Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

29 de Abril de 2015, 08:30

Por

Um rinoceronte no meio da sala

rinoDurante o fim de semana, houve uma viragem assinalável na opinião escrita acerca do programa económico do PS. A imagem é de Pedro Santos Guerreiro: o esboço do programa surpreende tanto como um animal que nunca tenhamos visto (na imagem, o rinoceronte que Albrecht Durer desenhou em 1515, para espanto dos europeus da sua época). E os comentadores descobriram o bicho.

Diz ele sobre “o rinoceronte de Costa”: “Eis um animal que nunca tínhamos visto entre nós: um programa de esquerda liberal. É tão estranho que consegue estar longíssimo de Passos, pertíssimo da troika e vice-versa”. Ou seja, “a austeridade diminui mas existe, o mercado de trabalho torna-se mais flexível e as pensões futuras são cortadas”. Guerreiro recompôs assim o seu entusiasmo inicial (“Queriam uma política de esquerda, anti-troika e centrada nos trabalhadores? Ei-la”) e apresenta agora um balanço mais ponderado sobre os pontos fortes e fracos da proposta da equipa de Mário Centeno.

No mesmo sentido, Pedro Lains começou por escrever a sua satisfação: “Parabéns, é a palavra certa. Venham agora a priorização das políticas e o debate”. Logo depois, mais cuidadoso, “estou a pensar se não será demasiadamente cedo para estar assim tão optimista” e, finalmente, sublinhando o papel relevante de alguns dos ministros das finanças do PS (quase todos menos os últimos), que “quanto ao modelo agora apresentado e às propostas adjacentes, que fique bem claro que o processo foi muito mais importante do que o resultado.”

Estes acertos de posição são exemplos de como, durante o fim de semana, se inverteu o tom dos comentários acerca da proposta do PS. Em poucos dias, o quase unanimismo do deslumbramento foi substituído pelo debate mais contraditório e algumas das medidas foram escrutinadas com cuidado: o aumento da idade da reforma, a redução das pensões futuras, o risco de empolamento dos falsos recibos verdes, a projecção de redução do desemprego, os números do investimento futuro, a ausência de proposta sobre a dívida, entre outras.

Nesta nota, registo as opiniões de vários comentadores sobre três dos aspectos essenciais do documento, para tornar visível esta mudança de tom: o político, o económico e o social. Argumento ainda que, agora que passaram os dias da propaganda, se percebe melhor a estratégia do PS, que teve sucesso.

Começo pela interpretação política. Nesse campo, tivemos de tudo. João Vieira Pereira, “alguém com alguns desvios liberais”, confessa no Expresso gostar deste programa. Nicolau Santos, “keynesiano graças a Deus”, e portanto partindo do ponto de vista oposto a Vieira Pereira, encontra uma “proposta corajosa, sólida, credível”. Luís Marques e Pedro Adão e Silva, também com opiniões distintas, congratulam-se por ter terminado o queixume histórico do PEC4: “Quatro anos depois, o PS libertou-se finalmente da narrativa autodestrutiva do PEC4”, escreve Adão e Silva, nos mesmos termos que Marques.

Mas a maioria dos comentadores acertou-se numa conclusão: o PS apresenta um programa de centro. Ao recusar qualquer distância em relação ao Tratado Orçamental, ao apresentar-se como temente às instruções europeias e portanto como adversário de uma reestruturação da dívida, o PS firma-se no consenso institucional de Bruxelas e Berlim. O “bom aluno” está de volta e acha que foi perdoado.

Escreve Ricardo Costa, notando o erro de perspectiva de muitos comentadores iniciais: “Ao contrário do que deram a entender os primeiros comentários, o PS não virou à esquerda, bem pelo contrário, caminhou para o centro”.

Teresa de Sousa, mais exuberante, reforça no mesmo dia a mesma ideia no PÚBLICO: “Demasiado liberal? Talvez, mas não é crime, desde que as escolhas económicas levem em consideração o seu efeito sobre as pessoas.” E continua: “Mas o que esta crítica verdadeiramente significa é aquilo que Lobo Xavier disse na última Quadratura e que cito de cor: quem esperava versões radicais esqueceu-se de que o PS é um partido europeu para o qual não está em consideração qualquer futuro que não passe pela Europa e pelo euro. Por isso, o estudo parte do cenário macroeconómico de Bruxelas, não põe em causa o Pacto Orçamental e propõe um caminho que será feito no quadro europeu. O PS é um partido de governo que soube sempre governar ao centro e aceitar a ordem europeia.”

