Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

15 de Outubro de 2014, 09:12

Por

Estamos agora pior do que há dois séculos

A OCDE acaba de publicar um relatório, em cooperação com a Universidade de Utrecht, sobre a evolução da vida nos últimos duzentos anos. O relatório tem por título “How was Life? Global Well-Being since 1820” (“Como era a Vida? O Bem Estar Global desde 1820”) e a investigação resulta do trabalho da vida inteira de Angus Maddison, um estatístico que se dedicou a compilar e estudar a informação disponível sobre o passado recente do nosso mundo. Outros investigadores, com particular destaque para Anthony B. Atkinson e Thomas Piketty, contribuíram notavelmente para a área de estudo que é mais notável neste relatório, a desigualdade. Em Portugal, essa abordagem é desenvolvida sobretudo por Carlos Farinha Rodrigues, professor do ISEG, e pelo Observatório das Desigualdades, do ISCTE.

O relatório surpreendeu a imprensa especializada (aqui e aqui), mas não parece ter merecido ainda atenção significativa em Portugal. A razão para o choque não é de somenos: os autores dizem-nos que, se o mundo melhorou espantosamente na saúde e na educação, entre outros indicadores, é também mais desigual hoje do que há duzentos anos. A civilização fez-nos regredir.

No caso de alguns países, como a China e a Alemanha, a desigualdade será hoje equivalente à de 1820: ficaram na mesma. Noutros, como o Brasil e o México, a vida é mais desigual agora. No entanto, considerando o mundo inteiro, a desigualdade, medida pelo índice de Gini (em que 0 seria a situação perfeitamente igualitária, e 1 seria a situação totalmente desigualitária), teria passado de 0,49 em 1820 para 0,66 em 2000. Estamos pior, muito pior.

Slide1Apesar disso, nem tudo correu mal. Em 1820 haveria algo menos de 20% de pessoas alfabetizadas e estavam concentradas na Europa; agora aproximamo-nos de 80% no mundo. A esperança de vida em 1830 era de 33 anos na Europa ocidental, agora é de cerca de 70 anos no mundo. A desigualdade perante a educação e algumas das condições essenciais da vida diminui, portanto.

Onde a desigualdade se agravou foi, em primeiro lugar, na diferença entre países. E não foi pouco. A globalização tem sido a força determinante dessa desigualdade. Quanto mais plano é o mundo, pior fica.

Mas a desigualdade agravou-se também, em segundo lugar, com a distorção social dentro de cada país. Como se verifica pela infografia ao lado, divulgada por Júlio Mota da Viagem dos Argonautas, a desigualdade variou ao longo dos tempos em sociedades diferentes: na Roma antiga, os 1% mais ricos teriam 16% do rendimento total; no tempo da independência dos Estados Unidos, os 1% teriam 7% do total; mas em 1929, na véspera da Grande Recessão, já teriam 22%, mais do que em Roma, Slide2sociedade esclavagista. O seu peso diminuiu nos anos 1960 mas recuperou agora: têm de novo 22%. (Os dados sobre Roma são de Walter Scheidel and Steven J. Friesen; sobre os EUA em 1774 1860 de Peter H. Lindert and Jeffrey G. Williamson; e sobre os EUA em 1929-2012, de Emmanuel Saez e Thomas Piketty).

Se considerarmos os 10% mais afortunados ao longo de todo o século XX, a história é comparável, como se verifica no gráfico (de Piketty): nos Estados Unidos, essa medida do poder económico dos de cima acentuou-se. Também subiu na Europa, mas não atingiu ainda os valores de 1900.

A explicação é óbvia: as crises reforçam o poder dos poderosos. Medindo os ganhos dos 1% mais ricos nos períodos de recuperação depois de uma crise, os resultados não são surpreendentes: com Slide3Bush, 65% dos ganhos de rendimento depois da crise foram para esses 1% mais afortunados, com Obama foram 95%, como registado na infografia ao lado (dados de Saez e Piketty, Excel).

A civilização conduziu a este pesadelo: estamos agora pior do que há duzentos anos.

