Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

6 de Agosto de 2014, 17:45

Por

Denúncia (2)

“A vida económica é juntamente social e moral (…) É coisa manifesta que nos nossos tempos não só se amontoam riquezas, se acumula um poder imenso e um verdadeiro despotismo económico nas mãos de poucos que as mais das vezes são simples depositários e administradores de capitais alheios, com que negoceiam a seu talante. Este despotismo torna-se intolerável naqueles que, tendo nas mãos o dinheiro, são também senhores absolutos do crédito e por isso dispõem do sangue e que vive toda a economia (…) ”.

“Este acumular de poderio e recursos, nota característica da economia actual, é consequência lógica da concorrência desenfreada, à qual só podem sobreviver os mais fortes, isto é os mais violentos competidores e que menos sofrem de escrúpulos de consciência”.

Este é um pequeno excerto da Encíclica Quadragesimo Anno de Pio XI (1931) escrita no rescaldo da Grande Depressão. Há, imagine-se, 83 anos!

Mudam os tempos, os meios e (como agora sói dizer-se) os veículos, mas permanecem as atitudes.

Continuamos num plano muito inclinado de indiferentismo ético. Dêem-se as voltas que se derem, não há “soluções técnicas” para “défices éticos”. Sob pena de recidivas cada vez mais dolorosas…

Comentários

  1. Boa Noite.

    O que o senhor está a dizer é que se revê nas conlusões marxistas, mas que não é marxista porque (escrever algo vago aqui que o pareça justificar)?

    Cumprimentos,
    Stephane

    1. Fiz uma referência a um texto importante da Doutrina Social da Igreja, para se perceber que os contextos mudam mas os problemas (éticos) permanecem. Não sou marxista, nem creio que da leitura do excerto da Encíclica se possa retirar essa conclusão. O que não impede que haja pontos de vista que podem coincidir.

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