enganandos?). E eis o paradoxo: hoje, percebo que para se salvar a Europa (e o que ainda seja a integração europeia) é preciso melhor preservar a Democracia e a Soberania nacional, da ditadura financeira imposta pelo euro.
    Se os líderes europeus souberem discernir isto… talvez a IMPLOSÃO DO EURO não seja uma fatalidade – e, do relançamento das moedas nacionais se possa, quem sabe, redesenhar uma nova “moeda comum” europeia.
    Sou português – e – sou europeu! Duas realidades que a integração europeia (superando as dissensões nacionalisTasso), tornou compatível; mas, que o poderão deixar de o ser!
    E, amanhã, os gregos poderão deixar de ser “europeus”! E, não obstante, talvez Paul Krugman tenha razão: “Neste momento só há alternativas terríveis, graças à incompetência e irresponsabilidade do governo grego e, muito mais importante, graças à total irresponsabilidade da campanha de intimidação financeira da Alemanha e dos seus aliados. E acho que devo dizer: a não ser que Merkel miraculosamente encontre uma forma de propor um plano muito menos destrutivo do que temos ouvido falar, o Grexit, por mais terrível que seja, seria melhor.”

    1. Passo pela mesma consternação, não se poderia imaginar que a humilhação do protectorado pudesse chegar a isto…

  2. “(…) Diversos jornalistas que não exaltam suficientemente o estimável Sr. Tsipras encontram-se sob investigação do Ministério Público, do regulador estatal da imprensa e do sindicato do ramo. O crime? Defenderem o “sim” no referendo. É assim que começa, e o calibre dos simpatizantes internacionais do orgulho grego nunca deixou dúvidas sobre a essência daquilo. Esqueçam a “austeridade”, a “tragédia humanitária”, o euro e a Europa. O Syriza não se move pelo seu país, nem sequer pelo dinheiro indispensável ao patrocínio da anedota em que o país se tornou: o que corre no revolucionário sangue do Syriza é naturalmente um projecto de ditadura, aliás o regime em que o berço da democracia tem vivido quase sempre. De facto, metade dos gregos é digna. De pena.” Alberto Gonçalves, DN

    1. Alberto Gonçalves? Aqui está um comentador respeitado e imparcial, que nos habituou a um alto nível ao longo dos anos. Não precisava do anonimato para o citar, a não ser que o citador seja o próprio Gonçalves.

  3. Dr. Louçã, aproveito este canal de comunicação para lhe lançar um repto. Pode publicá-lo como comentário se entender, mas não é esse o meu objetivo. É preciso lançar na europa uma campanha pela saída da alemanha do euro. Agora que temos prova de que a união europeia não é uma instituição democrática, é preciso fazer alguma coisa. O presidente da comissão europeia foi o homem que durante mais de dez anos isentou as grandes empresas de dezenas de milhares de milhões de euros em impostos. Esses valores estão a ser pagos pelo contribuinte grego e português. O presidente do bce foi vice-presidente na goldman sachs enquanto esta instituição fez swaps com o governo grego para esconder dívida. São estes líderes que nos governam. É preciso desmascarar, dizer não. A união europeia entregou à china o mercado europeu dos têxteirs para ter acesso à venda de automóveis ao consumidor chinês. Neste momento os consumidores do sul da europa já pouco interessam à alemanha, mas ainda interessam um pouco. É preciso lançar um movimento, há bases políticas para isso. O Prof. está fora da política e tem esses contactos, é a pessoa ideal para o fazer. alemanha fora do euro, negociemos com a França, com a Itália, com a Espanha, com a Grécia. Vamos buscar as análises de Pedro Adão e Silva sobre a aplicação do modelo Esping-Andersen à europa do sul. Vamos dizer NÃO aos produtos alemães, já o fizemos aos da indonesia. Por uma europa solidária, contra uma europa ditadora. Vamos consumir e fabricar na europa do sul produtos da europa do sul. Este movimento não pode passar pelos governos, obviamente. Tem que ser um movimento social. A europa está a começar a esmagar o sul não colaboracionista. As condições de produtividade são demasiado assimétricas para permanecermos nesta moeda única. alemanha fora do euro ou uma moeda do sul. NÃO aos produtos alemães. Da minha parte a única coisa que posso oferecer é trabalho voluntário fora do meu horário de trabalho. Trabalho de um economista que percebe um pouco de política monetária.
    Cumprimentos

    1. Agradeço a sugestão e as referências a factos (certos) e análises de vários comentadores (fundamentais). Infelizmente, penso que essa campanha pode servir para acusar mas não para resolver… o poder do governo alemão é tal que só resta aos países sacrificados o poder de sair deste purgatório – nunca terão os votos para “expulsar” a Alemanha, nem terão aliás os instrumentos legais para o fazer.