Antes, chamava-se progresso a este mundo novo que nos era prometido. Agora, deve chamar-se a grande regressão a este mundo velho que nos é imposto.

Comentários

  1. Concordo que o grande risco da desigualdade é que, como o Dr Francisco Louça, disse “Mundo mais desigual é mais perigoso”.

    Muitos dos comentários nem me fazem grande sentido. Não estamos nada piores agora do que à 200 anos. Só por teimosia é que se pode afirmar tal coisa. Prefiro viver na classe média (de Portugal de à 10 anos atrás) do que um rico de à 200 anos. Ir buscar uma cerveja gelada a meio do verão escaldante, não morrer de frio no inverno, quando tenho um problema de saúde vou ser tratado (na grande maioria das vezes) e podia continuar com inúmeros exemplos.

    A desigualdade pode ser um problema mas não sou nada contra ela desde que seja por mérito e adquirida com honestidade dentro das regras de jogo.

    Na minha opinião, o justo, ou se quisermos, numa situação utópica, todos começássemos com a mesma quantidade de bens e património familiar e depois cada um potenciava da melhor forma.

    Mas concordo a 100% que estamos a construir uma sociedade que terá muitos desequilíbrios e com eles muitos problemas…

    Pedro

  2. Igualdade! Desigualdade! Mundo possivel! mundo ideal!
    Esta discussão constitui uma das mais antigas “velharias” teóricas que tem entretido uma grande parte dos “inteligentes” de todo o mundo, mas eu acredito que a melhor resposta para essa questão é a do Candido de Voiltaire no finalzinho da sua aventura : – “Pois, Pois! Mas o que é preciso é que cada um cultive a sua quinta!.”.. ( Estou a citar de memória e pode nâo ser assim “ipsis verbis”, mas o sentido é claramente este.
    Não há, nem nunca existiu uma resposta tão adequada para essa grande questão e desta forma ele respondeu aos optimistas e com igual classe aos pessimistas.
    E é exactamente isto que recomendo aos senhores …

  3. O que escreve é uma redonda mentira baseada em dados totalmente manipulados. Se se desse ao trabalho de ler o que dizem os maiores investigadores da perceberia o que escrevo. Pode começar por aqui:
    http://www.ted.com/talks/hans_rosling_reveals_new_insights_on_poverty

    Depois gostaria um dia de poder debater consigo a questão simples: Como chegámos a esta crise/como resolvê-la. Permita-me que lhe diga que enquanto andava a tentar eleger um deputado por Lisboa disparando sobre a legalização do consumo das “leves” e a aceitação das minorias (temas que me fizeram votar em si, ainda PSR), já eu publicava várias coisas sobre aquilo que nos esperaria. Uma coisa posso garantir, mais tempo e mais dinheiro são exactamente os dois caminhos que não devemos tomar… Eu posso explicar-lhe, se tiver a humildade de ouvir, porque eu percebo como aqui chegámos. O senhor pelos vistos não…

    1. É um privilégio poder ler aqui quem já sabia tudo e até concede o privilégio de se deixar ouvir porque “percebo como aqui chegamos”. Obrigado pela recomendação da bibliografia, fico sensibilizado. Se tiver a oportunidade de ler o relatório da OCDE talvez possa acrescentar esse item à sua sabedoria.

  4. Para ver se eu percebi, caro Professor.
    O objectivo final é uma sociedade em que todos somos IGUAIS, certo?

    Então para que é que serve eu esforçar-me? A estudar, a trabalhar, a pesquisar, a inovar, a investir?
    Se na sociedade perfeita no final do dia a minha recompensa é exactamente a mesma de quem não estuda, não trabalha, não pesquisa, não inova e não investe, para quê esforçar-me?

    Não haverá um problemazito, pequenino, muito pequenino nessa sociedade perfeita?

    Não, não era sermos todos iguais, era ser um tédio de morte!

    1. Não me leve a mal, mas neste blog damos pouco seguimento a debates de preconceitos. Não, não quero que as pessos vistam todas de igual. Mas talvez possa compreender o que é o combate à desigualdade: quer dizer que Ricardo Salgado não pagsria 7,5% de IRS sobre uma comissão de 8,5 (ou 11?) milhões de euros que recebeu de Angola. O Pedro Carlos não paga 7,5% de IRS, pois não? Não se sente “desigual”?

