Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Ricardo Cabral

18 de Abril de 2015, 13:09

Por

Histórias da América

Nos EUA o uso excessivo de armas de fogo pela polícia está na ordem do dia. Só em Março, segundo este site, referenciado em várias fontes de informação, disparos pela polícia resultaram em 115 mortos. Este número é mais do dobro das mortes (52) em consequência de disparos pelas forças policiais do Reino Unido em todo o século XX.

Nos EUA, há protestos e manifestações contra o uso excessivo de armas de fogo pelas forças policiais. Os mortos são predominantemente americanos negros do sexo masculino.

O caso que teve mais notoriedade, pelos protestos com violência que se seguiram em Ferguson, Missouri, foi da morte de Michael Brown de 18 anos, que tinha roubado umas cigarrilhas e empurrado o funcionário da loja. Mais tarde, localizado por um polícia Darren Wilson, e depois de uma altercação, o polícia Wilson afirma que Brown o esmurrou. Darren Wilson perseguiu-o, e estando Michael Brown de frente e desarmado, disparou vários tiros, sendo o último fatal. Darren Wilson disparou um total de 12 vezes.

Um outro caso que aqui relembro foi de uma criança de 12 anos que, num parque para crianças, brandia uma arma de plástico que parecia verdadeira. A polícia chegou rapidamente e disparou, matando a criança.

Um terceiro caso, mais recente, ocorreu em Charleston na Carolina do Sul, onde um polícia disparou 8 vezes, acertando 5 dos tiros e matando um homem de 53 anos que fugia e tinha as costas viradas para o polícia. O homem tinha sido parado num controlo de tráfego, por ter um farol partido. Um vídeo de um telemóvel capturou o momento em que o polícia mata o homem e depois ainda lhe coloca as algemas.

Outro caso, foi o de uma família branca de 7 pessoas que vivia numa carrinha, que na altura estava estacionada num parque de estacionamento do Wal-Mart. A família, desarmada, recusou-se a cumprir as ordens da polícia que exigiu, logo ao chegar, que todos se deitassem no chão. A família entrou quase imediatamente em confronto físico com a polícia. Um dos polícias, exaltado, ameaçou disparar contra a cabeça de um dos filhos da família, de 21 anos. E dispara 30 segundos depois, à queima-roupa, matando-o.

A pobreza e a miséria que assola um largo segmento da população americana explicará muitos dos casos e há certamente muitos outros factores subjacentes, como o racismo, a venda e posse de armas e o uso excessivo de armas de fogo por civis e pelas forças policiais.

Dói a alma a violência que assola os Estados Unidos da América.

Comentários

  1. «Sendo necessária à segurança de um Estado livre a existência de uma milícia bem organizada, o direito do povo de possuir e usar armas não poderá ser infringido.»

    A posse e o uso de armas previstos na Segunda Emenda à Constituição dos EUA expressavam, claramente, o direito de os cidadãos se defenderem sob a forma de “uma milícia bem organizada”, nunca um cada um por si.
    Naquela época – 1791, escassos 15 anos após a independência -, o território era vasto e em constante crescimento e o Estado ainda não tinha tido tempo para estabelecer nele a sua plena autoridade.
    Parece-me muito estranho que, mais de duzentos anos depois – e possuindo os EUA as mais potentes forças de segurança e defesa do Mundo -, se defenda hoje a legalidade, em nome dessa emenda, de um indivíduo andar com armas para defesa pessoal.
    Sobretudo porque essa legalidade contribui mais para matar pessoas inocentes do que para as salvar.
    (Claro que, no meio disto tudo, a venda de armas não deixa de ser um grandíssimo negócio…)
    Para finalizar, só encontro uma palavra para definir as 115 mortes da responsabilidade da polícia americana, só no mês passado, sobretudo se comparadas com as 52 provocadas pela sua congénere britânica em todo o século XX:
    Chocante!

  2. O Ricardo não precisa de ir para tão longe para encontrar violência policial racista, basta ir ao Bairro de Stª Filomena e ao Bairro 6 de Maio na Amadora.

  3. Parece haver um equívoco no titulo do artigo. Se o assunto fosse, por exemplo, a violência doméstica em Portugal, faria sentido e seria justo levar o título “Histórias da Europa”? Se, outro exemplo, abordasse os assassinatos de mulheres no Brasil, poderia chamar-se “Histórias da América”?

    A América (o continente americano, as Américas do norte, central e do sul) compreende mais de trinta países. O titulo mais adequado, o correcto, seria, isso sim, dado o conteúdo do texto, “Histórias dos EUA”.

    Graça Stiglitz

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