Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

30 de Junho de 2015, 08:15

Por

Uma semana vertiginosa para uma contagem decrescente

O anúncio-surpresa do referendo apanhou toda a gente desprevenida. Schauble, que há pouco mais de um mês tinha sugerido a hipótese em estilo fanfarrão, critica agora a iniciativa porque teme o seu efeito. Lagarde afirma que a escolha não tem objecto. Ontem, Schultz e Juncker, mais uma plêiade de figurões, anunciaram a sua campanha eleitoral para grego ver.

Começou portanto a contagem decrescente.

Hoje, a Grécia não pagará ao FMI. O que não tem consequências legais imediatas: durante duas semanas, andarão cartas para lá e para cá a constatar o evidente. A Grécia não poderá recorrer a fundos do FMI, mas a porta estava fechada desde o verão passado, nada de surpreendente. Em todo o caso, é um ponto de viragem.

Virá então a campanha. Manifestações e emoção. Com os bancos fechados (excepto os balcões que vão abrir para pagar aos pensionistas) e os multibancos com movimentos limitados a 60 euros, ninguém terá dúvidas de que é uma escolha fundamental, num sentido ou noutro.

A campanha será então assim: Merkel contra Tsipras. Como o Partido Socialista e todo o centro, mais a direita, votaram contra o referendo, esses serão os embaixadores de Merkel. O Partido Comunista apelou ontem ao voto nulo, é-lhe indiferente se o programa da troika é aprovado ou rejeitado. E a Aurora Dourada, o partido nazi, defende a manutenção no euro.

Do lado do governo, só há duas vantagens nesta campanha. Uma, vai pagar os salários e as pensões a tempo. Duas, a escolha é entre o Partido do Medo e o Partido da Grécia. Será isso suficiente para vencer? O medo poderá fazer pesar a balança para a humilhação, apresentada como segurança, ou resistirá a dignidade, apresentada como a opção democrática responsável? Só domingo se sabe, mas o medo costuma vencer quando não há grandes movimentos telúricos na sociedade.

Para já, o Sim parte maioritário. E tem condições para reforçar a vantagem, atendendo à instabilidade acentuada pelo fecho dos bancos; o apelo da dignidade nacional pode ser menos congregador, mesmo num país que reduziu o seu rendimento nacional em 25%, do que o receio pelas poupanças. Para mais, a incerteza do que aconteceria depois de um rejeição da austeridade também joga a favor do Partido do Medo. A fronda internacional ainda mais: o BCE jogou no referendo, ao decidir não liquidar os bancos (a assistência financeira mantém-se mas não assiste) mas não lhes dar os euros necessários para operarem (o que obrigou o governo a fechar os bancos desde 2ªf). Lagarde, agora, admite uma negociação mais cordata – se o Sim ganhar. Dijsselbloem repete o mesmo. Com o Sim, a Europa promete ser dialogante e até bondosa.

O problema é que o voto será contado, mas a consequência não será. De facto, a escolha em si parece fácil: entre aceitar (Sim) ou rejeitar (Não) o ultimato da troika. Tudo claro. Mas o difícil é que não se sabe o que vem depois, ganhe o Sim ou ganhe o Não.

O voto Sim deixaria tudo em aberto. Ninguém sabe o que vem depois. Vejamos: se o Sim vencer, ou o governo se demitirá, provocando novas eleições, ou aplicará as medidas do ultimato. A possibilidade de eleições imediatas só seria evitada se houvesse maioria para suportar um governo tecnocrático, como no passado, e resultou sempre mal. Além disso, exigia o acordo do Syriza, que tem maioria neste parlamento, o que parece inaplicável. Em contrapartida, o Syriza aplicar as condições do ultimato será impossível (Varoufakis sugeriu tal hipótese, um dos seus excessos dos últimos dias: nem os credores aceitariam nem o Syriza teria condições para tal desvario). Resta a possibilidade de novas eleições. Mas poderá o centro e a direita ganhá-las? As sondagens davam a Nova Democracia, a direita, com 13%, menos de metade do que obteve há cinco meses, e o Partido Socialista com votação residual. Para completarem o ultimato, precisam de uma vitória eleitoral.

