Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

30 de Novembro de 2014, 12:53

Por

Essa esquerda que só tem sido útil à direita

cesarOntem, num congresso partidário perto de si, o recém eleito presidente resolveu castigar a “esquerda que só tem sido útil à direita”.

Não se referia ao partido cujo governo entregou todos os hospitais que construiu aos Mello, Espírito Santo e Hospitais Privados de Portugal.

Nem se lembrou das parcerias público-privado.

Não se referia ao partido que incluiu no seu programa a privatização da EDP, da REN, dos CTT, ou que aceitou a privatização da TAP.

Não se referia ao partido que aprovou o Tratado Orçamental que nos compromete a uma política de austeridade para vinte anos e, depois, para todo o sempre.

Não se referia ao partido que aprovou, no Memorando com a Troika, um corte no serviço nacional de saúde ou uma redução da TSU a troco de um aumento do IVA, ou que aceitou congelar o salário mínimo nacional durante três anos.

Nem se referia ao partido que aprovou a anulação da cláusula do tratamento mais favorável dos trabalhadores, no contexto da legislação laboral.

Nem sequer se referia ao partido que inventou e promoveu as empresas de trabalho temporário, depois de ter introduzido os contratos a prazo ou outras formas de precarização do trabalho.

Carlos César sabe bem do que fala.

E, se se compreende que um partido reivindique os seus valores e a sua particularidade, compreende-se menos que o faça através de declarações de guerra que não têm outro fundamento que não seja a abdicação de uma resposta aos problemas que a austeridade e a finança impuseram a Portugal.

Comentários

  1. O PS terá feito tudo isso que Francisco Louçã escreve. A voragem da crise das dívidas soberanas encostou o país às cordas (a prova é que, agora, o juro baixo e o dinheiro seguro pelo BCE foram a única coisa que tirou o país dessa pressão), e o Memorando foi o que foi possível. Mas o PS não governou, nunca governou, como a Direita nos governou nestes 3 anos. Não só fazendo o que lhe pediam os credores, mas indo muito além, aproveitando para estilhaçar o Estado Social. Disso não pode acusar o PS. E é precisamente a ação do governo de Direita que lhe tira o argumento a si, Francisco Louçã. Por muito que queira dizer que o PS é igual à Direita, os factos desmentem-no à exaustão. E, lamento, mas por muito que qualifique o contributo do BE para a queda do Governo em 2011, o BE objetivamente ajudou Passos a chegar a PM. Temo bem que, após a galopante deriva neo-liberal do Governo, esteja arrependido.

  2. A verdade é que o futuro do pais esta hipotecado para sempre. Não houve uma politica para a natalidade,mas , uma politica para obras sem utilidade na maioria das cidades.Um pais de velhos abandonados e uma juventude ( pouca) a preparar o futuro noutros paises. Como dizem os economistas estrangeiros Portugal, a Grécia e a Espanha têm o futuro hipotecado por falta de visão dos diversos governos.Estou de acordo com eles e basta ir ao interior e ver o que se esta a passar .O que muitos politicos não fazem. O poder corrompe toda a gente ,por isso , a renovação tem de ser permanente.Um mandato chega .

  3. Caro Francisco Louçã,
    Vamos com 40 anos de democracia. Até hoje, a esquerda à esquerda do PS nunca ganhou umas eleições legislativas. Nunca esteve, sequer, perto de ganhar. Ao que indicam as sondagens, não se prevê que venha a estar. Como o Bloco e o PC sempre rejeitaram a hipótese de governar em coligação com o PS, um eleitor de esquerda assiste, há 40 anos, ao seguinte: ou o país tem um governo de direita, onde ele não está representado; ou tem um governo do PS, onde ele também não está representado. Posto isto, que deve um eleitor de esquerda fazer? Esperar mais 40 anos (ou 80, ou 800), até que a esquerda à esquerda do PS ganhe uma eleição, ou votar no PS – para, do mal o menos, evitar que a direita ganhe? Acresce que, ao que vejo, agora há partidos de esquerda sem repugnância pelo compromisso, que parecem disponíveis para governar com o PS. Votar neles pode ser um modo de “temperar” um governo do partido socialista. Em que medida é que esta pequena vitória (por muito pequena que seja) não é melhor do que continuar à espera de uma vitória nula, porque inexistente?

  4. O centrão esqueceu-se que a muito deixou a social democracia , e que outra esquerda ocupou mal mas ocupo o seu lugar,mas o centrão esqueceu o mais importante é que neste momento é o campeão das privatizações mas isso não lhes incomoda,mas ficaram muito incomodados pela derrota que o povo lhes fez sentir em não votar, e é essa a grande preocupação do centro ,e da social democracia por transição, e já agora Francisco te peço que tragas a lume um melhor detalhe sobre a teoria da competitividade e os factores negativos que ela como ideologia, capitalistas trouxe até hoje com a cumplicidade dos governos,Fula-nos também de o novo ciclo de produtividade que não virá , se não no fim do retrocesso para que saiamos do cinismo que nos tem tolhido a força ao movimento revolucionário através da frustração . a luta de classe não é uma soma económica. um abraço.

