Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

28 de Junho de 2015, 20:05

Por

O gatilho do pistoleiro

pistolaA troika fez tudo o que sabia e podia para esgotar as reservas da Grécia ao longo das pseudo-negociações dos últimos meses e, finalmente, os chefes de governo apresentaram um ultimato na última segunda feira, com uma lista exaustiva das medidas de austeridade que deviam ser aplicadas. Esperavam a capitulação do governo grego e foram surpreendidos pela decisão de convocar um referendo – que se vai realizar.

Responderam hoje a esse referendo por via da mais poderosa de todas as instituições da troika, o BCE (depois da senhora Merkel que, claro, está acima das três). É em Frankfurt que está a chave da situação, se a troika quer disparar um tiro fatal para a economia grega. E disparou, fingindo que não era nada com ela.

O BCE tinha três opções. Ou mantinha o apoio de liquidez aos bancos gregos, como fez nas outras situações semelhantes, de Portugal a Chipre. Ou fechava o programa de assistência de liquidez e desencadeava a falência dos bancos, exigindo a restituição imediata do que foi emprestado – e assumia a evidência pública da decisão. Ou mantinha o programa mas não cedendo mais liquidez, e então as autoridades gregas são obrigadas a imporem o “feriado bancário”, ou seja a fecharem os bancos durante a semana e a limitarem as transferências e levantamentos electrónicos ou por multibanco. Escolhendo a terceira opção, o BCE prime o gatilho mas fica ocultado na sombra.

Na operação da troika, o BCE e Mario Draghi – com os seus outros administradores e a conivência das suas agências, que são os vários bancos centrais nacionais – são o pistoleiro que se esconde. Esperam assim que o medo vote Sim, porque nada provoca mais pânico social do que o receio quanto aos depósitos bancários de cada um. Entre a sombra do medo e a escolha nacional, o referendo decidirá.

Comentários

  1. O povo grego não é obrigado a pagar uma conta astronómica, encomendada pela CE ao FMI , e a quem nem sequer deixou o povo grego referendar. Nós portugueses tambem lá iremos pelo mesmo caminho, restando só uma CE de países ricos e sem os povos do Sul

  2. A Alemanha deu aos povos europeus DUAS GUERRAS MUNDIAIS, e a destruição de grande parte da Europa.

    A Grécia deu aos povos europeus as BASES DA SUA CIVILIZAÇÃO

    E isso faz toda a diferença

  3. O senhor prof. é mesmo muito inteligente.
    Como excelente esquerdista jubilado, tal como o aprendiz Rui Tabares, manda sempre a culpa para os outros.
    Os outros é que são os culpados dos males do mundo, enquanto vcs andam às caneladas uns com os outros e a trairem-se e a dizerem mal do dia a dia
    No papel põe palavras bonitas
    mas todas elas completamente vazias na prática do dia a dia dos esquerdistas
    tal como.
    Universalismo – só o do vosso quintal
    Liberdade – a vossa (os outros que amochem)
    Igualdade – a vossa com os abastados
    Solidariedade – dos outros para convosco
    Socialismo – a coçarem-se sempre para dentro
    Europeismo – o da vossa imaginação (a dos outros não conta)
    Ecologia – Limpinha… limpinha… a do vosso canto
    quando nem com uma simples papoila estão disponíveis para ajudar seja quem for quanto mais os gregos
    Só paleio
    A única coisa que sabem fazer é usar o dinheiro e o trabalho dos outros

    1. Não seja tão mauzinho Eduardo, muitos deles até são bem intencionados, alguns até falam na complexidade do mundo e do ser humano, pelo menos quando lhes convém, mas depois, por um passe de mágica, descobrem que os problemas de Portugal são o euro e os “especuladores”, e que Angela Merkel é o Diabo, e lá se vai a complexidade toda pelo cano…

  4. Apetece-me fazer uma pergunta ao Francisco Louçã, apesar de ele não gostar de responder a anónimos… Se o sim ganhar no domingo na Grécia, Tsipras demite-se? E são convocadas eleições parlamentares?