    2. O caso dos perdões fiscais não me parece que contribua de forma material para o tema do “preconceito” – sim pago a minha parte e ajudo a que haja mais a pagar… e até prefiro que pague 7.5% do que 0% – e há muitos a votar com os pés nessa última opção.

      O meu “preconceito” é que a Igualdade não é nem de perto nem de longe a medida de desenvolvimento humano mais relevante.
      Ninguém falou em vestir de igual (ou ninguém vestir nada)…
      O que me intriga é qual a forma como na sua sociedade ideal, com coeficiente de Gini=0 e a curva de Lorenz rigorosamente sobre a diagonal, como premeia quem se esforça versus quem não se esforça. E admitindo que afinal o caro professor aceite que o nível ideal do índice de Gini não seja o 0, qual seria a forma justa de definir o valor ideal? Por decisão democrática? Por um colégio de ilustres mentes iluminadas? ou pelo valor que a sociedade atribui ao resulto do esforço individual – com as ineficiências do sistema de alocação de valor associado?

      Mas admito que seja preconceito e não tenho esperança de ver a sua “Luz”.

    3. Pedro Carlos, não reduza uma conversa a disparates como a “luz”. Não ganha nada com isso, se me permite a franqueza.

    4. A igualdade é apenas, e só, o princípio da ordem. A lei é igual para todos, isto é, todos são considerados iguais perante a lei. A igualdade é o princípio basilar da ordem. A igualdade de tratamento é o princípio base de uma sociedade.
      Se quer estudar mais, estude, se não quiser, não estude. Das duas formas assuma o que quer, e execute sem estar à espera de ser recompensado. A recompensa não é coisa de cidadãos, é coisa de animaizinhos adestrados que actuam à espera que lhe atirem amendoins.
      Pior que o analfabetismo, de não saber sequer o que é o princípio basilar de uma sociedade, é essa atitude de boçal medíocre, que copia o animalzinho adestrado à espera que lhe atirem amendoins.
      A liberdade é coisa de pessoas que fazem o que querem, e não das anedotas que andam a servir os outros à espera de recompensa. Não ter capacidade sequer para saber o que é a sua própria liberdade, e apresentar-se como anedota que se prostitui à espera da recompensa, é a demonstração cabal que desse lixo nunca sairá um cidadão.

    5. Sem querer ser mal educado fico com pena que seja o Prof que reduz a conversa ao “disparate” da “Luz”, que era uma minha humilde confissão de dificuldade de compreensão da sua sociedade ideal.
      Fiquei sem perceber se na sua visão a sua sociedade ideal tem Gini=0 ou não, e se não, qual a forma como determina o valor “correcto”.

      Penso que enriqueceria a discussão… mas quem sou eu? (desculpas antecipadas pelo humilde pedido de esclarecimento)

    6. Estimado Epicuro,

      Fico sensibilizado pela sua visão de sociedade livre.

      Posso subentender que com a sua tese está a sugerir que todos os trabalhadores se “prostituem à espera de recompensa” e se comportam como “animaizinhos adestrados que actuam à espera que lhe atirem amendoins”.
      Calculo que não seja sindicalizado e que odeie o meu “primo” Arménio com as suas permanentes exigências de mais amendoins com mel e bananas.
      Se não for uma inconfidência inultrapassável, poderá V. Exa explicar como subsiste na actual sociedade? Tem alguma fortuna de família amealhada há 2 séculos atrás?

      Antecipadamente agradecido pelo esclarecimento e pedindo desculpas pela curiosidade.

    7. “sociedade livre” é uma expressão de ignorante. A sociedade é um dos elementos base da liberdade de um humano. Não é a sociedade que é livre, o humano é que é livre na medida em que pertence a uma sociedade. É deplorável que o seu analfabetismo vá ao ponto de não saber sequer um dos conhecimentos mais elementares do funcionamento da espécie humana.

