Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

1 de Abril de 2015, 12:04

Por

Na Grécia vai chegando a 25ª hora

greeceEra na 2ªf, depois era ontem, 3ªf, que se deveriam concluir as negociações sobre a nova lista grega, para garantir o financiamento dos 7 mil milhões que a troika havia prometido à Grécia. E nada, tudo adiado. O dossier ficou ontem em aberto, hoje haverá uma reunião inconclusiva dos responsáveis do Tesouro dos vários governos, mas uma decisão fica para depois da Páscoa.

Entretanto, pelo menos para pressionar estas conversações, o governo grego reuniu com o governo russo e mostrou disposição para novas pontes com a China. Em Atenas, os responsáveis governamentais multiplicaram os sinais: o porta-voz do governo deu uma entrevista a um jornal próximo do Syriza (Avgi), resumindo a posição do primeiro ministro; o ministro da energia, Lafazanis, que dirige o sector minoritário do partido e que tem mostrado reservas quanto às listas, falou em Moscovo sobre o tema; e Yiannis Bournous, membro do secretariado do partido, explicou as novas medidas num detalhado post no Facebook.

Esta segunda lista representa importantes concessões e algumas resistências. As concessões são as seguintes, pelo que se conhece da imprensa: o governo aceita concluir a privatização do porto do Pireu (propondo que seja através de uma joint-venture) e concessionar 14 aeroportos regionais, esperando com isso obter 1500 milhões; vai aumentar alguns impostos nas ilhas com maior afluxo turístico (Santorini, Mykonos), prometendo não o fazer nas outras. Propõe ainda criar um “banco mau” para absorver os activos tóxicos da banca comercial, usando para isso os fundos disponíveis de empréstimos da troika para o sistema financeiro (mas que serão dívida pública). A retomada do processo de privatizações, se tal se confirmar, será o recuo mais perigoso, porque seria uma derrota simbólica e com efeitos económicos e estratégicos de grande impacto.

As outras medidas são estas: um acordo com a Suíça para acesso à lista de depositantes que fugiram aos impostos, para conseguir repatriar 725 milhões e cobrar 300 milhões de imposto; ganhar 350 milhões no combate à fraude no IVA; vender as licenças de TV por 350 milhões e as de apostas na internet por mais 200; aumentar os impostos sobre tabaco, álcool e combustíveis em mais 250 milhões; recuperar 600 milhões em impostos e prestações de segurança social atrasadas; aumentar em 300 milhões os impostos directos sobre os maiores rendimentos. Em geral, mesmo sabendo-se pouco sobre a sua concretização, estas parecem boas formas de redistribuir o esforço. Mas não resolvem nenhum problema em abril.

Por outro lado, o governo rejeitou incluir na lista a liberalização de despedimentos e a continuação do congelamento da contratação colectiva, que pretende relançar. Finalmente, a Grécia insiste na troca da sua dívida pública por títulos cujo rendimento fique dependente do crescimento futuro do PIB, o que o ministro das finanças reafirmou ontem mesmo.

Ora, nada disto foi aceite pela União Europeia. O prolongamento da incerteza sobre as negociações, que serão retomadas só na próxima semana, deixa poucos dias para uma decisão. As reuniões começarão depois de 6 de abril, mas no dia 9 a Grécia tem que pagar 450 milhões ao FMI, para agravar as suas dificuldades. As horas começam a contar, já não são os dias nem as semanas.

Essa tensão é uma estratégia deliberada da troika. Como as autoridades europeias pretendem mais concessões e sabem que esta lista de medidas demonstra simplesmente que o governo grego está a ficar sem alternativas de financiamento imediato para pagar os salários e as pensões de abril, jogam o jogo mais perigoso, multiplicando o ultimato: ou tudo ou nada. Como aqui escrevi, em abril ou teremos um acordo para uma nova lista que relança a austeridade ou teremos um confronto.

A melhor solução é acabar com isto e sair, escreve DeAnne Julius, que foi do comité monetário do Banco de Inglaterra. Talvez melhor seja um acordo no euro com forte reestruturação da dívida, responde Martin Wolf no Financial Times, mas, acrescenta, a saída do euro não se pode excluir e também exige uma negociação para o abatimento da dívida. De facto, ninguém se arrisca a previsões. Porque simplesmente ninguém sabe o que decidiu Merkel.

