Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

5 de Julho de 2015, 19:06

Por

Uma vitória esmagadora e cada hora conta

greciaEra arriscadíssimo e dificilimo. Recorrer à última arma do referendo – que tinha já sido impedido pelas autoridades europeias em 2011 – resumia a situação grega: sem acordo sobre a reestruturação da dívida, qualquer medida fiscal que diminuísse a procura seria provisória e certamente contraproducente; mas, com o referendo, não sobrava mais nada, só a vitória ou a derrota, sem margem para recuar. Entre a espada e a parede, a escolha foi enfrentar a espada.

Ao chegar aqui, o governo Tsipras tinha vulnerabilizado a sua posição. Deixou esgotar as reservas públicas e as dos bancos. Fez cedências sucessivas e criou instabilidade na sua base de apoio, porque teve que recuar em promessas eleitorais. Mostrou uma credulidade injustificada sobre os seus parceiros e esperou acordos de boa fé, que os factos desmentiram. Permitiu que se chegasse à situação em que os bancos tiveram que fechar, o que em qualquer outro país desencadearia uma avassaladora vaga de medo. Mas, na 25ª hora, decidiu pela democracia, uma arma que só podia surpreender e chocar os chefes da troika.

Os resultados demonstram não só que o referendo foi fundamental para a democracia como que é uma vitória esmagadora para o Syriza. Venceram contra tudo e contra todos. Como quer que se leia, é uma bofetada para Berlim. Tsipras é hoje, do ponto de vista democrático, o dirigente mais autorizado da Europa.

Mas amanhã é segunda-feira. Haverá um acordo em 24 horas, como admitiu Varoufakis? Parece difícil. Mas seria necessário, porque em poucas horas os bancos cessarão todos os pagamentos e o que tiver que ser decidido deve ser já. Ou um acordo, com financiamento-ponte e alteração da dívida, ou a Grécia é forçada a ter moeda própria. Qualquer hesitação desencadeará movimentos irreversíveis.

Na via das dúvidas, o chefe do Bundesbank já fez as contas – só agora? – de quanto a Alemanha poderia perder com a saída da Grécia e a cessação do pagamento da sua dívida, a soma é decerto feia. Os mercados financeiros vão cair para o abismo do pânico. Merkel reúne na segunda feira de tarde com Hollande, depois das horas de susto nas capitais europeias. Ela não parece saber o que fazer, está a ganhar tempo quando não tem tempo.

Ora, para chegar a um acordo em pouco tempo, seria precisa uma combinação de dois factores difíceis: uma cedência de Tsipras em relação a algumas das condições do ultimato anterior e uma inesperada cedência de Merkel quanto ao abatimento da dívida, de modo a que os pagamentos gregos tenham um alargado período de carência e um peso reduzido (como até o FMI propôs). Só essa combinação parece poder garantir um acordo. Todos ganhariam e perderiam, todos poderiam reclamar alguma coisa, mas a situação da Grécia mover-se-ia um pouco ou muito, consoante o impacto do acordo sobre a dívida. A diferença é entre a sustentabilidade e a ruína da austeridade.

Ainda assim, tal acordo terá que ser aprovado em parlamentos difíceis, povoados de direitas populistas, nem todas obedecem disciplinadamente a Merkel. Além de que deve ter-se em atenção o que farão os socialistas europeus, podem ser perigosos. Foi Martin Schultz, presidente do Parlamento Europeu, quem decretou na véspera do referendo que com o Não a Grécia seria expulsa do euro, o que obviamente não é a escolha do governo de Atenas. Na Europa, ninguém foi tão longe como ele (Cavaco Silva não conta). Para os socialistas, o problema não é só a austeridade e as perdas da finança, é um adversário político que garante que os trabalhadores e reformados não estão condenados ao purgatório e têm uma palavra a dizer. É um susto, sobretudo quando estão mimetizados com a direita e são merkelianos entre os merkelianos.

Ou seja, o referendo grego exibiu a confusão política que é a Europa. E revelou a inconsistência dos governantes que mandam: antes não acreditaram que podiam ser desafiados, durante toda a semana não acreditaram que podiam ser vencidos e agora não sabem o que fazer. Simplesmente, há perante eles um povo que exige o fim da atrocidade da renda financeira e está disposto a lutar. Que belíssima lição.