      “…como subsiste na actual sociedade?” Não sabe que os humanos têm todos as mesmas regras de subsistência? Chamam-se regras de saúde física. Incrível analfabetismo. Os humanos regem-se todos pelas mesmas regras, é a tal igualdade que a saúde determina a todos os humanos, e que os analfabetos não conhecem.
      Não existe nenhuma sociedade na actualidade. Não distingue sociedade de matilha. Atroz analfabetismo.

      O que queria perguntar é como é que resolvo o corte de acesso aos meios existentes, efectuado pelos agentes de mercado através dos seus “cães de feira” (vulgo trabalhadores). Quer perguntar-me como resolvo a chantagem mercantil feita pela plebe da feira?
      Está curioso para saber se pertenço à nobreza feirante, se tenho um governo a colocar a plebe a pagar impostos para pagar as dívidas da minha família. Porquê? Quer que lhe ofereça emprego? Não tem conhecimentos mínimos para isso e não aprecio animais domésticos.

    8. Caro Prof.

      Será que consegue esclarecer se na sua visão a sociedade ideal tem Gini=0 ou não, e se não, qual a forma como determina o valor “correcto”.

      Penso que enriqueceria a discussão que levanta no seu artigo… mas quem sou eu? (desculpas antecipadas pelo humilde pedido de esclarecimento)

    9. A resposta é não, sabe bem a resposta, não tem de ser 0. E o “humilde” é coisa dispensável. Já ficámos conversados atrás.

    10. Caro Prof.

      Respondeu apenas a parte da pergunta que fiz, falta a resposta a: “…e se não, qual a forma como determina o valor correcto”.

      Obrigado antecipadamente.

  5. Certamente o Chico Louçã sabe disso que vou falar, melhor do que eu. A desigualdade apontada nas pesquisas desses autores , como Saez e Pikety, é crescente. E assombrosa. Porém, tenho a impressão de que seria ainda mais assombrosa se conseguíssemos avaliar aquilo que não é registrado pelos bancos de dados fiscais que sustentam tais estudos. Do que estou a falar? Dos estimáveis 30 trilhoes de dolares que sequer são registrados por essas bases de dados e que operam no mundo a partir dos tais paraísos fiscais. Hoje, os 1% mais ricos dos EUA não têm sua riqueza (e renda) registrados pelas autoridades fiscais do pais, o IRS. O que aparece nos dados do IRS são apenas parte do desastre. Desconfio que a desigualdade é bem maior do que conseguimos calcular. E esses fundos concentrados são, precisamente, aqueles que sustentam as campanhas eleitorais, os grandes meios de comunicação, etc. Ou seja, a renda concentrada aplica-se em “poder concentrado”, que, por sua vez, elabora regras cada vez mais concentradoras. Estamos bem arrumados.

  6. O Francisco Loução insiste em manter bem vivo a sua fama de demagogo e populista dando outra vez azo à pergunta: É do seu interesse um povo gradualmente mais ignorante? Porque é assim que nos trata, como ignorantes.

    A Desigualdade, além de ter como principal motor os desenvolvimentos tecnológicos (e a não ser que seja apologista dos Ludistas, não há por aí muito que se possa fazer) não é inerentemente sinal de conflito social ou de até problemas sociais.

    Veja o exemplo da Escandinávia, que tendo dos mais robustos e garantistas Estados Sociais, tem também dos níveis de desigualdade mais elevados do mundo civilizado.

    As razões são auto-evidentes, para quê poupar se o Estado garante? Quando falamos de Desigualdade, falamos de Desigualdade em activos, e essa aumentará enquanto uma pequena parte da população poupar muito e outra gastar muito.

    http://www.businessinsider.com/why-socialist-scandinavia-has-some-of-the-highest-inequality-in-europe-2014-10

    1. É sempre um gosto acolher o argumento de um defensor da desigualdade, mesmo que vagamente insultuoso. Mas é um estilo, não é “André”?

