Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

17 de Novembro de 2014, 13:45

Por

A demissão de Miguel Macedo

Uma atitude invulgar no panorama político português: um ministro demitiu-se, não por qualquer envolvimento pessoal que possa ser objecto de diligências de natureza judicial, mas em razão da sua consciência pessoal e política. Na sua declaração, foi sereno, sólido, probo e evidenciou sentido de Estado. Tendo sido, durante mais de três anos, ministro numa área muito sensível de funções governamentais de soberania, considerou não ter a plenitude das condições políticas para o seu exercício. Foi corajoso e coerente. Certamente com o desconforto e desilusão da situação, mas com a consciência de um homem livre e responsável, Miguel Macedo honrou a ética política.

Uma decisão de excepção que não me surpreendeu. Fomos colegas em vários governos e sempre vi em Miguel Macedo uma pessoa íntegra e um político tão discreto quanto politicamente inteligente e que sabe que um governante é, antes de tudo, uma pessoa e um cidadão com todos os direitos mas com deveres acrescidos que advêm do exercício do cargo.

Comentários

  1. Não é raro no panorama político português; é raro no panorama apresentado por este Governo. Assim de repente, lembro-me de Jorge Coelho (que se demitiu por causa da tragédia da Ponte de Entre-os Rios, cuja supervisão cabia ao seu Ministério) e António Vitorino (que afinal nem devia nada ao Fisco). Perceberam a leitura política dos factos. Há mais tempo, Miguel Cadilhe e um Ministro do Ambiente foram demitidos (falta de pagamento de Sisa e anedotas despropositadas).
    Numa primeira fase, Passos Coelho, não aceitou a demissão de Macedo; diz muito sobre a falta de preparação política de quem nos governa a manutenção de Nuno Crato, Paula Teixeira da Cruz, Rui Machete ou a resistência à saída de Relvas (parece que já foi há uma geração…). E nem é preciso falar de uma Ministra das Finanças que mentiu (é factual, os documentos provam-no) no Parlamento sobre os SWAPs. E não deixa de ser verdade que Macedo não se importou de receber um subsídio de alojamento quando tem residência em Lisboa. Se é de carácter que falamos…

  2. Quem cumpre a sua obrigação, não merece ser laureado, faz o que se espera que qualquer pessoa de bem faça, sobretudo tratando-se de um governante. A honradez não é apanágio de semideuses, é virtude humana. Ao demitir-se, dadas as circunstâncias escabrosas, Macedo fez o que tinha que fazer. Dar os bons dias não deve ser excepção a celebrar – deve ser regra.

  3. Mas também um político que recebe ou recebeu o subsídio de deslocação apesar de ter casa própria em Lisboa.
    E, a propósito do envolvimento de pessoas da sua confiança política e pessoal no vergonhoso caso dos vistos gold, há um ditado que diz: “Diz-me com quem andas…”

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Tópicos

Pesquisa

Arquivo