Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

23 de Junho de 2015, 12:31

Por

Precisam-se soluções estáveis

Os detalhes do acordo esboçado ontem entre o governo grego e a troika começam a emergir. No entanto, não há ainda uma informação completa sobre as condições propostas (e ainda não foram encerradas as discussões).

Não sabemos por exemplo qual é o montante do empréstimo e que necessidades de financiamento ficam cobertas. Só sabemos o custo orçamental, oito mil milhões de euros em medidas de austeridade.

Mas, sobretudo, não sabemos se há ou não uma nova abordagem da reestruturação da dívida. Fontes oficiais francesas sugeriam ontem que pode haver, mas não há confirmação nem grega nem alemã.

Isso faz toda a diferença. Para um bom acordo, a Grécia só pode sair do inferno com uma reestruturação substancial da dívida.

Comentários

  1. É verdade que todos nós, europeus, precisamos de soluções estáveis (inclusive os alemães e nações mais ricas dentro do espaço Euro). Na perspectiva do cidadão comum português, medianamente esclarecido, perspectiva-se “um grande quebra cabeças” na hora de votar, pelo facto de, ninguém (no seu perfeito juizo – seja de esquerda ou direita) queira ma “tragedia grega” entre nós.
    As forças politicas de direita estão a explorar muito bem o medo da tragedia grega passando a mensagem que, se não votarmos neles será o caos grego que nos espera. A comprovar tudo isto são as intenções de voto para as legislativas e presidencias, mesmo sem a direita ainda ter apresentado candidato a presidente.
    Por outro lado, o PS não nos convoca claramente, pelo menos na comunicação social, a uma solução de equilibrio de governo e estabilidade onde a população sinta um alivio na austeridade, sem comprometer a economia. Para agravar o cenario, o candidato presidencial apresentado pelo PS, não é conhecido por mais de metade dos portugueses (até pode ser que seja uma figura com perfil para assumir o cargo de tão grande responsabildade!).
    Para além disto tudo, os partidos de esquerda (BE e CDU) vivem confinados (para muitos portugueses) numa postura “alternativa” mas nunca de alternativa governativa, onde, sem perder a sua identidade, com apoios em todos os sectores e forças da sociedade (porque não também em grupos economicos) poderiam assumir-se como alterantiva de governação ou parte da governação, tendo, por exemplo, figuras públicas, como o Sr, Prof., como candidatos à presidencia com boas possibildades de ganhar num hipotético escutinio eleitoral.
    Sr. Pofessor, que fazer? em quem votar? o que esperar? Será que é possivel aspirar uma futura governação um pouco diferente da que tem ocorrido neste últimos 30 anos?

    1. Concordo! Francisco Louçã é uma importante voz activa na política portuguesa – e o BE ressentiu-se bastante da saída do seu líder, acusando desde logo a falta de unidade política, em torno de uma liderança “bicéfala” pouco convincente. O BE falhou no momento crucial da política nacional quando, no agudizar da crise, havia que melhor mobilizar os cidadãos no esclarecimento sobre alternativas concretas à “austeridade”, e a reestruturação da dívida. Um erro que custa caro em política. Apesar das crítica que lhe possam ser feitas, a liderança de Louçã marcou um importante período de convergência das “esquerdas” ditas alternativas – que de outra forma não teriam expressão política e/ou eleitoral!
      Pessoalmente, que não sou filiado em nenhum partido, admiro mais o outro Louçã “bloguista”, que o antigo líder “bloquista”. Neste descontraído Blog, Francisco Louçã demonstra um perfil, diria, mais “humano”, sensível à grandes questões sociais que mais afetam a qualidade e expectativas de vida dos cidadãos, e menos “radical”, na condução de um programa político de um pequeno partido, dado à popularização de temas “fracturantes”, com que a partir da “margem” vai-se formando a base de apoio do eleitorado.
      Uma candidatura a Belém pode ser bem recebida… mesmo que tal não se traduza por fim na sua eleição, por certo melhor dinamizaria o debate político no esclarecimento dos desafios presentes, e opções para o futuro, que se colocam aos cidadãos. Para um posterior regresso à liderança do Bloco?…
      À parte a política partidária, sou da opinião que a inteligência política de Louçã pode ser de grande valor na dinamização de outras causas sociais – por exemplo, na melhor divulgação da relevância, para a melhor dinamização das economias locais, da implementação de “moedas complementares”. Conseguirei convencer Louçã a aderir a está causa?…

  2. E agora? Tendo por base as promessas eleitorais do Siryza que uma vez no governo nao haveria mais austeridade nem cortes no valor das pensoes, eh logico perguntar agora se o PM Tripsas deve solicitar a demisssao do governo por ter “enganado” aqueles que votaram nesses principios?

