Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

15 de Junho de 2015, 08:13

Por

Há 800 anos, a Magna Carta

magnaNo dia 15 de junho de 1215 foi assinado um acordo entre o rei João (o mesmo que andou em guerra com o seu irmão Ricardo, dito o Coração de Leão) e a nobreza. Foi portanto há 800 anos e esse documento ficou conhecido como Magna Carta. O pacto era o resultado da fragilidade da posição do rei: os barões rebeldes tinham tomado Londres, João tinha relações difíceis com o Papa Inocêncio III, faltavam-lhe aliados externos e forças internas (a história é contada aqui, por exemplo). Para evitar a derrota, aceitou ceder aos nobres para os apaziguar. Permitiu mesmo que se formasse um conselho de 25 barões para tutelarem a aplicação da Carta, tendo poder para se apropriarem dos bens reais se ele não cumprisse as suas obrigações. De resto, a Carta satisfazia os interesses dos nobres, fixando o imposto que deviam pagar em substituição do seu envolvimento nas campanhas militares, e definia as regras do poder – uma revolução, em todo o caso, porque um poder com regras passa a limitar o soberano.

A mais importante dessas regras, que é hoje lembrada como um princípio democrático fundador, é que “nenhum homem livre pode ser detido ou preso, ou perder as suas posses (…) excepto por via do julgamento segundo a lei da terra”. Essa regra, que figurava no Capítulo 39 original, nem era inédita: em 1037 tinha sido escrita num édito do imperador Conrado II e em 1183 fora repetida num tratado entre o imperador Barbaruiva e a Liga Lombarda. E nem era demasiado ousada (o que não quer dizer que seja aplicada com correcção 800 anos depois): já então era comum o julgamento por júri, que não foi consagrado na Carta. Mas era em todo o caso um reconhecimento importante do primado da lei e da justiça.

A Magna Carta durou pouco. Um mês depois de assinado o acordo, o rei escreveu ao Papa para o anular. O Papa aceitou a sua pretensão. No entanto, a Carta voltou a ser restabelecida em 1216 quando, depois da morte do rei e na infância do seu filho Henry, o regente voltou a publicar o documento, embora numa versão ajustada, para em todo o caso evitar a continuação da guerra entre a Coroa e os barões (a designação Magna Carta foi definida em 1217 no documento que fez parte do acordo que encerrou esta guerra).

O poder do rei ficava assim limitado e o princípio da monarquia absoluta e da sua fundamentação transcendente era enfraquecido. O monarca representava o acordo dos poderes nacionais e esse princípio de subordinação do rei à lei foi invocado mais tarde pelos colonos norte-americanos, quando da guerra pela independência.

Oitocentos anos depois, David Letterman perguntou a Cameron, no seu programa televisivo, o que querem dizer as palavras Magna Carta: o primeiro-ministro britânico não sabia.

Comentários

  1. Caro Francisco Louça agradeço a oportunidade de revisitar e relembrar a Magna Carta, agora que se completam 800 anos, e também porque referencia um paradigma actualmente desprezado e negligenciado que é a importância da história na compreensão do presente, e construção de um futuro mais justo. Para nossa grande infelicidade é pena que a generalidade dos nossos políticos sejam paradigmas da ignorância de saberes que lhes seriam instrumentais nos tempos que correm….. mas pelos vistos preferem validar biografias medíocres. Embora não tenha tendências surrealistas, nem me considere utópico, pessoalmente aprovaria já para estas eleições legislativas exames (que estão na moda) de qualificação para a carreira política. Afinal é confrangedora a pequenez cultural de uma considerável fracção dos nossos deputados, com consequências nefastas na sua capacidade e competência política. Estou cansado dos marketings políticos que nos colocam no menu eleitoral políticos ignorantes, narcisistas, sem consciência ética e não raras vezes trapaceiros.

    Bem, mas indo ao que interessa, o meu comentário é essencialmente para referir que considero o último parágrafo enganador ou como os ingleses diplomaticamente diriam “misleading”. De facto David Cameron sabe e bem o que é a Magna Carta, como se pode concluir da notícia publicada no The Guardian e que transcrevo em baixo. Falhou isso sim nos seus conhecimentos de latim pois ignorava que Magna Carta significa “Grande Carta” e portanto “Great Charter”.
    Na verdade, se David Cameron não tivesse sido perfeitamente esclarecedor sobre o significado da “Magna Carta” (…before delivering a first class essay about its significance…) dúvido que se mantivesse como primeiro-ministro.