Para quê? A resposta não é inédita, essa coligação trará o terceiro resgate. E depois virá o quarto ou o colapso de uma economia exangue: continuar a cortar salários e pensões depois do que já sofreram os gregos, para prometer saldos primários como a Alemanha nunca teve nos seus melhores tempos de prosperidade, é uma ignomínia.

Outra incógnita se houver eleições: qual será a nova proposta eleitoral do Syriza e o seu impacto? Não é coisa pequena. Não pode ser outra negociação sobre a dívida, não houve nenhuma enquanto o partido conduziu o governo e não foi por não ter proposto e tentado. Se alguma coisa ficou evidente, foi o que são as autoridades da União Europeia e do Euro.

Por outro lado, pior ainda, um novo governo que negoceie um novo programa com a troika precisará não só de ter a aprovação do parlamento grego como do parlamento alemão e de outros (o que pode ser muito difícil na Finlândia, por exemplo) e, em todo o caso, de todos os governos da zona euro. Um imbróglio.

Com a hipótese mais difícil da vitória do Não, o ultimato é rejeitado. Mas também não se sabe o que vem depois. Não é fácil que seja uma nova ronda de negociação, só Varoufakis parece acreditar nisso: ninguém antecipa Lagarde, Schauble e Draghi reunidos de novo com o mesmo governo grego e a aceitaram o que sempre rejeitaram, essa reestruturação da dívida com a qual só Obama parece concordar. Se é verdade que o golpe imposto com o ultimato era simplesmente motivado pela intransigência da União Europeia contra um governo que não seja da cor de Merkel, então a conversa nunca regressa ao ponto de partida. A Grécia só terá a opção da saída do euro, imprimindo dracmas para poder pagar salários e pensões, porque o BCE vai liquidar os bancos quando se lhes esgotar a liquidez. E aí o Syriza tem uma dificuldade, é que nem se preparou tecnicamente nem discutiu com a população essa alternativa. Terá que improvisar, onde era preciso que houvesse planos de contingência detalhados. Eles têm sido preparados por alguns sectores na esquerda, sobretudo dentro do próprio Syriza, mas não fazem parte da plataforma do partido e da sua direcção. Vai ser precisa uma resposta clara, contundente, com um plano de operações de curtíssimo prazo, se o Não ganhar. E não se pode voltar a cometer o erro de pensar que os chefes da Eurozona querem o bem de todos ou sequer uma negociação de boa fé.

Contagem decrescente? Sim, para domingo. Mas ninguém sabe nem pode saber o que acontecerá na segunda feira. Nem muito menos depois deste tempo vertiginoso, quando à esquerda se pensarem as lições deste golpe em curso e à direita se tomarem medidas para que isto nunca mais possa voltar a acontecer.

Comentários

  1. Francisco, não concordo com algumas das tuas previsões e observações. Julgo que dificilmente o Não vencerá, atendendo aos resultados eleitorais ( mesmo no Syrisa há muitos votos pró Euro). Mas também não creio que vencendo o Sim o Syrisa se demita e promova de imediato novas eleições. Tem legitimidade para encabeçar novas negociações, eventualmente sacrificando o Varoufakis. E poderá renovar a sua maioria com um acordo com o To Potami. O Munchau deixa a possibilidade de um governo com não pagamento da divida e controle de capitais, e emissão de titulos de divida interna denominados em euros, tolerado pela UE e admito que será por aí. Que te parece?

  2. Os países endividaram-se voluntariamente, por deficits recorrentes e/ou para financiar obras de utilidade duvidosa. Essa divida deve ser paga pelos próprios ou por quem não entrou em desvarios semelhantes?
    Devo recordar ao Francisco Louçã, que quando já era do conhecimento geral a nossa débil situação financeira, foi o Bloco de Esquerda que viabilizou o TGV do Eng. Sócrates. Ou seja aceitou o desperdício de 300 milhões de euros, mais as indeminizações por incumprimento que ainda virão. Não se lembrou na altura dos pensionistas e desempregados? Utilizando a sua terminologia, deveremos ir pedir à Sra. Merkel este dinheiro que foi literalmente deitado ao lixo (ou mais propriamente para o bolso de alguém) pelo PS do Eng. Sócrates com a colaboração do Bloco de Esquerda quando o Francisco Louçã era o coordenador?

