Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

31 de Dezembro de 2014, 12:33

Por

Ano Novo e Novo Ano

Hoje muda o ano. Uma convenção. Porque o primeiro dia de um ano é, tão-só, o que se segue ao último dia do ano finado. Ainda assim, pretexto para a sempiterna esperança de que algo pode mudar para melhor. Ou seja, que o novo ano se transforme num ano novo. Comendo uma dúzia de “uvas octogenárias”, que era como Ramón Gómez de la Serna chamava às passas nas suas deliciosas greguerías, mistura genial de metáforas com uma boa dose de humor.

Nunca me cativou a obrigação de satisfação ou de cara alegre por via impositiva de calendário. A disposição de cada qual tem o seu calendário próprio, não configurável a distância. O tempo de cada um não é necessariamente o tempo de todos. Porque o usufruto do tempo nem sempre favorece a sintonia entre os sentimentos de dentro e os acontecimentos por fora. Por isso, quantas vezes se fica nostálgico na alegria distribuída com hora marcada, quantas vezes se fica abúlico na euforia do artificial. Retorno a um dos meus escritores preferidos, Vergílio Ferreira: “o importante não é o que acontece, mas o que acontece em nós desse acontecer”.

Bom ano!”, é o que gentilmente dizemos uns aos outros. Retornando ao “greguerísta” espanhol: “idem, que é uma palavra de poupança”.

 

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