Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Ricardo Cabral

15 de Outubro de 2014, 23:28

Por

Louros da austeridade?

Da proposta de Orçamento do Estado para 2015 salienta-se:

1. O governo tomou a opção de aumentar o objectivo para o défice de 2,5% para 2,7% do PIB. Poderia ter negociado um défice maior. Mas é uma pequena ajuda;

2. À semelhança de anos anteriores procura-se congelar a despesa. Se o PIB e as receitas fiscais crescerem, então o défice diminui. Entre 2013 e 2015 as receitas cresceram 4,4 mil milhões de euros (mM€) enquanto a despesa cresceu 0,6 mM€, em contabilidade nacional;

3. As despesas com pessoal da Administração Central caem 950 M€ (7,3%) em contabilidade pública, não obstante a reposição de 20% da redução remuneratória. Como? Mandando funcionários públicos para a mobilidade?

4. As necessidades líquidas de financiamento das Administrações Públicas serão cerca de 11 mM€ (6,3% do PIB) porque cerca de 5 mM€ (aquisição de activos financeiros) vão directamente para a Dívida Pública, não contando para o défice, à semelhança de anos anteriores;

5. Provavelmente a despesa com juros poderá ser inferior ao estimado, não obstante o crescimento do stock de dívida;

6. Mas, está tudo dependente de factores alheios à vontade do Governo: crescimento económico para promover as receitas fiscais, taxas de juro baixas e liquidez nos mercados financeiros que permitam ao Governo (re)financiar 37 mM€ em 2015. Sem isso, a bancarrota espreita.

Não concordando com a estratégia de austeridade do Governo, reconhece-se que faz sentido a estratégia adoptada num ano de eleições: não fazer ondas; não agravar a austeridade; esperar que as receitas jorrem e que a austeridade dos últimos anos silencie Bruxelas.

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