Para concluir, propõe a solução Ovomaltine: “Dito isto, proponho que todos os partidos e personalidades que queiram candidatar-se ao Palácio de Belém coloquem atrás deles, nas suas aparições públicas, um daqueles reclames luminosos que havia há muitos anos nos telhados dos prédios mais altos, sempre a piscar qualquer coisa como ‘Beba Ovomaltine’. Neste caso, ‘a União Europeia é a nossa casa e não tencionamos mudar’. Não há dúvidas quanto ao PS e ao PSD, mas há muitas dúvidas em relação a outros partidos ou personalidades que compõem a nossa paisagem política, mesmo que prefiram manter uma prudente ambiguidade.”

Manuel Carvalho, também no PÚBLICO, conclui da mesma forma: “Francisco Assis, que andou os últimos meses a defender sozinho um programa deste perfil, saudou a sua ‘consistência programática’ e essa apreciação diz muito sobre o que está em causa. O PS move-se inteiro para o centro em matérias como o controlo do défice e dá até um passo para o liberalismo económico puro e duro nas fórmulas que propõe para os despedimentos ou nos cortes permanentes na TSU para as empresas. (…) Como escreveu Vasco Pulido Valente com acerto, o documento do PS ‘não passa de uma espécie de ‘emenda’ à política do Governo’. Uma emenda que torna mais fácil o regresso do Bloco Central do que qualquer aproximação do PS à esquerda.”

São José Almeida, na mesma edição, regista que as propostas sobre a TSU são um factor de aproximação entre o centro e a direita: “Com estes dois conjuntos de propostas radicais, inspirados no ideário neoliberal europeu, o PS estará certamente a dificultar qualquer acordo com os partidos à sua esquerda. Mas poderá abrir portas a um acordo de Bloco Central.”

Conclusão, que partilho, sobre a política: este programa queima pontes com a esquerda e favorece um futuro acordo de Bloco Central, seja por via das políticas seja mesmo pela eventual composição do governo. Afinal, é o que querem as autoridades europeias e, como se vê, elas mandam mesmo.

Grafico psSegundo tema em que mudou a percepção dos comentadores e analistas: a viabilidade económica do programa. O Expresso fez as contas, seguindo de perto o argumento e os pressupostos tanto do Programa de Reformas do governo como do plano económico do PS e verificou as dificuldades. Castro Caldas foi mais longe e provou que as projecções de uns e de outros supõem simplesmente que se vai realizar o que nunca aconteceu, uma combinação miraculosa entre um crescimento cenario governorápido e um confortável saldo primário (veja os dois gráficos, os pontos a vermelho são as projecções do governo e as do PS, sendo que já citei ontem este segundo gráfico). Ou seja, isto nunca aconteceu.

Paulo Trigo Pereira, um dos membros do grupo do programa do PS, admite que tudo se baseia num cenário internacional de estabilidade. Vai mesmo mais longe e admite que, a haver uma alteração neste cenário que conduza a juros mais elevados, o governo PS terá que pedir novo resgate. Está mesmo um rinoceronte na sala.

No terceiro tema, a questão social, a contrariedade parece ser ainda maior. Já não estamos a tratar de previsões sobre efeitos e cenários, mas de medidas concretas a aplicar a pessoas concretas. Essa percepção negativa terá sido agravada pela revelação, pelo Expresso, de que algumas dessas medidas propostas pelo PS foram sugeridas pela troika (e não concretizadas pelo governo). Evidentemente, esta informação só pode ter sido adiantada por fontes governamentais para descredibilizar o programa do PS, que, afinal, seria uma cópia das piores propostas da execranda troika (o governo, através de fonte anónima, acrescenta o detalhe inverificável de ter afastado Centeno da representação do Banco de Portugal nas negociações com a troika por ele ser demasiado sintonizado com as propostas do FMI). Seja como for, as medidas são ousadas e a troika gostava delas.