Em qualquer caso, as escolhas vão ficando mais radicais e mais difíceis. Escreve Yiannis Bournous sobre as alternativas: “se os credores continuam a asfixia da Grécia em termos de liquidez, não há nenhum dilema: não haverá outros pagamentos de juros e reembolsos pelo governo grego”. Em abril, a Grécia corre a passos largos para a sua 25ª hora.

Comentários

  1. É enriquecedor ver como o atraso na apresentação de medidas sensatas perante os credores é interpretada como uma chantagem de quem precisa de ser pago e não quer embarcar em mais contos do vigário. Felizmente que vendem oculos com lentes de varias cores para contentar todos os “gostos”

  2. é preferivel isto a uma RENDIÇÃO. Um País nunca se rende, nem que tenha das mais duras privações e quem define as duras privações, tem consciência plena de que a pobreza não vai ser “eterna”… ou a Esquerda só representa apenas mais depotados, mais quotas, mais doacções, mais mordomias, mais lugares no Parlamento Europeu e sempre… tudo em nome do Povo.

  3. Em 30 de Março escrevi a proposito do “impasse” nas negociaçoes e sobretudo da ausencia de propostas objectivas ( pelo governo grego): “Mas sobretudo ha uma vontade inequivoca de precipitar a saida do euro, culpabilizando Bruxellas. Se a estrategia funciona, vamos ver nas proximas 4 semanas.”.
    Passaram 3 dias apenas mas tudo parece confirmar que – ao contrario do que tem sido avançado – nao é por inexperiencia ou incapacidade que Tsipras et all, mantêm este impasse. O Syriza tal como o Podemos, constituem a linha avançada do neomarxismo – a que chamam posmarxismo – absolutamente fiel a Lenine e Staline . A estrategia mantem-se na integra, mas a tactica ( para a conquista do poder), “evolui” em obediencia aos “ensinamentos” do populismo de Laclau. Populismo que expressamente assume ser impossivel a conquista do Poder no respeito pela “moral democratica”. Tal como o marxismo-leninismo, recuperam a ideia das “vanguardas” detentoras de uma “autoridade” que se sobrepoe à vontade das “massas” . e que recusa a “moral democratica”. Essa “autoridade” legitima todos os meios.
    Isto é, para o Syriza é legitimo forçar a saida da Grecia do Euro e da UE, mesmo quando o povo grego se quer manter no Euro e na Europa. Naturalmente nao o vao assumir . Por isso forçam a saida de modo a poderem atribuir as culpas a UE e ao dictat das “instituiçoes”. Nada do que esta a acontecer é produto da ingenuidade ou da inexperiencia. Assistimos a execuçao de um projecto delineado nas “academias” (Nassim Taleb sabe do que fala) produto de “vanguardas” iluminadas ( como os escritos de Laclau mostram, demonstrando tambem que ha casos que a psicanalise nao resolve), com total desprezo pela ordem e moral democraticas. É a instituiçao de uma ditadura, que esta a ser ensaiada, no interior ( e contra ) a propria Uniao Europeia.
    Penso que, com os avanços e recuos , proprios deste processo, vamos mesmo esperar quatro semanas para saber o desfecho, desta “aventura”.

  4. Li estes comentários, depois de ter lido o artigo. Tenho imensa pena que os que aqui com grandes rasgos de honestidade dizem que as dívidas contraídas devem ser pagas, não terem sido capazes de admitir que, tal como nas nossas vidas, isso pode não possível, porque alguém acima de nós também deixou de cumprir connosco. É que, a obrigação de pagar é uma coisa, a possibilidade de o fazer é outra, e é nesta que estamos. Então, perante isto, a onde está a racionalidade, alguém impor a quem não tem meios para que lhe seja pago? Isto é para um país a situação equivalente ao que acontece a qualquer família. Não será preferível ajudar o devedor a se desenvolver, que o sabendo impossibilitado de pagar e na ruína, o queira arruinar ainda mais? Que é o que estão fazendo com a Grécia e nem só.

  5. Mas a saída do euro e a criação de uma moeda própria desvalorizada em relação ao euro não levará a um aumento elevadíssimo dos preços dos produtos importados? E não é a Grécia – como Portugal – um país extremamente dependente das importações, desde os produtos tecnológicos aos alimentares e às próprias roupas, passando pelos combustíveis e pelos medicamentos, tudo artigos de primeira necessidade? De que vale termos a carteira cheia de dracmas ou escudos, se com eles não podemos comprar quase nada? Qual é a diferença entre isto e baixar simplesmente os salários em euros, uma vez que em qualquer dos casos as populações têm que baixar os seus níveis de consumo?