Comentários

  1. Este artigo prova mais uma vez que comunistas e afins preferem a pobreza ao bem estar.
    É na miséria material e na miséria moral que arranjam votos
    Agora, foi assim na Grécia, ontem foi em Cuba e na Coreia do Norte, será assim em Portugal se comunistas ou afins ganharem eleições.
    A esquerda é boa a esbanjar o dinheiro dos outros e a viver com o dinheiro dos outros (os dirigentes, claro, tanto dos partidos como dos sindicatos)
    “Os ricos que paguem a crise”
    Mas eles (os dirigentes) vestem em bons alfaiates e comem em melhores restaurantes e disfarçam andando desgravatados.

  2. Prof. Louçã, o que nos pode dizer sobre a hipótese dos BRICS poderem financiar um projecto de desenvolvimento estrutural e alternativo para a Grécia? O Mélenchon aludiu a tal opção numa entrevista no passado fim de semana a um diário económico pariseense; e hoje o The Guardian colocava tal hipótese como plausivel e a debater no próximo conclave dos cinco, a realizar no final desta semana.Talvez houvesse uma luzinha no afunilado túnel da aterradora crise económica grega, onde a própria coligação corre o risco de ter que se defrontrar com uma economia de guerra social, a curto prazo, não acha?

    1. Não creio que seja viável. Nem os Brics actuam como uma unidade, nem têm dinheiro para substituir a reestruturação da dívida por uma recapitalização. Pior, quando actuam, querem a privatização dos bens gregos, como é o caso da China.

  3. Caro Pedro Lemos, concordo consigo, o nosso governo foi eleito em democracia.
    Mas em democracia os governos são eleitos consoante programas que apresentam aos eleitores e como tal devem fazer por cumprir esses programas. Acha que, independentemente das razões que quanto a si o possam justificar, o programa com que este governo actual ganhou as eleições está ou foi cumprido?

    1. Caro Nelson,

      É uma pergunta desconfortável. Porque qualquer resposta levantará especulações sobre qual é o “meu” partido, se sou de direita ou de esquerda, etc.. Por isso, faço já uma declaração: não tenho partido, não tenho clube da bola e acho que as ideologias são ideias com teias de aranha. Não tenho mesmo partido, embora não seja difícil deduzir que não votarei nos partidos e nos políticos que apoiam o Syriza.

      Usualmente, não leio os programas dos partidos políticos, pelo menos detalhadamente. Também tenho má memória e não me lembro da maior parte do que li. Por isso, a resposta mais honesta é “não sei”.

      Sei que os programas políticos são em boa parte fantasia. São listagens daquilo que talvez aconteça se as circunstâncias forem favoráveis e o Pai Natal for generoso. Por isso, outra possível resposta é “tenho quase a certeza que não foi cumprido”.

      Creio que há mais algumas coisas que poderia dizer, mas tenho de ir dormir porque a patroa está a reclamar.