Escreve São José Almeida: “Mas a grande surpresa é o facto de o documento ir mais longe na flexibilização dos despedimentos do que a maioria governamental e do que alguma vez o PS foi ao propor a ‘via conciliatória na cessação de contratos de trabalho’, uma aproximação ao modelo italiano e alemão”.

É certo que Adão e Silva, um conhecedor profundo de políticas sociais e um analista que, sendo da área do PS, manifesta consistentemente uma independência criteriosa, atribui a este programa um “golpe de asa” precisamente por começar pelo mercado de trabalho. Mas tem a prudência de não se comprometer com medidas concretas que são propostas para esse “mercado de trabalho” e até de criticar algumas delas.

Ao mesmo tempo, José Gomes Ferreira, este sendo um analista mais próximo das soluções liberais, condena energicamente o princípio da utilização dos fundos da segurança social para financiar efeitos e políticas de conjuntura.

Aqui estamos. No plano da análise da política, a viragem da maioria dos comentadores, durante o fim de semana, consistiu em passar a considerar que se trata de um programa de centro para uma política de centro, sem diálogos para a esquerda mas permitindo um Bloco Central. No plano da análise económica, as projecções foram questionadas e nunca é uma questão menor: qualquer diferença entre a teoria e a realidade é paga com mais austeridade. No plano da análise dos efeitos sociais, os comentadores registaram o ímpeto liberal que contrasta com o que o PS tem anunciado e proposto.

Sobrariam as polémicas, para esclarecer tudo. Mas polémicas não há. Os dirigentes do PS limitaram-se ou a entrevistas com um argumento envergonhado – Vieira da Silva explica que não é tão mau como parece e que sair do euro seria pior – ou ao silêncio, raramente interrompido pelos ecos do que alguns terão dito numa reunião recente. Ou, no melhor dos casos, refugiaram-se num trauliteirismo pouco filosófico, como foi o caso de Porfírio Silva, jovem estrela socialista que escreve “um pequeno tratado sobre a cagufa em política”, sendo “cagufa” o atrevimento de não se apoiar a proposta do seu partido.

O rinoceronte corre sempre em frente. Mas que se instalou no sofá da sala, lá isso instalou.

Comentários

  1. F, eu vejo varios caminhos para Portugal, simplificando:
    1. o caminho da austeridade, o actual com um alivio ténue produto do crescimento fraco, que pode acelerar um pouquichinho mantendo o preço do petróleo mais baixo e as taxas de juro baixas baixas, no presuposto que nada muda na Europa e no mundo, e é desejavel que assim seja, caeteris paribus
    2, o caminho da austeridade suavizada, programa do PS com algumas mudanças, limado dos excessos liberales do mercado de trabalho, no presuposto que algo muda na Europa mas não se leva com a porta na cara, algo muda para que tudo fique igual.
    3. Proposta do Livre Tempo de Avançar, exigir a renegociação da dívida mas entretanto dar folga al saldo primario para parar a a austeridade e ensaiar uma subida do investimento com redistribuição do rendimento e fazer actuar os multiplicadores, é uma saida a Syritza actual, a que recebu o mandato de acabar a austeridade mas sem sair do euro, no presuposto que se aceitaria uma saldo primario nulo por parte das instituições, who knows, not me.
    4. Exigir a renegociação da dívida, por fim a austeridade, lutar pela soberania politica que implica no limite sair do euro, isto no presuposto que nada muda na Europa, visto que as actuais negociações do Syritza caminham no sentido de um compromisso que reduz o programa do Syritza a papel ou a Grecia sai do Euro.
    Europa, a Europa que tanto sonham muitos portugueses, que paga em euros, não é para todos, alguns que se aperceberam disso e se pusseram a andar, outros seguirão, reformados de baixas pensões, desempregados sem subsídio, trabalhadores a recibo verde, crianças pobres, empregados com baixos salários e precários estão condenados, pode existir um Portugal assim tão desequilibrado? temo que em algum momento seja preciso uma mão forte, entretanto o medo asegura as pontas e porque não mais medo com o chicote de um terceiro resgate.