    1. A sua memória é fraca. Foram Durão Barroso e Paulo Portas que definiram seis linhas de TGV para Portugal. Pois é.
      O que eu discuti com o ministro do governo Sócrates era um plano de investimento para transportes em alta velocidade com 96% de componente nacional – e veja só, este plano não foi executado, não é dívida.

  3. vou repetir o que disse à pouco:esta é uma crise,pricipalmente politica e os responsaveis politicos das varias institutições/paises já demostraram que não estão à altura dos acontecimentos.o filme Dr.strangelove reflete exatamente sobre responsaveis politicos da altura que ou eram loucos ou eram totalmente irresponsaveis.não sei se o kubrick tinha sentido de humor ou não,mas o filme foi uma bofetada sem mão em muita gente da altura.p.s.-obama pressiona merkel e esta cede? isto sim,é muito “sentido de humor negro”:

  4. Hoje houve uma noticia surpreendente. Obama que estava a pressionar para Merkel flexibilizar a posição perante os gregos informou que a Casa Branca não tem qualquer intenção de resgatar a dívida de Porto Rico (que já é chamado a Grécia dos EUA), deixando subentender que Porto Rico deve tomar as medidas necessárias para conter a dívida incluindo o abaixamento de salários. O Governador veio obviamente dizer que não concordava … e mencionou o facto da Educação ser tomada como uma despesa (por isso sujeita a corte) e não como investimento…

    Será que todos vemos o argueiro no olho do vizinho mas não vemos a árvore à nossa frente?

    1. Sem dúvida. A Grécia tem outro peso geoestratégico e, neste jogo, o valor nunca é a coerência.

  5. Bom dia,

    Professor, no meu entender o resultado do referendo permite-nos inferir bastante. Vejamos:
    O “sim” ganha (cruzes canhoto) neste caso o syrisa é legitimado a aceitar o acordo dizendo “nós somos contra, mas quem manda é o povo grego que legitimou o acordo após a realidade da renegociacão” dado que provocar novas eleições não permitiria a reeleição do syrisa com as mesmas ideias que neste caso já teriam sido testadas, e como é óbvio nenhum partido sai do poleiro se não for obrigado a isso. O sim ganha, a Alemanha ganha.
    O “não” ganha, dupla confirmação e apoio ao syrisa. Não se assina o acordo e a bola está do lado da Alemanha. Se a Alemanha continuar a não aceitar alterar o acordo e permitir as pensões dos velhos o governo grego imprime moeda, seja o que Deus quiser e a culpa é claramente da falta de solidariedade da Europa em particular da Alemanha. Da beijinhos a Rússia e China e a vida continua, porque imprimir moeda pode ser chato mas não é nenhuma guerra. Mas não irá haver eleições na mesma. Se a Alemanha alterar o acordo, porreiro e há renegociarão da dívida.

    Isso de eleições antecipadas na Grécia é que não me faz sentido. Corrija-me lá onde o meu raciocínio falha se faz favor.
    Abraços a todos

    1. Continuo sem perceber porquê? Porque razão se demitiria o governo quando ainda por cima no caso concreto estaria directamente legitimado pelo referendo popular? Mesmo que o referendo não queira o que o syriza quer, o governo nunca se pode demitir… seria uma palhaçada total uma certa “confusão” do que é a Democracia Representativa??

  6. Solução: a Grécia sai do Euro, sai da EU, faz-se á vida, pode pedir emprestado a quem mais lhe convier e nas condições que lhe forem mais favoráveis. Quem sabe fazer uma comunidade socialista com a Coreia do Norte, Venezuela e Bolívia (esqueçam a China que já não vai nos amanhãs a cantar e o Putin não é de confiança).
    Em alternativa, não sendo necessários referendos, negociações, acordos, troikas e demais, todos os simpatizantes de gregos e syrisicos podem contribuir para ajudar a Grécia https://www.indiegogo.com/projects/1324990 . Esquerda-caviar vamos lá deixar o caviar, ser solidários e abrir os cordões à bolsa (a própria, não a dos outros) e ajudar os camaradas gregos.

