Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

15 de Outubro de 2014, 18:19

Por

Tudo o que o Orçamento devia ser

O Orçamento para 2015 foi antecipado por uma colossal campanha publicitária: CDS e PSD travavam uma florentina batalha pela redução em 1% da taxa que extraordinarou o IRS. Seria menos um euro por semana para o salário médio nacional mas que sinal de viragem, que luz ao fundo do túnel! Ora, esta “moderação” fiscal morreu na praia e sobrou a austeridade, mãe da crise. O Orçamento para 2015 confirmará esta desistência: mais um ano em estagnação, dívida no valor mais alto da nossa história e quinze anos perdidos com o euro.

O que o governo não faz, nem as autoridades do protectorado, é olhar para os problemas do país para definir prioridades. Pelo contrário, Portugal obedece às regras dos credores.

Pois se o Orçamento fosse um esforço para a solução, começaria a responder a dois tipos de dificuldades: as urgências sociais (uma criança em cada três sofre carências essenciais, há meio milhão de jovens que nem trabalha nem estuda e os desempregados de longa duração e os emigrantes são gerações desperdiçadas) e as necessidades estruturais (a desindustrialização e a restrição imposta pelo Tratado Orçamental). No primeiro caso, é decisivo criar emprego estável e qualificante a curtíssimo prazo. No segundo, é preciso aliviar a balança de rendimentos para investir, o que exige anular parte da dívida externa.

Não há por isso outro critério para um bom Orçamento: só quando renegociar a dívida é que Portugal poderá começar a responder à sua crise dolorosa. Com o Orçamento de 2015 continuaremos a ter um governo colaboracionista para uma economia inviável, que responde com impostos e despedimentos à crise social e ao desemprego.

Comentários

    1. É uma explicação, mas muito parcial. Não é só a volatilidade em alguns mercados financeiros que nos afecta, é a estrutura da produção e da acumulação, e por isso é tão importante corrigir os defeitos da arquitectura europeia. E já é tarde.

    2. certo
      mas às vezes é a simplificação que vence
      a simplificação que deixa tudo mais perturbado

  1. o francisco louçã
    é que 2devia receber um prémio fiscal por escrever tão permente sobre a atualidade econonómico-financeira

  2. EU
    , se pudesse fazia o orçamento todo de alto a baixo.
    até calculva as taxas sozinho e sem açores ,,,, assessores digo assessores

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