    1. Leva a um aumento dos preços das importações e a um aumento das exportações, o que permitirá financiar a economia sem depender dos mercados financeiros. Mas as importações são só uma parte do nosso consumo. Para proteger os salários do efeito dos preços das importações, é preciso combinar políticas fiscais e orçamentais (combustíveis e medicamentos) com substituição de importações. Discuti os detalhes e as contas em “Q solução novo escudo”, com Ferreira do Amaral.

  6. O problema é a ideologia. Um programa de austeridade destes não calça ideologicamente num país como a Grécia, que por conveniência meramente circunstancial, virou à esquerda da esquerda – para não lhe chamar esquerda extrema. Consequentemente, as listas de medidas de supermercado do Tsipras e do Varoufakis que vão surgindo, serão dúbias e lacónicas, ou seja, muito pouco “explicitamente claras”.
    Por outro lado não haverá crescimento económico sustentado se se resumir exclusivamente à redistribuição democrática das receitas do estado, tal como o PCP ou o BE preconizam. Nestas circunstâncias haveria até retrocesso, para mais, estando um Estado sujeito ao espirito da economia liberal da União Europeia – suponho mesmo que, se um estado pudesse regular os preços ou a oferta/procura, a decadência e a revolta populares seria uma inevitabilidade.

    A 25ª hora soou logo assim que o Syriza ganhou a eleições: as promessas eleitorais não são compatíveis com a economia real, estando um país sujeito aos ditames da união.

  7. o que não vejo, nem verei, é a assumpção de culpa dos grandes bancos internacionais na situação actual da grécia; sabemos o papel do goldman sachs; sabemos o que ganhou com o mascarar reiterado das contas gregas, sabemos o que disse há dias o ministro das finanças grego sobre o dinheiro que efectivamente ficou na grécia; sabemos, porque também é disso que se trata, porque a grécia é uma democracia, que os gregos não querem continuar extirpados da liberdade de decidir sobre a sua condição de povo soberano; o que não sabemos, e isso deveria afligir e muito o advogado ministro e a sua mentora, é o que pode resultar da inflexibilidade de uma união europeia, que é tudo menos o que se propõe ser, ao forçar os gregos a alianças menos saudáveis…

  8. Eu admiro a paciência dos Gregos. Nem sei como os dirigentes ainda têm paciência para aturar estrangeiros, que não têm o mínimo de respeito nem consideração pelo sofrimento alheio.
    A Alemanha já passou os calotes que os seus bancos tinham na Grécia, para os outros povos da Europa e do mundo (FMI). O mal já foi distribuído pelas capelinhas, e “agora é sentar no sofá e assistir ao filme”.

    Mas enfim. Sei que eles prometeram e dar uma chance de 6 meses á UE e ao euro, e isso é meritório. No entanto, não podem ceder muito, senão o poder passa para o outro extremo, esse mais perigoso, os fascistas e os nazis, que estão á espreita.

    O Prof. acha que o Syriza vai convocar novas eleições, agora com a proposta de saída do euro, como ameaçaram há pouco tempo?
    A saída do euro não estava no programa de governo, mas no entanto as recentes sondagens dão ainda mais apoio ao Syriza.

    1. Suponho que, pelo que diz, para enfrentarem a Merkel terão que convocar um referendo ou eleições.

    2. O povo tem que decidir o que realmente quer fazer com o euro. Não se pode ter chuva na eira, e sol no nabal.

      O euro tem as suas regras, que são usadas precisamente para fazer ainda mais chantagem sobre as economias mais frágeis, e ainda mais (muito mais) sobre o único governo anti-neoliberal realmente assumido.

      Mas essa ideia de novas eleições não fui eu que inventei, foi o próprio Tsipras que o disse num discurso, mostrando um desprendimento pelo poder e uma responsabilidade democrática, que devia ser um exemplo para muitos governos por essa Europa fora, principalmente o nosso governo, que mentiu descaradamente e sem o mínimo de escrúpulos, antes das eleições.

