Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

12 de Janeiro de 2015, 08:08

Por

Tudo cristalino como a água pura

Presidentes executivos não presidiam. Administradores não administravam. Conselhos não aconselhavam. Colegas (não executivos) não colegiavam. Decisores não decidiam. Responsáveis não se responsabilizavam. Informados não informavam. Conhecedores não conheciam. Contabilistas (contabilizavam mas) não desconfiavam. Conselhos Fiscais não fiscalizavam. Revisores não reviam. Auditores não auditavam. Controllers não controlavam. Consultores não consultavam. Indicadores de alerta não alertavam. Avaliadores não avaliavam. Hierarquias não hierarquizavam. Participadas não participavam. Obrigacionistas não se obrigavam. Relatórios não relatavam.

Tudo no pretérito (imperfeito, obviamente) do indicativo. Ninguém sabia de nada. Nem no gerúndio. E muito menos no infinitivo pessoal. Tudo cristalino como a água pura.

Sartre disse um dia que “o dinheiro não tem ideias”. E memória, pelos vistos…

Comentários

  1. Vamos ter esperança de que no final: os juizes sejam juizes; as comissões de inquérito cheguem a conclusões; e o éter, a quinta essência que caracteriza o nosso universo de justiça, funcione em tempo útil.

    Importa relembrar aos nossos políticos, deputados e juízes, o caso Bernard Mardoff como o paradigma da defesa intransigente da justiç: descoberta a fraude em Dezembro de 2009 foi condenado a 150 anos de prisão em junho de 2009. Foram seis meses. Será que os nossos responsáveis estão à altura do desafio. Infelizmente dúvido, pois frequentemente e salvo as devidas excepções, fazem parte do problema, e portanto não estarão interessados nas soluções.

    1. Bernard madoff condenado a 150 anos de prisão; a esta hora deve estar a passar a sarapilheira no refeitório lá no presídio, por 0.50 cêntimos hora!
      Os nossos políticos, deputados e juízes fazem parte do problema,SIM!!
      Urge novas políticas de educação para um novo cidadão, para um novo país, com menos corrupção e mais cidadania.

    2. As coisas não são tão lineares como isso, caro Bagão Félix. Os sistemas penais são diferentes. O americano permite negociação entre acusação e defesa (com subvalorização do papel do juiz) abreviando a fase da investigação e evitando o julgamento: os factos a imputar e a pena serão os decorrentes da negociação e juiz como que funciona como tabelião, o que abrevia fase mais demorada de qualquer processo penal, a da investigação. Se não houver essa negociação, já as coisas não serão tão lestas. Se se lembrar de um caso como o de O. J. Simpson verá que demorou tanto ou mais do que demoraria entre nós. De resto, não faltam críticas ao processo de Madoff. Como sabe, mais ninguém foi responsabilizado e é seguro que Madoff não agiu sozinho, toda a gigantesca malfeitoria teve os seus colaboradores.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Tópicos

Pesquisa

Arquivo