    1. Graçola banal, não é, Pedro Correia? Acha que melhorou o nível do seu argumento?

  7. As últimas horas indicam que NINGUÉM quer arriscar, Merkel talvez pressionada por Obama quer negociar, o Juncker faz propostas de ultima hora, quais , não se sabe, Tsipras diz estar disponível para negociar , em suma tudo em aberto. Certo certo o Rajoy espanhol , que acossado pelo Podemos diz com toda a clareza que quer derrubar o governo grego.

    1. O prémio nobel da paz Obama podia era por as rotativas a trabalhar no fim-de-semana e ligar o Tripsas e dizer-lhe “Pá, tens a dívida paga, aumenta os ordenados, pensões, baixa os impostos, põe os gregos a gastar”, seria como um Carlos Santos Silva da Grécia. E claro dizia-lhe “Não precisas de apontar a dívida, se precisares mais fala com o Perna, que eu ponho os mandriões das rotativas a trabalhar, afinal entre amigos não há dividas”

  8. Uma análise com interesse a de Francisco Louçã, que confirma que é muito difícil fazer previsões, sobretudo se elas respeitarem ao futuro! Naturalmente que os únicos responsáveis pelas angústias agora bem reais dos gregos que não emigraram e que não votaram Syriza são apresentados como valente povo e valentes líderes, mas não me vou alongar sobre isso. A Grécia fez a cama em que se vai deitar. Na minha opinião, teria sido melhor o Eurogrupo ter rejeitado liminarmente em Janeiro qualquer tipo de negociação sobre aquilo que estava em vigor, e exigir com diligência reforçada o seu cumprimento. Perdeu-se tempo precioso, concedeu-se respeitabilidade a quem não a merece, e, pior do que tudo, quebrou-se o ímpeto das mudanças, que aparentemente começava a dar frutos. Receio que os frutos agora sejam outros, nisso estou de acordo com Francisco Louçã.

  9. Este é de facto um tema que lhe tem merecido animada interpretação; empenhamento cívico, luta, e um feroz combate argumentativo, em prol da dívida grega e da questão financeira da Zona Euro. O Francisco não deixa de ser perspicaz, na medida em que prevê que esse é o grande caminho para a transformação social, económica e política da Europa e dos seus povos. Por outras palavras, o Francisco Loução já deu conta que este problema grego, bem como o endividamento dos países do Sul da Europa, irá condicionar nos próximos tempos as escolhas políticas internas, a conjuntura económica e a estrutura social. Nem sempre tenho estado de acordo com o Francisco. Bem sei que em relação à Grécia as conclusões nunca poderão ser lineares. Isto é, a razão está de um lado, enquanto do outro lado apresenta uma sucessão de erros. Não, as coisas não são assim tão simples. Ver a Grécia a agoniar, também não algo que dignifique a Europa e os seus princípios. Então vamos a questões concretas. Todos sabemos que a dívida grega não é pagável; todos sabemos que terá de acontecer “alguma coisa” (reestruturação? perdão?) à dívida portuguesa, na medida em que também não é sustentável. Quem disser o contrário está a mentir às pessoas. Francisco, gostaria que então explicasse o seguinte: como é que é possível que os gregos tenham colocado ao “fresco”, em bancos no exterior, cerca de 30 mil milhões de Euros, e que caso a Grécia entre em default, ou emita outra moeda, essa drenagem de capitais levará a que determinadas pessoas ainda se tornem mais ricas e lucrem com toda esta crise, e com a aflição social por parte dos mais pobres gregos. Como é isto possível? Afinal a saída do Euro esconde por detrás injustiças bem reais!

  10. O que me pergunto é se alguma vez o Syriza acreditou que a Troika iria “ceder”. Terá acreditado, sem planos alternativos, o chamado “plano B” ? E O Syriza acreditou que valia a pena “empatar” para depois, em cima da hora, convocar um referendo em condições adversas e com o flanco aberto à chantagem sobre os eleitores gregos ? Antes de se lançar ao mar e à previsível tempestade, o Syriza não se precaveu em terra ?