  5. Sr. Prof. Louça:
    Registei o seu comentário : Maria Luis Albuquerque: cortar mais 600 milhões nas pensões, só no próximo ano. Precisa de um desenho?
    Poder – me – ia fazer o desenho de forma que eu percebesse se o dito corte é nas pensões minimas, nas interiores a € 1000,00 ou nas pensões dos deputados, funcionários publicos de topo, administradores de empresas públicas ou bancos, militares etc… ?

    1. Acho que isso tem que perguntar lá na sede do partido, “José Carlos”, eles é que sabem que pensões vão cortar, é um segredo bem guardado. Afinal, temos eleições, não é?

    2. A experiência mostrou que não houve cortes nas pensões até aos 600 euros (14 meses por ano), isso apesar da Troika e do Tesouro a zeros em 2011. Não quero fazer futurologia acerca de entidades tão misteriosas como o PSD, mas não me parece que esse partido tenha a mínima intenção de reduzir a despesa pública nessa sua componente, das pensões inferiores a 600 euros. Não é só uma questão de justiça e de bom senso, é onde estão os votos.

  6. F, bom hoje tiveste excelentes comentários, toda gente que deve estar muito bem na vida, felices com os cortes, com os impostos serem justos, dispostos a pagar os medicamentos dos avos com pensões excesivas, todos grandes pensadores, profundos e originais, sem austeridae seria pior parece ser o argumento ganhador, o masoquismo portugues a veces me derruba, o que fez Deus a este povo para ser tão sensato, eu tenho uma tesis, mas sou suspeito, neste momento sou grego, pela dignidade, pela soberania, pela liberdade, quem vive sempre ajoelhado acaba por ser queimado nos fornos como carneiro, meu respeito aos portugueses que não se vergam

    1. Realmente, a liberdade de gastar o que não é nosso é muito agradável. Tal como a dignidade que se consegue mentindo e fazendo bravatas. E também é bom ser soberano com dinheiro emprestado, dá-nos outras possibilidades. Dedico esta frase de Benjamin Franklin ao Mário Olivares: “Um lavrador de pé é maior do que um fidalgo de joelhos”.

  7. Referendar o futuro da Grécia faz sentido, porém, creio que a questão está mal formulada.
    Já não se trata de saber se os grego aceitam, ou não, o programa de “austeridade” que lhes é imposto. Antes, referendar se querem os gregos a “Permanência” no euro (sujeitando-se, sem mais apelo, à austeridade) ou se pretendem arriscar a “Saída”!

    Entretanto, devemos recordar a outros comentaristas que, aquando a BANCARROTA de 1892, Portugal também entrou em incumprimento. Depois, viria a abandonar o padrão-ouro, o que significou na prática a desvinculação da Libra… E, uma década depois, acabaria por ser “reestruturarada” a dívida, junto dos credores.
    Um outro sugestivo exemplo – mais recentemente, a ISLÂNDIA começou a recuperar da crise preservando a sua soberania monetária – e rejeitando a “austeridade” sugerida pela UE.
    Pelas palavras do presidente da Islândia, Olafur Ragnar Grimsson: “Islandia saiu da crise porque não deu ouvidos à UE e recusou a austeridade”, 19/02/2015 [em http://www.jornaldenegocios.pt/news.aspx?ID=354771%5D

    Ainda para os defensores das virtudes e superioridade moral do “Liberalismo” e da infalibilidade do “capitalismo”, sugiro que se medite sobre a falência de DETROIT – e suas consequências políticas, sociais e económicas.

    1. É possível que nas próximas semanas o meu caro venha a descobrir, simplesmente olhando para a Grécia, que o incumprimento tem mesmo consequências nada agradáveis. Não me vou preocupar com as suas acusações ao liberalismo e ao capitalismo, porque eu nunca formularia a sua apologia como o António o fez.

  8. A maioria dos comentários on line, ignorando a razão de ser da crise provocada pela banca, revelam também um umbiguismo individualista atroz. É por isso que com a ajuda dos abstencionistas o país não sai do alterne PS(d)CDS, quaisquer que sejam os subservientes capatazes de turno.

    1. As pessoas querem sempre culpados para os seus problemas, porque vivem com 2.000 anos de (mau) cristianismo em cima do lombo, e precisam desesperadamente da figura do “culpado”, não sabem viver de outra maneira. Muitas vezes um super-espelho bastaria para as ajudar, individual e colectivamente.

