Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Ricardo Cabral

3 de Setembro de 2014, 22:36

Por

Recente carta aberta a Merkel

Especialistas e antigos oficiais superiores dos serviços secretos americanos[1] – que recomendaram à Administração Bush que não invadisse o Iraque em 2003 porque, argumentavam, não havia evidência de armas de destruição maciça – escreveram recentemente uma carta aberta à Chanceler Angela Merkel a avisá-la, antes da cimeira da NATO que decorre a 4-5 de Setembro no país de Gales, que:

  • – As acusações de invasão da Ucrânia pela Rússia não parecem ser suportadas por informação fidedigna;
  • – Há “falcões” no Departamento de Estado dos EUA e na NATO que têm pouca experiência de guerra e já deram conselhos errados, por exemplo no caso da Síria, onde os EUA estiveram prestes a lançar um ataque militar em grande escala, sem informação fidedigna;
  • – O Presidente Putin tem demonstrado prudência até aqui, mas a Rússia pode também desencadear uma guerra de “Schock and Awe”, tal como Rumsfeld no Iraque em 2003 e que, portanto, é necessária grande ponderação;
  • – Em 2008, o ministro dos negócios estrangeiros russo, Sergey Lavrov, avisou o embaixador dos EUA, William Burns, que a Ucrânia era a linha vermelha: não podia ser integrada na NATO, porque dada a presença de russos no leste do país, a Rússia receava uma guerra civil. Se isso acontecesse, previa, que a Rússia poderia ser obrigada a intervir militarmente na Ucrânia;
  • – Dois meses depois, numa cimeira da NATO foi feita a declaração que “a Geórgia e a Ucrânia pertencerão à NATO”;
  • – As recentes derrotas sofridas pelo exército da Ucrânia podem não se dever à intervenção militar russa, mas a erros e liderança incompetente, na campanha do exército da Ucrânia;
  • – Os “federalistas” gozam de muito apoio, devido ao bombardeamento, pelo exército da Ucrânia, dos principais centros populacionais;
  • – A situação exige um cessar-fogo para evitar uma intervenção militar russa, que ocorrerá, se nada for feito. E o problema é que Kiev não quer um cessar-fogo;
  • – A NATO tem de dizer a Kiev que a Ucrânia não pertencerá à NATO e que Kiev não terá o apoio da NATO numa guerra contra a Rússia. (negrito acrescentado pelo autor)

 

O anúncio de um potencial cessar-fogo é uma boa notícia!

 

 

[1] Entre eles, um ex-director da National Security Agency (NSA), William Binney, que se demitiu da NSA em 2001 em protesto contra a recolha de dados por essa agência, que na sua opinião, violaria a Constituição dos EUA.

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