Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

28 de Novembro de 2014, 09:08

Por

A humilhação da França e ainda não fica por aqui

oetingerO alemão Gunther Oettinger é o comissário europeu para a economia digital. Cargo importante, mas não fundamental. Na verdade, a mais importante função de Oettinger não é a pasta que ocupa, mas simplesmente ser o alemão escolhido por Merkel para a representar na Comissão de Bruxelas.

Usando esse poder transcendente, Oettinger publicou no dia 21 deste mês um artigo de opinião contra a França, simultaneamente no Les Échos, para ser lido em francês, e no Financial Times, para ter o máximo impacto internacional. E não faz a coisa por menos: a França é um “país deficitário reincidente” e “a Comissão perderia toda a sua credibilidade se prolongasse pela terceira vez o prazo acordado à França para reduzir o seu défice público sem exigir contrapartidas muito concretas e precisas”.

O artigo provocou uma tempestade em França, como seria de imaginar. Mas percebe-se a intenção: a Comissão vai anunciar hoje a sua resposta ao pedido francês de adiamento do ajustamento do défice para 3% e é presumível que conceda à França alguns meses mais. Não alguns anos, mas alguns meses. E que exija contrapartidas – como já o fez quando rejeitou a primeira versão do Orçamento apresentada pelo governo de Hollande e Valls.

E é aí que entra Oettinger. No seu artigo, ele sugere quais devem ser as contrapartidas, e os leitores portugueses nem precisam de se deitar a adivinhar para saberem a resposta: “redução dos custos laborais”. E mais ainda:

a França deu alguns passos a respeito de alguns destes pontos mas não foi suficientemente longe. Por exemplo, introduziu uma reforma das pensões. No entanto, tal como está, é improvável que esta reforma alcance o objectivo de terminar o défice do sistema de pensões em qualquer momento próximo. Quanto aos altos custos laborais, o governo confia em gastos públicos adicionais em vez de melhorar o sistema de determinação dos salários. Do mesmo modo, foi anunciada uma redução dos impostos sobre as empresas mas só ocorrerá dentro de alguns anos.”

Aqui está o menu: salários e pensões mais baixas e menos impostos para as empresas. O Comissário Oettinger dita à França o que o seu governo deve fazer nos próximos anos, para deixar de ser um “país deficitário reincidente”.

Não basta a humilhação da França nem o abuso inenarrável do comissário alemão, não basta uma União reduzida aos diktats liberais, esta vertigem exige sempre mais. Mais “reformas estruturais” no sistema de pensões e nos salários.

Começou pela Grécia e Portugal, havia de chegar a França e a Itália, passando por Espanha. Chamava-se União?

Comentários

  1. Num país dentro do euro como a França, a única forma de tentar reactivar a economia sem imprimir dinheiro é baixar salários e baixar o IRC…

    Perfere sair do Euro?

  2. Como se verificou hoje, já depois da publicação deste artigo, a Comissão deu três meses à França, exigiu mais medidas de austeridade e antecipou o recuo de Hollande e Valls. Também exigiu mais cortes em Portugal.

    1. Ditosa Patria que tais filhos destes. Ganhar 10 e gastar 11. No mes seguinte ganhar 10 e gastar 11. Para satisfazer o saldo negativo pede-se alguem que nos empreste dinheiro. No fim do ano, quando temos de pagar parte da divida e dos juros, respondemos que nao podemos pagar. Deus eh grande e vai-nos acudir. Ha-de haver alguem que nos vai emprestar mais dinheiro. E se todos os Paises membros da UE fizessem o mesmo: recolher X em impostos e despender X+10 com a despesa do Estado? Solucao: Aumentar os impostos ou cortar na despesa? Ou as duas coisas durante algum tempo e uma vez equilibrado nunca gastar mais do que aquilo que arrecada?

  3. Como é que um fulano tão reaccionário é comissário europeu…
    Apesar de termos de admitir que ele é coerente, prezando uma postura reaccionária e imbecil, reforçada pelos vários artigos de opinião sem qualquer fundamento politico ou social. Vem apenas realçar a actual postura de forçosamente tentar colocar cordéis sobre os Países Europeus, esquecendo-se que só são marionetas quem aceita os cordéis ou não os corta.

  4. Então é fazer o quê? deixar os défices sucederem-se? aumentar dívida? Quem é que paga? os contribuintes alemães?

    Deviam era fechar a torneira de vez e acabava-se o choradinho.

