Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Ricardo Cabral

23 de Dezembro de 2014, 22:43

Por

Os programas de governo

O mais tardar em Outubro de 2015 os portugueses vão eleger o próximo governo. Um desafio importante aos partidos que concorrem nessas eleições é definir o programa de governo. Tal missão – sobretudo a definição de medidas de política económica – não é fácil.

Afigura-se que um dos problemas é, naturalmente, a existência de muitas solicitações e ideias em diferentes áreas. Tipicamente as ideias e propostas não são suficientemente aprofundadas, desconhecendo-se o seu impacto. E, além disso, dificilmente um governo consegue implementar com sucesso muitas medidas que, note-se, acrescem à gestão corrente dos ministérios e secretarias de estado.

O que seria bom ver incluído nos programas económicos dos diferentes partidos seria:

– Medidas de política económica para o curto prazo visando a redução substancial e rápida da dívida externa e dívida pública do país (sem “austeridade” ). Deveriam ser especificadas as metodologias para o fazer, prazos e os objectivos quantitativos para a redução da dívida;

– Medidas de política económica de curto prazo visando relançar o crescimento económico e o emprego. Deveriam ser definidas as medidas concretas, quantificada a dimensão dos estímulos económicos, descrito como seriam financiados e  detalhado o impacto nas contas públicas;

– Medidas de longo prazo visando melhorar a sustentabilidade macroeconómica do país e, por conseguinte, menores défices externos no longo prazo. Que medidas, quais os seus custos e quais os impactos esperados.

Não se pede pouco. Mas o país e os portugueses precisam, como de “pão para a boca”, de um governo que tenha um plano bem definido e quantificado sobre como responder aos enormes desafios que a economia portuguesa enfrenta.

Comentários

  1. Excelente artigo, lúcido, claro como água. Espero que o PS, se ganhar, tenha a lucidez de fazer algo com pés e cabeça. Mas tenho medo que possa ser mais do mesmo, com grau diferente… Mudam as moscas…
    A não ser que os partidos a esquerda do PS, incluindo o PDR do Marinho Pinto, tenham uma votação tal que todos juntos obriguem o PS a enveredar por uma política realmente de esquerda, que já nem se devia chamar de esquerda, mas de humanista, lógica, inteligente, solidária, fraterna. Eu sei que os ricos nunca pagam as crises, mas sempre adorei a palavra de ordem, crieio que dá UDP, do tempo do PREC “Os ricos que paguem a crise!”. Até o Miguel Cadilhe, um perigoso esquerdista do PSD, veio no início do programa da Troika, em 25 de Agosto de 2011, dizer que se devia taxar o patrimônio líquido em 3 ou 4% por uma questão de ética, de repartição dos sacrifícios, etc. Quem o ouviu?
    Até o Warren Buffett disse que pagava 17,3% de impostos, muito menos que a sua secretária que, se calhar, paga mais de 35%. Enfim, C’est la vie. Mas não me conformo que não seja possível a mudança. A Islândia teve a coragem de muda e mudou!

  2. mas qual desafio
    o que a economia precisa é de produtos de exportação … como o Brasil e a Venezuela. e esse é o programa económico do CDS

    1. Idiota ( pessoa com ideias…)
      Andam há 3 anos e meio no governo e o que é que fizeram de palpável? Lixar os portugueses. Alguns, porque os outros, os poderosos continuam a mamar à tripa forra.
      Mude. A mudança assusta muita gente, mas olhe que só mudando é que se avança. Até o Camões sabia isso.
      Nao é muito inteligente insistir no erro e esperar resultado diferente. Já o Einstein dizia isso, salvo erro.

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