  9. Caro Francisco Louça.
    Em 2102, no livro que escreveu com Mariana Mortágua – “A Dividadura” – enunciava uma série de razões contrárias à nossa saída do euro. Dizia, por exemplo, “no contexto actual, a saída do euto é a pior de todas as outras e só pode ser imposta por vontade do directório europeu”. E acrescentava:
    “Só se pode aceitar a pior das soluções quando não exista rigorosamente nenhuma alternativa (…) quando a sobrevivência o exigir.
    Ora, podemos não gostar de Passos Coelho e do seu governo, mas é inegável que as coisas não estão piores do que em 2012, não há nenhum desastre social, sem negar que há, como sempre houve e haverá, pessoas a passar mal ou com dificuldades.
    Neste contexto, qual é a sua posição exactamente: a de 2012 ou a daqueles que, como o PC e o Bloco, se não estou em erro, defendem que se deve começar a preparar a saída do euro?
    Cumprimentos.

    1. Tem toda a razão. Apontei dificuldades, porque é assim que acho que se devem estudar os problemas. E acrescentei que só se deveria sair do euro se não houvesse nenhuma outra alternativa. E não há agora nenhuma outra alternativa: só fora do euro se pode impor a reestruturação da dívida de tal modo que seja possível retomar uma política de emprego. Dentro da regra actual, só há um dono: Merkel.

  10. Drº. Louçã, acha que se a Grécia sair do euro, ou for empurrada para tal como parece clarinho como a água, nós levamos por tabela?
    Isto é, sairemos também?
    Espero para bem de todos nós que a Grécia se mantenha, que o Syriza mantenha a resiliência e que tudo isto não mate , se já não matou de vez, o projecto? europeu…

    1. Se a Grécia for empurrada, Portugal fica numa situação mais difícil. Mas o problema já está instalado: com o euro, a dívida vai sempre subindo ou a austeridade vai-se agravando. O projecto europeu tornou-se um protectorado de Berlim.

    2. Nao entendo é como saindo do euro a Grecia deixaria de ter de fazer austeridade, tendo em conta que passaria a ter de manter uma balança de transaçoes com o exterior excedentaria (ou no minimo equilibrada, se deixasse de pagar toda a divida externa). Julgo que Berlim passaria bem sem o protectorado grego …

    3. Mas a criação de uma moeda própria desvalorizada em relação ao euro é a única forma de melhorar a balança de pagamentos. Agora, também temos que ter um excedente, só que ele é garantido com os cortes nos salários.

    4. Mas, afinal, “moeda própria desvalorizada” não é equivalente a “cortes nos salários”?

    5. Porquê? Os preços dos produtos são em moeda nacional, como os salários. O que pode provocar é alguma inflação, e por isso, como demonstro no livro “A Solução Novo Escudo”, com Ferreira do Amaral, é preciso proteger os salários e pensões através de medidas fiscais.

    6. Não sou economista e não quero contradizer os mestres. Contudo, já tenho idade suficiente para ter experimentado as crises anteriores, menos graves do que a atual. A experiência diz-me que a solução costuma ser: moeda desvalorizada –> inflação acrescida –> salários não atualizados –> perda de poder de compra. E este mecanismo afeta pobres e ricos, com consequências mais dramáticas para os pobres. O mesmo se passou na Argentina e está a passar-se na Venezuela. Gata escaldada da água fria tem medo!

    7. O caso tem pouco que ver com a Argentina ou Venezuela, ou com o Uruguai. Em nenhum desses paises houve criação de nova moeda. É verdade que a experiência portuguesa da desvalorização foi má para os trabalhadores, e isso depende estritamente da opção do governo e da maioria do país. Mas o que se está a passar é que, para alcançar o efeito de uma desvalorização cambial de 20%, é preciso desvalorizar o salário em 60% – que émesmo o que está a acontecer em Portugal.

  11. Ninguém de bom senso negará as responsabilidades que os governos Gregos tiveram na criação deste problema. Dissecar a mecânica monetária e financeira que operou na UE nesses anos seria demasiado complexo para este espaço de comentário, mas também importa dizer que a UE co-financiou muitos dos desastres de investimento Grego e a banca europeia – alemã, francesa, principalmente – embarcaram alegremente na festa – e assim também o bom senso implica dizer que não são isentos de responsabilidades.

    Seja como for, esse é o passado. O presente é este: a Troika está na Grécia desde 2010. São já cinco anos. E a herança da sua intervenção é uma circunstância económica absolutamente insustentável.

