Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

19 de Agosto de 2014, 16:30

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Inflação negativa

Os últimos dados sobre o índice de preços no consumidor (IPC) evidenciam uma preocupante tendência. Em termos homólogos (Julho 2014/Julho 2013), o IPC regista uma impressionante variação negativa de 0,9%. Em termos de média anual, o índice também passou a negativo (-0,2%). Também significativa é a circunstância de a inflação subjacente (isto é não considerando produtos alimentares não transformados e produtos energéticos), apresentar uma variação homóloga negativa (-0,4%).

Com a estimativa do INE para a variação do Produto no 2º trimestre (0,8% em termos homólogos), aproximamo-nos de uma variação do PIB nominal quase nula.

Estes valores de inflação negativa correm o risco de se prolongar e generalizar provocando uma situação de deflação. E se, no curto-prazo, se podem assinalar algumas vantagens (ainda que às vezes mais aparentes do que reais) para os orçamentos familiares e para ganhos de competitividade externa (sobretudo para fora da UE), a armadilha da deflação é perigosa e tendencialmente recessiva. É uma situação complicada para quem esteja numa situação devedora (é o caso, desde logo, da dívida pública) resultante da não erosão monetária do valor a pagar e do aumento da taxa de juro real e tem impacto nefasto sobre a actividade económica resultante de adiamento de decisões de consumo e de investimento.

Assunto que, todavia, não parece preocupar os responsáveis nacionais e que, a nível europeu, ainda não está a ser suficientemente convincente para o BCE (que, recorde-se, deveria trabalhar com o objectivo de uma inflação de 2%) tomar medidas não convencionais de dinamização da economia.

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