Tudo Menos Economia

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Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

11 de Janeiro de 2015, 08:00

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Minimalismo e uma definição curiosa

minimalCom o decurso do (meu) tempo, tornei-me cada vez mais minimalista no gosto pelas artes e música. Em particular, na música aprecio a extensa obra de Philip Glass, Michael Nyman, Arvo Pärt e, ainda que com menos entusiasmo, Steve Reich e John Adams.

Já lá vão cerca de 20 anos, ia a conduzir e pus-me a ouvir um dos muitos cd´s que tenho de Glass. Já não me recordo qual, mas certamente um dos mais repetitivos na sua construção musical. A meio da composição, o amigo que me acompanhava não se conteve e interpelou-me: “muda o disco, porque está estragado. Não passa do mesmo sítio…”. Ri-me com vontade e expliquei-lhe o que estava a ouvir.

Ora aí está, pela via do desconhecimento, uma popular definição de minimalismo musical: “o disco está escangalhado”.

O minimalismo atrai-me porque não é invasivo e me deixa espaço para “respirar”. E é nesse meu espaço que redescubro sempre novas formas de sentir o que escuto. Aliás, é essa a grande atracção da corrente minimalista, que nos sugere ouvir diferente o que, na forma, é aparentemente igual, porque a igualidade se mostra variável na recepção do nosso espírito. A repetição, essência do minimalismo, só o é na aparência do que nos é exterior. Tudo nele é circular, começa onde nós quisermos, termina onde determinarmos porque o princípio e o fim só existem na forma simples de quase não existirem. Uma corrente que alia a forma minimal à intensidade maximal, que junta, com harmonia, o sentido repetitivo do esteticamente puro e a sensibilidade de sons que dá à criação um imaginário poético.

Michael Nyman, outro notável músico contemporâneo minimalista, definiu magistralmente esta corrente: “fazer mais com menos”. Mesmo que com disco escangalhado

Comentários

  1. Se tivesse que escolher entre um CD de Philip Glass e um de Michael Nyman escolheria o segundo.
    E Björk, que tal? Se gosta de música experimental também deve gostar.

    Com o disco escangalhado fica complicado de facto… mas quando se gosta, é diferente.

    Artistas, compositores, mentes livres e abertas, é o que eu quero!
    Mais igualdade. Uma vida com dignidade para todos.

    Serei de esquerda? Serei de direita?
    Livros são papeis pintados…

    #basicincome #obrigado

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