  9. “…troika fez tudo o que sabia e podia para esgotar as reservas da Grécia”

    Sim. Louçã acerta mais uma vez. E mostra coragem porque é o único ingrediente para ficar com o selo de “teórico da conspiração”.

    Na Grécia não sei, mas aqui a eliminação das condições de sustentabilidade foi realizada ao longo de 4 décadas. Foi o velho truque dos “mirrors for gold”.

    Francamente, não me recordo dos partidos de esquerda defenderem a destruição do sistema produtivo. Recordo-me, num debate Televisivo um ex-Ministro Laranja da Educação e dos Negócios Estrangeiros afirmar assertivamente que a “Produção Nacional não interessava para nada” dando o exemplo da Grã-Bretanha onde raros eram os produtos locais no supermercado.

    A Alemanha, França e Reino Unido conheciam bem nos anos 70, 80 e início dos anos 90 a ameaça produtiva do Sul da Europa. Salários mais baixos, indivíduos tecnicamente inclinados, Portos Marítimos disponíveis, boas relações com Países ricos em recursos minerais que incluem ex-colónias.

    Houve concertação Internacional, com a complacência de partidos de direita para o que agora é óbvio:

    1) Promover a descrédito dos produtos nacionais (quem não se recorda de gozarem com a UMM, Casal, Famel, com os vinhos nacionais, etc nos anos 80?). Era diário o achincalhamento de tudo o que se produzia em Portugal.

    2) Debilitar o ensino, destruir o interesse por disciplinas fundamentais como a Física, Matemática e Línguas. Promover o interesse por pseudo-Ciências e as capacidades sociais “de café”.

    3) Eliminar a auto-confiança da população com facilidades de crédito para a compra de produtos em fase de protótipo a Países como a Alemanha e França. Os Portugueses foram os “beta-testers” dos produtos Alemães e Franceses. Os submarinos também vieram em fase de protótipo.

    4) Estimular o excesso de consumo do País e das pessoas com a sempre-presente “necessidade de aprovação” dos Países Nórdicos. Somos sempre os “bons alunos” porque compramos bugigangas aos Países importantes. É muito semelhante à conquista do continente Americano e o famoso “Mirrors for Gold”.

    5) Fomentar a desconfiança e divisão internas de forma a estarmos sempre em “mudanças”: tudo com grande entropia e sem resultados sólidos. Discutem-se os mesmos assuntos desde 1980 (que me recorde) de forma estéril e a partir do zero. Não vejo forma mais eficaz de emperrar um País.

    6) Viciados nos “Mirrors” e sem qualquer capacidade defensiva, chegou a altura de entragar o “Gold”.

    Mas afinal o que é o “Gold”? Suspeito que em breve ficaremos a saber.

    1. Gabo-lhe o sentido de humor Pedro Areias, mesmo se não posso concordar seriamente com quase nada do que diz.

  10. O Syrisa sempre quis ver a Grécia fora do euro, apenas não quer arcar com a responsabilidade política da decisão; esta estratégia de desresponsabilização é a única razão de ser das ditas negociações a que temos vindo a assistir nos últimos meses.
    Todo o meu processo racional é movido pelo compasso da dúvida metódica, por conseguinte, admito, por princípio, em abstracto, que os defensores da saída do euro possam estar certos. Eu não acredito que estejam certos: é uma convicção demovível por evidência que se lhe oponha. Finalmente o Syrisa e congéneres europeus têm a oportunidade histórica de mostrar ao mundo que estão certos. Oxalá estejam, para bem do povo Grego e para meu alívio também, pois exigirei do meu governo a mesma receita.

    1. Estou convencido do mesmo, as negociações que o Syriza encenou desde o princípio do ano não passaram de um simulacro, com o único objectivo de culpar a Europa pelas consequências. Quem está em posição muito frágil e quer chegar a um acordo não entra a fazer troça da outra parte, como aconteceu.

  11. Agora os pensionistas na grecia estão bem melhor graças ao Louçã e os seus muchachos do syriza: vão passar a noite em filas a tentar retirar o máximo de euros do banco, para tentarem sobreviver.