  7. Roma foi esclavagista até Dioclesiano ter inventado a domesticação dos escravos, em 304. Deixaram de existir escravos e passaram a existir trabalhadores (escravos domesticados). Ficou mais barato, deixou de haver necessidade de os comprar, de os guardar, alimentar, de lhe fazer a “senzala” e afins, porque essas criaturas vinham ter com o dono para o servir a troco de comida ou ninharias. Obviamente que com os trabalhadores a desigualdade aumenta mais do que com escravos. Os trabalhadores são mais baratos, e eliminam o custo da logística da escravatura.

    Quanto à educação actual, ela é decorrente da escola de Prussiana, instaurada no século XVIII, cujo objectivo era manter a desigualdade e o poder absolutista. Não pode retirar a educação para a desigualdade, ensinada pelo sistema de ensino que ainda vigora, do facto de a desigualdade existir actualmente. Se as pessoas são ensinadas a actuar para a desigualdade, é lógico que a desigualdade exista e aumente.

    Junte a unidade – o conceito do trabalhador (escravo domesticado) – pelo sistema de multiplicação da unidade – sistema de formação de trabalhadores (escola da barbárie feirante) – e vai perceber como é que a desigualdade aumenta.

    Como docente, não se retire da fórmula do poder mercantil, uma vez que participa nela. A universidade é agente activa na deformação da população, para que se contentem em serem meros servos de feirantes (trabalhadores). A universidade actua para domesticar pessoas às vontades dos feirantes, actua assumidamente para formar trabalhadores. Sem a universidade a pregar que devem todos ser trabalhadores (isto é, devem todos obedecer e servir feirantes e a feira), não haveria forma de instaurar e manter o actual poder mercantil totalitário.

    Quanto à civilização, para haver civilização será necessário haver conhecimento para isso. E esse conhecimento não se observa no sistema de ensino, nem na universidade, e conta ainda com a oposição da cultura da barbárie cristã. Esqueça a civilização quando fala de idade média mercantil actual.

    1. Torna-se-me cada vez mais difícil compreender o argumento e os ajustes de contas de “Epicuro”.

    2. O argumento é simples: a desigualdade existe porque agiram para que existisse. Apenas apontei o que foi feito para existir a desigualdade que relata. Esta desigualdade é uma construção humana e, como tal, é só ir buscar as acções que a determinaram e a mantêm. O que é que há de difícil para compreender?
      “ajustes de contas”?? Eu?! Que contas há para ajustar, e com quem? Do que é que está a falar?

  8. Embora não concorde com o André Toscano em relacão há motivacão do título e conteudo, há que admitir que há por parte da OCDE motivacões que não são exactamente imparcias. Cito o primeiro artigo ao qual Francisco Loucã faz referência:
    “before around 1700 everywhere (and everywhen) in the world lived on something in the range of $500 to $1,000 GDP per capita (adjusted for purchasing power and inflation, of course). Then came the industrial revolution which, as it spread, meant that some places and some people went to $5,000 a year, $10,000 a year, $40,000 a year as the rich nations are now. And certain places didn’t develop: Congo and Somalia are still in that $500 to $1,000 range for example. So, obviously global inequality has increased: and aren’t we all glad that it has? For some goodly portion of the planet has managed to escape absolute poverty even if all of us have not.
    What we’d really like is that those still in absolute poverty manage to escape it: something that is happening as Milanovic has pointed out. For as those poor countries (notably India and China) move, as they have done in recent decades, out of that historical $500 to $1,000 range then more people escape absolute poverty: and, yes, as a result, very recently that global inequality has been falling.
    It’s simply very odd indeed of the OECD to be complaining about the process by which people escape absolute poverty.”
    Concordo perfeitamente com o facto de que o aumento da desigualdade é um problema, mas também há que referir que isso é um subproduto infeliz do rápido aumento de condicões de vida e não vice-versa.

    1. O mundo mais desigual é mais perigoso. Creio que jogos florentinos são pouco argumento contra o facto espantoso – que não estava medido – do aumento da desigualdade. Os benefícios em saúde e educação eram conhecidos, a desigualdade era desconhecida. Lamento insistir no que não mudou e podia ter mudado.

    2. “For as those poor countries (notably India and China) move, as they have done in recent decades, out of that historical $500 to $1,000 range then more people escape absolute poverty”

      E à medida que eles aumentam o seu rendimento, 99% das pessoas no ocidente perdem o seu.