    Que diz o KKE ? “(…)Durante a sessão de 27/Junho do parlamento, a maioria governamental do SYRIZA-ANEL rejeitou a proposta do KKE de que as seguintes questões fossem colocadas perante o julgamento do povo grego no referendo:

    NÃO ÀS PROPOSTA DE ACORDO DA UE-BCE-FMI E DO GOVERNO GREGO
    DESLIGAMENTO DA UE – ABOLIÇÃO DO MEMORANDO E TODAS AS SUAS LEIS DE APLICAÇÃO (..) definindo a sua posição quanto ao referendo “Nestas condições, o KKE conclama o povo a utilizar o referendo como uma oportunidade para fortalecer a oposição à UE, a fortalecer a luta pela única saída realista da barbárie capitalista de hoje. O conteúdo desta saída é: RUPTURA-DESLIGAMENTO DA UE, CANCELAMENTO UNILATERAL DA DÍVIDA, SOCIALIZAÇÃO DOS MONOPÓLIOS, PODER DOS TRABALHADORES E DO POVO.

    O povo, através da sua actividade e da sua escolha no referendo, deve responder ao engano da falsa pergunta colocada pelo governo e rejeitar a proposta da UE-FMI-BCE e também a proposta do governo SYRIZA-ANEL. Ambas contêm bárbaras medidas anti-povo, as quais serão acrescentadas ao memorando e às leis de aplicação dos anteriores governos ND-PASOK. Ambos servem os interesses do capital e dos lucros capitalistas.

    O KKE enfatiza que o povo não deve escolher entre Scila e Caribdis, mas deve exprimir, com todos os meios disponíveis e por todas as vias, sua oposição à UE e seu memorando permanente no referendo. Ele deve “cancelar” este dilema lançando dentro da urna eleitoral, como seu voto, a proposta do KKE como seu voto

    NÃO À PROPOSTA DA UE-FMI-BCE
    NÃO À PROPOSTA DO GOVERNO
    DESLIGAMENTO DA UE, COM O POVO NO PODER”

    1. Discorde-se ou não, o KKE não vota nulo, recusa-se a participar no jogo de acordo cam as regras definidaseites pelo Syriza. O Syriza não propõe uma alternativa mas apenas mais do mesmo.. É como perguntar a um condenado à morte se prefere por exemplo morrer à marratada ou anestesiado..Mas … antes de referir a posição do KKE levantei uma série de interrogações, algnmas coincidentes com as do Louçã. .

    2. Escrever no boletim de voto “saída da UE” ou outra qualquer frase é um voto nulo. Nem sei porque quer discutir uma evidência legal.

  11. Se entender que algum parágrafo do comentário que submeti não deve ser publicado, pode cortar e publicar apenas o que for conveniente.

    1. Aqui só não se publicam textos que sejam insultuosos, não há condicionamento da liberdade de argumentação.

  12. Não me parece que haja referendo. Vai haver acordo antes de 5 de Julho e os gregos passam directamente para a fase de mostrarem o que valem como nação, estão entregues a si por mérito próprio. Não vai ser fácil e não vão ter ajuda, como nunca tiveram até hoje da parte das instituições europeias. As eleições em Espanha e Portugal dependem muito do que acontecer na Grécia. O grande problema agora é a península Ibérica onde o cerco à lógica dos juros mais altos que o crescimento pode ser posta novamente em causa e, assim, não ser apenas o caso isolado da Grécia.

  13. É claro que este artigo é apenas a “narrativa” da esquerda radical, mas não vou dissertar sobre isso. Tentei confirmar algumas afirmações mais factuais na internet.

    Nos sites de vários jornais portugueses e estrangeiros está a informação de que Tsipras está a considerar aceitar a proposta de Juncker, o que, a confirmar-se, arruina grande parte da argumentação do artigo.

    Sobre a posição do Aurora Dourada, encontrei na wikipedia a informação de que este partido nazi votou a favor da realização do referendo e, tal como o Syriza, apoia o voto contra o acordo e, consequentemente, a não manutenção do euro. Também aqui há uma contradição com o artigo.

    Pessoalmente, não me surpreende que o Syriza e o Aurora Dourada tenham os mesmos objetivos. Afinal, o Syriza já há muito se tinha coligado com um partido fascista mais moderado..

