Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

23 de Janeiro de 2015, 11:32

Por

O mapa do tesouro

mapa tesouroServiço público é isto: Mariana Mortágua, deputada, criou um blog para que todos os leitores possam aceder a detalhes (e à sua análise) dos factos da comissão de inquérito ao BES.

Nesse blog podemos encontrar explicações para navegarmos no labirinto dos termos técnicos, detalhes que foram ocultados da opinião pública e até curiosidades interessantes, como a venda de uma das empresas por um euro.

Mas, sobretudo, podemos vislumbrar o mapa do tesouro (imagem em cima, clique para aumentar): as ligações das empresas do universo Espírito Santo e os seus donos. Este mapa foi trabalhado pelo Expresso e demonstra que era mesmo “isto tudo”.

Cada deputado e deputada deve prestar contas, deve mostrar o que faz, deve explicar as suas posições e votações, deve contribuir para o esclarecimento dos problemas e das alternativas. Não é preciso ser eleito ou eleita em círculo uninominal para que assim aconteça, basta querer; pelo contrário, se só tivermos os deputados ocultantes protegidos pelos círculos uninominais, temos a certeza de que essa prática de transparência nunca acontecerá.

Mas porque é que outros deputados não seguem o exemplo da Mariana Mortágua?

Comentários

  1. Totalmente de acordo com o facto de que os deputados e deputadas devem prestar contas.
    A ideia do blog é louvável. No entanto, a sua concretização é neste caso infelizmente, totalmente ineficaz.
    Não basta acumular documentos brutos para constituir “provas” e a sua publicação desordenada não reflecte propriamente “trabalho”…

    1. Não sei de a deputada disponibiliza os documentos “em bruto”. A ser verdade, aprecio que assim seja. Constitui uma disponibilidade de acesso directo às fontes sobre as quais posso construir, criticamente, o meu juízo.
      Presumo que o rafgouv apreciará as narrativas bovinas, bastante ruminadas para melhor digerir. O “trabalho” que o rafgouv quer ver feito poderá encontrá-lo facilmente em muitos artigos de opinião e em muitos discursos políticos prontos. O trabalho que exige da deputada é o trabalho que o rafgouv se escusa a fazer. A razão crítica não é delegável a não ser em ditaduras, que se podem achar mais ou menos esclarecidas. A cabeça não existe apenas para segurar as orelhas ou para acenar em frente da TV, afirmativa ou negativamente, em sinal de adesão ou rejeição de uma tese que se lhe oferece.
      Aceitaria que uma disponibilização dos documentos merecesse crítica se em vez de desordenada, como aponta o rafgouv, fosse criteriosamente seleccionada e editada para suportar uma narrativa. Se a publicação é verdadeiramente em bruto, desordenada como diz o rafgouv, então, na minha opinião, a “mera” compilação, digitalização, colocação online, é um trabalho enormemente meritório; e se considerarmos o trabalho que implicará estudar toda aquela documentação para fazer o trabalho que tem feito na comissão parlamentar, então é de concluir que o trabalho acrescido de a disponibilizar online é hérculea.
      Não tenho afinidade ideológica com a deputada Mariana Mortágua, mas sinto ser de justiça reconhecer-lhe a virtude cuja ausência, nos regimes ditos democráticos, tem motivado tanta queixa pela sociedade civil: representatividade.
      Não me considerando representado pela deputada, porque não votei no BE, reconheço, porém, que tem exercido exemplarmente o mandato que lhe foi conferido por quem a elegeu. Se os deputados que têm sido eleitos com o meu voto exercessem o seu mandato com o mesmo apego pela coisa pública como tem feito a deputada do BE, estou certo que não teríamos chegado a esta desgraça. O trabalho a que me dou na “defesa” da deputada é um acto de justiça e um manifesto de repúdio pela forma de fazer política costumeira com a qual tenho sido traído. Seria capaz de votar no BE se do meu voto dependesse a eleição da deputada mariana mortágua.
      A atitude do rafgouv justifica e sintetiza a democracia que temos; é campo fértil onde medram marketeiros políticos, opinion makers, spinners que ganham a sua vida em prejuízo de uma democracia esclarecida. É assim que arregimentam manadas para as suas cavalgadas. fica bem patente a razão pela qual temos os políticos que temos. Mas eu faço o acto de contrição.

    2. Manuel Gonçalves dá um bom testemunho para a instituição de círculos uninominais: “seria capaz de votar no BE se do meu voto dependesse a eleição da deputada mariana mortágua.” Tenho a impressão de que muitos cidadãos são da mesma opinião e que se pudessem também votavam na deputada independentemente da sua filiação partidária. Os círculos uninominais, apesar das suas eventuais desvantagens noutros pontos, viriam dar um contributo para a implementação do mérito no sistema representativo e o seu devido reconhecimento pelos votantes.

    3. Não concordo. O modelo dos círculos uninominais favorece os Daniel Campelo, não as Mariana Mortágua. Já foi experimentado esse sistema em Portugal…

  2. Porque as análises da Mariana Mortágua são “as suas análises”… e ela está de tal maneira colorida pela a sua ideologia, que se tornam pouco confiáveis. O trabalho até pode estar bem feito, mas seria preciso verificar tudo em primeira mão, para ter a certeza de que não houve ali interpretações no sentido desejado. O problema é aliás o mesmo com qualquer pessoa ligada a um partido… como as há um pouco por toda a parte, sobretudo nas redacções dos jornais.

    1. Caro “anónimo”: deve-se verificar o que diz qualquer deputado, analista, jornalista e até “anónimo”. Quanto à suspeita de que uma pessoa que defende as suas ideias é “pouco confiável”, é uma presunção anti-democrática. O trabalho está mesmo bem feito. Verifique e volte depois à carga com dados na mão.

  3. Ó Francisco Louçã, então para elogiar o trabalho da excelente deputada do BE era preciso “meter a martelo” a questão dos círculos uninominais com o fito de os desmerecer a despropósito? Francamente, você não dá ponto sem nó. Dito isto secundo a sua interrogação: “mas porque é que outros deputados não seguem o exemplo da Mariana Mortágua?”

  4. Porque os deputados estão interessados em desfilar com carros topo de gama, ajudar as empresas dos amigos, mamar nas tetas do governo e estão a se borrifar para o povo?

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