Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Ricardo Cabral

28 de Agosto de 2014, 11:40

Por

Estado comatoso

A Zona Euro parece não ter saído da crise. A Alemanha registou uma queda de – 0,2% do PIB em cadeia, no segundo trimestre de 2014. A França estagnou (0%). Portugal cresceu 0,6% no segundo trimestre, mas estagnou no primeiro semestre de 2014 (– 0,6% no primeiro trimestre).

Não nos podemos dar por satisfeitos com tais taxas de crescimento anémico e com as elevadas taxas de desemprego (a intervenção de Mario Draghi, em que sugere uma “flexibilização da austeridade“, intitulava-se, não acidentalmente: “Desemprego na zona euro”).

A União Europeia tem de ser capaz de se reinventar.

Rüdiger Dornbusch, um alemão, que fez a sua carreira académica nos EUA, tendo sido professor de economia no MIT e co-autor, com Stanley Fischer e mais tarde com Richard Startz, de diferentes edições de um livro de referência de Macroeconomia, defendia que as crises demoravam muito mais tempo a eclodir, do que se pensa, e depois ocorrem com muito mais rapidez do que alguém poderia pensar. Numa entrevista à PBS acerca da crise no México em 1995, afirmou:

“The crisis takes a much longer time coming than you think, and then it happens much faster than you would have thought, and that’s sort of exactly the Mexican story. It took forever and then it took a night.(negrito acrescentado pelo autor).

Mau presságio a resposta de François Hollande à crise no seu governo.

Se a Europa não for capaz de sair do actual impasse, as palavras de Rüdiger Dornbusch poderão vir a revelar-se premonitórias. O clímax da crise pode parecer demorar muito tempo a vir. Mas, quando chegar, arrancará – a mal – a Europa do seu torpor!

Comentários

  1. A iliteracia funcional parece afectar o Dr. Ricardo Cabral . Penso que lhe terao proposto escrever uns posts sobre tudo menos economia. Assim de repente parece que este post, bem como a grande maioria dos restantes posts desta seccao do jornal, sao sobre economia e financas. Ja nem editores de jeito restam em Portugal.

  2. Na verdade, ouve-se recorrentemente que se a Europa(sobretudo Zona Euro) não encetar reformas sérias, profundas e extensas, entrará inelutavelmente em declínio. A Europa saiu da Segunda Guerra Mundial com um PIB per capita que era, em termos nominais, menos de metade dos Estado Unidos da América(EUA). Nas três décadas seguintes a Europa reduziu esta distância para metade; em finais dos anos 80, o PIB per capita europeu estava em 80% dos EUA, e desde então houve uma estagnação(Alberto Alesina; Francesco Giavazzi, O Futuro a Europa. Reforma ou Declínio, Lisboa, Ed. 70, p.17). Nos últimos anos a União Europeia(UE) tornou-se uma estrutura política heterogénea, talvez até demais heterogénea, complexa, “pesada”, pouco dinâmica e inovadora. Determinados países aderiram ao Euro e outros não; com diferentes vozes sobre política externa; sem o mesmo tipo de “mutualismo” que uma estrutura federal deve contemplar, quando um dos seus estados entra em desequilíbrio financeiro. A UE, por um lado, é uma estrutura política federal, por outro é um amontoada de “egos nacionais”, em completa divergência: política, económica, financeira. Das instituições mais emblemáticas: Parlamento Europeu, Conselho Europeu, Comissão Europeia,Tribunal de Justiça da União Europeia, Banco Central Europeu, só os dois últimos, de facto, atuam como duas “verdadeiras” instituições federais, em traços gerais, com poder vinculativo e de influência. Em resumo, para a Europa “sair do atual impasse”, não terá de primeiro saber qual o caminho a percorrer em termos de organização política? Não terá primeiro de “arrumar a casa”?

  3. como uma mulher leva o melhor vestido à festa anual, Draghi levou os seus melhores parágrafos
    para quem assiste o resultado é exatamente o mesmo – saem de lá frustrados

    1. Sim, concordo. Certas pessoas e instituições dizem coisas perfeitamente razoáveis – com que não se pode senão concordar. Isso não significa necessariamente que fazem o que dizem.

  4. Dornbusch relacionava-se com uma ideia de mercado cambial que já não existe…….
    a questão está é com a estrelinha de francisco louçã

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