Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Ricardo Cabral

10 de Agosto de 2014, 22:41

Por

Política pública sem sentido

Nos primeiros três dias de doença, um trabalhador, quer do sector privado[1], quer do sector público, tem corte de 100% no seu salário, isto é, não recebe salário algum. Se recuperar, voltar ao serviço, mas depois tiver uma recaída e necessitar de nova baixa, seguem-se mais três dias sem qualquer vencimento. É ainda obrigado a entregar justificação no prazo de 5 dias úteis (por exemplo, atestado médico). Se estiver doente pode ver-se forçado a sair de casa para obter o atestado médico.

Ou seja, 3 dias de baixa médica podem resultar numa redução de salário líquido de perto de 10%, além das despesas com saúde que possa ter.

Quem tem o azar de ficar doente fica ainda com a carteira mais leve.

Em resultado desta política pública vêem-se, sobretudo no inverno, nas escolas, nos infantários, nos hospitais e, por esse país fora, muita gente doente que pode contagiar outras pessoas. Isto porque não pode prescindir do dinheiro que perderia ao solicitar uma baixa médica.

Que forma de tornar o país menos produtivo e mais doente!

 

[1] Uma empresa do sector privado não é obrigada a pagar aos funcionários os 3 primeiros dias de baixa, mas pode fazê-lo, se assim o entender. A Segurança Social só paga a partir do 4º dia consecutivo de baixa.

Comentários

  1. As empresas estão pouco interessadas no bem-estar dos seus colaboradores: importa a assiduidade, a disponibilidade para ficar mais uma “meia-horazita”, compensar aquele almoço que demorou mais 5 minutos, fazer a vez do “chefe” em reuniões de administração quando este tem que viajar ou ir buscar os filhos à escola, ter aquela conversa difícil com os “colegas” que infelizmente vão deixar os quadros da empresa. O estigma de não estar doente a uma 2ªFeira, a contabilidade dos dias de férias trocados à força – a assistência à família esgotada logo nas primeiras semanas do ano – por consultas de urgência, ora com os pais, ora com os filhos custam tanto ou mais que a perda de vencimento. Nada disto teria importância se as regras fossem iguais para todos. Mas o facto é que não o são. É Portugal igual a si mesmo, nas assimetrias das classes mora também a assimetria dos direitos e deveres. Por esta razão o progresso nunca morará por aqui.

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