Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

31 de Março de 2015, 08:26

Por

Noticiários tipo salsicha

Os noticiários principais dos canais abertos de televisão em Portugal (hora do almoço e jantar) vêm sendo, cada vez mais, uns autênticos pastelões informativos!

Ao contrário de outros países onde os canais generalistas são pródigos e selectivos nos telejornais, raramente ultrapassando os 30 minutos, em Portugal é um fartar de pequenas, médias e grandes notícias que, não raro, ultrapassam uma hora de duração e chegam mesmo aos 90 minutos!

A macedónia de notícias cobre tudo: política, crime, curiosidades, desastres, violência, julgamentos, treinos de futebol, publicidade encapotada.

Há notícias nacionais, internacionais, regionais, locais, paroquiais, domésticas, todas misturadas, e muitas vezes repetidas como se novas fossem.

Tudo isto, além dos directos a não perder … por causa do joelho de um jogador, de um “ciclone” de 30 quilómetros por hora ou da ida à praia num qualquer dia.

O “lixo” informativo em altas doses não serve para nada, a não ser para entreter os incautos e preencher, a baixo custo, a antena. Não nos esqueçamos que, para desenvolver notícias ou alargar o critério da sua escolha, as televisões generalistas têm todas o seu canal especializado de notícias.

O alinhamento, esse então é um verdadeiro labirinto. Nunca se sabe como abre um noticiário e a passagem de uma notícia à seguinte é um verdadeiro mistério de lógica informativa.

Como se isso não bastasse, noticiários há em que temos que conviver com um ecrã prenhe de pseudo informação: além da hora que é a única informação útil para os retardatários, temos as temperaturas (mesmo se em Dubai ou Quito!), os semáforos do trânsito em Lisboa ou Porto quase sempre ficcionados e que – imagino… – muito devem “interessar” para quem vive noutros sítios, a imagem em formato pequeno da notícia a ser dada, o cenário, se possível dantesco, atrás do pivot (fogo, catástrofe, violência…) e, para quem se quiser distrair, uma banda corrida de resumo noticioso sem critério, mal concisa e, algumas vezes, cheia de erros de ortografia, e, por cima desta, uma qualquer “última hora” que tanto pode ser relevante, como irrelevante. Confesso que já estive mais longe de concretizar a ideia de tapar a parte inferior do ecrã para não ter que suportar aquela mistela de dicas noticiosas.

A isto acresce um insidioso e anestesiado meio de direccionar os noticiários: a omissão. O que não dá não existe e para existir é preciso que apareça. Nessa matéria, há mestres e agências especializadas…

Bom seria voltar aos noticiários de meia hora. E haver aulas de português que evitassem os “vão haver”, os “interviu”, os “tem a haver” (em vez do “tem a ver”).

Merecemos todos mais do que longos noticiários tipo salsicha! Ou não?

Comentários

  1. concordo plenamente com o dr. Bagão Félix.
    O que verdadeiramente interessa é escamoteado, parecendo não convir que o povão pense sobre as questões importantes.
    Jornalismo de investigação é coisa rara por estas terras, razão pela qual me informo em canais do vizinho ao lado, e entretanto aprendo castelhano.

    1. bagaço? mais outro comentador alinhado com a direita que ficou muito chateado com o Dr.Bagão Felix ,nem sei bem porquê.realmente o homem não é perfeito,basta ser do SLB(LOL)

    2. Mais outro comentador alinhado com o SCP que ficou muito chateado com o Celorico‚ nem sei bem porquê.

  2. O Bagão Félix tem, no entanto, de concordar que não há, no mundo, grau tamanho de exigência informativa!
    Repare-se: notícia a dar tem, de imediato, uma 1ª versão do/a jornalista em estúdio, depois, a variação do repórter local ou enviado na hora, seguindo-se a confirmação das testemunhas oculares ou não. E o escrúpulo não fica por aqui, traçando-se um historial do antes, durante e depois. Por vezes, ainda, há o reforço da opinião de um familiar próximo ou de primos afastados.E, para os mais distraídos, é dado, no final, um resumo.
    Atropelos constantes à Língua? Nada disso. É apenas a criatividade à solta de quem não se dá por ignorante!

