Tudo Menos Economia

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Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

27 de Outubro de 2014, 16:30

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A variável tempo nos testes de resistência bancários

Foram conhecidos os resultados dos testes de resistência (ou como se gosta de dizer “anglotecnocraticamente”, “testes de stress”) de bancos europeus a situações críticas. Entre eles, três bancos portugueses: CGD, BPI e BCP. Sendo os exames reportados ao final de 2013, o então BES não foi considerado…

O banco público e o BPI passaram as exigências de um capital adequado a uma situação-limite. O mesmo não aconteceu com o BCP. Pelo que nos foi informado, este banco teria alcançado a aprovação do BCE e Autoridade Bancária Europeia se o exame tivesse sido reportado à data presente, tendo em conta o aumento de capital e a venda de activos na área seguradora e na Roménia, que se efectivaram este ano.

Pois é este desfasamento temporal que me parece perigoso e pode indiciar situações que já não correspondem à realidade. Para melhor ou para pior. Esta divulgação das autoridades europeias é um momento delicado e importante na vida dos bancos analisados e da informação que os depositantes recebem. Tudo indica que as exigências e o cuidado postos neste exame terão melhorado em relação a anteriores exames. Bem nos recordamos de testes positivos para bancos irlandeses e até cipriotas que, passado pouco tempo, implodiram. O certo é que este escrutínio é um suporte fundamental para a questão-chave do sistema bancário que é a confiança. Daí a necessidade de se encurtar o tempo entre a data do reporte e  a da divulgação dos exames. Haverá certamente meios para isso e bom seria que o BCE (que agora será investido de funções de supervisão) estivesse mais atento a esta questão. Ainda aqui, a Europa a passo não diria de caracol, mas de tartaruga.

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