Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

26 de Outubro de 2014, 09:33

Por

Elogio de uma boa decisão a respeito de uma droga

A notícia fez a manchete do PÚBLICO: o Infarmed autorizou discretamente a produção em Portugal de uma planta de canábis para exportação. No Reino Unido, a planta será usada para fabricar medicamentos.

Um pequeno passo de um caminho longo entre nós, mas já vários países e regiões permitem a produção de medicamentos com base em canábis, para alívio da dor e outros efeitos médicos: a Austrália, o Canadá, a Holanda, a República Checa, a França, a Roménia, Israel, doze Estados dos EUA, a Catalunha e outros. A Bélgica está a estudar essa possibilidade. No Reino Unido, a Câmara dos Lordes recomendou a sua aprovação.

Pelas mesmas razões, o médico Laranja Pontes, director do IPO do Porto, defendeu recentemente o uso medicinal da canábis no tratamento do cancro. De facto, nenhum preconceito deve atrasar a aprovação de medicamentos que tenham o melhor efeito nas patologias que tratam. Os medicamentos são drogas legalizadas e estudadas para obterem um resultado terapêutico adequado – se a canábis serve para aliviar a dor, não é diferente dos tratamentos com morfina, que é de há muito usada em casos graves, e pode ser até mais adequada em várias fases das doenças.

O sinal dado pelo Infarmed, sem preconceitos e tendo como critério o bem estar dos doentes, é uma prova de sensatez. Há-de chegar o dia em que esta produção servirá não só para exportar e produzir medicamentos no estrangeiro, mas para o fazer também em Portugal. Oxalá não tarde.

Comentários

  1. Belo teatro.

    É uma afronta, abuso de autoridade, aproveitar da ignorância de uma população que não conhece a planta
    e que foi ensinada que esta planta faz mal e vicia. Mete nojo e dá arrepios porque não consigo perceber se realmente os senhores estão extremamente mal informados ou se estão a fazer jogo dando continuação à ilusão. A planta é medicinal já à 10 mil anos e nos últimos 100 anos um grupo de atrasados mentais com sede de poder queimou a imagem da planta, chamou lhe demoníaca e coisa de pretos para assustar as pessoas. Tudo pelo dinheiro que estava a caminho com o crescente comércio de nylon e petróleo se não percebem a associação que acabei de fazer então estão realmente mal informados. Os tratamentos principais estão patenteados pelo governo americano, esta planta só não é legal para a indústria farmacêutica sugar o sangue que nos resta. Mas que m rda é esta que não posso ter a planta em casa e curar me de borla, tenho que alimentar essa chulice mascarada de progresso e segurança social, é só sussurres e dedos no cu, que vergonha, ninguém tem conhecimento ou tomates nesta nossa equipa descomunal de governantes para cuspir a verdade!

    A cannabis cura o cancro em forma de óleo. Eu vi num familiar. A cannabis fez um médico acreditar em milagres, a partir desse momento vale tudo. Espero que não se ofendam, não é a intenção, apenas estou a tentar expressar a mensagem da melhor forma e por vezes dou uma volta completa e é de uma inércia frustrante, por fora parecem todos muito ocupados e atarefados, mas por dentro não se passa nada… é oco.. é só autómatos.

  2. A produção, exportação, importação, etc. de drogas para tratamentos humanos é legal desde há muitos anos (veja-se, por exemplo, o Decreto Regulamentar n.º 61/94, de 12 de Outubro) e na verdade já se produzem drogas para esse efeito no país (por exemplo, ópio no Alentejo, para ser exportado para a Escócia para esse preciso fim).

    O uso de canabinóides na medicina começou, pelo menos, no período neólitico, o que se sabe por, há cerca de dez anos, ter sido descobertos numa caverna em Israel, dois esqueletos humanos num contexto que o demonstra/indicia (um de uma parturiente e outro de um aparente nado-morto, e resíduos de «haxixe» que indicam o seu uso como anestésico no parto).

    É mais ou menos pacífico que canibinóides podem ser inibidores de de doentes padendo d edores crónicas, como por exemplo em reusultado do cancro.

    Por outro lado, se a experiência holandesa é de resultados duvidosos ou discutíveis para os especiallistas, parece-me que a experiência americana recente, no Arkansas e outros Estados Federaods, mais abrangente que aquela, pode ser uma resposta ao flagelo do tráfico.

    Convém que, sem dogmatismos, estejamos abertos ao diálogo entre as comunidades das ciências médica /psiquiátrica e da psicologia e sociologia para, olhando às experiências estrangeiras mas sem perder o contexto do País, andarmos rápido numa questão que é difícil, mas premente.

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