Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Ricardo Cabral

30 de Outubro de 2014, 07:00

Por

Banqueiros de domingo

O BCE anunciou no último domingo, os resultados dos testes ditos de “stress” aos 130 maiores bancos europeus: 25 falharam o teste, entre os quais o BCP que, de acordo com o BCE, teria uma insuficiência de capital de mil milhões de euros, num cenário adverso.

Dado que, entre a data de submissão do relatório e o presente, o BCP realizou um aumento de capital, o presidente do BCP argumenta que o banco já não precisa de aumentar o capital. E, tal como o BCP, vários bancos europeus, da lista dos 25 bancos que falharam, argumentam que não precisam de tomar quaisquer medidas.

Para quê então o teste de stress?

E porque é que os resultados dos testes de stress do BCE foram pré-anunciados a semana passada e são oficialmente publicados e anunciados num domingo? Será porque o BCE está mais preocupado com os mercados financeiros (e com o valor das acções dos bancos) e prefere não arriscar publicando resultados dos testes de “stress” durante a semana?

De notar que o BCE enganou-se no cálculo de um dos rácios de capital do banco italiano Monte Dei Paschi (além de outros problemas) e, na segunda-feira, as acções dos bancos italianos… registaram quedas abruptas.

O mandato do BCE é manter a inflação tendencialmente abaixo de 2%. Não inclui objectivos para o emprego (ou desemprego). Mas também não inclui nada sobre a minimização do impacto, das suas decisões, nas cotações das acções dos bancos comerciais ou nos mercados financeiros. Parece, contudo, que o BCE assumiu tal objectivo.

Apesar deste e de outros tipos de tratamento com “pinças”, nunca a banca e os mercados estiveram tão frágeis…

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