  4. “Os apertos pelo dinheiro e os pedidos de crédito do governo do Syriza transformaram o Não ao referendo num Sim. A transição da democracia à ditadura financeira foi completa.
    Se este novo programa de austeridade deixa a situação igual ou pior que antes, a Tsipras não lhe restará mais que renunciar por ter actuado como um cavalo de Troya e ter burlado a decisão dos gregos do passado Domingo. Esta decisão soberana do povo grego foi, no dizer de Jean-Claude Juncker “totalmente irrelevante” e foi parar ao caixote do lixo. O que só confirma que a UE funciona como uma ditadura financeira e defenderá sempre os interesses do dinheiro.
    Para a troika, são as pessoas que devem submeter-se à ditadura da economia e não a economia que deve estar ao serviço das pessoas. É o mundo ao contrário, de uma total distorção.
    Tsipras havia oferecido menos troika e sai como ovelha tresmalhada com mais troika. Para isso não era necessário haver referendo”.

  5. Seria pedir muito que se conseguisse ler este blog no Chrome?

    No browser web chrome só aparecem os comentários de cada artigo.
    O que é que se passa?

  6. GEREXIT – “German Exit” ou a saída da Alemanha do euro. Uma hipótese absurda que cada vez faz mais sentido!

    Varoufakis voltou à cena política lançando duras críticas à postura de Schäuble – “a minha convicção é de que o ministro das Finanças alemão quer que a Grécia seja empurrada para fora da moeda única para colocar o medo a Deus sobre os franceses e levá-los a aceitar este modelo de uma zona euro disciplinadora.”
    Tsipras, por seu turno, persiste em obter um “melhor acordo”, que pode passar por um novo resgate, mais a possível renegociação e/ou reestruturação da dívida, recusando o cenário de saída da moeda única – “Não tenho mandato para sair do euro”, refere.
    Em resumo, este é um tempo de loucos e a Europa parece andar ao contrário. Senão vejamos: Schäuble deveria temer o Grexit (como sugeriu Trichet) e reconsiderar a “reestruturação” como a única opção viável, mas perde-se em piadas infantis sobre Porto Rico; Tsipras deveria equacionar a saída concertada com uma base negocial [Plano B] para um melhor acordo, naquela que até poderá ser a melhor opção, senão a única, a longo prazo, mas, aparentemente rejeita tratar o assunto…
    – Grexit – ou não grexit? Qual a melhor opção para a Grécia?
    Sair porque se é empurrado, sem cobertura europeia, é uma atitude criminosa – equiparável a uma política de “liquidação total” ou “extermínio” da economia grega! Então, para complicar ainda mais a vida aos gregos, temos que às possíveis vantagens de uma saída negociada, se contrapõe o “terrorismo” sob a ameaça de uma saída empurrada. Então, Tsipras resiste à saída porque não quer ser empurrado; Schauble, que até já admitiu um cenário de saida, persiste na única via da austeridade porque quer impor uma política de submissão através do medo!

    Varoufakis vai ainda mais longe, como notícia o Económico – “[Grécia] se tornou insolvente em 2010, ficando então entre o caminho da reestruturação da dívida e reformas na economia, ou ‘a opção tóxica‘, extensão dos empréstimos a uma ‘entidade falida enquanto fingem que permanece solvente‘. A ‘Europa oficial escolheu a segunda opção‘, afirma, apontando a preferência pela salvação dos bancos franceses e alemães em vez da ‘viabilidade socioeconómica da Grécia‘.
    Mais, a reintrodução da dracma, segundo o ex-ministro grego, pode demorar longos meses (fora dos recursos de uma saída imediata não negociada – e Schäuble sabe disso!), expondo ainda a nova moeda a grande depreciação antes mesmo de entrar em circulação (e dá o exemplo da complexidade logística da criação de moeda no Iraque). Logo, o lançamento de nova moeda exige preparação, tempo, dinheiro… e sigilo. Como se de um “golpe de Estado” se tratasse; e, o caso, nas palavras de Varoufakis, não é para menos – “[o Euro é] uma divisa estrangeira totalmente administrada por um credor inimigo de reestruturar a dívida insustentável da nossa nação”. Dito isto, talvez Varoufakis se tenha demitido não porque o Governo grego tenha mudado a substância da estratégia, antes porque é preciso mudar (e moderar) o tom do discurso – mais do que a necessária reestruturação da dívida de um país “insolvente”, importa readquirir credibilidade, que se traduza também em mais tempo e dinheiro…