    1. Fico satisfeito com o argumento de o caminho 2 e 3 são incompatíveis, creio ser essa a opinião de M Olivares. A outras pessoas ouço o contrario.

  2. Francisco Loucã , belo artigo. De facto, alternância tornou-se o diminutivo possível de alternativa. Há apenas 2 soluções que aparecem em jeito maniqueísta : a imposição do medo( nós ou o caos) e esta esperança ajoelhada que o PS apresentou.

    Se me permite digo-lhe ainda que a sua voz politica faz falta, muita falta.

  3. Sem querer parecer mais perspicaz que a própria perspicácia, foi já essa minha análise em comentário neste mesmo blog em 23/4/2015, onde disse:
    “No plano táctico, a apresentação do “plano económico” foi uma jogada de mestre: colocou o PS no centro de todo o debate político, eliminou num golpe de asa todas as críticas que eram dirigidas aos silêncios e indefinições de Costa, distanciou e reduziu o incómodo das querelas à volta das presidenciais e levou Passos Coelho a dizer que o PS é muito diferente do PSD, transformando, à luz da opinião pública, o PS em verdadeira alternativa, criando assim as condições para o relançar de foram credível em direcção à maioria absoluta. Genial!
    E quando digo que é genial, digo-o porque nós sabemos que o PS não é (no contexto austeritário) muito diferente do PSD.
    Para conseguir esse efeito de malabar, o plano económico estrutura-se, no plano geral, como uma estratégia de crescimento a partir do lado da procura, em absoluto contraste com as ideias (pelo PS muitíssimo aplaudidas…) de Juncker ou de Draghi, que concretizam intervenções do lado da oferta. E foi aqui que o Passos Coelho (precipitado como sempre, professoral como sempre, vazio como sempre, perigoso como sempre), viu essa diferença tão grande entre PS e PSD, oferecendo ao PS a identidade de verdadeira alternativa que o PS desde a troika até hoje nunca tinha encontrado.
    Mas quando se vêem as reacções de Francisco Assis, é inevitável que se suspeite que a diferença é pouca. O que mais o(s) preocupa é mesmo que seja claro o rejeitar de quaisquer pontes com a esquerda. Afinal, o PS é um partido “responsável” (sim, por muitas coisas até…).
    Talvez esteja na hora de algumas pessoas perceberem que não é a “recusa em participar do governo” que impede as esquerdas de serem alternativa, mas sim a recusa dessas outras esquerdas pelo PS. (Este “programa económico” e disso uma verdadeira “prova da verdade”).
    Mas, para quem os quiser ler, encontram-se nesse “plano económico” elementos que nos vão esclarecendo o quanto dele é apenas arte de malabar, num jogo de sombras que vai estreitando o PS em alternativa apenas de si próprio, perdido entre a “direita da esquerda” e a “esquerda da direita”.
    Neste caso concreto das pensões, por exemplo, o essencial da intervenção austeritária vai ficar a cargo da inflação conjugada com o congelamento dos rendimentos… (Genial!)”.

    Resta talvez acrescentar o seguinte: a grande “inovação” do programa económico do PS é a de parecer de esquerda e ser de direita (o que, vindo do PS, não é inovação nenhuma…). Esse “parecer ser” é fruto de enfatizar a ideia de que o crescimento económico se faz por intervenção preferencial do lado da procura. Foi isso que assustou Passos Coelho. Quando o PSD compreender que não é assim, também ele vai mudar o discurso e deixar de se colocar em oposição ao programa económico do PS e vai simplesmente menorizar o programa com base em dois argumentos: o de que em parte é irrealista e, portanto irrealizável e o de que, na parte em que é realista, o PSD tem exactamente as mesmas propostas ou mesmo propostas muito melhores!