    3. Não sou politico, sou Engº e como tal para mim os assuntos devem ser objetivos. O titulo do seu texto indica claramente que o mundo sob o ponto de vista económico e social está pior… O que não é verdade!!! O mundo está muito melhor!!! E mais importante nisto tudo é que os pobres estão muito melhor do que há 200 anos. Claro que a humanidade deve sempre tentar igualar as pessoas, mas Dr. Louçã, qual é o problema de existirem pessoas ricas? O problema são as riquezas obtidas de forma desonesta, não todas as riquezas, muitas das vezes patrocinadas por politicos!!!!, O problema também reside nas pessoas de classe média que obtêm o seu rendimento de forma pouco clara, ou através de um emprego, onde passam os dias sem produzirem nada, onde se incluem muitos politicos, professores com horário zero, médicos que não aparecem no seu local de trabalho, funcionários de camaras e das repartições publicas que passam os dias sem trabalhar!!! Estes é que são muitos dos problemas atuais e que impedem o nosso país de ser mais equilibrado!!!
      Apesar de ter idiais politicos completamente antagónicos aos meus, o senhor é uma pessoa por quem tenho alguma admiração. No entanto fico triste com o seu despendio de energia contra os ricos de uma forma pouco objetiva e generalizada, como se fossem todos iguais, quando poderia utilizar a sua sabedoria e exposição publica, para lutar por uma lei que acabe com o monopólio dos partidos, esses sim uma praga deste país; lutar por reformas equatitativas para todos os portugueses, calculada de forma igual para todos, função dos descontos feitos ao longo da vida e não haver previlégios para politicos, empresários, militares, e alguns funcionários publicos; não haver diferenças no calculo das reformas dos funcionários publicos e os trabalhadores do privado; Não dar reformas aos atuais pensionistas, esquecendo-se dos futuros reformados, que não poderão ter as mesmas pensões porque se pagam atualmente reformas para as quais as pessoas não contribuiram; lutar por uma lei contra o enrequecimento elicito, sem os subterfugios do direito à privacidade das pessoas, pois quem não deve não teme!!!!!

      Não são muitos assuntos que mudariam o país para muito melhor. Eu enumerei aqui tres, reforma do sitema politico, reforma do sistema de pensões, e enrequecimento ilicito.

      Se o Dr. Louçã lutasse para que estes assuntos fossem resolvidos de uma vez, independentemente dos ideais politicos, certamente contribuiria muito mais para a igualdade no nosso país, do que apresentar um comentário como o que aqui faz.!!!

      Rui Santos

    4. Não, João C., a desigualdade não é subproduto do crescimento, como se estivesse escrito nas estrelas. E, Rui Santos, o meu texto é claro: houve grandes melhorias na saúde e na educação (mas não no ambiente, o que não referi). Agora, a novidade deste relatório, e por isso é o tema que foi destacado pela imprensa internacional, não é o que já se sabia sobre o progresso da esperança de vida, é o que não se sabia sobre a quantificação da desigualdade, porque esses dados não existiam. E são notáveis. Podemos, naturalmente, dizer que está tudo bem e que, como o Dr. Pangloss do Voltaire, está bem e não podia ser melhor. Ou podemos pensar sobre o que não sabíamos e é um facto esclarecido.