    “The interrogation turned to Magna Carta. “1215,” he shot back when asked the date it was signed. It took him a few minutes to give the venue – Runnymede – before delivering a first class essay about its significance in checking the powers of the English crown. But he did not know the English for Magna Carta.” – The Guardian”

    1. Agradeço a sua atenão e cordialidade. Mas foi exactamente isso que escrevi: perguntado sobre o que querem dizer as palavras Magna Carta, não sabia. Creio que é exacto.

    2. “aprovaria já para estas eleições legislativas exames (que estão na moda) de qualificação para a carreira política.” – Como os do Relvas e Sócrates, fora os que não se conhecem e que muitas vezes são pagos para serem feitos por terceiros?

  2. Sem querer destoar sobre a importância histórica da Magna Carta (geralmente sobrestimada, como origem remota do “constitucionalismo”) apresentada acima por Louçã, penso que a história de Portugal ao tempo da I dinastia é bem mais interessante e politicamente relevante. E passo a explicar o porquê…
    Enquanto a Magna Carta tem por objetivo cercear o poder da Coroa, ainda no contexto das disputas e rivalidades feudais… A formação do jovem Reino de Portugal caminha, por esta altura, em sentido inverso – diríamos, na “centralização” relevante do poder na figura do Rei!
    Também por cá os “barões” se haviam rebelado, alinhados com Afonso Henriques, pela preservação da autonomia do Condado Portucalense, face à hegemonia da aristocracia galela (e aos desvarios passionais de D. Teresa) – seguindo-se a posterior reclamação de independência face à soberania de Leão e Castela. Então, com D. Afonso Henriques, Portugal formou-se Reino soberano – e, tão importante que a força das armas valeu a diplomacia junto da Santa Sé.
    Depois, com Afonso III, Portugal começou a formar-se enquanto “Estado” – dando início ao que poderíamos chamar de organização da “administração pública”; e, a um conjunto de reformas políticas e económicas (fundação de feiras e vilas, repovoamento, arroteamento de terras, fortificação de castelos, etc.) que terão ampla continuidade no reinado de seu filho, D. Dinis. E é ao tempo de Afonso III – assinala-se! – que são convocadas as primeiras “Cortes” do Reino!
    Também Afonso III, que havia substituído seu irmão D. Sanção II no trono, por conflito deste com a Igreja, haveria de ser excomungado pelo Papa – é que a centralização do poder na Coroa ameaçava os privilégios do clero e da nobreza, enquanto o Rei consolidava apoio junto da burguesia e dos concelhos. O municipalismo, ou os poderes concelhios, tem longa tradição em Portugal!
    Já ao tempo de D. Dinis, as fronteiras do Reino estão de grosso modo fixadas, a capital sediada em Lisboa, os Templarios reintegrados na Ordem de Cristo e começa a ser organizada a marinha mercante, são instituídos os Estudos Gerais do Reino [origem da Universidade de Coimbra]… e, a Língua Portuguesa passa a ser a língua oficial e administrativa do Reino, destacando-se do latim e emancipando-se do “galego” [galaico-português]. Com D. Dinis, Portugal formou-se “Nação”.
    Ora, tudo isto serviu de base à formação, relativamente precoce entre nós, do que séculos mais tarde se haveria de designar por Estado-Nação.
    E se é verdade que hoje, por motivações diversas, se gosta de assinalar as virtudes da Magna Carta, Revolução Francesa, Convenção de Filadélfia, etc… importa não esquecer que também Portugal já esteve à frente do tempo… ao final dos tempos medievos, e ao início da “modernidade” trazida pelos Descobrimentos.
    Hoje, o Estado-Nação está em erosão, pressionado entre nós pelo europeismo de feição “federalista” e pelo “liberalismo” (ex. patente no primado da economia/finanças sobre a soberania política, como temos visto no desenrolar da “crise das dívidas soberana”, ou, ainda, na perda de “centros de decisão” económicos e políticos relevantes e na pressão pelas “privatizações”)…
    Hoje, a elite política faz-nos crer que Portugal não pode existir como nação soberana e independente – pelo que 900 anos de história são meramente acidentais!
    Hoje, Portugal é um “protetorado” e caminha para a condição de “estado exiguo” – e à crise económica e financeira, juntam-se os desequilíbrios demográficos (envelhecimento, emigração, etc.)
    Porém, a morte de Portugal, enquanto estado-nação soberano, não tem de ser uma fatalidade!

