Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

4 de Novembro de 2014, 17:14

Por

O ilustre caso do director trauliteiro e dos seus discípulos

fernandesJosé Manuel Fernandes, que conheci na “Voz do Povo” e que fez depois uma longa e prestigiosa carreira como jornalista (foi director deste PÚBLICO), chegou finalmente a director do Observador, jornal online que vai fazendo pela vida. Ao longo dos anos, foi adquirindo qualidades novas, como acontece a qualquer um. Mas há uma dessas qualidades que não cessa de me surpreender: a de trauliteiro banal.

Se fosse um trauliteiro de grande categoria, notável pelo verbo, enérgico no adjectivo, irresistível na chalaça, cósmico na metáfora, tirava-lhe o chapéu. Em país de brandos costumes e de reverências, ter um Alberto João Jardim ou um Marinho e Pinto na escrita, afobado com o pingalim e de queixo altivo, seria uma animação. Mas o problema é que é banal, todo ele ajustes de contas, todo ele coisinhas pequenas.

O homem está do contra. Está contra que se critique. Está contra que se mexa na dívida. Está contra o Tribunal Constitucional. Está contra que o governo não corte a eito nos funcionários. Está contra os jovens que esperam ter uma pensão quando forem velhos. Está contra os sindicatos. Está contra. Mais, é contra, mora no contra, fica tudo dito. Por isso, quem se atreve a desafiar este poderoso senso comum da direita radical do contra é … uma mosca.

Pois foi assim que resolveu tratar, da sua cadeira directoral, os paisanos que se atreveram a propor o resgate da PT. “A PT tem mel. Não há mosca que não atraia”, é o título esmagador da sua diatribe no Observador, arrasando as ditas cujas.

Esclarece Fernandes:

a racionalidade patrioteira parece ser a única conhecida da autêntica brigada do reumático que se reuniu nessa nova União Nacional que vai do velhíssimo CDS ao Bloco de Esquerda. De facto, quando no mesmo saco se encontram figuras tão diferentes como Louçã e Bagão Félix, Pacheco Pereira e Carvalho da Silva, Silva Peneda e Freitas do Amaral, todos a defender que ‘Portugal não pode ficar desarmado’ ou que ‘os órgãos de soberania devem interpretar fielmente a prossecução do bem comum que é pertença da Nação’, é porque, neste país, Salazar e Cunhal ainda são as grandes referências na forma de pensar. O Estado é a nação. As empresas são nossas. O mercado é coisa de estrangeiros. A pequenez a nossa condição.

São moscas de “racionalidade patrioteira”, uma brigada de moscas autenticamente reumáticas, mas são moscas ignorantes, para quem “o mercado é coisa de estrangeiros, a pequenez a nossa condição”. Moscas salazarentas e cunhalistas, a enxotar sem piedade.

Os leitores do Observador perceberam certamente que o hábito faz o monge e que, naquelas paragens, a diatribe banal é festejada. No dia anterior, Maria João Avilez tinha escrito ad hominem contra Bagão Félix e Silva Peneda, decretando que “o Sr. Contentíssimo e o Sr. Felicíssimo, para além do nosso descontentamento e da nossa infelicidade, são a nossa vergonha”, nossa, de Portugal, entenda-se.

Um tal Ramiro Marques escrevia na mesma circunstância, em defesa do governo e contra Sampaio da Nóvoa: “Se Nóvoa não estivesse cego pelo marxismo, reconheceria, certamente, o trabalho que este Governo tem feito em matéria do desenvolvimento do ensino vocacional básico, secundário e superior, reforço do ensino dual e dos estágios formativos em contexto de empresa”. E a procissão já não vai no adro.

Iluminados pelo exemplo do director, os cronistas do Observador, escolhidos no meio selecto do Compromisso Portugal e do cavaquismo refinado, abocanham os plebeus que criticam as altas autoridades da Pátria e, sobretudo, do “estrangeiro”, lá onde há “mercados” salvadores que nos absolverão da “pequenez”. “Moscas”, portanto.