  14. fazer um referendo é mais do que sensato,é democratico.não percebo o nervosismo do dr.estranho amor.mas percebo que a UE não tem neste momento responsaveis politicos á altura do que se passa na europa.Ucrania,costa mediterranica e migrantes a morrer todos os dias no mar,grexit,austeridade maxima em três paises,com aumento do desemprego,emigração e aumento da divida publica,terrorismo por toda a parte.e isto para não falar nos “tiros” que os responsaveis da UE mandam naquilo que já se apelidou de democracia e que agora não passa de uma tecnocracia comandada por “especuladores” que fazem fortunas sem sequer sair de casa.”parabens” aos defensores desta “ideologia”

    1. Para reavivar a memória, aquele a quem o joão lopes chama “dr.estranho amor”, supondo que se trata de Wolfgang Schauble – piada que certamente o deixa a imaginar-se um grande humorista -, declarou em Dezembro de 2012 que “Portugal não tem nada que ver com a Grécia”. Mas há pessoas assim, mordem em quem lhes faz elogios, olhe, são tugas do …

  15. Portanto só o syriza, que quer continuar a pedir dinheiro emprestado, e a tornar todos os europeus escravos – porque pediu-lhes o dinheiro das suas poupanças/excedente de trabalho e agora não devolve – é que está de boa fé.

    É bom que Merkel e Holande se pactuarem com este bando de ditadores gregos, percam as eleições e apareça quem os meta na ordem. Querem vícios? PAGUEM COM O VOSSO DINHEIRO!

    Incrível ver portugueses à vontade para continuar a financiar pensões e ordenados gregos muito superiores aos dos próprios portugueses.

    1. Curioso, se tivesse o menor elemento factual. O dinheiro “emprestado” ao Estado grego e imediatamente canalizado para os bancos alemães e franceses, vem dos mercados asiáticos e dos seus excedentes. É comovente essa das “poupanças” dos “europeus escravos”. Só que é uma efabulação.

    2. A Grécia e a perícope da «mulher adúltera»

      «Os escribas e os fariseus trouxeram uma mulher apanhada em adultério, puseram-na no meio de todos e disseram a Jesus: ‘Mestre, esta mulher tem sido apanhada em flagrante adultério. Moisés nos ordenou na Lei que tais mulheres sejam apedrejadas; tu, pois, que dizes?’ Isto diziam, experimentando-o, para ter de que o acusar. Jesus, porém, abaixando-se, começou a escrever no chão com o dedo. Como eles insistissem na pergunta, levantou-se e disse-lhes: ‘Aquele que dentre vós está sem pecado, seja o primeiro que lhe atire uma pedra’.»

      Paul Krugman explica bem, aqui no Público, a tragédia grega – vide: http://www.publico.pt/mundo/noticia/krugman-e-stiglitz-defendem-que-gregos-votem-nao-no-referendo-1700523
      [A Grécia] “estava a gastar acima das suas possibilidades no final dos anos 2000” [mas] “desde então, cortou repetidamente a despesa e aumentou impostos”.
      “O emprego público caiu mais de 25% e as pensões (que eram de facto demasiado generosas) têm sido cortadas abruptamente. Se a isto se somarem todas as medidas de austeridade, fizeram mais do que o suficiente para eliminar o défice e passarem a ter um amplo excedente.” [Porém] “a economia grega colapsou, muito devido às muitas medidas de austeridade, que afundaram as receitas” [do Estado]. [Acrescentando que este colapso] “esteve muito ligado ao euro, que amarrou a Grécia num colete-de-forças económico”.

      A Grécia é então como aquela mulher adúltera que, sem mais apelo ou arrependimento, os fariseus querem apedrejar até à morte. Pergunto a José Augusto, e a todos os outros portugueses que, contra o vício e o pecado, levantam pedras aos gregos: estareis também vós, fariseus, moralistas e zeladores da Lei, isentos de mancha ou pecados, ao ponto de quereres atirar a primeira pedra? Em boa verdade vos digo, neste mundo, nem gregos, nem espanhóis, portugueses, franceses ou alemães estão isentos de pecado. Não vos comporteis como o credor incompassivo!