  3. Mesmo no meio desta guerra qais uma vez que a Grécia ficará com a divida perdoada, e nós, os Parolos espertos, continuaremos a pagar as trafulhices dos bancos

    1. Não vejo em quê. Mas se quer que peça desculpa por ter criticado o plano de Passos Coelho, que anunciava que é preciso empobrecer Portugal, posso estudar essa possibilidade se me der bons argumentos

    2. Porque criticou sempre a austeridade, e agora aparentemente classifica como solução estável um enorme plano de austeridade do syriza. Um pedido de desculpas público ao governo português impõe-se julgo eu.

    3. Mas quem é que classificou como situação estável? Deve estar a ler o Povo Livre

    4. “Isso faz toda a diferença. Para um bom acordo, a Grécia só pode sair do inferno com uma reestruturação substancial da dívida.”
      O que você diz aqui é que 8 mil milhões de austeridade é perfeitamente aceitável desde que se corte na dívida ou se prolongue as maturidades. Para quem dizia que austeridade era o diabo, o que agora refere é absolutamente espantoso. Uma mudança de discurso de 180º.

      Uma vez mais ficava-lhe bem um pedido de desculpas ao Primeiro-Ministro Passos Coelho. Afinal ele é que estava certo. É que esteve sempre certo.

      post scriptum: Que acha do ensurdecedor silêncio do bloco esquerda e da ala radical do PS (Galambas, Moreiras, etc.)?
      Cumprimentos democráticos!

  4. Soluções? João Ferreira do Amaral vs António Borges.
    Francisco Louçã persiste na ideia de que é imperativo «reestruturar» a dívida – podendo, de acordo em (des)acordo levar vários anos… Sem embargo, gostaria de recordar aqui duas visões distintas sobre o tema «Moeda Única» [FFMS: «XXI – Ter Opinião I e II, 2013].

