Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

2 de Abril de 2015, 08:56

Por

Judith Teixeira, o modernismo que chocava a sociedade

nuaCláudia Alonso e Fábio Silva editaram, na D. Quixote, a obra completa de uma autora inencontrável: Judith Teixeira (1880-1959). Dela disse o seu contemporâneo Pessoa, que com ela se cruzou, que não tinha “lugar, abstracta e absolutamente falando”, como se assim resolvesse essa vida, e o certo é que esquecida ficou. Só em 1996 e 2008 foram reeditados poemas e duas curtas novelas, agora esgotadas, o que se compila neste livro, com outros textos importantes e definidores.

Ao tempo, os seus livros foram apreendidos e destruídos pela censura republicana e bem pensante (e, depois, pela ditadura). Provocaram celeuma e não foi pouca, como os poemas apaixonados de Botto. A “imoralidade” na arte era a acusação contra esta expressões da nova arte que nascia, no caso de uma mulher que, com meios suficientes para editar os seus próprios livros, se sentia livre e se declarava livre.

Publicou e divulgou, ainda criou uma revista “Europa”, debateu o seu conceito de literatura, publicou um último livro de poesia, “Nua”. Perante o seu público, conferenciou e explicou porque se inscrevia entre os “exóticos, os futuristas, os doidos”, como se atrevimento não bastasse. Com a sua escrita erótica e a exploração dos sentimentos e o orgulho do corpo da mulher, Judith Teixeira tinha com que escandalizar e escandalizou.

Terá sido uma das raras mulheres do seu tempo a percorrer este caminho e a enfrentar o seu mundo. Uma modernista como nenhuma outra, explicam os seus editores. Mas o “amor impossível”, a “força da luxúria”, a violação das convenções sociais, a alusão lésbica de alguns poemas, a sensualidade de outros tantos, tudo em Judith faz a ponte entre esse romantismo passado e o modernismo que está a ser enunciado. Ela foi uma das suas inventoras neste canto à beira mar plantado.

Comentários

  1. Obrigado a Francisco Louçã por falar de uma escritora, para mim desconhecida. Parece que é necessário ser alguém, fora da área, a valorizar e valorar aqueles que as academias literárias ignoram. É urgente que se revisite a nossa literatura, não só os esquecidos e denegridos, mas, também, os “expoentes máximos”, consagrados pela falta de crítica e/ou inércia de quem se limita a repetir o que, há séculos, foi afirmado.. Pessoa é um caso.
    Na economia passar-se-á o mesmo? Por exemplo, as propostas de Keynes resolveram os problemas da economia ou adiaram-nos? E são, ainda, válidas essas soluções?

    1. Obrigado pelas suas palavras. Depende de opiniões: na minha, as soluções de Keynes ajudam mas são insuficientes, porque a globalização financeira tem uma dimensão que ele desconhecia e é necessária uma redistribuição do rendimento que ele não concebia.

  2. Abri o texto a pensar que ia ler sobre uma sindicaista da Fenprof (salvo erro). Sempre a aprender. Obrigado. Tudo menos economia.

  3. é pá , podes crer !
    é que tou a poupar para um futuro que nunca chega , à alternância de o gamar da livraria !
    Ainda dizem que a histórica está perdida … é porque não conhecen Judite .. Judith … essa mulher devia ter uma cadeira !

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