    1. Gostaria que um dia tivesses o azar de ficar desempregado, mais a tua família, e não tivesses dinheiro, nem ninguém que to emprestasse e todos te fechassem a porta para acabares com o choradinho… dos teus filhos com fome.

    2. O que é que isso tem a ver com o meu comentário?

      Portanto os 41 anos que Portugal anda a pedir dinheiro emprestado é porque estamos mal. Os alemães são maus para exigir austeridade e são óptimos para emprestar/dar dinheiro.
      Quem não tem dinheiro não tem filhos!

      E os portugueses (sobretudo os mais jovens têm de começar a defender-se): não ter filhos e emigrar. Já chega de ditadura de esquerda/socialismo. Os socialistas que paguem os impostos.

    3. A Alemanha é o terceiro país do mundo com maior dívida externa bruta, apenas atrás dos EUA e do RU. Não é só o défice que conta…

  5. Para Portugal, Bruxelas não perde tempo. Hoje é anunciado que “Bruxelas recomenda mais medidas de consolidação orçamental”. Está tudo dito.

  6. A UE está a passos largos para converter este espaço num novo feudalismo com os nobres a serem substituídos pela burguesia capitalista, aliás sempre desconfiei que ao longo da história a burguesia sempre criticou a nobreza, por ser ignorante e por isso mesmo se ter servido da igreja católica para colmar essa ignorância, aliás se tivesse havido uma nobreza menos estúpida e mais letrada sem o curso da história teria sido outro mas adiante. O marca a história presente é a ascensão e tentativa de controle mundial e neste caso europeu por uma nova “nobreza”, os países passam ser apenas quintais ou feudos repartidos em “eles”, no caso de Portugal, certamente este quintal à beira mar plantado terá já dono e todos vimos que não era o DDT, na verdade o verdadeiro dono de Portugal está nessa tal nova “nobreza” sem rosto e a que o povo chama “O Capital”.
    A França sempre foi o pais charneira no domínio dos direitos e da rebelião cívica contra interesses estranhos ao povo, portanto ao contrário de Portugal que apenas tem 40 anos de consciência cívica e em que foi e é fácil manietar as elites do governo e não só para os seus intentos, a França tem a sua consciência cívica alicerçada desde a revolução francesa o que lhe confere uma espécie de bastião europeu contra a implantação dessa tal agenda da “nova nobreza”, acredito que os franceses não deixarão acontecer, quanto a nós pois, resta ter a esperança que após 40 anos, nos seja devolvida a dignidade como país através da rebelião cívica.

    1. A França deveria sair do Euro, tal como Portugal. Recuperar a soberania monetária. Bem fez o Reino Unido que nunca quis nada com o Euro, pois via nesta moeda um instrumento para o domínio alemão.

  7. Os franceses que não sejam burros e continuem e a viver a acrédito da maneira que isto está as rotativas não podem parar sub pena do sistema colapsar.

  8. Acabem com esta falsa U.E
    Estes alemaes querem ser od bosses fa Europa.Mas que se estiquem pode ser que ainda paguem a pastilha bem cara.Os Russos estão. de olho neles.A Europa n se pode vergar a esta cambada n sao donos dos paizes sempre a ditar o q estes hao.de fz.Os protestos em Berlim são facto da indatisfaçao goveernamental.A Europa tem q os vergar n esqueçam eles devem e mto à Europa.” Vidas humanas que ceifaram ao mundo e os prejuizos causados a tantos paizes,não há tempo q apague da memoria.ACORDEM LIDERAR SRMPRE FOI O OBJECTIVO DESSE POVO FRIO E DESPROVIDO DE VALORES HUMANOS.

  9. que galinha nacionalista , a única coisa que traz prosperidade é o mercado e os (hedge)”funds” . pense nisso , e “deixe-se de fados”

  10. esta faz lembrar mesmo aquela
    o que é que faz um estado? língua, administração,moeda. burguesia nacional, “expatriados” .. etc.
    O que faz lembrar a UE ?
    os sugadores do “parlamento” , os natistas da nato ; “o comissario para a ciencia” ; a burguesia invisivel mas sacana da baviera ; a massa alemã , pacifista mas de contar os tostões. as gajas boas da frança, as gajas boas da itália…
    enfim ; O que fez a Europa (como diz o intelectual) foram os cafés ….
    e a Universidade.

  11. então nao viste o disurso ontem do Draghi. falou em sitio qualquer. mas que alinhamento ao Schaubel;
    uma coisa te digo, menina…. até pareceu “revisto” .

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