Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

12 de Novembro de 2014, 09:00

Por

O vira da viração, ou a pesada realidade das vidas que não vão em bailes

Passos Coelho explicou ontem exuberantemente, perante um auditório do partido, que o governo nos trouxe à salvação e que qualquer alternativa seria voltar para trás e aumentar a dívida (ainda mais?). Ora, num recente apontamento televisivo (no programa Tabu, da SicN)  resumi alguns – não todos – dos discursos anteriores de Passos Coelho anunciando ao país que em cada ano, agora mesmo, começaria a viragem da economia e da vida das pessoas. Foi a viragem de finais de 2011, depois a de 2012, depois a de 2013, depois a de 2014 e, agora, triunfalmente, eis que chega a viragem prevista em 2015.

PIB pcMas depois há a realidade. Neste gráfico (clique se quiser aumentar) está o PIB per capita em Portugal desde o ano da crise financeira, que é tomado como base 100, para se perceber com clareza o que aconteceu desde então. Em 2008, os rendimentos aguentaram, foram tomadas medidas para proteger o consumo, mas em 2009 já temos recessão. A partir do fim de 2010 (ano em que ainda há medidas anti-crise), chegam em galope os pacotes de austeridade, muito agravados em 2011 com a troika. Vê-se bem o que aconteceu desde então: em 2013 bateu-se no fundo e, a partir daí, tivemos uma recuperação medíocre com pequenas oscilações em 2014 e agora outra previsão de crescimento medíocre para 2015. Verifica-se como estamos longe do nível de 2007, o que quer dizer que perdemos muito – e a dívida portuguesa cresceu. É o resultado da viragem da viragem da viragem da viragem, e por isso só se pode registar com alguma inquietação que há mais uma viragem que vem a caminho.

Comentários

  1. Noto que a figura humana do gráfico que representa o nível 95 é 50 % menor que a figura que representa os 100 do ponto de partida e que lhe serve de referência para comparação. Há uma enorme desproporção entre a diferença de tamanho das figuras humanas e a diferença entre os valores que pretendem representar.
    A queda é grande? É. Brutal? também. Mas o que quero notar é que a mensagem visual subliminar é falaciosa. Predispõe-nos, induz-nos a aceitar a ideia de uma queda maior àquela que os números do gráfico evidenciam. Não aprecio esta arte.
    O “Verifica-se como estamos longe do nível de 2007(…)” tem que ser lido com olhos postos nos valores e não nas figuras. Essa distância longínqua é de 5 pontos em 100. É muito? É. É brutal? também.
    Para melhor lidar esclarecidamente com a comunicação social, ou qualquer outra forma de comunicação, aconselho a leitura de Umberto Eco acerca do que designou guerrilha semiótica.

    “As estatísticas são como o biquíni: o que revelam é interessante, mas o que ocultam é essencial.” – Roberto Camp

    1. O gráfico é absolutamente explícito e a escala está indicada para que não haja a menor dúvida. Sublinha a evolução e a perda desde 2007. Não oculta nada do que é essencial: revela.

    2. momento excecional da filosofia , dr. Francisco Louçã ; está ganha a corrida
      absolutizou ; é a sua a real

  2. também vá-se lá entender a esquerda ,
    que o país não cresce. mas a esquerda lá é a favor da acumulação de capital ; o modelos neoclássicos, não (!)

  3. ufa ,
    cair no rendimento é mau
    mas pior é M da Silva a presumir “crime ambiental” ; esse tambem dava um bom momento zen.
    “por libertação de microorganismos para o meio ambiente” ; pasme-se , Quem quer elaborar a partir daqui?

    1. perigoso , esse é um “Ministro” perigoso ; aliás , já se tinha notado
      começou logo por ser perigoso com a GALP

  4. uma percepção pelo click da imagem
    rendimento per capita é só uma aspiração para gente de fato e gravata?
    se sim, e se não: como se pretende aumentar o rendimento? des-cotando a moeda interna (currency)?

    1. A imagem é simplesmente uma representação fictícia de um universo enorme de dez milhões de mulheres e homens. Noutros casos, usei a imagem de uma mulher que trabalha nas limpezas – qualquer imagem provoca e simplifica. Mas percebe-se, não se percebe?

  5. podia aproveitar este expaço
    era para nos dar alguns detalhes sobre a NEP – Nova Política Económica , e como é que ela se incorpora na indústria do software
    vice-versa

  6. culpa o euro
    portugal não cresce por causa do euro ; e o euro é necessário para o governo de portugal, porque o país não cresce ;
    por isso “abre os mercados” , e faz corte do “estado social”

    1. pois , e a esquerda continua a sonhar com o “Palácio de Inverno”
      parlamentar ; não sabe que neste país à beira-mar só um sol aquece o Inverno

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