Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

26 de Janeiro de 2015, 13:06

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Eleições gregas: e agora?

O resultado das eleições gregas vem colocar interrogações sobre o futuro do projecto europeu e da união monetária tal como existem agora. A concludente vitória do Syrisa vai pôr à prova a consistência das palavras sempre proclamadas a propósito destes projectos.

A Europa forte não gosta de consultas populares que lhe estraguem os seus propósitos. Começou por ser assim com as reprimendas à Dinamarca que chumbou em referendo o Tratado de Maastricht ou da Irlanda que chumbou o Tratado de Nice, inventando-se, aliás, essa nova figura pouco democrática de “re-referendo” até que se chegasse ao resultado pretendido.

Com a Constituição Europeia chumbada na Holanda e em França, a táctica mudou. Já não eram a pequena Dinamarca ou a Irlanda a bater o pé, mas a grande e soberba França. Por isso, em vez de um novo e punitivo referendo de resultado imprevisível, a solução foi um “novo” Tratado, com a garantia de não se voltar a cometer a imprudência de dar voz aos eleitores.

Nos tempos que antecederam as eleições de domingo na Grécia, foi possível perceber – ainda que em decrescendo – as ameaças mais ou menos claras ou veladas da eurocracia bruxelense, do FMI e dos países mais poderosos da União. Neste caso, porém, não há lugar à repetição eleitoral até o resultado ser o que desejariam. O povo helénico pronunciou-se e o escrutínio tem, democraticamente, igual valor ao das eleições em qualquer outro país europeu. Nem vale mais, nem menos. E por isso deve ser respeitado em absoluto e não objecto de uma lógica adversativa ou crítica.

Estão agora bem à vista algumas das consequências das políticas seguidas nos últimos anos na zona euro. Na Grécia, a dose de austeridade foi de tal forma brutal que a resposta perante o desespero foi uma vitória impensável há meia dúzia de anos. No fundo, o que houve à esquerda foi uma quase total migração do eleitorado do então hegemónico PASOK (há 6 anos obteve 43,9%) para a novidade Syrisa (assunto que abordarei amanhã).

Os directórios europeus de Bruxelas a Berlim que, de facto, têm detido o poder estão agora confrontados com um relevante desafio. E, claro está, Alexis Tsipras e a sua equipa vão ter o teste do duro confronto com a realidade e da sempre ingrata divergência entre o que se idealiza e o que se concretiza. Mais do que é comum verificar-se em consultas eleitorais, o confronto entre o prometido e o que vier a ser concretizado assume uma importância decisiva para o agora projecto vencedor.  Mas a Europa vai igualmente deparar com uma governação, previsivelmente,  não facilmente domesticável. Um interessantíssimo cotejo entre a consistência (ou não) do Syrisa e uma Europa hegemónica que vai ter que saber agir com inteligência, prudência e sentido de solidariedade política, sob pena de gerar ou reforçar novos Syrisa.

Vamos ouvir agora falar, às claras, da sempre censurada discussão sobre a reestruturação das dívidas ou sobre o Tratado Orçamental.

Provavelmente o Syrisa vai ter que pôr gravatinha e a Chanceler vai ter que usar saias.

Comentários

  1. A UE actual é um projecto de Socialistas: foi criada em Maastricht por Mitterrand e Delors, e todos os Tratados foram aprovados por Governos Socialistas, que nesse capítulo não se diferenciaram dos outros. Os resultados do PASOK na Grécia estão de acordo com a opinião que os gregos têm do “projecto socialista europeu”… Cá, o candidato Costa anda a brincar com os eleitores.

  2. Eu se fosse à Alemanha ia à minha vida. Fiquem lá com o euro e a união europeia. Havia de ser bonito socialistas a ser solidários com socialistas. ha ha ha ha…. Essa eu gostava de ver!!!! ha ha ha ha

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