    Eis agora que a eleição do novo governo Grego corre o risco de se tornar o alibi perfeito para as instituições europeias não assumirem os erros grosseiros da sua condução política da crise pós-2008. O governo de Tsipras arcará com todas as culpas pelo falhanço inevitável da sua economia nas circunstâncias em que foi deixada. E a Europa – Alemanha, Comissão, União, BCE – lavarão as mãos como Pilatos enquanto um coro de fazedores de opinião politicamente alinhados festejam “o falhanço da esquerda radical”. O cinismo não tem limites e já se ouve a orquestra a bordo do Titanic.

    Com estas lideranças, a gerir este processo desta maneira, a União Europeia não terá futuro. É muito, mas muito, mas muito triste.

  12. Merkel tem-se tornado uma exímia jogadora de ‘brinkmanship’. Suspeito que acredita que não virá grande mal ao mundo se a Grécia sair do Euro, porque acredita que a banca internacional (leia-se alemã) está bem protegida de uma reestruturação automática causada por via da desvalorização de um novo dracma e de um default grego. Eu pessoalmente gostava de saber se são conhecidas publicamente as contas em que ela se baseia… Em 2012, ver http://www.theguardian.com/global/2012/may/16/cost-greek-exit-euro-emerges, o custo de uma saída desordenada era estimado em 1 milhão de milhões de dólares (esta era igualmente a opinião de um dos responsáveis pelo lado dos bancos pela primeira renegociação de dívida grega, mas não encontro o artigo em questão). Na realidade, os argumentos morais sobre a pretensa culpa da Grécia pela sua situação presente não contam para nada. O que conta são as relações de força. Talvez o Governo Grego esteja a prolongar as negociações na tentativa de convencer a sua própria população de que não há mesmo volta a dar e que se querem recuperar um mínimo de soberania e dignidade, vão precisar mesmo de sair do Euro. Se é assim, boa caçada (sem ironia)!

    1. Agredeço a anotação. Os custos de uma saída são difíceis de calcular, dada a incerteza. Mas os custos da manutenção são evidentes. E graves.

  13. Portanto resumindo: A culpa das decisões políticas de não querer pagar, e aumentar a despesa pública e decidir adiar as decisões de reforma da grécia são da responsabilidade da…………..troika?
    (Portanto o Syriza – bloco de esquerda lá do sítio – é inimputável?)
    “não vos vou pagar, não vou fazer o que vocês querem e nem aceito conselhos de ninguém!!!!… ah!! e já agora, será que dá para emprestar algum dinheiro?”
    Seria cómico se não fosse grave.

    É bom que todos coloquem os olhos num partido de esquerda socialista como syriza: peritos em berrar/exigir; não fazem a mínima ideia de como governar um país.

    1. É sempre um gosto verificar que o piquete do argumento da bondade da austeridade se mantém rigidamente no seu lugar. É bom que todos coloquem os olhos na pensão dos seus pais, no emprego dos seus filhos e nos seus salários e impostos, e isso responde ao mundo maravilhoso de Pedro Oliveira.

    2. Ainda bem que somos meninos bonitos e fazemos tudo o que nos exigem, mesmo que isso implique ficar na cauda da Europa, na falência.
      Somos tipo o cãozinho da Alemanha, se nos portarmos bem recebemos um biscoito!

    3. Sim, sim, muito melhor são os boys carreiristas do bloco central, esses sim sabem como governar, pelo menos como se governar e ao status-quo vigente. Sim que isso de servir o povo (melhor dizer cidadãos para não ferir susceptibilidades) , só Interessa mesmo no acto da ajuramentar o cargo, depois, o exercício da função…

    4. Pedir dinheiro emprestado aos outros, não pagar dívidas, aumentar a despesa pública (sem ter dinheiro para isso, ou seja aumentar o défice), viver à custa dos europeus há décadas e ainda insultar os credores é que é o caminho certo!?…Esta é que era a grande alternativa do bloco esquerda / syriza /podemos??? É isto que irá salvar salários/pensões e criar postos de trabalho?

      Devia ter vergonha por vender isto às pessoas. Mas como diz o outro: vergonha infelizmente não dá para comprar nas farmácias.

    5. A sua forma de comentar, caro Pedro, é desqualificada. Acha que tem o direito, por discordar de alguém, de considerar que a outra posição é “vergonha”. Mas respondo-lhe: não sei que dívidas é que contraiu, que dinheiro é que pediu emprestado, mas aumentaram-lhe os impostos e a idade da reforma, talvez lhe tenham baixado o salário. Se contraiu uma dívida, deve estar satisfeito por ter essa punição. Eu não contraí essa dívida e não aceito a punição, veja lá a nossa diferença. Mas fico satisfeito por saber que aprecia a austeridade que lhe cobram, sempre é uma pessoa feliz.

