Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

1 de Novembro de 2014, 17:24

Por

Bruxas, abóboras e finados

imagesO Dia das Bruxas (mais conhecido pelo termo inglês Halloween) importado da tradição americana e britânica e, por sua vez, herdado dos druidas celtas, veio para ficar.

Curioso é o facto de a expressão inglesa ser uma corruptela de All Hallow’s Eve  (Vigília de Todos os Santos), uma espécie de “vésperas” da Festum omnium sanctorum (Dia de Todos-os-Santos) celebrada a 1 de Novembro pela Igreja Católica.

O Halloween é, por cá, acontecimento muito recente. Mas vai ganhando, ainda que relativamente, mais notoriedade e expressão sobretudo nas camadas jovens da população. A sociedade de consumo agradece mais esta oportunidade a juntar a uma série infindável de dias disto ou daquilo que sempre movimentam bens, serviços e dinheiro.

Já a o Dia de Todos-os-Santos sofreu, para os fiéis católicos, um duro golpe com a supressão do feriado obrigatório. Assim ordenou a lógica pseudo produtivista dos tempos que correm. Esta data, aliás, era, importante para a generalidade das famílias e não apenas para as crentes. Precede o Dia dos Finados e vinha sendo um dia em que as famílias iam às suas terras e origens para homenagear e evocar os seus mortos. Ou seja, mesmo fora do contexto religioso, o Dia de Todos-os-Santos era, a seguir ao Natal, o dia de reencontro familiar. Lamentável que tenha sido um Governo que se proclama defensor dos valores familiares a decretar aquela medida.

Em suma: ganhou a feitiçaria, perdeu a memória. Bem como a abóbora que parece vir tomando o lugar das flores. Como diz o provérbio “a abóbora e o nabo ao fim de três dias enganaram o diabo”. Que diabo? Cada qual que dê a sua resposta…

Comentários

  1. A bem do rigor, teremos que dizer que não foi o Governo, mas sim a Igreja, a decretar o fim do Dia de Todos-os-Santos. Tinha outras opções… O Governo foi o único responsável, sim, pelo fim de dois dos nossos feriados mais simbólicos: o 5 de Outubro, que representa o regime republicano em que vivemos, e o 1.º de Dezembro, sem o qual não existiríamos como país.
    Quanto ao substrato do artigo, o consumismo como valor supremo da sociedade actual, basta vermos aquilo em que se tornou o Natal, com a eliminação pura e simples do presépio e do Menino Jesus, em detrimento da árvore de Natal e do Pai Natal – por enquanto ainda não “Santa Claus” -, para percebermos que este é um caminho que dificilmente terá regresso.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Tópicos

Pesquisa

Arquivo