Comentários

  1. Não é um trauliteiro é mais um comentador de baixo calibre. Os comentários são de baixa política que à falta de argumentos adjectiva denegrindo, confundindo, associando o associável revelando um mau carácter político. Para aquele senhor, (com letra minúscula diga-se) na é criticável,soluções ou sugestões não devem ser propostas. Para ele o “status quo” deste governo deve impor-se a toda e qualquer opinião válida. Fernandes quando comenta, (basta lê-lo ou ouvi-lo) critica tudo mas ao mesmo tempo está tudo bem, está tudo bem, mas, ao mesmo tempo está tudo mal e por aí fora…
    Para ele tudo que cheire a Portugal, deve ser retalhado, vendido, hipotecado, oferecido e tudo o mais, por isso, ninguém se deve opor, criticar ou apresentar sugestões para evitar desmandos e, ai dos que o fizerem, porque serão passados de imediato a salazarentos e adoradores de Cunhal, retrógrados, conservadores, etc.. Estamos fartos de falsos comentadores políticos que se situam num patamar límbico e ideologicamente próximos da imbecilidade.

  2. Nesta história macabra da PT, recordo que JMF alinhou a certa altura no coro trocista-presunçoso dos que diziam que não havia nada a fazer, pois as ações da PT cotadas na bolsa portuguesa detinham não a telefónica portuguesa mas uma percentagem da OI brasileira onde esta tinha sido fundida.

    Mas afinal esta PT cotada em Lisboa tem DIREITO DE VETO sobre decisões estratégicas da Oi.

    Ora que chatice! Afinal ainda se pode fazer algo contra a venda para retalho da PT.

    Preguiça mental de jornalista, no caso de JMF, diria o n\ Passos Coelho…

  3. Eu não “morro de amores” por Louçã. Outra coisa é estar de acordo com algumas coisas que ele diz e escreve, e por isso, aplaudo..
    Quanto ao escriba de serviço JMF, se ele chama moscas a quem livremente voa é porque ele é uma m……, disse..

  4. Parto do princípio de que o Dr. Francisco Louçã é, pois, partidário do “deixem-me dizer mal de alguém que diz mal de mim”…
    Como em tudo na vida, esta sua posição terá, pelo menos, duas leituras: a dos que acharão que é coerente (todos dizem mal uns dos outros; só não sente quem não é filho de boa gente, etc.) e a dos que acharão que é incoerente (não fazer aos outros aquilo que não se gosta que lhe façam).
    O direito de resposta é, de facto, um direito mas utilizar, para responder, precisamente (e talvez para pior) a mesma técnica que se critica é, no mínimo, uma terrível falta de inspiração…

    1. Curiosa forma de fugir à questão: nem lhe interessa que JMF designe os adversários como “moscas”, nem lhe interessa se é precisa uma solução para a PT.

  5. Ter opinião pode ser um eufemismo. Da direita à esquerda.
    Mexer com as “moscas” será sempre um gesto que não cheira muito bem. Mas aquilo em que as “moscas” mexem não cheira melhor.
    Ou a terrível atracção para enterrar o contraditório.

  6. As diferenças entre opiniões fazem a riqueza de uma democracia. O Dr. Louçã não gosta das opiniões de José Manuel Fernandes. É um direito seu que tem de se respeitar. Todavia, tem de respeitar também os direitos dos outros e saber conviver com a crítica, mesmo que severa (e desde que não desrespeitosa). O artigo em causa comprova a dificuldade do Dr. Louçã em aceitar o direito a posições que não coincidam com as suas. É algo que sucede frequentemente em Portugal há muito tempo.Aliás, é muito anterior ao antigo regime. O Dr. Louçã entende que pode ser duro e mordaz com os outros nos seus comentários, mas acha que os outros não podem actuar de igual forma relativamente a ele. Aí são «trauliteiros». O Dr. Loução não é mais do que um bom exemplo do «velho Portugal» – intolerante e cínico, mas com a desculpa de ser de «esquerda», situação lamentável porque ele, como muitos outros (por exemplo Dr. Salazar ou o Dr. Cunhal) anteriormente, é um homem inteligente, de quem obrigatoriamente se esperaria muito mais … De facto, o que transparece é que o Dr. Louçã não é um democrata.