    Pelas declarações de Varoufakis percebe-se a razão deste impasse. Rejeitar a “austeridade” não é apenas um acto de “desobediência”, que o Governo grego procurou legitimar por via do referendo. É uma assumida postura de “guerra”, que a demissão de Varoufakis, logo a seguir ao escrutínio, procurou “apaziguar”. E isto leva-nos a outra importante reflexão: se a moeda única não serve à maioria das economias do euro, falhando no propósito fundamental da convergência e prosperidade europeia, tragicamente pode também transformar-se num instrumento de dominação, discórdia e guerra, vindo a por em causa irremediavelmente o processo de integração europeia.

    Neste sentido, importa ABANDONAR O EURO PARA SALVAR A EUROPA. Não é a Grécia que tem de viver sob o terror da ameaça da saída do euro – ao que se contrapõe o radicalismo dos gregos, bem patente no teor caustico das declarações de Varoufakis. É o EURO, no actual formato de “moeda única” que tem de sair da Europa – e, para tal, importa mobilizar a opinião pública de que se o EURO não se serve aos “indisciplinados” gregos, também não deve servir à “hegemonia” e prepotência dos alemães. Numa palavra: GREXIT. Noutra: GERXIT!
    Confrontar os alemães com a “perda” da sua própria saída, é a única via de voltar a ganhar a Europa!

    1. “Schäuble quer Grécia ‘empurrada para fora da zona euro‘, acusa Varoufakis”, Económico, 10/07/2015. Vide: http://economico.sapo.pt/noticias/schaeuble-quer-grecia-empurrada-para-fora-da-zona-euro-acusa-varoufakis_223436.html
    2. O que tem a Alemanha a perder com a saída do euro. “Why a German exit from the euro zone would be disastrous – even for Germany”, 28/05/2013. Vide: http://blogs.reuters.com/macroscope/2013/05/28/why-a-german-exit-from-the-euro-zone-would-be-disastrous-even-for-germany/
    3. Sobre a hegemonia alemã: “GermanExit”, por Gustavo Cardoso, 07/07/2015. Vide: http://www.publico.pt/mundo/noticia/germanexit–1701487#/comments

  7. O Syrisa sempre foi contra um novo resgate, logo estar a negociar um terceiro resgate é um flick flack encorpado com um mortal à retaguarda do Tsipras, ou seja, mais do mesmo, um politico incapaz de cumprir as promessas eleitorais. Mas neste caso temos um politico que decide democraticamente ouvir a opinião do povo (o elogiado referente/plebiscito), mas depois faz exatamente o contrário da vontade do povo. Com isto Tspras faz uma ultrapassagem fulgurante pela direita a Hollande, Passos e outros que tais.
    Estes 5 mil milhões a mais de austeridade, perdão rigor orçamental, é a versão da esquerda social fascista do ir além da troika do Passos.
    Se o Syrisa era a esperança para a Europa, estamos mesmo tramados.

  8. Assim se explica a saída de Varoufakis, que se recusava a chutar o problema para à frente ad eternum.
    Vai ser bonito quando rebentar a próxima bolha, vai. Vamos voltar ao cada um por si com as Auroras Douradas por toda a Europa.

  9. Se há algo que as estratégias e posições do governo Grego nos ensinam, é que não há abertura negocial por parte dos poderes instalados na UE. A única alternativa aparece-nos como sendo a que nos leva à saída do €, à renúncia dos Tratados Europeus existentes, ao não pagamento da Dívida (juntamente com a realização duma Auditoria Cidadã à Dívida), e a implementação de políticas não submetidas e dominadas pelas exigências da Acumulação Capitalista. Haja coragem…

  10. Perdão de dívida.
    Para que te quero?
    Para sair do Euro.

    Alemanha diz não ao perdão de dívida
    Para quê? Afinal manter a Grécia no Euro fica muito mais caro.
    Para não deixar a Grecia sair do Euro.

