Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

30 de Dezembro de 2014, 12:00

Por

A minha árvore para 2015

GinkgoLeaves Ginkgo_Biloba_Leaves_-_Black_BackgroundGinkgo biloba no Jardim das Amoreiras em Dezembro (5)

Ano novo, árvore nova. Escolho a Ginkgo biloba. Curiosamente uma árvore muito, muito antiga. Única representante viva de uma classe, uma ordem e uma família gimnospérmica (Ginkgoácea). Existe há cerca de 270 milhões de anos e é considerada um fóssil vivo, segundo a definição dada por Charles Darwin.

Em 6 de Agosto de 1945, uma bomba atómica atingiu Hiroshima. Seis Ginkgo biloba sobreviveram à massiva destruição de praticamente todos os seres vivos. É um símbolo de longevidade, mas também um ícone botânico da paz. Na China, há quem a conheça como a “árvore do avô e do neto”, numa referência às três gerações por que passa o seu crescimento e maturação, e exprimindo, geracionalmente, a ideia de partilha e até de imortalidade.

Reside nas folhas a magia da sua beleza. Desde logo, pela sua forma original e expressivamente oriental: flabeliformes, ou seja em jeito de leque, bilobadas e com uma pormenorizada enervação radial. O verde-claro e quase translúcido das folhas que cobrem a árvore durante a Primavera e o Verão é substituído no Outono (e antes da queda) por um inigualável amarelo-dourado. Em Lisboa, por exemplo, no Jardim das Amoreiras, lá se exprime através de exemplares vigorosos, altos e frondosos, unindo, esplendorosamente, a despedida dourada das folhas com o atapetado chão das que foram caindo.

Durante o movimento de Arte Nova, as suas folhas deram expressão ao japonismo, proporcionando o encontro das culturas nipónica e europeia.

Goethe era apaixonada pelas Ginkgo. Tinha uma árvore no jardim da sua casa, que estimava com toda a delicadeza e costumava oferecer as mais perfeitas folhas às pessoas de quem gostava. Ficou célebre o poema que dedicou à sua amada:

A folha desta árvore que de Leste
Ao meu jardim se veio afeiçoar,
Dá-nos o gosto de um sentido oculto
Capaz de um sábio identificar

Será um ser vivo apenas
Em si mesmo em dois partido?
Serão dois que se elegeram
E nós julgamos num unidos?

Para responder às perguntas
Tenho o sentido real:
Não vês por meus cantos como
Sou uno e duplo, afinal?

 Goethelarge3Como, mais tarde, escreveria um dos seus estudiosos, “não se sabe se é uma que se divide em duas, ou duas que se unem numa”. Eloquentemente, o poeta veio expressar uma aparente antinomia de unidade-dualidade que as folhas representam. Unidade e dualidade no simbolismo que transporta, desde outrora, no Oriente, através da filosofia que representa o princípio do equilíbrio dinâmico e dual das forças complementares: Yang e Yin. De um lado, o Yang, ou seja o princípio activo, o ganho, a luz, o calor, o dia. Opostamente, o Yin, o princípio passivo, a perda, a sombra, o frio, a noite. Por outras palavras, a efemeridade e a imortalidade, o bem e o mal.

Comentários

  1. Agradeço o seu comentário, ainda que o considere secundário em relação ao teor completo do post.
    As palavras “maciço” e “massivo” podem considerar-se equivalentes, embora esta última seja um neologismo.
    O dicionário Priberam refere:
    mas·si·vo
    (francês massif)
    adjectivo
    1. [Gramática] Diz-se do substantivo que representa algo que normalmente não se pode contar ou cujas partes não se podem, em geral, enumerar (ex.: arroz, tabaco). = NÃO CONTÁVEL
    2. Que ocorre ou se verifica em grande quantidade. = MACIÇO
    3. Relativo às massas, a um grande número de pessoas. = MACIÇO

    “massivo”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/massivo [consultado em 30-12-2014].

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