    ANTÓNIO BORGES: «O Euro é um dos grandes pilares de uma nova prosperidade europeia que começa a emergir e que transformará a Europa numa das zonas de mais forte e robusto crescimento do futuro. A crise dos países da periferia da Europa tem gerado uma imagem de estagnação, incapacidade de resolução de problemas e condenação a um futuro pobre e instável. A crise tem, de facto, elementos de grande perigosidade, porque, se mal conduzida, pode levar a uma implosão e ao próprio desaparecimento da moeda única. Mas esse cenário catastrófico só acontecerá em caso de extrema incompetência de alguns governos europeus, o que, não sendo possível excluir completamente, tem, apesar de tudo, uma probabilidade reduzida. E, pelo contrário, as atenções hoje focalizadas na crise da periferia fazem esquecer o enorme sucesso dos outros países da Europa do Norte e de Leste, que ilustram perfeitamente a profunda transformação que está a ocorrer no Velho Continente […]
    Mas a crise actual não é só uma crise de dívida soberana ou de finanças públicas. É também uma crise de competitividade e de crescimento económico. O euro foi criado, entre outros objectivos, para que o capital circulasse na Europa com liberdade e se orientasse para onde fosse mais produtivo. Na verdade, os países hoje em dificuldade utilizaram esse acesso a capital para o esbanjarem de forma escandalosa. Na perspectiva de manterem um estímulo forte às suas economias, teoricamente a custo muito baixo, foram-se endividando no exterior para financiarem aumentos extraordinários de consumo privado e público, e investimento desastrosamente improdutivo. Grécia, Espanha e Portugal, em especial, deixaram as suas taxas de poupança descer para valores próximos de um terço do que é a média europeia. Todos estes países mantiveram taxas de investimento altas, muito mais altas do que a sua poupança interna permitiria, mas os projectos que puseram de pé revelaram-se ruinosos: imobiliário em escala gigantesca que hoje não tem qualquer mercado, infra-estruturas de grande luxo, para as quais o país não tem qualquer utilidade, indústrias caríssimas que só podiam sobreviver graças a enorme protecção do Estado. Pelo caminho, foram alimentando subidas de custos, salariais e outros, que os colocaram cada vez mais fora do mercado. Todas estas economias se foram tornando cada vez mais fechadas, com recursos canalizados de forma crescente para os sectores mais protegidos e um desinteresse enorme pelos sectores verdadeiramente competitivos. Para tornar a situação ainda mais calamitosa, o financiamento externo que alimentou todo este desvario foi essencialmente conduzido pelo sistema bancário de cada país. Por outras palavras, foram os bancos que se endividaram no exterior para emprestarem aos seus clientes internos, quer para consumo, quer para projectos sem rentabilidade. Não admira, por isso, que os bancos se encontrem em situação muito precária, necessitando de apoios estatais sem precedentes. Infelizmente, a consequência quase imediata desta situação é um completo volte-face no comportamento dos bancos, que hoje se tornaram radicalmente cautelosos, não emprestam a ninguém e asfixiam a actividade económica destes países, tornando a recuperação ainda mais difícil. A braços com dívidas gigantescas, tendo perdido a sua competitividade e sem banca capaz de financiar investimento realmente produtivo, estes países vêem-se numa situação sem saída e são inevitavelmente obrigados a recorrer ao auxílio externo. É claro que o auxílio externo traz consigo condições draconianas de reequilíbrio; mas estas não são senão a consequência dos excessos do passado recente. Restabelecer a saúde de economias tão estruturalmente desequilibradas não se faz sem dor.
    Ao contrário do que por vezes se lê na imprensa, não falta solidariedade na Europa. Hoje, centenas de biliões de euros – na verdade, com o início de funcionamento do ESM, chegaremos a mais de um trilião – estão disponíveis para ajudar os países em dificuldade. Existe também já hoje um mecanismo extremamente poderoso para ajudar a financiar a dívida dos países em dificuldade, graças à disponibilidade do Banco Central Europeu em intervir no mercado de obrigações. Não é necessário mais nada para que os mercados se acalmem, os países possam ganhar tempo, as economias voltem ao equilíbrio. O único obstáculo a uma saída rápida e segura da crise é que todo este impressionante arsenal está disponível com uma condição: que os países em crise ponham a sua casa em ordem. Não se pode pedir aos países fortes da zona euro – seja a Alemanha, a Finlândia ou a Áustria – que ponham à disposição o dinheiro dos seus contribuintes para que os países em crise continuem a praticar políticas irresponsáveis, se recusem a fazer os ajustamentos que são indispensáveis ou façam tudo o que podem para minar ainda mais a sua credibilidade nos mercados. Aqueles que continuam a insistir que, quaisquer que sejam os erros e incompetências dos países em dificuldade, qualquer que seja a arrogância e tontaria dos seus governantes, os países mais ricos e fortes têm de continuar a financiar as economias da periferia, serão os verdadeiros coveiros da União Monetária. É que toda a Europa vive em democracia; e os eleitores revoltar-se-ão muito depressa se virem o seu dinheiro, que tanto custa a ganhar, servir apenas para financiar quem não se sabe governar» [Vide: http://www.ffms.pt/xxi-ter-opiniao/artigo/402/moeda-unica-ii#sthash.4V9bvyeJ.dpuf ]