    “Quem te sagrou creou-te portuguez. / Do mar e nós em ti nos deu signal. / Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez. / Senhor, falta cumprir-se Portugal!” [Mar Portuguez, Mensagem – F. Pessoa]
    – Cumpra-se PORTUGAL!

    1. Ainda bem que desenvolve o tema e a comparação com esse período da nossa história.

    2. Faz um interessante apanhado das razões que estão na origem da nossa atávica subserviência ao Estado, mesmo quando este faz asneiras medonhas, como a expulsão dos judeus. Um país assim será sempre “um atraso de vida”. É o mesmo país que bajula loucos e delinquentes como D. Sebastião ou Pinto de Sousa.

    3. Caro António,

      Se me permite, tem razão quando afirma que o movimento de centralização afirmou-se precoce em Portugal, desde logo porque o país surgiu como uma «ficção» política que daí forjou uma especificidade cultural. Porém, é bastante discutível que Portugal tivesse uma tradição comunal tão arreigada. Tal afirmação seria verdadeira sim, mas para países como Itália. Os municípios em Portugal surgem, como afirma e bem, desde o início associados ao poder real (veja-se o caso dos infanções). O que muitas vezes opôs os senhores (principalmente os de Entre-Douro e Minho e Trás-os-Montes, ao Rei, foram interesses divergentes. Mas afirmar que existia uma aristocracia fundiária forte não é o mesmo que afirmar que existia um poder comunal. Os românticos portugueses do século XIX fizerem uma construção do passado muitas vezes sem perceber que o passado é precisamente isso – uma construção. Aliás, onde o poder comunal existiu verdadeiramente, como em Itália, este procurou frequentemente o partido Guelfo (de apoio ao Papa) contra o partido Gibelino (apoio ao Sacro Império – e de tendência centralizadora, claro). Foi o advento do Estado absoluto – como sabe -, a força centralizadora máxima, que reivindicou estes poderes (muitas vezes baseando-se no direito romano), que não lhe pertenciam. Em suma, o Absolutismo Régio reivindicava uma ancestralidade que na realidade não tinha, mas é completamente errado falar em absolutismo no século XIII. Assim como é errado vislumbrar na Magna Carta uma qualquer continuidade que nos conduza ao fenómeno do constitucionalismo, o qual está associado ao movimento liberal, mas pertence a uma tradição diferente, e talvez, com raízes civilizacionais bastante diversas.
      Em Portugal, é verdade que a aristocracia fundiária lutou contra o Rei (como o provam as numerosas guerras civis da primeira dinastia), mas o século XV, com a afirmação no poder de Afonso V constitui, quem sabe, um ponto de viragem
      crucial a partir do qual os poderes antes conflituantes estabeleceram um pacto onde se subentendia um adversário comum: o povo.

    4. Caro LS, em Portugal há ainda uma outra tradição que por defeito poderemos rotular de “concelhia”, mas que é bem distinta das “comunas” – o “comunitarismo” – de que são memória as “aldeias comunitárias”. Entreajuda, com a partilha de tarefas comuns, mais os rebanhos, os baldios, os sistemas de rega, o forno e o lagar comunitários…
      É claro que quando pensamos em “aldeias comunitárias” logo nos vem à memória Vilarinho da Furnas ou Rio de Onor, dos recantos remotos do Gerês e do Montesinho, no norte de Portugal. No entanto, podemos crer que esta forma de organização estaria bem mais difundida pelo território nacional – das serranias das Beiras ao interior do Alentejo – podendo ainda ser relacionado à preservação da posse comunitária das terras baldias, que serviam o pasto aos rebanhos laniferos que durante séculos dinamizaram a rudimentar manufatura de lanificios.
      Sobre os “baldios” importa não esquecer que estes são pertença de Comunidade, adminitrados por “comissões de compartes” eleitas pelo povo – as autarquias, ou o Estado, pode participar na gestão dos recursos, nomeadamente na falta de “compartes”, porém a propriedade legítima do baldio, inaliénavel, é a comunidade local! É claro que por toda a Europa existem áreas comunitárias geridas de diverso modo, porém, fora do nosso país, é em Espanha, e em particular na Galiza, que mais ocorre este modelo de organização.
      Fez bem em recordar os “românticos” do séc. XIX, aos quais poderíamos acrescentar a “geração de 70” e os “vencidos da vida” – pois, tal como a intelectualidade de hoje, de uma forma ou de outra todos são estrangeirados, desconhecendo amiude o país em que vivem. Daí que seja compreensível que ao falar de “tradição concelhia” logo a mente destes vagueie, em análise comparativa, para as Comunas de tradição urbana – e quase se esqueça, ou até despreze, as modestas “aldeias comunitárias”.

