Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

29 de Janeiro de 2015, 09:08

Por

Era mesmo um crime na Avenida Fontes Pereira de Melo e vai continuar como se não houvesse amanhã

PTConsumou-se o crime a que se referia Nicolau Santos. O governo mandou votar a favor da venda da PT à Altice, o Novo Banco e a Segurança Social cumpriram, a Ongoing chorou-se enquanto estendia a mão para o cheque, a Oi garante que todos sairão felizes e que o casamento terá muitos filhos.

Como lembrou António Pedro Vasconcelos na semana passada, o governo está a usar o mesmo argumento na venda da TAP: como são empresas estratégicas, como há melhores condições agora, como precisamos delas, devem ser vendidas o mais depressa possível.

Mas não se engane: a saga vai continuar. Cá e lá.

Lá, a TIM brasileira, controlada pela Telecom Italia, pode agora comprar a Oi, que está endividada (21 mil milhões!) e tem pouco tempo para resolver a situação.

Cá, a Altice anunciou que já tem um plano para a PT: financia a compra da empresa por emissão de dívida (mais dívida, um jornal chama-lhe junk bonds) e começa a operação com um plano de despedimentos, porque alega já ter identificado algumas centenas de milhões de euros de poupanças possíveis. As poupanças são trabalhadores.

Foi um crime quase perfeito, mas vai figurar nos anuais da modalidade.

Comentários

  1. Estes últimos meses de desgovernação deste Governo fazem-me lembrar as ultimas semanas de Ricardo Salgado no BES, quando retirou várias centenas de milhões de euros da instituição, já depois do Banco de Portugal ter decidido que tinha que se afastar da gestão do banco.
    Parece-me que a culpa recai no Presidente da República, que se recusa a exercer o seu mandato, o que aliás até se afigura crime (Crime de Abandono de Funções: «O funcionário que ilegitimamente, com intenção de impedir ou de interromper serviço público, abandonar as suas funções ou negligenciar o seu cumprimento é punido com pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 120 dias»).

  2. Realmente há uma coisa que faz confusão no meio desta bandalheira.

    Então a PT não continua a manter uma posição privilegiada no mercado português (o tal mercado livre (?), em que os consumidores beneficiam de sã concorrência entre as empresas), e com ela todo o seu potencial de facturação?

    Qual a razão então (muito mal encapotada) para este escoar de valor?

  3. conheço muitos trabalhadores da PT.sei que são pessoas bem capacitadas e com muitos anos de experiencia profissional ,com muitas noites mal dormidas e com muitos sabados e domingos ao serviço da PT.foram eles que fizeram a PT,tal como nós a conheçemos.Se agora são considerados “descartaveis” pela Altice ou pelo actual governo(porque o actual governo nada fez pela PT) ,eles sabem bem a quem pedir responsabildades.um deles é ao actual PM(afinal de contas para alguma coisa serve ser PM).portanto senhor PM,faça o favor de explicar o que se passa na PT(e escusa de mandar o luis montenegro falar)

    1. o problema não resultou de o actual governo ter feito pouco pela PT. O problema resultou do muito que os governos anteriores fizeram usando a PT. Estou convencido que, em breve, veremos a questão tratada como deve ser: como caso de polícia.

    2. sr. manuel gonçalves, mais do que o que quer que seja que os governso fizeram pela PT, o investimento na Rio Forte serviu claramente para tapar um buraco, e adiar o “armageddon” que se abateu sobre o grupo BES.

      Ainda não vi isto como caso de polícia, mas espero que não leve muito mais tempo para que tal ocorra.

      E gostava de ver o senhor Zeinal Bava, condecorado pelo Cavaco e agora foragido, depôr.

  4. Que raio de conversa. Já cansa… As empresas públicas são todas ineficientes, os funcionários públicos não trabalham, etc…
    Sou funcionário público e tenho a consciência de que não fico a dever um cêntimo a ninguém. Para além disso pago os meus impostos a tempo e horas.
    há obviamente empresas públicas estratégicas e de interesse público. Faz sentido privatizar a REN? O que é que ganhamos com a privatização da GALP?
    Já me esquecia. O BES era público? Não vamos todos pagar pelo BES?
    P.S. estou a ler o jornal na minha meia hora de almoço.

  5. Não vale a pena Louçã. Enquanto existirem Josés Oliveiras, os Salgados deste mundo têm caminho aberto para se refastelar no espírito canibalesco e invejoso em que estão mergulhadas as franjas mais baixas da sociedade. Nem a miséria lhes abre os olhos. É por isso que nunca teremos Syrizas ou Podemos: não temos massa crítica para isso.