  4. A Grécia ontem recusou ceder ao medo. No entanto, não é claro que estejam preparados para defender o que para mim é agora o mais provável, a saída da zona euro. Digo isto porque o euro foi vendido como a salvação e as alternativas como o abismo. Nada mais falso, já que as economias europeias fora do euro crescem mais do que as que pertencem ao euro.
    De facto, sair do euro levará a Grécia a enfrentar uma potencial espiral de inflação. Para se proteger, poderá realizar acordos comerciais importantes como países fora da UE, tais como Turquia e os BRICS. Precisam de energia, bens de consumo e matéria-prima para a indústria. Com a nova moeda, os depósitos sofrerão uma desvalorização de provavelmente 2/3. Segundo dados publicados mais de metade dos depósitos já saíram dos bancos. O facto de o governo grego só ter imposto o controlo de capitais quando foi obrigado a fazê-lo poderá ter sido uma decisão muito feliz, e caso o acordo com a Suíça se concretize, ainda mais. De facto, o repatriamento de mais de 100 mil milhões de euros para a Grécia seria uma almofada de ar crucial para o financiamento da economia grega após a saída do Euro. Julgo que aqueles mais de 60% que votaram domingo “Não” não terão dúvidas quanto a repatriar pelo menos em parte os seus capitais em Euro. Claro que provavelmente muitos bancos entrarão em processos de insolvência, mas o impacto será limitado, já que a economia grega actual já não é financiada pelo sistema bancário, logo este efeito já foi, pelo menos em parte, assimilado.
    O governo grego terá também de se pronunciar sobre o pagamento da dívida pública: 340 mil milhões de Euro é o valor actual aproximado. Quase na totalidade em mãos de credores europeus. A decisão de não proceder ao seu pagamento será a decisão mais difícil e mais arriscada que o governo grego terá de fazer após sair do Euro. O seu não pagamento libertaria a Grécia de uma enorme dívida mas o acesso ao mercados de capitais ficará fechado. No entanto, em caso de perdão parcial o acesso ao mercados de capitais ficará também muito limitado, e acresce que novos credores estão sempre à porta e um país sem dívidas tem um risco menor de incumprimento. Convém não esquecer que credores americanos, chineses, e outros não-europeus irão perder pouco ou nada. O dinheiro digital hoje em dia é ubíquo, e só conhece um fim: rolar continuamente para gerar lucros materiais de dinheiro digital. Possivelmente, em menos de 3 meses a Grécia consige obter financimento para a sua economia a taxas inferiores às da zona Euro, esta sim completamente destruída pelo não pagamento da dívida grega, pelos efeitos de contágio, pelas divisões internas e pela imancipação de certos povos que irão querer seguir o exemplo da Grécia.
    A Grécia ficará muito melhor sem o Euro, aliás todos os PIGS, mas apenas se tiverem um governo que defenda acima de tudo os interesses da humanidade.
    A procisão ainda vai no adro mas este referendo pode dar, caso o povo grego assim o queira, ao governo grego o poder de decidir esta guerra contra a zona Euro. Para já, apenas deu o poder de assustar os membros da zona Euro.

  5. A politica é essencialmente a arte da «mentira» ( no que isso tem de bom, digo ). A arte do disfarce, da maquilhagem.
    A situação da Grecia, explica-se pela arte da politica, desde que entrou no Euro, até hoje. É uma situação completamente artificial, que é do agrado do povo Grego porque lhes proporcionou um nível de vida inesperado.
    Mas a política não sobrevive á realidade, quando insiste em ignorá-la. Mais tarde ou mais cedo, a economia real vai tomar conta da situação. Aí não há esquerda ou direita, e a riqueza que o País produz, é a pedra basilar a partir da qual a vida se materializa.
    O siriza aproveitou o descontentamento do povo Grego para subir ao poder ( situação historicamente replicada ), com uma agenda politica cuja dimensão desconheço.
    A saída do Euro, parece há muito tempo inevitável ( muito antes do Siriza). Os governantes Gregos confiam na boa vontade dos outros europeus para que esta aconteça com o mínimo de dôr, apesar dos insultos inaceitáveis. Espero que tenham razão.
    Afinal, se não fosse a UE, já o exercito Grego tinha tomado conta da situação

  6. – Será o início do fim da «Moeda Única»?
    Recordo as palavras de Oskar Lafontaine publicadas aqui, no Público: «Fundador do euro pede o fim da moeda única para deixar o Sul recuperar», 06/05/2013

    «Oskar Lafontaine, um dos fundadores do euro quando era ministro das Finanças da Alemanha, pediu o fim do euro para deixar os países do Sul recuperarem. E sublinha que “os alemães ainda não perceberam que o sul da Europa, incluindo a França, será forçado pela sua miséria actual a lutar, mais cedo ou mais tarde, contra a hegemonia alemã“.
    […]
    Por isso, deve ser retomado um sistema como aquele que foi precursor da união monetária, o Sistema Monetário Europeu, que permite fazer “desvalorizações e valorizações controladas” das moedas nacionais, defende, o que exigira um controlo muito apertado sobre os fluxos de capitais. Os países em situação mais débil cujas moedas seriam necessariamente desvalorizadas teriam, num período de transição, de ser ajudados pelo Banco Central Europeu, por exemplo, para evitar o colapso.
    Uma condição essencial para o funcionamento de um sistema monetário europeu seria a reforma do sector financeiro assim como a sua regulação. “O casino tem de ser encerrado”, escreve. Esta transição teria de ser gradual começando, por exemplo, pela Grécia e Chipre.»
    Vide: http://www.publico.pt/economia/noticia/fundador-do-euro-pede-fim-da-moeda-unica-para-deixar-o-sul-recuperar-1593476