    1. Gosto da crítica. Mas chamar “moscas” aos adversários não é crítica. É um bocadinho para além do debate público e da boa educação, ou não é?

    2. Caro Sr. Dr. Louçã, não me parece que do escrito de José Manuel Fernandes se possa retirar que este pretenderia incluí-lo nas «moscas» … Parece-me antes mais correcto o comentário de «Afonso Parreira» dia 4 de Novembro (aposto a seguir ao escrito de José Manuel Fernandes no Observador), que identifica as «moscas» (algumas) que gravitam à volta ou mesmo no interior da PT. Estou certo que se ler o referido comentário talvez reconheça que a qualificação de «moscas» a muitas daquelas pessoas não será injusta. Cumprimentos e saudações democráticas.

  7. Um não disse nada e o outro disse a mesma coisa… do CDS ao BE há uma brigada de coisa fraca, mesmo fraca. Não é necessário gastar erudição na escrita e muito menos calão, basta sentir, mesmo.

  8. Gente como JMF, César das Neves e outros escribas têm no fundo ódio ao país e aos seus cidadãos, que crêem merecedores de uma expiação eterna e de uma justa condenação às galeras.

    Com a sua crença acrítica no “mercado” e nos “mercados” constituem – eles sim – verdadeiras abencerragens, dinossauros, que ainda não realizaram que o mundo mudou e não notaram que se deu a queda do muro de Berlim e a crise financeira de 2008. Continuam como mortos vivos a esbracejar contra a “esquerda”, o “socialismo”, os “direitos adquiridos”. Não perceberam que o principal problema hoje em dia é a captura dos governos e o efeito devastador sobre a coesão económica e social da globalização financeira, que está a destruir o próprio capitalismo. Nada entendem de economia e – como Vitor Gaspar – balbuciam ad nauseam duas máximas primárias (e falsas): “não há dinheiro” e “os portugueses vivem acima dos seus meios”. Mas infelizmente há muito ignorante que ainda acredita neles.

    1. Essa é a diferença de opinião. Mas JMF vai mais longe, acha que os adversários são “moscas”.

    2. Excelente comentário caro Jacques. É colocar o ponto no essencial. Há dois grupos de críticos de Louçã e defensores de JMF: os saudosistas da direita que defendem o contraditório mas que no tempo do Salazar e da Pide eram o suporte da ditadura, da censura, da tortura e do delito de opinião; e os ignorantes da História, acríticos, formatados pelos canudos do neoliberalismo das Universidades Católicas e afins, que acham que os males do país se irão resolver quando não houver mais país, porque eles, os grandes ideólogos dos “mercados” tem ambições de servir as grandes multinacionais, e estas não tem Pátria, nem querem ter limitações de um mercado de 10 milhões de “moscas”, para parafrasear o trauliteiro JMF. Como o país, o que ainda resta dele, já é demasiado pequeno para satisfazer as suas ambições desbragadas, deixemo-los partir: para as Goldman deste mudo, serventuários da grande finança. Que se vão: que marchem ao lado do Gaspar e do Arnaut. Não precisamos deles: Se são capazes de vender a Pátria, que é o que propõem, de certeza que também são capazes de vender a Mãe. Gente dessa que emigre, que cumpra o programa de Passos para a juventude, já que não deixa saudades e é uma medida higiénica. E não há motivo para não emigrarem: nos tempos de hoje, tempos da internet, podem sempre ler, mesmo não estando cá, esse pasquim que é o Observador, e os dislates dessa cambada de luminárias, a começar ou a terminar – é como eles quiserem – com o JMF.

  9. foi por causa deste trauliteiro, enquanto director do Público, que eu deixei de comprar jornais … A única forma de lutar contra maus jornalistas e má imprensa, é deixar de comprar jornais .

    1. Creio no entanto que o Público vive agora uma nova era, e talvez este blog seja uma expressão disso.

  10. bem ditas as coisas
    o obervador não é um jornal é um praga do infodigital

    gostar gosto do Destak
    , ainda outro dia encontrei um vago ,
    na estrela
    na estrela
    na estrela

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