  6. Realmente é degradante observar como os trabalhadores se tornam um custo para uma empresa a tal ponto de que despedir é igual a “poupar”. O grande problema é que não é uma questão de “poupança” para o bem de uma empresa, mas sim para o bem a certos títulos individuais, não fosse disso que o capitalismo é feito.
    No dia em que empresas de milhares de pessoas tiverem apenas 5 ou 6 pessoas e exercer funções, está o “grande” objectivo do capitalismo dado por terminado. Mas isso não acontecerá porque, pois bem, há que manter a aparência. Hà que manter que não é um crime e que até “se faz o favor” de se dar emprego.

  7. No essencial, e ao contrário de outras situações, desta vez o Louçã mostra alguma lucidez: se estão todos a lutar pelo controlo, talvez essa empresa pública não seja o terrror anunciado. Aliás porque é que os funcionários públicos têm “boa vida”? Nunca percebi isso. Porque é que as empresas públicas têm “regalias” e, para além dessas regalias são “ineficientes”? É sabido que as pessoas com regalias sentem-se bem e tornam-se mais eficientes. Talvez o “strong wording” do Louçã colida com o “speak softly” do Theodore Roosevelt, mas independentemente da forma, a opinião é lúcida.

  8. Evidentemente seria bem melhor manter uma empresa pública ineficiente e a tomar péssimas decisões (a mando do estado, recluso 44), e depois aumentar os impostos aos mais de 4 milhões de privados, para assim manter as regalias dos trabalhadores de empresas públicas (funcionários públicos).

    Escravizar 4 milhões de privados para manter a boa vida das empresas públicas e seus funcionários públicos.

    Assim funciona o crime perfeito da esquerda socialista em Portugal.

    1. Se a empresa fosse isso, duvido que houvesse esta luta feroz para obter o seu controlo, não é verdade?

    2. A empresa não é e não deve ser isso, mas infelizmente só o consegue ser na mão de privados (Aqueles que sabem que se perderem dinheiro este será seu e não de nós todos).
      Outra coisa bem diferente seria se estas empresas públicas estivessem ao serviço do Estado e da Nação, infelizmente tudo que é Estado encontra-se na mão da “Nação” dos políticos que como toda a gente sabe e o Louçã sabe melhor do que eu, são os boys dos partidos. Servem para trampolins de poder, para cadeias de votos e servem para subsidiar regalias de trabalhadores fascistas cheios de privilégios.
      Estes “favores” os “jeitos” e os pequenos “poderes” são a base da nossa sociedade politico/económica. As empresas servem-nos e não nos servem a nós cidadãos.
      Venda-se a PT e por favor tirem-me da frente a dívida da TAP, os perdulários das Estradas de Portugal e a incompetência criminosa da CP e Refer e acabem-se com esses sindicatos Fascistas de direitos incomportáveis.
      Quem me dera fazer como o Tsipras.
      NÂO PAGO.

    3. “Aqueles que sabem que se perderem dinheiro este será seu e não de nós todos”

      Os administradores da PT que investiram na Rui Forte, perderam alguma coisa?
      Os administradores do BES, do BPN e do BPP, fizeram com que muita gente perdesse milhares de milhões (sem falar na privatização do BPN, refiro-me apenas às poupanças/investimentos que “arderam”), perderam alguma coisa?
      Os administradores da Moviflor, perderam alguma coisa?
      O senhor que ficou com uma dívida de 18 mil euros à minha empresa, abriu insolvência e continua a sua vida, perdeu alguma coisa?
      Os senhores dos talhos que nos vendem carne picada imprópria para o consumo, perderam alguma coisa?
      OS senhores das farmacêuticas que não cumprem os requisitos mas mesmo assim lançam os seus produtos no mercado, perderam alguma coisa?
      Dos maiores aos mais pequenos empresários ou gestores do Privado, conhecem-se diversos casos de desleixo, má gestão (porque não sabem fazer melhor) e gestão danosa para proveito próprio.

      Pensar que por passar a privado se resolvem os problemas, é esperar demasiado de quem só tem um objectivo em vista: o Lucro. Da empresa e pessoal.
      E, sim, muitas das empresas nacionais passariam do prejuízo a um “superavit” caso fossem privatizadas.
      MAS à custa da qualidade do serviço prestado. À custa dos funcionários e dos seus clientes/utentes. Vá lá que aqui, na PT, trata-se apenas de telefone e internet.

      Quando um dia se privatizarem as Estradas de Portugal e a CP/REFER, e o senhor Alexandre se deparar com a estrada nacional perto de si esburacada, e quando quiser apanhar um comboio e se deparar com uma linha cancelada pelo facto de a mesma não gerar proveitos financeiros para os seus gestores privados, não chore, congratule-se! Pelo menos as empresas em questão serão privadas e não representarão um custo para o Estado.

Responder a José Oliveira Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Tópicos

Pesquisa

Arquivo