    Para bem da Europa é bom que se comece a pensar na “reestruturação” do próprio euro – e na consequente criação de uma nova «Moeda Comum»!…

    1. – Pode um federalista convicto defender o “fim do euro”, como forma de salvar a Europa?
      – Sim. Não é um paradoxo – e o investigador francês François HEISBOURG dá disso testemunho…

      Num artigo de opinião, publicado aqui no Público, Carlos Gaspar [Instituto Português de Relações Internacionais – IPRI-UNL], resume a mensagem principal da leitura que faz do livro «La fin du rêve européen»:
      «Dito isso, no essencial, François Heisbourg tem razão: o balanço político do euro é, para não dizer mais, uma desilusão e a inércia pode destruir não só a União Europeia, como o ideal europeu, que continua a ser um pilar insubstituível da legitimidade das democracias na Europa continental.»
      [Vide: «O fim do euro», 16/11/2013 – http://www.publico.pt/mundo/noticia/o-fim-do-euro-1612678%5D

      No sítio «Inteligência Económica» podemos ler algumas posições defendidas por François Heisbourg, nas quais toma partido pelo «desmantelar do euro» – e voltar atrás, no relançamento das moedas nacioanis (possivelmente combinadas numa nova versão do ECU) – como forma de salvar a União Europeia!
      «O federalista Francois Heisbourg (luxemburguês) defende que para salvar o “projecto europeu” é urgente “desmantelar o euro” e re-introduzir as moedas nacionais. Heisbourg é presidente do International Institute for Strategic Studies, de Londres, e do Centre de Politique de Sécurité, de Genebra, e é conselheiro especial do presidente da Fondation pour la recherche stratégique, de Paris. Pode parecer paradoxal que um federalista defenda o fim do euro… »

      Para mais, vide: « François Heisbourg: Desmantelar o Euro, Salvar a Europa», 22/07/2014
      http://inteligenciaeconomica.com.pt/?p=22642

  7. Temos hoje na Europa uma aliança de comunistas e fascistas unidos para a destruição da União Europeia. Não foi por acaso que o Syriza escolheu para parceiro de governo um partido fascista em vez de escolher um partido de esquerda. Não foi por acaso que Marine Le Pen se congratulou com a vitória do não na Grécia tal como sempre se congratulou com todos os acontecimentos que fragilizaram a Europa. Talvez esta aliança seja informal e resulte apenas dos interesses comuns.

    Estes comunistas e estes fascistas já não são da tendência trauliteira de outros tempos. São mais da tendência caviar e procuram chegar ao poder pelas eleições. Marine Le Pen até expulsou o pai do partido. Mas convém nunca esquecer que, nos tempos dos comunistas e fascistas trauliteiros, tivemos uma aliança entre Hitler e Estaline para retalhar a Europa.

    A ascensão ao poder dos comunistas e fascistas pelas regras democráticas é para ser respeitada. Contudo, agora é a hora de a União Europeia fazer planos para se proteger. Faz sentido que o plano A ainda seja tentar manter a Grécia nas instituições europeias. Mas já não faz sentido dar outros cinco meses para o governo grego continuar a fazer sangrar a UE. Nos últimos cinco meses, o BCE desperdiçou cerca de 60 mil milhões de euros a salvar os bancos gregos, a UE fez cedências sucessivas, mostrou uma credulidade injustificada sobre a Grécia e esperou acordos de boa fé, que os factos desmentiram. Se ao fim de alguns dias, o governo grego continuar a mostrar desinteresse por um acordo, devemos passar ao plano B: deixar de desperdiçar dinheiro do BCE a salvar os bancos gregos. E a UE já não pode excluir o plano C: saída da Grécia da união e cada um trata da sua vida, como bons vizinhos.

