Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

24 de Dezembro de 2014, 09:28

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Ser criança no Natal

Há uma frase de Miguel Torga que, para mim, adquire ainda mais significado no período natalício: “Não desisto de ser criança. É o que me vale”. Porque o Natal transporta na memória de adulto o imaginário infantil feito de sonho, afecto, idealismo, mansidão. Porque o Natal tem uma incomparável magia que advém (e não desaparece) do espírito de criança. Natal em que definitivamente o melhor não é tanto a data, mas a atmosfera dos dias que o antecedem, porque o melhor não é o chegar mas o ir ao encontro.

Gosto da atmosfera e da iconografia deste período do ano. Imagino sempre o Natal com frio (custa-me até a entendê-lo em terras de calor) e com neve ainda que, por cá, só em pensamento. Gosto da policromia que lhe está associada e da polifonia que o simboliza. Gosto do sorriso das pessoas e da alegria esperançosa lida nos olhos dos meninos e meninas. Gosto do presépio, do cheiro de musgo, da simpatia de Belchior, Baltasar e Gaspar. Gosto da fértil romã que dá sabor à união das partes.

Mas – para mim, católico – o Natal é, em primeiro lugar, o aniversário de Jesus Cristo. Hoje, como há 2000 anos, este é o acontecimento central da História. Por isso, gosto de celebrar a melhor prenda que alguma vez a humanidade recebeu: a Encarnação divina! Maria deu à luz o Seu Filho na discrição e despojada de conforto, mas plena de Graça. Anuncio-vos uma grande alegria (Lc 2,10) é a mensagem das mensagens. A vitória da vida sobre a morte.

Numa sociedade mergulhada numa bitola material quase exclusiva, na ausência do transcendente e na hominização do que está para além de nós, é preciso um grande esforço para se encontrar o tempo e o modo de participarmos na festa do Aniversariante. E voltar a ser criança como o Menino Jesus!

Comentários

  1. Gosto muito do seu texto. O melhor do mundo são, de facto, as crianças! – disse-o Poeta por excelência (na minha opinião), Fernando Pessoa. Embora eu seja, ou esteja numa fase, mais para o agnóstico, sempre achei que a história do Natal tem um especial encanto. Daí, ter-se tornado universal.

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