    A dívida mantem a Grecia amarrada no Euro

  11. Na primeira regra, a Grécia perdeu tempo, conclui-se que foi só tempo de cinco meses.
    Na segunda regra, a Grécia sofre uma derrota política (os partidos que a governam…).
    Na terceira regra, a Grécia perde. Os pobres votaram, mas nada esperarão da política europeia.
    Na quarta regra, não se dá por derrota da Grécia a redução da dívida, porque esta poderia facilitar a sua recuperação.
    Na quinta regra, a grécia perde, porque os estudos sobre a Grécia com vista a restruturação; e Schaubel, com seu cinismo, recorda os tratados em vigor dentro da UE.
    Na sexta regra, a Grécia perde na “ajuda humanitária”, e mesmo os desempregados nada ganham com essa ajuda.
    Sétima regra, a Grécia está fora do euro se o financiamento se concretizar; além de ser um dar com uma mão e tirar com a outra.
    Na oitava regra, A Grécia estará fora do euro na segunda-feira, i,e, dentro de setenta e duas horas, se não receber liquidez imediata e Bundsbank-BCE. mantiverem o jogo de ping-pong.
    Das oito regras, do “guião para ler as horas até Domingo”, conclui o seguinte: a Grécia perde por sete a um. O que é uma pesada derrota. A Grécia está em agonia. E perdemo-nos entre as causas de tal situação. Será pela defesa da democracia? ou é só um pretexto para ultrapassar a calamidade económica a que chegou a Grécia. não haverá erros económicos e políticos na permíscuidade partidária do governo Grego?
    Aguardemos a passagem das setenta e duas horas.

    1. Mas as contas não são cumulativas. A dúvida determinante é esta: há ou não há reestrurutação da dívida que permita alteração imediata das condições económicas?

  12. Na primeira regra, a Grécia perdeu tempo, conclui-se que foi só tempo de cinco meses.
    Na segunda regra, a Grécia sofre uma derrota política (os partidos que a governam…).
    Na terceira regra, a Grécia perde. Os pobres votaram, mas nada esperarão da política europeia.
    Na quarta regra, não se dá por derrota da Grécia a redução da dívida, porque esta poderia facilitar a sua recuperação.
    Na quinta regra, a grécia perde, porque os estudos sobre a Grécia com vista a restruturação; e Schaubel, com seu cinismo, recorda os tratados em vigor dentro da UE.
    Na sexta regra, a Grécia perde na “ajuda humanitária”, e mesmo os desempregados nada ganham com essa ajuda.
    Sétima regra, a Grécia está fora do euro se o financiamento se concretizar; além de ser um dar com uma mão e tirar com a outra.
    Na oitava regra, A Grécia estará fora do euro na segunda-feira, i,e, dentro de setenta e duas horas, se não receber liquidez imediata e Bundsbank-BCE. mantiverem o jogo de ping-pong.

    Das oito regras, do “guião para ler as horas até Domingo”, conclui o seguinte: a Grécia perde por sete a um. O que é uma pesada derrota. A Grécia está em agonia. E perdemo-nos entre as causas de tal situação. Será pela defesa da democracia? ou é só um pretexto para ultrapassar a calamidade económica a que chegou a Grécia. não haverá erros económicos e políticos na permíscuidade partidária do governo Grego?
    Aguardemos a passagem das setenta e duas horas.

  13. Nona Regra: se admitirmos o cenário de saída da Grécia do euro, então, é urgente estudar em rigor o tema.
    Acrescentaria aqui, respeitosamente, o Guião de Francisco Louçã para um «estudo urgente» sobre a saída do €uro – nomeadamente sobre os efeitos negativos a curto prazo. Então dirigido a Portugal é, eventualmente, aqui replicado à Grécia. Com ou sem “reestruturação”, este tema tem de ser estudado, debatido – e, sem tabus, levado a conversação nas negociações. Nas próprias palavras de Louçã – “É melhor começar já!”