    JOÃO FERREIRA do AMARAL: «Portugal, para mal de todos nós, tornou-se um exemplo do que pode suceder quando um país com uma estrutura produtiva relativamente débil adopta uma moeda única muito forte, portanto com um valor externo inadequado à sua economia. Progressivamente, a adopção do euro levou a que as empresas portuguesas se voltassem para o mercado interno, especializando-se na produção de bens e principalmente de serviços protegidos da concorrência externa, os chamados bens e serviços não transaccionáveis. Tal deriva, que se verificou desde meados da década de 90, já desde a preparação para a moeda única, fez desindustrializar rapidamente o país. Para dar só um exemplo, o peso conjunto da agricultura, da indústria e da parte transaccionável do turismo no PIB desceu de cerca de 30% em 1995 para pouco mais de 22% em 2008, no início daquela que ficará certamente conhecida no futuro pela primeira crise da globalização.
    Esta desindustrialização (em sentido lato, ou seja, perda de peso dos bens transaccionáveis) levou a défices crescentes da balança de pagamentos e à acumulação de dívida externa, que foi ainda possível financiar durante dez anos. Mas em meados da década passada já era visível que mais cedo ou mais tarde Portugal teria uma crise própria de financiamento da economia. A crise internacional só veio apressar essa crise nacional, mas ela era inevitável. A essa crise externa, e em grande parte em consequência dela, veio juntar-se a crise da dívida soberana, que, para assegurar o financiamento do Estado, levou Portugal a subordinar-se abjectamente aos países europeus que emprestam o dinheiro. A todos os males económicos que criou a adopção da moeda única por Portugal, juntou outro: veio pôr entre parêntesis a nossa própria capacidade de autogoverno. Dificilmente se poderia encontrar um erro maior de política do que a nossa adesão ao euro. E agora? É visível que a política de austeridade não resolve nada e só agrava a situação. Por uma boa razão, aliás. É que o nosso problema é um problema de distorção da estrutura produtiva, provocada, durante mais de dez anos, pela adesão à moeda única. Endireitar de novo uma estrutura produtiva desequilibrada, não é a austeridade que o fará. Pelo contrário: só o conseguiremos quando fizermos o investimento necessário a essa nova reconversão, o que é praticamente impossível com uma política de austeridade tão exagerada. Por isso, do nosso ponto de vista, qualquer solução sustentável para o nosso país passa pela saída do euro. E quanto mais cedo, melhor. Mas este “mais cedo” infelizmente não poderá ou não deverá ser já. Isto porque o processo de saída, desejavelmente, deverá ocorrer só depois de estabilizada a zona euro para podermos sair de forma negociada e apoiada. Sair empurrados e sem apoio será quase tão mau como permanecer na moeda única e assistirmos, impotentes, ao definhamento total do país. Quando um projecto se revela errado é preciso abandoná-lo. Devemos, sem margem para dúvidas, abandonar o mais rapidamente que for possível o projecto utópico da moeda única europeia.» [Vide: http://www.ffms.pt/xxi-ter-opiniao/artigo/399/moeda-unica-i#sthash.1izOldqE.dpuf ]

    Sem querer desprestigiar a memória de António Borges, infelizmente, tem sido essa opinião dominante… e o fundamento moral das políticas de «austeridade» – mais valia dizer que nem gregos, nem portugueses, sabem governar-se a si próprios… pelo que o melhor é que se deixem governar. Avé César!

    1. O que se pode dizer, senão que António Borges, já falecido, continua a ser quem tem razão? E só nos podemos dar por felizes por o desvario português não ter atingido as dimensões dos verdadeiros profissionais do parasitismo, os gregos. E acrescentar que teria bastado que o conselho nacional do PSD não tivesse designado Santana Lopes para primeiro-ministro, e que o PS tivesse eleito João Soares em vez do repugnante Pinto de Sousa, para que não tivesse havido nenhum resgate de Portugal… É admissível supor que estivéssemos melhor do que Espanha, no momento presente.

    2. Curioso é que esse António Borges era chegado ao PSD e ao Cavaco (conselheiro de Estado), entidades que promoveram o que ele critica. Resumindo: Olha para o que eu digo não olhes para o que eu faço.

  5. Enquanto o meu comentário não é publicado, vou aproveitar para relembrar ao Francisco Louçã porque não haverá nunca nenhuma “reestruturação” das dívidas, que não sejam mexidas em prazos e eventualmente taxas de juro. No caso do FMI não há reduções, faz parte das regras da casa, que valem para o mundo todo. No caso dos mecanismos europeus de estabilização, recém-criados, não haverá nunca nenhum calote, porque esse dinheiro é dos outros Estados do Eurogrupo, ou, pior ainda, foi obtido nos mercados com garantias junto dos investidores desses outros Estados. A Grécia fez a sua cama bem feita, resta-lhe deitar-se nela.

    1. Sr. Liberal – Com a devida distância, o que podemos aprender com a «Bancarrota de 1892»?
      Público: «A Bancarrota de 1892 foi um trauma para Portugal», Sérgio Aníbal, 23/11/2011 – contributo do historiador Rui Ramos.

      O Fontismo. «A crise de 1890-92 tem em comum com a crise actual o facto de se desenvolver em tempo de paz. E a de estar articulada com políticas cujo objectivo deveria ter sido o desenvolvimento do país: grandes investimentos, aumento da despesa pública e expansão do Estado […] Com 120 anos de diferença, existe em comum um sistema representativo estável, com dois grandes partidos a alternarem pacificamente no poder. Temos governos que, até ao momento da crise, abriram um pouco da economia ao exterior e renunciaram ao controlo da moeda. No caso actual, o euro, no passado, o sistema de câmbios do padrão-ouro, que fazia com que, na prática, a moeda que circulava em Portugal fosse a libra inglesa.»
      A Solução. «A opção tomada não foi apenas a da austeridade, foi uma opção de sair daquele enquadramento internacional em que Portugal se encontrava. Abandonou o padrão-ouro e passou a ter, na prática, uma moeda inconvertível. Foi como se, com as devidas distâncias, tivéssemos saído do euro […] Houve uma suspensão dos pagamentos em Junho de 1892. E isso levou a incidentes diplomáticos. Começam logo negociações com comissões de credores a partir de 1893 e em 1902 conseguiram um acordo para uma reestruturação da dívida.»