  3. por isso mesmo,proponho que os portugueses comecem a utilizar o botão OFF de telecomando.É muito mais interessante passear(nem que seja a pé),lêr livros(nem que sejam comprados numa feira de “velharias” a 1 euro-já lá comprei o Eça,o Faulkner,o Capote,o Almeida Faria,etc,etc,…),ouvir musica(já comprei nas velharias discos do Van Morrison a .50 cen.),conhecer o Museu Carlos Relvas na Golegã(não é caro),ou ir de bicicleta qualquer lado ,ou uma horta biologica,etc,etc

  4. O que é mais triste é que toda esta macedónia, como muito bem lhe chama, é comum aos três canais, tendo mesmo contaminado a RTP. É o infotainment, já aportuguesado para infotenimento. É uma balda, uma salganhada. Também os rodapés, cheios de erros de palmatória e de notícias ridículas, que apenas lá estão para encher o espaço, contribuem para avolumar o problema.
    Por mim, há muito que deixei de ver os noticiários de grande audiência. Não passam de telenovelas da vida real (?), mas das mexicanas, realmente beras.
    Quanto aos canais temáticos, também não estão muito melhor. Por exemplo, que dizer das informações de trânsito em Lisboa e Porto e que toda a gente no País tem que gramar vinte vezes por dia? No final do dia, quando as pessoas já chegaram a casa, por amor de Deus! E quando todos os canais estão a dar a mesma notícia, por exemplo uma audição no Parlamento ou um directo futebolístico, durante horas, sem que haja um único que constitua uma alternativa?
    Por falar na bola – mas também, por exemplo, na prisão do Sócrates ou noutro qualquer caso mediático da justiça -, quantas vezes temos que ouvir o locutor dar uma informação e depois passar ao repórter no “local do crime”, que não nos diz nada de novo, antes se limitando a repetir tudo?
    Realmente, a informação vive tempos muito maus no nosso País. A maioria dos jornalistas é de má qualidade, mas o principal problema são os media em si mesmos. E depois os jornais queixam-se de que as pessoas não os compram. Claro!, se todos sabemos que a informação que lá vem é de má qualidade, para quê gastar dinheiro e perder tempo? Experimentem a fazer boa informação, boa investigação e a ser verdadeiramente independentes de todos os poderes, políticos mas também económicos, e vão ver se as pessoas não aderem.
    Infelizmente, numa perspectiva mais alargada, tudo isto é reflexo de uma decadência da nossa civilização. Tudo é visto como um produto de consumo e as pessoas mais não são que consumidores, que valem apenas pelo seu número.
    É uma tristeza, principalmente porque tudo – da política ao futebol, passando pela economia, pela informação, pela saúde ou pela educação – é afunilado, tudo nos é apresentado como tendo que ser assim, sem uma verdadeira alternativa.

  5. A acrescentar ao ramalhete: notícias repetidas, à falta de matéria (pensa-se), e pior ainda, notícias de há dois ou três dias como se fossem uma qualquer “última hora”.
    Há muitos anos que defendo a duração de 30 minutos para os noticiários (aprendi isso no estrangeiro), com as notícias importantes; os comentários e entrevistas viriam depois.

  6. Tem razão o Dr.Bagão Félix !
    É uma nojeira os Telejornais! Não informam…pelo contrário. Quanto ao português….”Deus nos livre destes profectas intelectuais da m….!
    Tudo gira à volta das audiências e dinheiro! O resto o telespectador que se lixe. Dá-nos a m…. de futebol sem qualquer categoria, entrevistas é uma vergonha…, Directos…é de fugir…as “meninas” apresentadoras…Jornalistas?!?! é tudo um pacote de lixo . Estão lá porque os padrinhos oferecem os lugares. Competência ? iguais à de “Maria Machadão”. IRRA!

  7. Para ser honesto não tinha grande opinião sua devido à sua participação no governo de Durão Barroso & Cia. Ltda. Percebo que estava errado, fui preconceituoso. Se o conhecesse pagar-lhe-ia uma cerveja e apresentar-lhe-ia as minhas desculpas.

    Felicitações para si e para os seus colegas, o blogue é excelente!

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