  8. Pessoal, por favor não me obriguem aqui a defender o louça. Nunca vi tão mau perder. E não a Grécia não sai do euro por uma simples razão: sai mais caro à Alemanha.

    O sol doira sem literatura e Jesus Cristo não sabia nada de finanças. Foi um dia feliz, sou eu que o digo e não me lembro de a política alguma vez me ter dado felicidade. Vivam os gregos carango! É assim mesmo!

    1. Convém não esquecer que a Grécia não deve só à Alemanha. Deve a todos os outros 18 países da zona euro, incluindo Portugal. A saída da Grécia da zona euro não sai mais cara a estes países porque as dívidas da Grécia não serão pagas em qualquer caso e o governo grego quer sacar ainda mais dinheiro. O interesse em manter a Grécia na zona euro é sobretudo manter intacto o projeto de unidade europeia. É claro que também há o interesse estratégico que resulta da posição geográfica da Grécia, mas com um governo comunista/fascista é pouco razoável confiar na Grécia como parceiro estratégico.

  9. Vitória da democracia, da vida real. Derrota da alta-finança e de quem coloca os números á frente da realidade das pessoas.
    Portugal e o Portugueses deviam primeiro fazer por merecer ter lideres corajosos como os que a Grécia tem…mas só um povo com a história e coragem dos gregos o conseguiriam. Nós por cá temos medo…medo de ser rebeldes, de pensar diferente, medo do desconhecido, preferimos o pouco que temos que sonhar com algo melhor.
    A mentalidade dos tempos da ditadura demoram muitos asnos a ser limpas…. o Humildezinho Português que vai benzinho se contenta com o pão que o diabo amassou.
    É tempo de cortar com o passado, com as tradições que não nos engrandecem!

    Num contexto diferente, ou não…gostaria de saber se o dr Louçã tem conhecimento do que se passa no Banco Popular, com algo inédito na banca em Portugal, irão provavelmente criar jurisprudência para se despedir trabalhadores de departamentos inteiros, no caso do Popular serão quase 200, com o disfarçe de “transferência de estabelecimento”… uma figura que existe na lei geral do trabalho e de tão omissa que é, permite quase tudo. Engenharia financeira pura e dura, para falsificar resultados, procurar o lucro a qualquer preço. Orquestrado pelo ex-presidente do Banco Popular…que , não havendo coincidências…morreu na passada 6ª feira.

    1. Não tenho detalhes sobre o que se passa no BPopular, mas agradeço toda a informação consistente. Notei a morte, por doença, do seu ex-presidente, mas não vejo relação.

    2. O que se passa no Banco Popular é tal como referi uma transferência de estabelicimento, algo ocnsagrado na leigeral do trabalho para transferência de unidades de negócio entre empresas e em que os meios, inclusivé pessoas, passam automáticamente para o adquirente. Ora o que vai ser feito, ou terá inclusivé sido consumado na passada 6ª feira, o dia em que faleceu o na altura actual presidente do banco popular, é transferir a unidade de recuperação de negócio para uma nova empresa. A jogada financeira continua dado que a nova empresa, chamada RECBUS, é constituida 20% pelo banco popular e depois os restantes 80% pertencem a uma entrincada rede de relações de empresas que passo a descrever… os 80% pertencem á Quarteira SARL, detida por fundos de investimento geridos pela Carval, subsidiária do Grupo Cargill (80%). Este Grupo Cargill representa um conjunto de fundos de investimentos global, que existe desde 1987 e que em Portugal por sua vez utiliza a plataforma servicing do grupo WhiteStar… A empresa mã da Cargil existe desde 1865 e é dos EUA, dedicando-se ao sector agricoa. Ou seja uma grande teia que liga apenas o futuro dos quase 200 trabalhadores deste departamento (não unidade de negócio, mas um mero departamento do banco..) a 20% da entidade Banco Popular para onde trabalham há cerca de 20 anos, na esmagadora maioria dos casos. Em termos de recursos humanos as pessoas crêm claramente tratar-se dum negócio de encaixe financeiro imediato para o banco, que bem precisa dado que nos ultimos anos tem vivido da ajuda da casa mãe espanhola e pode ser um dos próximos banco nacionais a dar o estoiro… negócio que dado o encaixe finaceiro salva mais um ano de resultados contabilisticos e livra o banco de uma massa salarial significativa. Quem garante que o banco daqui a 2 anos não sai dessa pequena participação de 20% na nova empresa, automaticamente deixando a porta aberta a despedimentos sem ligação ao banco e sem garantia de indemnizações? E em termos legais, foi dito pelos diversos sindicatos que se trata de situação inédita no nosso pais, mas que irá ou poderá abrir jurispudência para perigosos negócios quer contabilisticos que de despedimentos encapoutados… as pessoas nos bancos são meros numeros, mas isto confirma duma forma crua e legal tal facto.
      Em termos de negócio…curioso que o que passa para essa nova empresa são mesmo e apenas as pessoas…os activos, quer financeiros quer imobiliários curiosamente continuam no banco…entende-se o receio de quem lá trabalha, certo? e entende-se bem a engenharia financeira pr trás desta “decisão de gestão”…