      No resgate da memória das “aldeias comunitárias”, aqui deixo o registo, quase anacronico, de uma reportagem feita sobre a Aldeia de Aivados, Castro Verde, Alentejo: https://youtu.be/Qj8WbHUcN_M

      Porém, devemos atender que o “Comunitarismo” é o futuro – e não uma vaga memória do passado!

    5. António, esteve bem na distinção das duas realidades, e estou bem ciente de que são diversas. O exemplo das comunas serviu apenas para demonstrar que em Portugal não existiu um verdadeiro poder autárquico independente (como aconteceu nas cidades italianas). A verdade é que a tradição concelhia em Portugal esteve desde bem cedo associada ao poder real (portanto, central). Basta lembrar o cerimonial das cortes na aclamação do Rei. A razão pela qual referi os românticos do século XIX – e quando assim faço dois nomes saltam à vista: Garret e Herculano -, prende-se tão só com facto de, particularmente este último, ter procurado os fundamentos espirituais da nacionalidade (coisa bem oitocentista) nas instituições municipais medievais. E claro que o que daí surgiu foi uma construção que, como todas as construções, terá estado longe da realidade e demasiado imbuída das ansiedades do presente.
      Mas o esforço intelectual e lírico destes homens não se dirigiu unicamente para a comparação com a desenvolvida Europa, o que já se poderá insinuar relativamente à geração de 70, sempre empenhada em ironizar o macaquear indígena das modas. Por isso, pode até sugerir (provavelmente com razão) que não se conhece bem a história nacional, mas parece-me injusto meter Herculano e Garrett no mesmo saco dos restantes estrangeirados.

  3. O atraso e analfabetismo da actual europa bárbara expressa-se nestes textos. Os Anglo-saxónicos, como o resto da barbárie, nunca teve uma democracia, não sabe o que é uma democracia, e a democracia é incompatível com a cultura em vigor. Além disso rex (rei) era um sacerdote e não um boçal assassino como o gado germânico acredita lá no seu analfabetismo.

    A democracia é um instrumento interno de uma sociedade (estrutura de sócios: iguais entre si) e, por isso, incompatível com a estrutura senhor/servo existente nos bandos de assassinos da primeira idade média. Não é por os bandos de assassinos fazerem acordos entre si que os bandos se tornam em sociedades, e muito menos que um sistema assente na delinquência/poder se pode chamar de democracia.

    Só analfabetos como cristãos (passo a redundância) dizem palermices como “um princípio democrático fundador, é que “nenhum homem livre pode ser detido ou preso, ou perder as suas posses…” a democracia é relativa aos cidadãos e à estrutura dos cidadãos, e não a homens “livres” ao acaso de delinquências.

    “primado da lei e da justiça.” Justiça é uma deusa pagã que os cristãos apelam porque são atrasados ao ponto de não saberem sequer da incompatibilidade da sua religião com os valores e práticas da civilização. Lex (lei) é uma norma escrita, a escrita é uma novidade para os germânicos que não dominam. Não dominam nem a escrita e muito menos a noção de lei. É incompatível a lei com essa coisa do julgamento por “júri”.

    Democracia, justiça, estado, saúde e afins elementos da civilização não são para os atrasados e analfabetos da universidade. Não tente passar o analfabeto universitário do chinelo da sua atroz ignorância. O folclore Anglo-saxónico mais não é que a expressão do atraso e analfabetismo dessa barbárie germânica.

    1. Oh Happycuro, volte lá para a sua falhada democracia ateniense, porque os falhados não devem admoestar aqueles que fizeram melhor do que eles. Eu estou a enviá-lo de volta, mas na verdade o Happycuro não saiu nunca de lá, pois nem sabe que a Grã-Bretanha foi ROMANIZADA. E esta, hem?!