    «Uma Agenda Não-Condescendente de Debate da Dívida e do Euro» – Francisco Louçã
    [«Que Fazer Com Este Euro? – Portugal na tragédia europeia» – Le Monde Diplomatique, 2013]

    «Esse estudo sobre como contrariar os efeitos negativos de curto prazo de uma eventual saída do euro inclui necessariamente:
    a) a constatação de que Portugal corre o risco de que a nova moeda, o escudo, seja durante alguns meses meramente escritural, restando a possibilidade de fazer as suas transacções internas em moeda estrangeira, cuja circulação tenderá a diminuir e que depende de um Banco Central Europeu com o qual o país pode estar em conflito;
    b) os riscos de que haja duas moedas a circular no país por um longo período e de que se erga um movimento especulativo contra o escudo;
    c) a percepção de que os depositantes se sentirão ameaçados e prejudicados e reagirão procurando retirar os seus depósitos em euros dos bancos;
    d) a constatação de que o impacto imediato do aumento do preço das importações, depois de desvalorizado o escudo, só será compensado na balança comercial algum tempo depois por um aumento das exportações, que dependem de encomendas;
    e) a constatação de que as exportações são perigosamente sensíveis ao clima político, ao ciclo económico e às regras de financiamento, que terão restrições;
    f) a constatação de que as taxas de juro tenderão a subir, com efeitos na distribuição interna de rendimentos em desfavor dos devedores, ao mesmo tempo que a inflação atingirá níveis desconhecidos nos últimos anos, o que também tem efeitos redistributivos em desfavor dos salários e pensões;
    g) a redefinição legal dos valores das dívidas internas, incluindo as dívidas hipotecárias, e os efeitos dessa redefinição nos balanços dos bancos;
    h) a noção de que os bancos poderão entrar em falência pelo aumento do valor em moeda nacional das suas dívidas externas e que, se forem nacionalizados, a dívida pública externa também aumenta significativamente;
    i) o estudo das formas redistribuitivas por toda a sociedade os benefícios que a desvalorização cambial concede ao sector exportador;
    j) a readequação institucional, incluindo do funcionamento do Banco de Portugal e da Caixa Geral de Depósitos (CGD), bem como da administração do sistema financeiro.
    Esse estudo inclui ainda as condições políticas e europeias para a decisão de um governo de esquerda:
    a) a verificação das maiorias necessárias para tomar a eventual decisão da saída do euro, registando o poder do presidente e a necessidade de uma maioria parlamentar que possa eventualmente superar o seu veto,
    b) a definição de um novo modelo de câmbios num contexto de conflito com as autoridades europeias e da sua eventual hostilidade à inclusão de Portugal no regime europeu dos países que estão fora do euro;
    c) a verificação de que o Estado pode reivindicar judicialmente o poder soberano para redenominar as dívidas na moeda nacional, mas que as empresas e os bancos não têm esse poder legal e que, portanto, os seus balanços serão prejudicados;
    d) redefinição das relações com a União Europeia, em particular para permitir políticas protegidas de industrialização, de criação de emprego e de renacionalização dos bens comuns estratégicos ou fundamentais para a gestão orçamental.
    Há respostas, por difíceis que sejam, a todas essas ameaças e questões […] A minha conclusão é esta: a única agenda que pode criar uma maioria de esquerda é a luta contra a dívida. Um governo de esquerda só pode ganhar se construir uma aliança e essa aliança exige a clareza da anulação da dívida. Esse governo deve estar preparado para rejeitar todas as pressões do capital financeiro e para tomar todas as medidas necessárias nesse sentido, incluindo sair do euro se essa for a única solução que sobrar. Essa preparação exige trabalho detalhado e cuidadoso, juntando muitos dos e das melhores economistas de esquerda. Esse trabalho está por fazer. É melhor começar já!»
    [Entretanto, Francisco Louçã, em coautoria com João Ferreira do Amaral, publicaria «Solução Novo Escudo», 2014]

    Décima regra: se o tratado de adesão ao euro não prevê a saída de um estado-membro, então, a saída da Grécia deve significar o início do fim da “moeda única”. Num impasse do tipo “perde-perde” (perde por “sair”, perde por “ficar”) para lá da minimização das perdas a curto prazo, a melhor opção será aquela capaz de garantir maiores perspectivas de ganho a médio/longo prazo. E este deve ser um argumento negocial em favor dos gregos!