    Uma vergonha este violento ataque aos pensionistas gregos pelo syriza.

    Os pensionistas portugueses que estejam atentos: se votarem à esquerda é isto que vos espera; noites acordados em filas a tentar levantar dinheiro, e depois como na venezuela, filas a tentar comprar 1 rolo de papel higiénico. Cuidado!!!!

    1. 600 milhões de corte se o PSD e CDS puderem. É o destino das pensões em Portugal.

    2. Há uma coisa que todos os portugueses devem ter em conta, especialmente os pensionistas: o próximo resgate, a haver, passará por cima da sagrada constituição. E nem falo da saída do euro, em que qualquer pensionista saberá bem deduzir o que lhe irá acontecer.

  12. Desculpe lá Francisco Louçã, mas esta da história da Grécia está-se a tornar uma paixão para si, e a fazê-lo entrar num mundo de fantasia. O pânico bancário na Grécia já tinha começado há muito, desde que se tornou plausível o fim dos empréstimos das instituições e a saída do euro, e nada disso aconteceu em Portugal (felizmente). Apesar disso, o BCE foi cedendo e cedendo liquidez aos bancos gregos, mais do que a totalidade dos empréstimos da Troika a Portugal. Cumpriu pois impecavelmente o seu papel de banco central da Grécia, até ao último minuto. Só que o último minuto foi no sábado, ontem portanto, e o BCE não está ao serviço das fugas desesperadas do Sr. Tsipras, nem tem contas a prestar-lhe. A Grécia já está fora-da-lei, ao incumprir os seus pagamentos ao FMI, e o FMI e o BCE já tinham lenha para actuar, se tivessem querido. Até ao último minuto esperaram por que a razão imperasse no solo que a viu nascer, e, em vez de razão, receberam propostas inaceitáveis de última hora, saídas intempestivas de reuniões e espectáculos mediáticos com um referendo sobre algo que não ofereceram depois de 27 de Junho. Finalmente, até para as circunspectas instituições, chegou a hora de agir, e não de fazer ruídos. A Europa agradece.

  13. Vendo estes comentários percebo que somos um paįs de fracos e de burros. Contra tanta estupidez, não há nada a fazer.a merkel vencerá. E feliz do passos,que vai poder roubar os salarios da malta mais 4 anitos.

    1. Fala de que país de fracos e de burros, daquele que elegeu Pinto de Sousa, agora residente na cela 44 do EPE? Ou daquele que suportou pacificamente as consequências do Tesouro vazio e das dívidas que Pinto de Sousa lhe legou?

    2. João Duarte, é por acharmos que os “outros” são fracos, burros e estúpidos que de vez em quando vem um Estaline ou um Hitler ou um Califa tratar da saúde aos “outros”.

    3. O Francisco Louçã terá legitimidade para fazer piadas sobre a “perseguição” a Pinto de Sousa quando o último dos 100.000.000.000 de euros de dívida nova que ele nos legou estiver pago ou, admitamos, perdoado. Espero que tenha uma vida anormalmente longa, porque ainda nem um euro foi pago. Ah, pois é, o Francisco Louçã acha que as dívidas não são para pagar, tal como o tal “special greek one”… Ele está-se a dar muito bem com essa ideia, ao que parece.

    4. Não faço piadas nenhumas. Acho sempre entusiasmante quando o Correio da Manhã escreve aqui um comentário, fico deliciado.

  14. Bem, há várias narrativas. O Syriza e os aliados fascistas fizeram tudo o que sabiam e podiam para fingirem que negociavam e para irem recebendo o apoio de liquidez aos bancos gregos que totalizou várias dezenas de milhões de euros. A poucos dias do prazo para concluir as negociações, 30 de junho, quando era óbvio que não estavam de facto interessados em negociar, abandonaram teatralmente as negociações. No dia seguinte, Tsipras anunciou um referendo para 5 de julho sobre a proposta dos credores, sabendo que essa proposta dizia respeito ao programa que terminava a 30 de junho. Podiam muito bem ter feito o referendo antes de 30 de junho, como fazia sentido, mas, com esta habilidade, esperavam impor aos outros governos da zona euro o prolongamento do financiamento do BCE sem contrapartidas da parte da Grécia. Continuando com habilidades destas, esperavam vir a obter no fim a capitulação dos outros governos.