    2. “estrutura senhor/servo existente nos bandos de assassinos da primeira idade média.” – Só na idade média? Abra os olhos e olhe à sua volta…

    3. Liberal é um dos nomes que se auto atribuem os analfabetos da direita. A direita tem a tradição e a prática do analfabetismo. Caso houvesse dúvidas do atraso dos “liberais” temos aqui uma anedota que não sabe sequer que a Britânia era uma região do império romano anterior à invasão pelos bretões. A anedota liberal não sabe sequer que a Grã-Bretanha nunca foi romanizada porque os bretões invadiram depois do fim do império Romano.
      Anedota mostre mais desse analfabetismo liberal.

    4. Liberal é um dos nomes que se auto atribuem os analfabetos da direita. A direita tem a tradição e a prática do analfabetismo. Caso houvesse dúvidas do atraso dos “liberais” temos aqui uma anedota que não sabe sequer que a Britânia era uma região do império romano anterior à invasão pelos bretões. A anedota liberal não sabe sequer que a Grã-Bretanha nunca foi romanizada porque os bretões invadiram depois do fim do império Romano.
      Anedota mostre mais desse analfabetismo liberal.

      A estrutura senhor/servo ou soberano/súbdito é uma característica do atraso judaico-cristão. A idade média não acabou, a barbárie apenas mudou de delinquência, passou do regime dos assassinos para o regime dos ladrões. Roubar pela mercadoria é tão normal hoje como matar pela espada há uns séculos. Mandam os ladrões hoje como mandaram os assassinos há uns séculos. “Mercadoria” é apenas um instrumento de roubo.

      A ajudar à actual insalubridade social temos os ignorantes com ideologias de feira, que em vez de banirem a delinquência mercantil inventam estruturas para a manter, onde valorizam a condição de escravo feirante (trabalhador) não fosse Marx um germânico que expressou o atraso dessa barbárie na sua teoria de feira.

    5. Oh Happycure (gosto mais deste), então a Lusitânia não foi invadida por godos, suevos, vândalos, e eu sei lá que mais? Pela sua lógica da batata, em Portugal a cultura romana deveria ter sido aniquilada! E se não bastassem esses “bárbaros”, não tivemos depois toda uma civilização por aqui, a Islâmica, durante séculos, e mesmo assim continuamos a ser herdeiros do Lácio? E explique-nos lá, os bretões no solo da Grã-Bretanha são “gado germânico”, e no solo de França já serão “cidadãos”? E logo os bretões, povos celtas, e não germânicos… Que caso para a psiquiatria! Have a nice Happycure at your very special hostel at Av. do Brasil, Lisbon, Portugal.

    6. Sim, há um erro, não onde está escrito “bretões” deveria estar “anglo-saxónicos” que nunca conheceram a civilização. Então Portugal é uma criação da civilização? As fronteiras definidas pelas guerras entre os assassinos das tribos barbaras, na europa, são uma criação da civilização? E então o que é que a barbárie fez? A barbárie desapareceu por artes mágicas? A barbárie que misturou rudimentos de latim com o seu analfabetismo passou a ter cultura latina, ou manteve o atraso cultural germânico misturado com “línguas” decorrentes do analfabetismo criado com fim da civilização? Os franceses são cidadãos e cristãos ao mesmo tempo? Os islâmicos são uma civilização?

      Não sabe o que é a civilização pois não? Qual é a data da restauração da civilização na europa (ou em qualquer lugar)? Anedota liberal (gosto mais assim) continue a demonstrar o analfabetismo cristão.

      Não habito no esgoto de parasitas que é Lisboa. Os mouros fedem.

    7. A sua conversa está a chegar a limites de racismo insuportável. Suponho que o faz de propósito. O anonimato ajuda, não é?

    8. Caro Louçã, não é racismo, é descriminação. Não falo de raças, falo de culturas (construções inventadas). Não confunda os programas com os programados.

      O anonimato não ajuda nem estorva. Não sou uma figura pública, por isso a minha identidade ainda dirá menos que o nome Eppicuro. A insignificância é um requisito da liberdade. E a liberdade não se troca pela atenção dos boçais.

      Em relação a si, caro Louçã, lembre-se que tem o meu email.