  4. Percebe-se toda esta excitação à volta do programa macroeconómico do PS porque, uma data de meses depois de Costa ter aparecido na ribalta, primeiro como candidato e depois como líder, este ainda não tinha apresentado uma única ideia – muito menos um compromisso – para o País.
    Percebendo, tarde e a más horas, que os portugueses não estavam dispostos a aceitá-lo como uma espécie de D. Sebastião, passando-lhe um cheque em branco, Costa foi fiel à história do PS: manteve o socialismo na gaveta e optou pelo centro, que é uma maneira tão vulgarizada como errada de dizer que optou pela direita. Direita com algumas nuances, mas direita.
    Na minha opinião, a única coisa que pode baralhar um pouco esta estratégia do PS para regressar ao poder é a Grécia. Mas, para já, o afastamento de Varoufakis das negociações com os manda-chuvas não prenuncia nada de bom. Por isso, e digo-o com tristeza, a posição do PS talvez seja, na actual conjuntura neoliberal europeia, a única realista.

  5. O Bloco Central estará previsto desde 2008, quando Balsemão levou António Costa e Rui Rio, nesse ano, à reunião do Clube Bilderberg. Falta, apenas, o anúncio da candidatura de Rui Rio, ou à presidência da República ou a chefe das hostes PSD.

  6. O artigo está excelente, e retrata o pobre debate política que se faz em Portugal. Explico-me:

    1. A apresentação deste cenário macro-económico pelo PS pode ser analisado em duas vertentes. Primeiro, pelo aspecto formal na medida em que contribui para um debate mais informado e obriga os restantes agentes políticos a subir a fasquia e que nos leva ao segundo aspecto. A quantidade de “opiniões” iniciais revelou a probreza do debate político a que nos habituamos. Pelo menos, começa-se agora a discutir políticas e consequências das mesmas.
    2. Alternativas há-as, mas não são dadas o mediatismo da “agenda” de Costa. Veja-se o caso de Francisco Louçã/Ferreira do Amaral sobre a saída do euro, e o debate que gerou. Pessoalmente discordo, mas não invalida o facto da discussão ter sido practicamente inexistente.
    3. Finalmente, o xadrez político, e aqui tenho algumas reservas ao que FL escreve. Ainda que a proximidade de PS e PSD seja inegável, a ideia do Bloco Central já me parecia ser inviável devido à actual direcção do PSD. Costa poderia juntar-se ao PSD, mas era necessário um golpe palaciano antes das eleições ou, após eleições, acordos de incidência parlamentar com um “novo” PSD (i.e. rei morto, rei posto). Agora, com o anúncio da coligação, o Bloco Central parece-me ainda mais distante.
    Pessoalmente, parece-me que Passos Coelho quer minimizar uma derrota pesada nas legislativas. Poupa um embaraço eleitoral, e pode, sem qualquer problemas, deixar cair Portas a qualquer momento a “bem da Nação”. Um PM que não deixa cair os ministros mais incompetentes fará igualmente todo para não cair do poder. Mesmo que tenha de dizer que sim a tudo que Costa peça. A resposta acaba portanto por voltar ao dito rinocertante. Costa apresenta um programa mais encostado ao PSD do que à esquerda, mas quererá ele Passos Coelho como parceiro de coligação? Nas sábias palavras de Jaime Pacheco, está aqui “uma faca de dois legumes”…

  7. A alternativa à Europa é… a Europa! – Ao ressurgir da EFTA?
    Já se percebeu que PS e PSD estão afinados pelo mesmo diapasão “europeísta”… e, não havendo margem política que negocie a «reestruturação da dívida», como bem tem insistido Louçã, e/ou a «saída do euro» (e a queda no “abismo” que, instigados pelo medo, significaria o “regresso do escudo”) o futuro de Portugal é feito depender menos dos portugueses – e mais das decisões impostas por Bruxelas ou Berlim. O cumprimento do “plano da troika” não significa o fim da “austeridade”, nem a condição de «protectorado». Mas, neste jogo de novos «Impérios» globais – e a UE é um império em formação, com a dimensão para concorrer com os gigantes EUA, China, Rússia, Índia e Brasil… – as manobras dos “britânicos” poderão vir a alterar o equilíbrio de forças na Europa.