    1. Pois é, há várias narrativas. Mas há uma só realidade: se os juros são superiores ao crescimento do PIB, e se a austeridade impõe a recessão, que é a queda do PIB, a dívida está sempre a crescer. Posso fazer-lhe um desenho: isso em termos económicos chama-se “efeito de bola de neve”. A Grécia, como Portugal, é vitima das medidas impostas pelos credores. O Pedro Lemos gosta das medidas. Não se esqueça de avisar o seu avô de que tem que lhe continuar a cortar a pensão.

    2. Para corrigir um erro: o apoio de liquidez aos bancos gregos, durante os últimos 5 meses, totalizou várias dezenas de milhares de milhões de euros. A quantia é de tal modo imoral (quantos BPNs são?) que deve ter sido censurada por algum mecanismo mental inconsciente.

      A propósito da pensão do meu avô: como é que enterrar dinheiro na Grécia, governada por uma coligação de comunistas e fascistas que não tenciona pagar as dívidas, ajuda a garantir a pensão do meu avô?

    3. Maria Luis Albuquerque: cortar mais 600 milhões nas pensões, só no próximo ano. Precisa de um desenho?

    4. Não, não é preciso fazer um desenho. Realmente, eu não tinha percebido que a alternativa é entre apoiar a coligação comunista/fascista que governa a Grécia e apoiar Maria Luís Albuquerque, sendo que a primeira opção evita cortes na pensão do meu avô.

    5. Finalmente vejo algo escrito sobre o cerne da questão:” os juros são superiores ao crescimento do PIB”. Quem conseguir inverter esta relação resolve tudo. E aqui se põe a seguinte fase. Merkel não vai deixar acontecer o referendo e a Grécia vai partir para a parte mais dificil. Provar a sua força na recuperação do país com eleições em Espanha e em Portugal a poucos meses. Vai ser interessante.

  15. Mentir é feio – “O BCE tinha três opções. Ou mantinha o apoio de liquidez aos bancos gregos, como fez nas outras situações semelhantes, de Portugal a Chipre.” – Nunca na história do euro, o BCE permitiu que o ELA fosse esticado quase aos 90 mil milhões de euros como agora com a grecia. Nunca nenhum país na zona euro foi tão vergonhosamente ajudado como a grecia, que em troca cuspiu no prato de quem os ajudou.

    Mentir é feio. Revela o desespero que por aí vai.

    Em Portugal vamos ser taxados em mais de mil milhões de euros para ajudar os gregos que recebem muito mais em ordenados e pensões. E em troca vamos receber zero. Uma vergonha.

    Os portugueses hoje estão a perceber o que dá votar à esquerda: anarquia, miséria e pobreza para todos. Continuam a assistir.

    1. Felizmente, sabem o que vale apoiar os programas de direita: cortar nas pensões e nos salários.

    2. Ó Francisco Louçã, isso para quem tem trabalho, mesmo que precário, porque há muita gente desempregada a viver á custa dos pais e dos avós.

    3. Rui Vasco,

      Atenção com as acusações (que me parecem, no mínimo, deselegantes e inapropriadas) e convém verificar os factos antes de tecer tais acusações.

      O “ELA” foi “esticado” no caso da Irlanda em 2010 até a módica quantia de 183 mil milhões de euros (http://www.voxeu.org/article/europe-s-policymakers-should-target-trade-and-income-balance-deficits). Na realidade no caso da Irlanda tratou-se de operações regulares + “ELA”.

      Mas no caso da Grécia, o Conselho do BCE a 4 de Fevereiro tinha restringindo as operações regulares ao deixar de aceitar dívida pública da Grécia. Portanto, essa parte das operações regulares da banca grega viu-se forçada a “migrar” para o ELA.

      Além disso ainda há o financiamento do Eurosistema no âmbito das operações regulares. Nesse caso, Espanha e Itália ultrapassaram no passado o financiamento obtido através do ELA, tanto no caso da Grécia como da Irlanda.