      Vide: http://www.publico.pt/temas/jornal/a-bancarrota-de-1892-foi-um-trauma-para-portugal-23478355

      – Sr. Liberal, «Sabe quando Portugal chegou ao auge do endividamento?» – Expresso (05/05/2012)

      «Recorde-se que um incumprimento parcial da dívida soberana acabaria por acontecer em junho de 1892. O decreto acabaria em lei em maio de 1893. A crise de dívida acabaria por só ser resolvida em 1902 com um acordo de reestruturação com os credores externos. A dívida foi convertida num novo empréstimo amortizável a 99 anos com títulos rendendo 3%. O “corte de cabelo” (hair cut, na designação técnica) global da dívida foi de 38% e a redução do serviço anual foi de 50%. A partir do ano fiscal de 1903-1904, o peso da dívida vai descendo do patamar dos 100%, e a partir do ano fiscal de 1908-1909 cai abaixo dos 90%. No ano fiscal de 1916-1917 situava-se em 66,6%.»

      Vide: https://expresso.sapo.pt/economia/economia_divida/sabe-quando-portugal-chegou-ao-auge-de-endividamento%3Df723748+&cd=2&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=pt

    2. Caro António Anchas, serviram de muito os “cortes de cabelo” na dívida do Reino de Portugal em 1892, porque nos anos 20 estávamos de novo … na bancarrota! Bancarrota essa que nos trouxe o cidadão das botas de Santa Comba Dão. Aquilo que algumas pessoas se recusam obstinadamente a ver é que a solução para as bancarrotas não é o perdão de dívidas, é a eliminação estrutural das causas das bancarrotas. TUDO, mas tudo mesmo, o que seja concedido à Grécia em perdões e novos empréstimos, não vai servir de nada, enquanto o socialismo grego não levar um “hair cut” à escovinha! Idem para Portugal, mas com menos intensidade.

  6. Ainda é cedo para tirar grandes conclusões, mas aparentemente evitou-se a ruptura. Há ainda muito para fazer, mas era bom que as soluções fossem encontradas sem se excluir ninguém. Até porque, nestas coisas, sabe-se como se começa mas não como se acaba.
    E que dizer relativamente ao rascunho que o governo grego enviou no domingo ao Eurogrupo, substituindo-o na segunda de manhã por uma proposta a sério para ser discutida ao mais alto nível, como os gregos sempre defenderam?
    Amadorismo, golpe de génio ou não terão simplesmente resistido a dar uma sapatada no Wolfgang “Polícia Mau” Schäuble?

  7. Eu não sei de acordo nenhum, esboçado ou firmado. Ainda tenho esperança de que a situação se resolva já, com a rejeição das propostas de último minuto do governo grego, que são demonstrativas da sua má fé negocial. Uma assinatura do actual governo grego num acordo vale o mesmo do que outrora valeu a assinatura de Adolf Hitler. Apelo às únicas pessoas na Europa que parecem ter a cabeça fria para cortarem já rente as veleidades de um país que goza com ela desde 2002, e mesmo antes disso. Basta de solidário-parasitismo.

  8. Apenas isto:os gregos tentam fazer frente ao poderoso lobby do “quanto mais austeridade ,mais divida,desemprego e emigraçao” ,receita inventada pela troika ,com resultados bastante irracionais para o comum cidadão mas com muitas vantagens para o sistema financeiro.P.S.-foi o “bloco central” grego o responsavel pela situação actual

    1. “mas com muitas vantagens para o sistema financeiro” – Vantagens para estes (que causaram a crise com as suas especulações), mas com grandes desvantagens para as populações. Veremos se não vem por aí uma nova crise económica mundial se a Grécia falhar o acordo. O Deutsche Bank parece que tem activos tóxicos do tamanho da dívida americana. Se a Grécia falhar agravará ainda mais o problema? Gostaria de ouvir uma opinião do Francisco Louçã sobre este assunto.

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