  10. Coitado deste gajo, é mesmo tapadinho. Agora o que vai acontecer é que a União Europeia vai cortar a cabeça à Grécia. Eu gostava que fosse rápido.

    1. Este é publicado para beneficio dos leitores. Para que se veja onde chega o desespero dos partidários merkelianos. É uma boa notícia. Continue a ajudar-me, Rui Silva.

    2. Camarada Louça, estes dois já são conhecidos na blogosfera por dizerem coisas sem nexo e por não perceberem um pingo de economia. Sabe como é, aproximam-se as eleições e há que contratar mais uns bloguistas e comentadores para continuarem no poleiro a desviar dinheiro para os mesmos.

    3. Caro Louçã (5-julho, 22:12), acho muito bem que puxe as orelhas a todos os comentadores malcriados, incluindo aqueles que devem pontos de vista próximos dos seus.

    4. Errata (6-jul, 8:18): onde está “devem” deveria estar “defendem”. O corretor ortográfico deve ter emendado mal um erro.

  11. Para Louçã, democracia é só se tudo fizer o que ele quer. Se os restantes povos quiserem seguir um caminho diferente da grecia, já são uns tiranos egoístas. Conceito estranho de democracia.

    O resultado prático deste referendo será um ataque aos reformados, doentes e trabalhadores por conta de outrem. Ficarão pior, muito pior.

    Daqui a uns meses estará aqui a culpar os outros como sempre.

    1. “Tiranos egoístas”, deve ter lido na banda desenhada. Para se conversar, convem ter alguma consistência. E sim, os gregos fizeram muito bem. Quem está a cortar nas pensões, a atacar os doentes e trabalhadores é a troika e os seus agentes, de Passos a Portas. Factos são factos.

  12. Após a escolha democrática dos gregos, desejo felicidades por um à Grécia e por outro lado aos outros 18 países da zona euro que, a partir de agora, seguem caminhos diferentes. É curioso como Louçã exalta as escolhas democráticas dos gregos e demoniza as escolhas democráticas dos outros povos. Claramente, temos entendimentos diferentes do que é a democracia.

    1. Como dizia a saudosa Dalida: “Paroles, paroles, paroles…” O Sr Lemos fala aqui da demonização “das escolhas democráticas dos outros povos”, ficam as minhas perguntas: Quais escolhas, de que povos, em quê são democráticas? Olho a minha volta e não consigo vislumbrar “as escolhas democráticas dos outros povos”, a única escolha democrática em Europa aconteceu ontem na Grécia.

    2. “Após a escolha democrática dos gregos, desejo felicidades por um à Grécia e por outro lado aos outros 18 países da zona euro que, a partir de agora, seguem caminhos diferentes”

      Pedro Marques, Salazar concordaria era com isso!

      Tenho dó homem, na minha terra quando se perde como pessoas como tu perderam agora contra a democracia, e ficam chateadinhos como o senhor, sabe o que se diz? Mete uma rolha que isso passa…

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