Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

31 de Janeiro de 2015, 09:01

Por

Cinema visto e produzido em Portugal

O Instituto do Cinema e do Audiovisual divulgou, recentemente, dados ainda que provisórios sobre o mercado cinematográfico em Portugal no ano de 2014.

O número de espectadores nas salas de cinema em Portugal foi de 12,06 milhões (perfazendo uma média de 1,15 espectadores por habitante) e a receita bruta de bilheteira foi de 62,7 milhões de euros, representando respectivamente um decréscimo de 3,8% e 4,3% em relação ao ano transacto.

Como se poderá ver abaixo nos gráficos que elaborei, os meses com mais procura são os de Dezembro e Agosto, o que não é surpreendente. Já quanto à distribuição por distritos, verifica-se uma correlação acentuada não só com o nível populacional, como com o nível de vida. Há, porém, distritos onde quase não se vê cinema (Portalegre com 814 espectadores em 2014 e 2 ecrãs, Bragança com 3.551 espectadores e também 2 ecrãs são os casos extremos). Certamente, o encerramento de salas de cinema e a oferta totalizante das televisões explica a quase ausência de espectadores naquelas zonas de Portugal.

De salientar muito positivamente em 2014, a produção nacional de filmes estreados. Os primeiros 4 filmes por ordem de número de espectadores foram “Os Maias” de João Botelho, “Virados do avesso” de Edgar Pêra, “Os gatos não têm vertigens” de António-Pedro Vasconcelos e “Sei lá” de Joaquim Leitão. Apesar de os primeiros três filmes terem sido estreados já nos últimos meses do ano, o número de espectadores foi, em 2014, de 376.556. Excelente!

Captura de tela 2015-01-30 08.34.47tela 2

 

 

 

Comentários

  1. o restauro ou mesmo a reconstrução de diversos teatros no interior de Portugal foi algo que os diversos governos ou camaras municipais se devem orgulhar(atenção , estou a falar de teatros e não de rotundas ou palmeiras), e que foram importantes por levarem boa musica,cinema e teatro ao interior português.Pois bem,tudo isso acabou.A distribuição comercial de cinema no interior é um desastre(só lixo americano,apesar de os americanos fazerem bom cinema,um simples filme do Woody allen nunca sera visto numa sala comercial do interior).Pelo que não sendo os privados a distribuir cinema português pelo interior,se esperaria que o mesmo fosse feito pelo estado.Este governo deste actual PM fez questão de acabar com a cultura portuguesa(portuguesa, senhores) no interior.Agora nem musica ,nem teatro nem cinema.Desde já os meus parabéns ao actual PM por mais um grande feito da sua já longa carreira.

    1. Talvez Évora seja uma excepção, graças à ausência de sala comercial. Programação, nos últimos 15 dias e próxima quinzena, das salas cinéfilas eborenses: ´Hitler, um filme da Alemanha’; ‘Last Days’ (com Folha de Sala de 4 pp.); ‘Deste lado da Ressurreição’ (c/ Folha de Sala); ‘A lã e a neve’, de João Vladimiro (nos últimos dois casos, com a presença dos realizadores); ‘E agora? lembra-me’. Passa também Teshigahara, Guerin, Albert Serra, Teresa Garcia, e, claro, até passa Tarkovsky, Buñuel, Murnau e Alice Guy ou Isidore Isou. Mas não creio que o economista-estatístico saiba do que é que eu estou a falar. Talvez apenas os 10 exíguos espectadores por sessão tenham uma ideia disso. E tenho a dizer uma coisa ao ‘socialista’: os privados passam excelente cinema (pode acrescentar os nomes de Carné, Vigo, Erice, Glauber, Cassavettes, Vertov e os que quiser), mas, mesmo para um Kubrick, a populaça – essa expressão exacta do Vasco Pulido Valente -, nem com socialismo nem com capitalismo põe lá as patas. Sejam os privados, ou fosse o Pedro Passos Coelho, a ‘levar o cinema ao povo’, e até a ‘educá-lo’. como fazia Salazar, é atirar pérolas a porcos. É que são mesmo pérolas; e são mesmo porcos.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Tópicos

Pesquisa

Arquivo