    Décima-primeira regra: se a Grécia sair do euro, logo Portugal estará na linha fronteira da saída… Neste sentido, importa abandonar o discurso de que a Grécia é um caso isolado, que não nos diz respeito. Tal divisão apenas serve para enfraquecer a posição dos países periféricos junto das instituições europeias e face aos credores.

    Décima-segunda regra: se o euro falha como instrumento de integração europeia – ao reunir membros com estruturas produtivas tão desiguais e assimétricas, falhando no propósito fundamental da convergência, coesão e prosperidade – então, o melhor a fazer é rejeitá-lo. Na minha opinião, não é a Grécia que deve ser colocada na contingência de sair do euro. Antes, são as instituições europeias que devem repensar o futuro do euro – abandonando a “moeda única” e recriando um novo conceito de “moeda comum”. Porém, para que tal suceda, importa colocar a questão da saída concertada do euro na agenda política europeia. SALVAR A EUROPA SIGNIFICA SAIR DO EURO!

    1. Esse plano deve de facto ser sempre pensado em detalhe. Creio que, infelizmente, o governo grego nunca teve até agora um plano B em detalhe. Veremos o que nos dizem os próximos dias.

    2. Enquanto o Público noticiava que a «Grécia [está] mais próxima da Troika no IVA e nas pensões», abrindo portas ao tão desejado acordo, que pode significar um certo tipo de “reestruturação” da dívida, outros jornais digitais dão ainda destaque às palavras de Trichet, a propósito do risco de saída do euro – e que no seu entender tem sido subestimado pela Alemanha e credores.

      «O ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE) Jean-Claude Trichet defendeu hoje que os credores “deviam renunciar à quase totalidade dos reembolsos” caso a Grécia saia da zona euro e alerta que o risco de um contágio geopolítico na Europa está a ser subestimado, nomeadamente na Alemanha.» Económico.

      Ou ainda: «Um ‘Grexit’ […] custaria muito caro à Europa, considera Trichet num artigo do jornal diário alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung. Não só para os gregos, forçados a viver “uma mudança radical terrível e dolorosa”, mas também para os credores que “deveriam renunciar à quase totalidade dos reembolsos”, adverte o ex-presidente do BCE. Contudo, “uma redução da dívida (grega) da parte dos europeus está excluída” nas negociações com Atenas, disse.» Sapo / Lusa.

  14. Caro Louçã, depois de crónicas diárias ou quase, suas e de Ricardo Cabral, a elogiar a heróica luta de Tsipras contra a sinistra Merkel e os seus lacaios (e.g., Passos Coelho), dois dias sem artigos destes levaram-me a pensar que o problema grego tinha passado à categoria das coisas que agora não interessam nada. Não fique triste. Isto não tem de ser uma luta marxista em que uns têm de perder para outros ganharem. Talvez a ideologia vá à vida e ganhem todos. Sinceramente, desejo e espero que o acordo de domingo seja muito melhor para Grécia do que não haver acordo nenhum.

    1. A austeridade é uma ideologia: a que garante que as economias recuperam por via da redução de salários e pensões.

    2. Para Louçã (10-jul 10:37): É claro que também não gosto da austeridade. Não sou sadomasoquista. Mas não existe apenas a austeridade ideológica. Suponhamos que a Senhora Maria tem gripe.

      1. O médico diz “Vai sentir-se desconfortável durante 3 dias”. Esta austeridade é inevitável. É o resultado de a Senhora Maria ter gripe.

      2. O médico diz “Via ter de levar umas marteladas no dedo grande do pé”. Esta austeridade é estúpida.

      3. O médico diz “A Senhora Maria queria ir ao concerto na praia esta noite, mas vai ficar em casa resguardada”. Esta austeridade é sensata.

      4. O médico diz “Via tomar este xarope amargo”. Esta austeridade terá valido a pena ou não conforme os resultados.

      Frequentemente, os políticos e os comentadores confundem intencionalmente as diferentes austeridades com o objetivo maquiavélico de marcar pontos no jogo político. Esta observação não é pessoal. É genérica. Aplica-se à esquerda e à direita. Aplica-se à Grécia e a Portugal.

    3. O problema é que a austeridade não funciona, e num país sem moeda ainda funciona pior.

  15. resumindo
    e concluindo , a eulopa está cheia de louras falsas ; na grécia acrescenta-se , têm isenção constitucional

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