  5. Caro Francisco Louçã.
    Tenho-o por homem inteligente, culto, educado, incapaz de uma desonestidade moral, intelectual, ou outra. Tem o meu respeito e, em muitas ocasiões enquanto cidadão, a minha concordância politica e partidária. Todavia, desta feita, quero acreditar, Francisco Louçã, por uma qualquer distracção, não está a ser fiel aos seus princípios, desilude-me. Na verdade, C. César, e esta é a minha leitura que, concedo, não tem que obter a sua ou outras concordâncias, referia-se a alguns episódios, particularmente votações na A. da república, quiçá até ao derrube do anterior governo socialista, no qual, há-de convir, o BE e o PCP, tiveram particular evidência e “militância”, nas fileiras da actual direita, com os resultados hoje conhecidos, no derrube do então governo do PS. Os ventos corriam de feição, a direita, nos órgão oficiais e oficiosos, televisões, conhecidos pasquins, foi fazendo o lento mas eficaz caminho da propaganda, cavalgando a enorme vaga de descontentamento que varria o país, potenciada pela dita propaganda. O BE imaginou, tal como o tio Jerónimo, que era o momento de agir,enfileirar na tropa de derrube.Presumiam-se mais votos, mais mandatos, mais euros, mais deputados, e foi o que se viu. Os cidadãos exigiam mudança.Os socialistas, “maquiavélicos governantes”, pretendiam aprovar o PEC IV, proceder a cortes, despedimentos,infligir terríveis sacrifícios aos portugueses. etc etc.Realizada a comparação com os que hoje sofremos, é aterrador o resultado. O esposo da Srª D. Laura de Massamá, o Pedro, garantiu, gritou aos quatro ventos, em coro afinado e quase sempre o silêncio cúmplice da -esquerda- de que falava C. César que, com ele, jamais tal sucederia. BE e PCP, “ingenuamente”, pasme-se, acreditaram na bondade das intenções de uma direita sedenta de jobs for the boys, de mão no pote e, com esta votaram, -na defesa do país e dos cidadãos-,pelo derrube do governo.Logo, foram úteis á actual quadrilha de malfeitores. É desta “utilidade” que C. César falava, F. louçã. “Utilidade” histórica do BE e do PCP, página negra, na história do país e destes partidos. Embarcaram na ilusão do voto fácil, de mais lugares na manjedoura do estado, lado a lado com a canalha que nos conduziu até aqui.Afinal, o BE pagou, está a pagar, pagará o altíssimo preço da trágica decisão. Não havia necessidade F. Louçã, sejamos sérios. Cumprimentos.

  6. Caro Francisco Louçã, creio que está a falar de outro assunto.
    Carlos César quando fala da “esquerda que só tem sido útil à direita”, está no campo eleitoral, no que diz respeito a partilha do poder, enquanto o Francisco Louçã está a referir-se a política aplicada e concreta.
    O teor das políticas concretamente impostas ao povo português, pouco interessa ao Sr. Carlos César, importa sim é ter assento em sede de poder, aqui está o pecado “desta esquerda” que substrai lugares de poder ao PS, fragmentando o eleitorado dito de esquerda. Eles, o PS, são de esquerda, quem são estes partidos “oportunistas” que lhes tiram o “pão da boca”. Para o Carlos César, o PS é a (única e relevante) esquerda!
    O facto do Sr. Francisco Louçã contra-argumentar, denunciando políticas concretas de direita ou ultra-direita, implementadas pelo PS é fora do assunto. Apontar a traição do povo português por estes “politicianos” ditos de esquerda (Partido Socialista) que praticam política de direita é irrelevante para o Sr. Carlos César e os seus acólitos.
    Para falar curto e grosso, numa linguagem que o povo entende bem, estamos a falar dos tachos que com o pretexto de fazer política e defender o povo português e ideias de esquerda, vocês “esta esquerda” roubam aos profissionais do PS!
    Então o Francisco Louçã não se verga ao perigoso e falacioso conceito do “voto útil”. A que ter cuidado senão acabam por ser os do outro lado a receber os assentos para implementer as mesmas políticas i.e. o prato é o mesmo mas eles (PSD/CDS) é que recebem par servir esta envenada sopa. O povo que engole não tem voz na matéria, so decide quem lhe serve a indigesta açorda!
    Lamento dizer-lhe caro Francisco Louçã, que a sua “ingenuidade” (honestidade) o desviou do assunto que realmente apoquenta Carlos César e sócios… Enquanto defende o povo e denuncia a anedota de mau gosto que é, o PS considerar-se um partido de esquerda, eles são “pragmáticos” e defendem os respectivos tachos e panelas onde se cozinham estas açordas que têm aparecido nas notícias (e tribunais) dos últimos meses.
    Admiro a sua “ingenuidade” e falta de “pragmatismo”. Cumprimentos.

    1. Agradeço o seu comentário e argumento. Mas respondo-lhe com uma pergunta: como é que o “campo eleitoral” se pode definir se não for em relação com a “política aplicada e concreta”? Não elegemos representantes para fazerem alguma “política aplicada e concreta” e não será aí que têm falhado?

  7. Todos estamos fartos de saber que o PS é de esquerda na oposição e de direita no poder. Mas não o são assim todos os partidos de esquerda no poder?
    João Martins Pereira dizia que a esquerda é projecto. Há-de sempre existir, mas é incapaz de transformar esse projecto em realidade.
    Todas as medidas que o PS no poder tomou estão relacionadas com a necessidade de fazer investimento público sem ter dinheiro, atirando a despesa para o futuro, e com a necessidade posterior de colocar finalmente um travão ao endividamento do País. É óbvio que não é possível gastar permanentemente mais do que se produz.
    Quanto ao resto, é a economia do mercado na sua triunfante versão neoliberal: tudo para os privados (leia-se poderosos), nenhuma regulação, redução do Estado à sua expressão mais ínfima.
    Com muita corrupção pelo meio…

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