  16. Tsipras sobre o referendo em 2011: When Tsipras was asked by Greek journalist Nikos Chatzinikolaou about Greek PM George Papandreou‘s announcement of a referendum in Greece, he replied: “You know better than me that if the Greek Prime Minister himself tries to have the people face such dilemmas, the real default will be inevitable, and the Greek banks and the Greek economy will collapse before we even reach the voting booth. Just because of the possibility that the people may face such a dilemma, they might vote “No.”

    The current Prime Minister of Greece had then accused Papandreou of despair and had characterized his announcement of a referendum as a “disaster for the Greek economy” and a “harbinger of bankruptcy,” considering it a trick used by the Greek government in its effort to buy more time in power. And he had come into the following conclusion: “The most democratic way of expressing the popular will is elections, not a referendum.”

    1. Curiosa reacção dos apoiantes da austeridade em Portugal: fazer um referendo é um escândalo. Mais vale obedecer a Berlim.

    2. Escândalo é não ter prometido fazer um referendo para aprovar o plano da troika, e unilateralmente suspender as negociações e querer referendar algo que a 5 de Julho já não está válido. Escândalo é querer fazer um referendo quando em 2011 o recusaram com os argumentos que em cima estão referidos. Escândalo é querer que países mais pobres (eslováquia, chipre, malta…) suportem desvarios da esquerda grega. Escândalo é querer continuar no governo se o sim vencer o referendo. Escândalo é andar 5 meses a pisar ovos, com agravamento progressivo da situação económica do povo grego para apresentar como vitória ter trocado o nome de troika para instituições (o que o Francisco Louçã parece já ter esquecido).

    3. Escândalo é dizer que os problemas da grécia são culpa do governo que está lá há menos de um ano… Escândalo é aceitar de cabeça baixinha e sem fazer muito barulho que tenhamos de ser nós a pagar pelos desvarios da direita (e aqui incluo o PS) em Portugal. Escândalo é um governo mentir aos seus cidadãos consistentemente. Escândalo shôr Pedro Correia, é achar que tentar fazer valer a força de um povo que está na miséria por causa do sistema financeiro altamente corrupto conivente com o poder é um escândalo.

      Quanto ao “agravamento progressivo” da situação económica do povo, da última vez que vi, os índices de pobreza tinham baixado e o apoio a este governo está ainda mais alto que nas eleições.

      Escandaloso também é este cerco (e circo) que se está a fazer em torno da grécia com generalizações em barda e sem o mínimo de espírito crítico.

  17. Há uma coisa que me faz muita confusão. O Syrisa sempre foi contra o Euro, porque motivo não aproveitam a oportunidade e retiram a Grécia do Euro e poupam-na a todos os malefícios do mesmo? Instalem na Grécia a sociedade sem classes, livre de opressões (tipo a Venezuela da Europa) a cantar os amanhãs e fazem uma vacina para os restantes países europeus que durará por mais de 100 anos. E os Gregos não se esqueçam quando faltar o papel higiénico é porque comem demais, quando faltar água é porque têm a mania de cantar no duche…

    1. Sim, os amanhãs que cantam, esplêndido argumento. A mim interessa-me mais a realidade e Maria Luis Albuquerque a cortar mais 600 milhões nas pensões. Malandros dos pensionistas, que cantam no duche.

  18. Acho que todos os restantes 18 países da zona euro deveriam também fazer um referendo no dia 5. A pergunta seria: Até ao momento emprestamos X à Grécia. Concorda em pagar mais impostos, ver reduzidos os benefícios sociais, para emprestar mais Y à Grécia?

    1. Grande ideia. De facto, em Portugal o PS, PSD, CDS e seus apoiantes até prometeram esse referendo quanto ao Tratado de Lisboa. Estava nos programas eleitorais. Depois, vejam só, esqueceram-se. Não foi por maldade, foi por comerem muito queijo.

    2. Mais sugestões de perguntas: concorda em pagar mais impostos e ver reduzidos os seus benefícios sociais se a saída da Grécia fizer colapsar a zona euro? Concorda com a reestruturação e mutualização da dívida de toda a zona euro?

    3. Mais sugestões de perguntas: Concorda em cortar no seu ordenado, pensão ou reforma, ou mesmo ficar desempregado, para pagar o regabofe dos bancos, mais concretamente dos bancos Franceses e Alemães? http://tinyurl.com/p22amna

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