    «Se o referendo agendado para 2017 se realizasse hoje (março 2015), 48% dos britânicos votariam pela saída da União Europeia, contra apenas 37% partidários da permanência.» – cita o semanário «O Diabo» (http://jornaldiabo.com/economia/reino-unido-ue/)

    O Reino Unido poderá vir a ser a porta para a refundação da EFTA – podendo aqui, na reconfiguração de uma nova «Confederação Europeia», juntar-se outros países europeus não alinhados na Zona Euro. Tal cenário, viria a alterar o quadro “geopolítico” do Espaço Económico Europeu (EEE) – de um lado, teríamos o “eixo franco-germânico” da União Europeia, burocraticamente centralizado em Bruxelas e prosseguindo a via de uma integração europeia tendencialmente “federalista”; do outro, uma confederação livre e policêntrica de Estados soberanos, perfilando-se entre as economias desenvolvidas do Norte (ex. Noruega) e o Atlântico (ex Reino Unido), mais a livre associação de países “não-alinhados” como a Suiça.
    Tal cenário para um futuro não longínquo (no horizonte da próxima legislatura!), e de todo não inverossímil, daria aos pequenos países periféricos outra “centralidade” ou protagonismo político – estimulando o debate de outras abordagens económicas e financeiras na condução da UE.
    O futuro de Portugal também vai depender de Londres – e do que decidirem os britânicos! Importa que a diplomacia portuguesa esteja atenta às manobras do Reino Unido e daí possa colher dividendos… (tal como os gregos, nesta nova luta de Impérios pela hegemonia global, já sondou o russos… para provocação e escândalo entre os fieis alinhados ao eixo franco-germânico!). A Aliança «luso-britânica» – historicamente útil à afirmação da independência nacional – poderá ainda muito dar que falar…

    Portugal foi membro fundador da EFTA, em 1960, juntamente com o Reino Unido, Noruega, Suécia, Dinamarca, Áustria e Suiça. A adesão à EFTA teve um impacto bastante positivo na economia portuguesa, com taxas de crescimento médias de 5.8% em 60’s e de 4,9% na década seguinte (entre 1961 e 1973 – Portugal cresceu em média 6.9%, acima dos 5% registados na OCDE).

    1. Brexit – E se o Reino Unido sair mesmo da UE?
      Portugal, Irlanda e Grécia correspondem a 6% do PIB da Zona Euro… pouco ou muito para a abalar a estabilidade do euro”! Lisboa e Atenas sozinhas nada podem… o medo de sair do euro – e o consequente “ostracismo” político – sobrepõe-se às desvantagens e conveniências da permanência. Nada de novo há a esperar de PS ou PSD – e sem alternativas à “esquerda”, fatalmente demasiado dispersa em questiúnculas ideológicas, aos portugueses resta a “resignação” – ou, rogar a Deus por um “milagre”! (?)
      Já a saída do Reino unido da UE é outra história… embora não aderente ao «euro», o “Brexit” por certo causará grande estrondo político, levando à reconfiguração da Europa. E, na tempestade, o rinoceronte poderá até nem chegar a ver o Papa!… Pelo sim, pelo não – “não vá o diabo tecê-las!” – importa que os portugueses não se percam em “politiquice” estéreis e em quezílias partidárias domésticas, e esteja atento ao que pensam e querem os britânicos na Europa… Se eu fosse primeiro-ministro talvez fizesse uma escala em “10 Downing Street”, pela ida a Berlim ou na vinda de Bruxelas!

      3 artigos sobre a saída do Reino Unido da União Europeia – tomando a EFTA como alternativa.
      A relações da Noruega e Suiça com a UE são também tema de análise, bem como o reenquadramento da EFTA no EEE.

      1. «The Bruges Group: EFTA or the EU?» – http://www.brugesgroup.com/eu/efta-or-the-eu.htm?xp=paper
      2. «UK returning to EFTA: divorce at 40 and going back to mom and dead?» – http://www.publications.parliament.uk/pa/cm201213/cmselect/cmfaff/writev/futunion/m21.pdf
      3. «Europp: It would be difficult for the UK to follow the ‘Swiss’ or ‘Norwegian’ models as an alternative to EU membership.» – http://blogs.lse.ac.uk/europpblog/2013/01/28/uk-eu-euroscepticism-norway-model-swiss-model-efta/