    6. Não é punição é o resultado de décadas de socialismo a pedir dinheiro aos outros. Sabe como é que não se paga dívidas? Eu respondo-lhe: Não pedir dinheiro emprestado.
      Inqualificável é afirmar que pode se desresponsabilizar por compromissos assumidos pelo país e que isso não terá consequências bem piores que austeridade… Estou ansioso por perceber que desculpas irá inventar relativamente à desgraça que se aproxima da Grécia, patrocinado pelo bloco lá do sítio. Para quem é que vai atirar as culpas?

    7. O seu ódio político leva-o a não conseguir nem dialogar nem argumentar com qualquer preocupação que não seja repetir slogans. Houve em Portugal um manifesto dos 74 propondo a reestruturação da dívida: foi assinado por consultores do Presidente, por ex-ministros das finanças do PSD e CDS, pelo chefe da associação patronal e por muito mais gente. Talvez isso a ajude a pensar fora dos seus ódios.

    8. “não vos vou pagar, não vou fazer o que vocês querem e nem aceito conselhos de ninguém!!!!… ah!! e já agora, será que dá para emprestar algum dinheiro?“ – Ó Pedro Oliveira, estará a falar do Passos Coelho e na sua relação com o Fisco e a Seg. Social?

    9. Caro “lj” acho mal e reprovo que o Passos Coelho não tenha pago a segurança social e/ou fisco. Não me revejo num PM que falha as suas obrigações. Não sou militante do PSD se é isso que estava a tentar insinuar.

      Caro Louçã julgo que deveria ter mais respeito pelas opiniões diferentes da sua… Você defende pedir dinheiro emprestado e depois não pagar chamando “reestruturação”. E defende que isso é melhor que austeridade.
      Eu defendo que não se deve pedir dinheiro emprestado (e assim deste modo nunca sacrificar pensões ou salários para pagar juros ou capital). Mas uma vez que o desvario da esquerda socialista trouxe-nos a este ponto, considero que pagar é melhor que falir. Falência é muito pior para pensões e salários – Penso que numerosos exemplos de falências como a Argentina ou Venezuela já deveriam ter alterado a sua opinião. Leia mais sobre estes países. E evite jogar culpas próprias nos outros.

      Classificar de “ódio” ou de “desqualificada” não me condicionará ou impedirá de dizer o que penso. Nunca.

    10. Suponho que reparou que o governo que mais aumentou a dívida em Portugal foi o de Passos Coelho e Paulo Portas. Lamento que os números sejam cruéis, mas esses socialistas desavergonhados, com tanto desvario, andaram a endividar o país como se não houvesse amanhã. Suponho que, quando escreve que não se revê no PSD, isso se aplica também ao CDS, porque alguém com tanto gosto pela austeridade merece ser promovido.

    11. Exmo. Sr. Professor Francisco Louçã,
      Então e qual é a sua solução para acabar com a austeridade? (de preferência com números, por favor)

  14. Na verdade, a 25ª hora não é só para a Grécia. As contas de somar e subtrair milhões, ou milhares de milhões, não resolvem um problema profundo de assimetrias entre os vários países do Euro e da União Europeia fora do Euro. A moeda Euro foi uma escolha política. Só sobreviverá, se houver uma escolha política nesse sentido. É incompatível um governo alemão de centro direita e/ou social-democrata, com um governo grego de grande incerteza ideológica. E, contudo, são ambos governos que saíram de eleições democráticas. Não é possível compatibilizar privatizações de sectores estratégicos de um país, com a ideologia do Syriza. A 25ª hora da Grécia é apenas a morte anunciada do projecto europeu, que contaminará outras economias da Europa. Os tratados assinados foram arquitectados para um Mundo que já não existe. O problema reside no facto de ser impossível conciliar visões diferentes sobre as sociedades europeias. De facto, o Projecto Europa, como foi concebido, já não existe. Os chamados Estados ricos do Norte já não existem. Os chamados Estados pobres do Sul, também já não existem. Diria que a ponte está a meio e não há como chegar à outra margem.

  15. e pá , “francisco louçã” .. a argentina é que é o país da prata … a grécia só tem arcuivo cultural …

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