Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

29 de Dezembro de 2014, 14:09

Por

Datar as datas

No dealbar de 2015, lembro-me, de novo, da confusão que, de há anos a esta parte, se instalou quanto ao modo de escrever as datas.

Um exemplo: 12.01.15. Segundo a norma NP EN 2680 (1993) do Instituto Português da Qualidade, deve ler-se como 15 de Janeiro de 2012. Eu continuo a ler 12 de Janeiro de 2015. Não que me oponha à dita norma (que é idêntica à japonesa…), mas porque me parece mais lógico dia-mês-ano. Claro que o inverso (ano-mês-dia) também se pode defender na perspectiva de partir do conjunto para sucessivos subconjuntos.

Mas o que mais me exaspera é outra coisa: a coabitação de vários sistemas, pois que, além dos referidos, já tenho visto datas segundo o ainda menos compreensível sistema americano(mês-ano-dia). No exemplo, ler-se-á 1 de Dezembro de 2015! Uma confusão que até pode ter consequências na vida das pessoas menos avisadas…

Curioso é o facto de no Brasil se continuar a seguir a norma dia-mês-ano. Aqui a extensão da obsessiva lógica acordista (que, aliás, nos quer impor a letra minúscula na inicial dos nomes dos meses) não vingou.

Felizmente há “dicas” para facilitar o puzzle. A começar por se escrever o ano com 4 dígitos. Neste caso, 2012.01.15 não deixaria margem para dúvidas. Ou, ainda mais cautelosamente, também referir o mês não por números, mas pelas primeiras três palavras (2015.Jan.12 ou 12.Jan.2015).

Já agora, refiro aqui a minha habitual dúvida (do tipo “puxe” versus “empurre”) quando, a conduzir, olho para a chapa da matrícula do carro da frente e lendo a “data de nascimento” da viatura hesito entre ano-mês ou mês-ano. Felizmente, com os registos depois de 2012 já não preciso de pensar, pois que não há 13 e 14 mês (tal como vai acontecendo nos salários…).

E se até aqui me referi a uma apreciação subjectiva que apenas a mim me envolve, importa que a regra seja mesmo única. Cito o exemplo de muitos alimentos perecíveis ou de validade limitada, em que a data de expiração para consumo aparece tal qual gosto (dia-mês-ano) mas não como está expresso na norma. Afinal em que ficamos? Pode parecer um pormenor, mas nestes casos pode levantar questões não despiciendas para a saúde dos consumidores.

Curiosa é a inscrição do prazo de validade nos medicamentos: mês-ano (ano com 4 algarismos). Não se respeita a norma portuguesa, mas  elimina-se qualquer dúvida sobre o ano.

Finalmente – e já numa óptica mais estética – vemos três diferentes símbolos a separar os números: 12.01.15 (que prefiro), 12-01-15 ou 12/01/15.

Hoje, assino e dato (como mais gosto)
António Bagão Félix
Ílhavo, 29.12.2014

Comentários

  1. Existe um número infindo de “modernices” que só redundam em asneira, porque quem (não) pensou nelas esqueceu-se de que podem surgir em contextos imprevisíveis. Exemplo disso são novas grafias ou acentuações de certas palavras. Coisas que se lêem em títulos de artigos nos jornais, como “Touro em Salvaterra feriu vários espetadores” ou “Isto não para aqui”. Ou até em frases do dia-a-dia: Quem percebe a diferença entre “um molho de salsa” (molho) e “um molho de salsa” (môlho)? Tal como nas datas, o pior é que os restantes termos permanecendo iguais, ninguém está à espera de tropeçar numa destas imbecilidades…

    1. Concordo inteiramente. Acrescento algumas frases que imaginei na confusão da nova ortografia:
      “A ata não ata nem desata porque o corretor não é corretor. Eu não me pelo pelo pelo de quem para para desistir. Espetador que sou, cato o gato perto do cato que é um perigoso espetador. Por tudo isto, andamos e andamos devagar. E assim chegamos à receção da recessão”.
      “O míope tem um problema de natureza ótica. Um surdo tem um problema de natureza ótica. Não se engane no médico…”
      “Ninguém para o Benfica de fato” (pára ou para?)

    1. Bem vista, a questão do ordenamento (e arquivo) da burocracia. E concordo com a ideia da adopção mundial do standard ISO para, como bem diz, de uma vez por todas se acabar com a ambiguidade.
      Obrigado.
      Um Bom Ano.

    1. Agradeço a correcção do meu lapso. E, já agora, um bom Ano de 2015, independentemente do sistema de calendário que mais gostar.

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