Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

29 de Novembro de 2014, 17:29

Por

Fim-de-semana (com ou sem desporto)

Para mim, o fim-de-semana foi, muitas vezes, o esperado “recibo de quitação” do trabalho da semana. E sem a medida impositiva do cronómetro, foi, em regra, um tempo mais de quietude do que de descanso. Mas, ao contrário, do que sugere chamarmos “dia útil” a cada um dos dias de trabalho convencionais (os ingleses, franceses, alemães e outros preferem associá-los ao trabalho – “working days”, “jours ouvrables”, ” Arbeitstage” como que sugerindo que nem só o trabalho é útil) , o fim-de-semana não é “inútil”. É até um desafio bem mais difícil e desafiante do que o da semana dita útil. Porque está em nós determiná-lo e não ser apenas (ou também) determinado.

Agora, nesta diferente fase da minha vida, diluiu-se a fronteira entre o dia de semana e o dia de fim-de-semana. Troquei as voltas ao tempo convencional e não distingo, entre eles, o momento da obrigação da não obrigação do momento. Uma diferente forma de ser livre na escolha entre a imposição do kronos e a inspiração do kairós. Porque, afinal, sempre podemos transformar o lazer em trabalho e o trabalho em lazer.

Perante a avalancha frenética da actualidade, o fim-de-semana também pode ser uma boa razão para dela emergir. E, para mim, uma oportunidade para deambular pelo desporto. Não apenas pelo futebol, que esse impera praticamente todos os dias, mas por aquilo a que se convencionou chamar secundariamente de modalidades amadoras (?).

Não pertenço ao “grupo desportivo do futebol-e-mais-nada”. Como espectador e seguidor, sou genuinamente ecléctico. Acompanho as competições mais individuais, como o atletismo e ciclismo, mas também as colectivas como o basquetebol, voleibol, hóquei em patins, futsal, andebol e râguebi (que alguns teimam em pronunciar reiguebi…).

Aprecio também o facto de nestes desportos haver vitoriosos clubes de menor dimensão. Falo, por exemplo, da Ovarense no basquetebol, do Óquei de Barcelos no referido desporto com h, do ABC no andebol com ou sem h, do Fundão no futsal, do persistente Sporting de Espinho e dessa surpresa açoriana da Fonte do Bastardo no voleibol. Uma forma diferente de eu viajar por Portugal!

Comentários

  1. Agradeço o comentário. No entanto, continuo a pensar que a pronúncia de râguebi deve ser tal qual a da sua origem anglo-saxónica (rugby), ou seja, [ˈrʌɡ.bi], conforme Cambridge Dictionaires Online. E assim nos diz, também, o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa. Não creio que, neste caso, se possa falar de epêntese, que, em regra, se aplica mais a evoluções no seio da própria língua (por exemplo, do português arcaico para o contemporâneo).
    A questão terá advindo de haver uma tendência natural para pronunciar o “a” de râguebi como se fosse em inglês [ei]. Acontece que o “a” tem acento circunflexo e assim se aproxima do “u” inglês [ʌ].
    Cito, a este propósito, o Ciberdúvidas: O aportuguesamento de rugby em português europeu é râguebi, e não “ragbi”. No entanto, o consulente dá uma pista plausível para explicar a pronúncia “reigbi”, porque pode muito bem ter sido a forma aportuguesada que foi interpretada como inglesa. Este equívoco terá levado muitos falantes a pensarem que o a deveria ser pronunciado como em race, «corrida» — [reɪs], em Alfabeto Fonético Internacional — apesar da inexistência de circunflexo na ortografia inglesa.

  2. [ˈʀɐjɡəbi] é a pronúncia esperada (cf Infopédia) dado o timbre do /a/ e seu co-texto. A epêntese do [j] é aliás típica do português. Prova-o além do mais o facto de ocorrer em muitas circunstâncias de fala mas não da escrita (vd /igreja/, co-texto bem similar, Infopédia).

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