      «Tornando a abaixar-se, continuou a escrever no chão. Mas ouvindo esta resposta, foram saindo um a um, começando pelos mais velhos, ficando só Jesus e a mulher no lugar em que estava. Então levantando-se Jesus, perguntou-lhe: ‘Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?’ Respondeu ela: ‘Ninguém, Senhor.’ Disse Jesus: ‘Nem eu tampouco te condeno; vai, e não peques mais’.» [Evangelho de João, VIII: 1-11]

      Parábola do «credor incompassivo»
      «Por isso o reino dos céus é semelhante a um rei, que resolveu ajustar contas com os seus servos.Tendo começado a ajustá-las, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos. Não tendo, porém, o servo com que pagar, ordenou o seu senhor que fossem vendidos-ele, sua mulher, seus filhos e tudo quanto possuía, e que se pagasse a dívida. O servo, pois, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Tem paciência comigo, que te pagarei tudo. O senhor teve compaixão daquele servo, deixou-o ir e perdoou-lhe a dívida. Tendo saído, porém, aquele servo, encontrou um dos seus companheiros, que lhe devia cem denários; e segurando-o, o sufocava, dizendo-lhe: Paga o que me deves. Este, caindo-lhe aos pés, implorava: Tem paciência comigo, que te pagarei. Ele, porém, não o atendeu; mas foi-se embora e mandou conservá-lo preso, até que pagasse a dívida. Vendo, pois, os seus companheiros o que se tinha passado, ficaram muitíssimo tristes, e foram contar ao seu senhor tudo o que havia acontecido. Então o seu senhor, chamando-o, disse-lhe: Servo malvado, eu te perdoei toda aquela dívida, porque me pediste; não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, como eu tive de ti? Irou-se o seu senhor e o entregou aos verdugos, até que pagasse tudo o que lhe devia. Assim também meu Pai celestial vos fará, se cada um de vós do íntimo do coração não perdoar a seu irmão. [Evangelho de Mateis XVIII, 31]

      – Pagaremos ou não pagaremos? «Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.» [Mt. 8:21].
      Se tendes uma dívida, não tardeis em pagá-la. «Dai a César o que é de César»! Porém, se alguém para contigo for devedor, atendei a dar a «Deus o que é de Deus» – não vos esquecendo do mandamento do Amor ao próximo e do perdão; precavendo-vos de que ao receberdes o penhor, o vosso irmão tenha em mãos os instrumentos do seu trabalho que serve ao vosso sustento!

      «Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor; mas Eu vos tenho chamado amigos […].»
      Por que vos comporteis como “escravos” se podereis ser livres – e, assim como souberes perdoar as dívidas de quem vos tiver ofendido, assim também vós sereis perdoados!
      [Reestruturar a dívida faz sentido…Mas o melhor mesmo e não ter dívidas ou tributos – e, se contrário, pagá-los na moeda própria que melhor recompensa o vosso esforço]

  16. É claro que este artigo é apenas a “narrativa” da esquerda radical, mas não vou dissertar sobre isso. Tentei confirmar algumas afirmações mais factuais na internet.

    Nos sites de vários jornais portugueses e estrangeiros está a informação de que Tsipras está a considerar aceitar a proposta de Juncker, o que, a confirmar-se, arruina grande parte da argumentação do artigo.

    Sobre a posição do Aurora Dourada, encontrei na wikipedia a informação de que este partido nazi votou a favor da realização do referendo e, tal como o Syriza, apoia o voto contra o acordo e, consequentemente, a não manutenção do euro. Também aqui há uma contradição com o artigo.

    Pessoalmente, não me surpreende que o Syriza e o Aurora Dourada tenham os mesmos objetivos. Afinal, o Syriza já há muito se tinha coligado com um partido fascista mais moderado.

