Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Ricardo Cabral

22 de Janeiro de 2015, 14:23

Por

Os accionistas do sector privado do Novo Banco?

 

As roupas novas do imperador é um pequeno conto para crianças do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen em que dois tecelões prometem ao imperador um novo conjunto de roupas que é invisível mas que apenas as pessoas mais inteligentes e astutas poderiam vê-las. Quando o imperador desfila perante os seus súbditos nas suas roupas novas, uma criança grita: “O imperador vai nu!””, Fonte do resumo do conto: Wikipedia

A Ministra das Finanças e o Primeiro-Ministro asseguraram aos portugueses nos últimos dias que o Novo Banco é privado e que cabe aos accionistas do Novo Banco decidir como votar na Assembleia Geral da PT SGPS. o Novo Banco é um dos maiores accionistas da PT SGPS. Ora o único accionista do Novo Banco é o Fundo de Resolução.

O Fundo de Resolução é formalmente constituído só por três pessoas que integram o seu conselho directivo, sem auferirem qualquer remuneração. Um desses membros foi nomeado pelo Ministro das Finanças, o segundo pelo Governador do Banco de Portugal e o terceiro por ambos. É a essas pessoas, sem escrutínio democrático nenhum, que cabe uma decisão sobre o futuro da PT, com elevada relevância económica para o país.[1]

Que poder se dá a esses técnicos! E temos de acreditar nas palavras da Senhora Ministra que o Governo não fala com esses técnicos nem lhes dá instruções?

Já argumentei em posts anteriores que um bom processo de tomada de decisão pública obriga a que decisões com maior valor económico sejam mais escrutinadas. Ora, no caso do Fundo de Resolução, as decisões em apreço (votação na Assembleia Geral da PT SGPS e a privatização do Novo Banco) parecem estar sujeitas a um escrutínio público inferior àquele que se observa num processo de despesa pública de uns “meros” 76.000€ (i.e., num concurso público).

Afigura-se, que com tais afirmações, a Ministra das Finanças e o Primeiro-Ministro estão a comportar-se como o imperador do conto de Hans Christian Andersen e a deixar que as suas crenças e convicções se sobreponham ao seu dever de defesa do interesse público. Precisamos, portanto, de muitas crianças inocentes que gritem que “o imperador vai nu”, revelando a verdade aos portugueses.

 

 

 

 

[1] Tenha-se presente que esses membros do conselho directivo têm a responsabilidade de tomar outras decisões muito importantes sobre a privatização do Novo Banco e sobre a gestão do Novo Banco. Estão em causa 3,9 mil milhões de euros dos empréstimos públicos ao Fundo de Resolução, 3,5 mil milhões de euros de garantias públicas ao Novo Banco, bem como o próprio futuro do Novo Banco, com 75 mil milhões de euros de obrigações financeiras (passivos) sobretudo a residentes do país.

Comentários

  1. Comprovadamente, só mesmo os inteligentes é que vêem as vestes dos nossos reis. O texto fala no BES e na PT, dois exemplos paradigmáticos da ruína da nossa elite “gestora”, e o leitor anterior manda-se contra tudo o que é público e contra alguém de quem podia aprender qualquer coisita que não lhe entra. Vai mesmo nu.

  2. Interesse público é não aumentar impostos para despejar em empresas públicas ineficientes e antros de cunhas para funcionários públicos primos e irmãos dos políticos. Acho bem que sejam todas privatizadas. Começando na RTP, TAP, CGD, CP, REFER, METRO e PT. Todas. Já chega de viverem à custa do contribuinte! FORA! Quanto ao Novo Banco quanto mais depressa for vendido melhor! E espero que se o preço ultrapassar os 3,9 mil milhões de EUROS não se esqueça de vir pedir desculpa aos leitores do público. Fico à espera.

    1. Desde 1143, Portugal, foi desenvolvendo-se e criando condições para os portugueses. Informação, comunicações, transportes, energia, água, actividades que foram desenvolvidas ao longo de séculos para servir uma comunidade a que eu chamo Portugal e é a minha casa. Se as empresas publicas são ineficientes corrijam-se e se for o caso com mão pesada. Agora a sua ideia, de um Portugal sem empresas publicas. Se Afonso Henriques fosse vivo chamava-lhe mouro. E, adivinhando o seu pensamento, algumas empresas publicas alemãs são hoje privadas porque os donos são alemães, ou acha que Alemanha privatizava empresas para os Gregos e Portugueses comprarem. Mas afinal em que mundo é que vive???

    2. > espero que se o preço ultrapassar os 3,9 mil milhões de EUROS

      Hahaha, considerando que o BPN foi vendido por 40M€, aposto o que quiser que o BES vai ser mais ou menos por aí.

    3. “Se as empresas publicas são ineficientes corrijam-se e se for o caso com mão pesada.”

      Há 40 anos que se dizem estas frases, resultados? ZERO. O Privado que pague a vida boa, a ineficiência, cunhas e corrupção. Já chega! Rua! O negócio alimentar já é privado há décadas, e ainda não falharam na entrega de comida. A eletricidade já foi privatizada e ainda não me falhou corrente elétrica nas tomadas. Nos transportes onde há concorrência e privados nunca me falharam um trajeto (o mesmo não posso dizer das eternas greves dos abastados funcionários públicos da CP, METRO (!!!!), Autocarros do Porto e Coimbra municipalizados que estão sempre a falhar..sempre a deixar-me a pé). Tenha vergonha na cara, que esse argumento já não vale nada. Só vale para assegurar direitos adquiridos a uma parte da população à custa da vida dos outros.

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