  9. Esperar-se-ia um pouco mais de imparcialidade numa crónica destas, mesmo sabendo de antemão as convicções políticas de aqueles que as escrevem. E com a qual não tenho problema algum.
    Mas há coisas que nos deixam, para utilizar um coloquialismo, com a pulga atrás da orelha.
    Nomeadamente, o título do artigo ser “Estamos pior que há duzentos anos” quando, na própria crónica, se admite que a alfabetização subiu de 20% para 80%, e a esperança média de vida de 33 para 70 anos. Isto é ou não é uma evolução?
    Toda a crónica transpira argumentação criada para suportar a ideia da desigualdade – que existe e não há dúvida em relação a isso – mas esperava-se uma análise um pouco mais profunda do que está realmente pior (como o título da crónica promete).
    Em vez disso, Louçã optou por pegar num relatório concreto, com números concretos, e atrelou-o à caravana ambígua da desigualdade, qual animal político a demonstrar que mesmo os melhores professores são incapazes de manter um necessário sentido de imparcialidade analítica. Bastava ter-nos fornecido mais alguns números desse relatório, e provavelmente perceberíamos que, com grande grau de probabilidade, talvez estejamos muito melhor agora do que há duzentos anos.
    Este argumento está plenamente demonstrado no início do antepenúltimo parágrafo, onde Louçã afirma que “a explicação é óbvia: as crises reforçam o poder dos poderosos”. Pois para mim esse salto duma oração para a outra, dentro da mesma frase, não é nada óbvio. É uma daquelas coisas que fica bem dizer nos dias que correm, sente-se que granjeia automaticamente um apoio tão colectivo quanto dogmático, mas parece-me uma implicação profunda e complexa demais para ser efectuada na mesma frase, assim do pé para a mão, especialmente sem qualquer tipo de fundamentação que não seja mais que uma leitura feita na diagonal dum relatório concreto.
    Pelo que podemos depreender que, quando se contratam políticos para fazer análise, o que recebemos de volta é não apenas política, mas todas as vicissitudes e manias e vícios discursivos que normalmente a acompanham. Um pouco como a memória muscular que nos permite tocar um acorde de guitarra quase inconscientemente, após o termos feito milhares de vezes.
    Louçã não o consegue evitar. Ele pertence a uma classe de político (neste caso de Esquerda, embora existam outros mil outros exemplos idênticos na Direita) que não consegue evitar tocar o mesmo acorde. Porquê? Talvez porque o saiba fazer bem. Ou então, porque já o faz sem sequer se aperceber.

    1. Que pena que não tenha lido o relatório para se poupar a esta argumentação. É que o relatório é da OCDE e a palavra “desigualdade” é do seu texto. É o relatório que prova que o mundo está mais desigual agora do que há 200 anos. Os factos são teimosos.

    2. Caro Dr. Francisco Louçã,
      O relatório que menciona concentra-se numa variedade de indicadores: Educação, Saúde, Instituições Políticas, Desigualdade Salarial, Segurança Pessoal, Qualidade do Ambiente, Indicadores de Bem-Estar, etc.
      O meu reparo foi no sentido do Dr. Louçã ter decidido pegar precisamente nesse indicador específico da Desigualdade sem sequer ter mencionado qualquer outro – para além dum breve comentário inicial acerca da Educação e Saúde – onde provavelmente também teria descoberto resultados positivos, com notável excepção do indicador da Qualidade do Ambiente.
      A própria desigualdade que menciona, e à qual se refere por oito vezes no seu texto, não foi invenção do meu comentário. Parece ter sido resultado duma escolha, consciente ou não, que o Dr. Louçã fez para se focar no resto da sua crónica (e com todo o direito), descambando no discurso já sobejamente conhecido de que as crises só favorecem os poderosos.
      Foi apenas por isso que mencionei que talvez o título da crónica induza em erro. Não estamos pior do que há duzentos anos. Estamos mais alfabetizados, mais saudáveis, vivemos mais tempo, sentimos mais segurança.
      Em nenhuma página do relatório, ou do prefácio, ou do resumo, essa suposta correlação entre desigualdade salarial e qualidade de vida nos últimos 200 anos é traçada (embora tenhamos uma “sensação” implícita de que seja esse o caso mas, como sabemos, sensações não fazem Ciência).

      E com isto deixo a ressalva que não contesto nenhum dos dados que apresentou. O meu reparo foi unicamente no sentido daquilo que referi anteriormente. Focar uma crónica num relatório, enfatizando apenas um dos indicadores que lá aparecem mencionados, partindo do particular para o geral, parece um exercício tendencioso. Não contexto a informação que menciona. Apenas a forma como nos está a ser vendida.

    3. André Toscano, talvez se lesse a Forbes não atirasse pedras. O que a imprensa internacional destaca, e não tem uma agenda esquerdista sinistramente escondida, é precisamente o que não estava quantificado: o aumento da desigualdade.

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