  17. Excelente artigo… E a todas as expectativas, preocupações e dúvidas que expõe, alguns analistas aventam ainda outras questões geopolíticas – que vem dar outra relevância a um país periférico, marginal e residual (2% PIB europeu) que é a Grécia.
    A Grécia é fronteira com a Turquia – e também como o oriente islâmico que, como sabemos, está em convulsão.
    A Grécia ocupa uma posição central no mediterrâneo – no acesso ao Mar Negro e ao Balcãs. E a inclinação para a Rússia é um assunto mal digerido entre os aliados europeus e americanos.
    A Grécia é um dos fundamentos da civilização europeia – pelo que há a motivação querer ancorar a meia “insularidade” rebelde dos gregos à Europa.
    Então, em termos geopolíticos a Grécia vale mais do que o seu “miserável” PIB, de uma economia em decadência.
    E Tsipras quer jogar neste tabuleiro da geopolítica – porém, convém saber o jogo que se tem na mão. Xadrez não é póquer! E se Tsipras não antecipou a jogada de uma eventual saída do euro – e eis aqui outra dúvida colocada por Louçã – então talvez tudo não passe de um perigoso “bluff”!
    [Pressionar, com a ameaça do “referendo”, mais não é do que outra forma de voltar a jogo, na expectativa de ter agora em mãos uma boa cartada! A geopolítica europeia perde-se a jogar póquer… em vez de saber melhor mover as peças no xadrez da geopolítica global!]

    A contrastar com a rebeldia dos gregos temos a melancolia dos portugueses. E isso também se explica, em parte, pelo enquadramento geopolítico. A Grécia moderna é um país que teve de lutar duramente pela independência, depois de séculos de domínio turco; seguindo-se depois duras lutas internas – e, claro, as “bancarrotas”. Numa palavra, os ortodoxos gregos são gente de temperamento duro, rebelde e combativo. A Grécia moderna traz consigo ainda a irreverência da juventude. Já Portugal é um país relativamente pacífico – não tem disputas com Espanha (Olivença?), quase esqueceu Marrocos e, após o saque dos jacobinos franceses, a independência do Brasil, mais as longas lutas disputas que se seguiram, em várias versões, entre liberais e absolutistas, o país nascido da República é – tal como sempre fora, pelo menos deste a contra-reforma católica – excessivamente amorfo e monótono. E, em boa verdade, a razão de ser de Portugal esteve durante séculos fora de fronteiras, além-mar, na projecção e defesa do Império. Sem Império, Portugal não encontrou ainda verdadeira identidade própria – daí a postura acrítica em relação às questões europeias (ex. dispensando o “referendo”). Daí se explique em nós o medo de rejeição e de, no isolamento, ficarmos sós («Orgulhosamente sós!» – é uma má recordação “salazarista”, por sinal desprovida de sentido); o medo de desagradar e não sermos bem vistos ou aceites lá fora; o medo de falharmos na prova do “bom aluno”; o medo de não corresponder às exigências – quão “sacrifícios” que nos são impostos; enfim, o medo de existirmos como nação soberana do seu destino.
    Em Portugal tudo hoje é monótono, ambíguo e amorfo – e se por cá não há “eurocépticos”, em boa verdade também não há “euroentusiasmo”. Portugal é uma nação velha, amorfa e triste – «Ó Portugal, hoje és nevoeiro…»

    «Triste de quem vive em casa, / Contente com o seu lar, / Sem que um sonho, no erguer de asa, / Faça até mais rubra a brasa / Da lareira a abandonar!
    Triste de quem [assim] é feliz! / Vive porque a vida dura. / Nada na alma lhe diz Mais que a lição da raiz- / Ter por vida a sepultura.
    Eras sobre eras se somem / No tempo que em eras vem. / Ser descontente é ser homem. / Que as forças cegas se domem / Pela visão que a alma tem!
    […] Grécia, Roma, Cristandade, / Europa- os quatro se vão / Para onde vae toda edade. / Quem vem viver a verdade / Que morreu Dom Sebastião?»

    De facto – como diria Paulo Portas – “os portugueses não são gregos”. Mas, quando é a «Hora»?

  18. Não consegui compreender o desconforto dos adversários do Referendo.A Europa não está disponível para aceitar a proposta do Syriza.O Syriza não tem mandato para aceitar a proposta da Europa.o Referendo é o caminho possível .Porquê o desconforto?

    1. Porque vem fora do tempo. Note que eu não sou adversário do referendo, admito que seja adversário do Syriza.

  19. O Dr. Louçã tambem faz ponto assente , à medida que discorre , de subtrair o objecto à Dra. Lagarde .. ela no entanto e em contrpartida nao está com contemplações , Já não há viagem de ida e volta entre Atenas e um dos pólos ..

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