  8. As propostas efetuadas por uma equipa de economistas, por encomenda do PS, e a discussão que estamos a assistir, após uma escrutínio mais cuidadoso do documento que resultou dos estudos macroeconómicos efetuados, vem revelar que os partidos do denominado “arco da governação”, afinal, seguem modelos políticos e económicos muito idênticos, e que não têm capacidade para inovar, para além daquilo que tem sido uma dada ordem de governance nos últimos vinte anos. E compreende-se que estejam manietados, pois o exemplo do Syriza, na Grécia, e todo o teatro que tem rodeado as negociações com a União Europeia, Banco Central Europeu e FMI, tem mostrado à saciedade que um governo eleito, ainda que legitimamente, poderá fazer muito pouco perante as “forças” de uma União Europeia que se distanciou dos sonhos dos «pais fundadores» no pós-Segunda Guerra. Que fazer (?), perguntaria certamente Lenine, diante do “renegado Kautsky”. A resposta: “um passo à frente e dois à retaguarda”, assinatura da “paz de Brest-Litovsk”( 3 de Março de1918), a saída da República dos Sovietes da Grande Guerra e a “Nova Política Económica”, que abriria a possibilidade ao renascimento da pequena propriedade e do florescimento da pequena burguesia. Caro Francisco, bater com a porta, à União Europeia, no caso do Syriza, ou dos países com programas de ajustamento financeiro e com grandes dificuldades orçamentais, e desequilíbrios ao nível do endividamento, externo e interno, só pode traduzir-se na saída do euro, com tudo o que isso representa. Para mim, que quero continuar a receber em euros, como para a maioria das pessoas, essa via não é a solução para os graves problemas que enfrentamos. Há poucas dúvidas de que a solução terá de vir, mais tarde ou mais cedo, de dentro das instituições da União Europeia, sobretudo da Comissão, Eurogrupo e Banco Central. E já se está a ver, através deste último, do quantitative easing. É, pois, em sede dessas instituições que se terá de encontrar as soluções que impeçam a União Europeia de aprofundar os desequilíbrios internos, com um Norte pobre e uma Sul pobre, e em última instância de implodir.

    1. Compreendo o seu ponto de vista. Mas o que fazer quando são precisamente essas instituições que impõem a austeridade permanente aos povos do sul?

    2. “Um Norte rico e um Sul pobre”, seria a expressão correta, claro está, no texto do post!
      Há claramente dois campos, dois visões sobre a evolução do projeto europeu e a resolução dos problemas com os quais as sociedades da zona euro se defrontam atualmente. O problema é que uma dessas visões apela à União Europeia, enquanto a outra visão esperneia, critica, mas não apresenta medidas que realmente sejam credíveis, sem colocar em causa a moeda única.

    3. Vejo as coisas ao inverso: a União Europeia está a ser destruída pelos que lhe impõem austeridade e destruição.

  9. Quando o país mais precisava de Homens de Estado , ao destrambalhado de Passos Coelho segue-se o sacerdócio de Costa
    Agora há quem esteja a pensar num Senado

  10. Costa é um ponto :
    1. faz-se eleger num concurso de beleza , onde o principal foi fazer-se comparecer
    2. Depois pede a maioria absoluta , e tem uma dezena de comentadores , jornalistas e sondagistas + cientistas politicos a entronizá-lo
    3. arranja um plano macroeconómico donde o q mais resulta é a cerimónia , e a insatisfação latente “latente” da Constança Cunha e Sá , e por mt que esta quisesse
    4. o pessoal tem que se pegar todo de volta do “programa” , “cenário” , “exercício” porque o calendário aperta , e a direita sempre acusou o toque , e tá cheia de cagunfa que o país seja cedido aos chineses , omanitas e americanos no consulado socialistas (nota bem , que estes três sao aliados) geoestratégicos
    5. vai tomar posse e nomeia ministos e secretarios de estados
    Quanto tempo mais Costa se vai aguentar ? 14-15 anos como um ditador ? Ou os 4 meses de um democrata ?
    Até lá os socialistas realizam mais um funeral
    o segredos ésta em fechar a caixa .

  11. Esquece-se é que todos se lhe pegam .. ao rino : Costa ainda tem que ir ao polígrafo ..para satisfação da plebe .

  12. PS = PSD = CDS = ladrões = corruptos = maçonaria = máfia = clientela = boys = lobbies = miséria de Portugal e dos portugueses (lamechas, clubistas e amnésicos há 38 anos).

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