    9. Eu punha o Happycure numa máquina do tempo de volta ao Império Romano, onde ele iria descobrir que a vida não era tão maravilhosa como nos seus delírios… Quiçá ele sonhe ser Octávio César Augusto pela madrugada… Júlio César, porque não? Estas caixas de comentários e blogs atraem todo o tipo de psicopatas, todos se crendo muito originais e geniais. E, no entanto, são de uma vulgaridade pasmosa… A banalidade do mal…

  4. Caro Francisco Louçã, presta hoje um bom serviço à causa da liberdade ao recordar um dos seus momentos decisivos na História. Sabe provavelmente que Luís XVI recusou em Junho de 1789 que os Estados Gerais do Reino de França reunidos em Versalhes dotassem o país de uma constituição. Um erro que lhe custou a cabeça! Enganou-se no seu texto, escreveu “a Carta voltou a ser restabelecida em 2016”.

  5. Convinha lembrar que os «direitos» da Magna Carta eram um privilégio da aristocracia inglesa (mais precisamente, de uma parte específica da aristocracia que mais tarde se designará por gentry) que a tradição inglesa, juntamente com a Bill of Rights de 1689 (também privilégios burgueses), entendeu estender a todos os súbditos. E assim se chega a uma espécie de Constituição.
    Mas convém também entender que não é o mesmo que uma constituição, onde o povo é soberano.
    O equilíbrio instável entre a aristocracia e a monarquia e respectivos conflitos com o Papado verificou-se em toda a Europa deste tempo, pelo menos até ao fenómeno do absolutismo (Séculos XVI, XVII e XVIII), quando estes diferentes grupos chegam a uma espécie de pacto. E só a partir daí podemos falar em absolutismo político e monarquia absoluta.

    1. Como LS mostra, a Magna Carta foi apenas o princípio de um caminho exactamente inverso ao dos sistemas feudais, que evoluíram para a monarquia absoluta. E, se os ingleses estão de acordo com a monarquia, e se ela lhes permite viverem num dos países mais livres do mundo, quem seremos nós continentais que inventámos toda a sorte de aberrações – a Santa Inquisição, o absolutismo, o Terror, Napoleão, os comunismos, os fascismos – para os julgar? E será que não nos devemos interrogar e TER MEDO ao vermos que precisamente os ingleses contemplam a saída da UE?

    2. Liberal, tem razão em fundar a Magna Carta numa tradição diferente da Continental, mas atente no seguinte: O desenvolvimento do absolutismo na Europa prende-se essencialmente com a diferente estrutura social. No Continente, não existia uma categoria social como a gentry que absorvesse a burguesia recém-enriquecida. Por outro lado, o desenvolvimento do absolutismo régio criou uma nova nobreza na Europa – a nobreza de Toga -, cujos conflitos com a velha nobreza de espada foram constantes.
      No entanto, o mercantilismo económico coexistiu durante muito tempo com o absolutismo régio. Aliás, o mercantilismo como doutrina económica surge na França desses tempos.
      Nem o desenvolvimento do liberalismo em Inglaterra foi isento de conflitos. Veja-se as expropriações brutais da propriedade comum levadas a cabo através do processo das enclousures.

    3. LS, concordo consigo em que a liberdade perfeita é um ideal que nunca existiu por este mundo, e que nada pode fazer crer que um dia existirá. Também é bem observado que a ascensão da burguesia fabril e mercantil foi muito mais fácil em sociedades mais livres, em que o peso político do “terceiro Estado” era bem real. Ainda hoje vemos como pessoas comuns que se distinguem no Reino Unido recebem títulos de nobreza, o que mostra que esta não vive na sua “bolha” fechada de privilégios e togas, como a aristocracia do absolutismo, incapaz de acompanhar os tempos (nem toda, naturalmente). Também me parece da maior relevância a origem da Magna Carta, uma revolta da alta nobreza, que exigiu no fundo moderação e redução do exercício do poder soberano, libertando-se de arbitrariedades que não estava disposta a suportar. Logo aqui, o caso mostra que a liberdade não é de graça. Nunca é. Cumprimentos.

    1. No artigo a Carta Magna diz que foi restabelecida em “2016”, erro de “teclado do operador” , mas deveriam ter escrito 1216 ano em que morreu o rei João, penso eu de que.

Responder a Fernando Paz Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Tópicos

Pesquisa

Arquivo