Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

25 de Janeiro de 2015, 10:50

Por

Dia Zero

Talvez Leonard Cohen, sempre suave, seja demasiado apoteótico para os dias de hoje. Mas, citado em Atenas no último comício do Syriza antes da contagem dos votos, que termina dentro de horas, evoca simplesmente um estado de espírito. “Primeiro tomamos Manhattan, depois tomamos Berlim”.

Mas leia o resto da letra: depois de vinte anos de aborrecimento por tentar mudar o sistema por dentro, venho agora devolver-lhes, primeiro tomamos Manhattan, depois tomamos Berlim. Amaste-me como um perdedor, agora tens receio de que possa vencer. Metáforas e baladas, há três dias cantadas com coração.

Hoje de noite pode começar a escrever-se essa nova letra europeia. Já não era sem tempo. Tantos anos de aborrecimento por tentar mudar o sistema por dentro.

 

“First We Take Manhattan”, Leonard Cohen

They sentenced me to twenty years of boredom

For trying to change the system from within

I’m coming now, I’m coming to reward them

First we take Manhattan, then we take Berlin

I’m guided by a signal in the heavens

I’m guided by this birthmark on my skin

I’m guided by the beauty of our weapons

First we take Manhattan, then we take Berlin

 

I’d really like to live beside you, baby

I love your body and your spirit and your clothes

But you see that line there moving through the station?

I told you, I told you, told you, I was one of those

 

Ah you loved me as a loser, but now you’re worried that I just might win

You know the way to stop me, but you don’t have the discipline

How many nights I prayed for this, to let my work begin

First we take Manhattan, then we take Berlin

 

I don’t like your fashion business mister

And I don’t like these drugs that keep you thin

I don’t like what happened to my sister

First we take Manhattan, then we take Berlin

 

I’d really like to live beside you, baby …

 

And I thank you for those items that you sent me

The monkey and the plywood violin

I practiced every night, now I’m ready

First we take Manhattan, then we take Berlin

 

I am guided

 

Ah remember me, I used to live for music

Remember me, I brought your groceries in

Well it’s Father’s Day and everybody’s wounded

First we take Manhattan, then we take Berlin

Comentários

  1. Penso que a Grécia (e agora a esquerda em Portugal) enferma de euforia que não é a solução para os problemas de geração de recursos. Quando começar a olhar para esses mesmos problemas, creio que o novo Governo irá reflectir e, mantendo o descurso de motivação e estamina, vai cumprir o que os credores exigem. Não há alternativa ao remédio porque os Países consumidores estão doentes. Viciados em consumo e postos de lado na produção Industrial e geração de recursos.
    A UE criou um vício em recursos financeiros nos Países do sul (e não só), promovendo a extinção dos recursos produtivos.
    Países como aqui a Alemanha funcionam como um cardume: movem-se rapidamente e adaptam-se à venda de bugigangas (a China também está a ser uma vítima desse cardume Alemão). A Grã-Bretanha nem se fala, é difícil lembrarmo-nos de um produto Britânico. Somos alimentados como os gansos para Foie-Gras (consegui evitar a palavra “caviar”). Faz sentido?

    1. Sim, a Europa provocou a destruição de recursos produtivos. Mas não vejo euforia nenhuma: vejo realismo. A crise cresceu tanto, com os juros e com a queda do produto, que só pode ser reestruturada, a bem ou a mal.

  2. Será péssimo para a Grécia. Excelente para Portugal – assim acabam as ideias rídiculas que existe outro caminho que não o rigor financeiro. Fica aqui gravado este tópico, para posteriormente demonstrar cabalmente que a extrema esquerda é sempre pior que qualquer alternativa.

    1. …o medo meu caro é sempre pior que qualquer outra alternativa e o mainstream dos media//política/finaceiro não nos deixa escapar facilmente dos grilhões a que nos acostumarmos.

    2. Eu não tenho medo meu caro. Fico triste pelo povo grego e feliz pelos restantes povos que se forem inteligentes evitarão este caminho. Se você não sabe o que se seguirá, basta “telefonar” à Argentina, Venezuela, etc. e perceberá rapidamente.

      E se ainda não percebeu, pode ligar a perguntar pelo plano “anti-austeridade” de:
      – hollande (frança);
      – renzi (itália).

      Eles explicam-lhe detalhadamente a asneira em que os gregos se meteram. Depois não venham arranjar narrativas/desculpas do “capitalismo”, “Merkel”, Bancos, especulação, etc. Enterraram-se sozinhos e democraticamente. Sem medos. Depois peçam satisfações aos Sr. Francisco Louçã e afins.

    3. “Rigor financeiro” tem algo a ver com um programa económico que (manifestamente) destrói a economia? Será “ridículo” considerar que privatizar tudo o que mexe no limite retira ao Estado os próprios instrumentos para fazer face à dívida? Deixemo-nos de contorcionismos: a Dívida não é mais que o pretexto para a ofensiva de uma concepção de economia que retira as decisões principais da vida à Democracia e transforma os Estados em meras agências dos interesses que se movem nos paraísos fiscais que os defensores do “rigor” teimam em manter. Que “rigor” é esse que recusa leis fiscais que tragam justiça, por exemplo? SWAP, utilização dos Fundos Europeus para obras caprichosas, desmantelamento da Indústria, Pesca e Agricultura, brincar aos Bancos jogando ao Monopólio com a vida das pessoas… (é preciso mais?), até parece que foi a “Extrema Esquerda”!. Agora a Grécia. Que ignorância!, um programa verdadeiramente social-democrata não é reconhecido como tal, nem pelos que se reclamam da coisa. Oiça-se alguns “jornalistas” (um intervalo para vomitar, Sr. Rodrigues dos Santos!) e os comentadores engajados do costume… Lembram galinhas espavoridas, histéricas por ter-lhes saído na “raspadinha” democrática a Rússia bolchevique!
      (Só por isto valeu a pena, obrigado povo grego!)

  3. Caro Louçã,
    precisamos que esteja à frente do Bloco; os actuais dirigentes não têm dimensão expressiva nem um discurso capaz de criar uma corrente à vitória.
    Precisamos que seja o Louçã porque agora é o momento mas consigo!
    Campos Pessoa

    1. Não me leve a mal, mas este não é para mim um lugar de discussão partidária desse tipo. É antes um convite à reflexão e ao debate alargado, porque falta falar claro sobre o que se passa nas nossas vidas e isso é maior do que qualquer partido.

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