Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

3 de Agosto de 2014, 23:17

Por

Três perguntas que ninguém parece querer fazer sobre o “novo banco”

Durante o fim de semana, deu-se o milagre: alguns comentadores terão recebido um telefonema cordial do ministério das finanças a dar a cada um, em primeira mão e em total exclusivo, os detalhes explicadinhos da engenharia financeira que o Governador haveria de anunciar às 22.53 deste domingo, no meio da sua enxurrada de autojustificações.

O telefonema foi simpático, mas esqueceu-se de dar três detalhes, e os destinatários, encantados com a distinção, parece que não perguntaram.

Primeiro detalhe: os bancos que se responsabilizam pelo empréstimo da troika ao Fundo de Resolução não exigem uma garantia do Estado? Quem acredita que Ulrich ou Amado vão tirar as castanhas do lume dos Espírito Santo, arriscando os seus próprios bancos, que levante a mão. Se, além disso, acredita que estes bancos esperam em seis meses recuperar o valor (para ser logo depois ser vendido a um novo proprietário que lhes vai disputar o mercado) de um banco de que tanta gente vai tirar os depósitos na 2ªf de manhã, então merece ser santificado. O Estado, ou seja, as nossas carteiras, vai dar a garantia. Vamos ter de pagar.

Segundo detalhe: os credores que foram exilados no “banco mau”, mas que fizeram operações com o BES, o tal banco de dois milhões de depositantes, vão aceitar agora perder o seu dinheiro sem levarem a tribunal o Estado ou o “novo banco”? E os pequenos accionistas? Vamos ter de pagar, se a coisa corre mal.

Terceiro detalhe: nos empréstimos com dinheiro da troika ao BCP e BPI, o Estado ficava com acções do banco (embora fossem acções especiais com direitos diminuídos) e tinha ainda assim uma palavra nas suas operações. Agora, vai emprestar a um Fundo que não tem recursos próprios, entrega o controlo da coisa aos outros bancos e não tem uma palavra a dizer sobre a condução e estratégia das operações financeiras. É dar o ouro ao concorrente do bandido.

Qual o prazo, quais os juros, quais os contratos, quais os despedimentos, tudo isso é mistério. Mas as três perguntas que não ficaram respondidas é que vão custar muito caro aos contribuintes.

Comentários

  1. Depois de ler atentamente o artigo e os respectivos comentários concluo que não me enganei no meu pensamento original: tudo isto foi um pernicioso complot e, mais uma vez, quiseram tapar o sol com a peneira a um Portugal que continua ignorante, mal pago, vexado, injustiçado e, acima de tudo, a caminho da miséria de um Povo que se bateu durante anos para sair dela.
    Os “iluminados” deste País devem estar super felizes… e de bolsos cheios, claro!

  2. Olá, Dr Francisco Louçã.. Em caso de lucro na revenda , este vai para o Bes, Bad Bank. Em caos de perdas, vão para o Fundo, dono das acções do Novo Banco. Logo para os acçionistas deste. E o Juros dos empréstimos+Juros não recebidos do dinheiro do Fundo? Vão ser pagos pela Banco também, não é? São mais de 150 mios de Euros ao ano….. Adivinhem a quem a Baca vai sacar esses juros ?E a competitividade da Banca a nível europeu?

    1. Essas questões continuam muito nebulosos. Compete ao BdP esclarecê-las e ainda não o fez.

    2. Espero que pessoas como o Francisco Louçã, continuem a denunciar tudo o que está a acontecer. Investi as minhas pequenas economias em ações do BES, convencido pelas inúmeras declarações de vários responsáveis como Ministra da Finanças, Governador do Banco de Portugal, Presidente da Républica entre outros… A decisão tomada foi colocar os acionistas no Banco mau… que critério é este de que “o que é bom fica para mim, o que é mau fica para os outros…”. Como eu estão cerca de 43.000 pequenos investidores que foram incitados a investir e depois ficaram sem nada, porque alguém ao estilo de um regime ditatorial assim o decidiu.

    3. Sem dúvida, Carlos Silva, e é esse um dos aspectos que torna esta solução estranha e mal calculada. E injusta.

    4. Eu oferecer empréstimos para organizações comerciais e privados, que variam de 2.000 € a um máximo de €2.000.000 que oferecer empréstimos pessoais, consolidação de dívidas, empréstimos comerciais, venture capital, empréstimos, moradia estudantil ou “empréstimos por algum motivo qualquer! No entanto, nosso método oferece a possibilidade de indicar o montante do empréstimo e também a duração que você pode pagar, são devidamente certificados e registrados

  3. Parece uma telenovela mexicana mas ao contrário desta já se sabe o resultado. ao fim de vários anos de mexe mexe não vai dar em nada.
    O BDP já sabia disto desde 2012/2013 pois já tinha sido avisado e resultante das auditorias efectuadas pela KPMG.
    O governo fartinho de saber da situação com informação priveligiada de todos os quadrantes.
    Não requisição da ajuda estatal fez soar campainhas.
    há dois anos que a familia ES está a dissipar a sua fortuna. (consultar histórico de vendas)
    Negócios angolanos onde milhoes desaparecem sem que ninguém se importe muito com isso.
    Por aqui se o Sr. DDT começa a falar vem isto tudo a baixo. vai ser bonito de ver toda a gente com o rabo preso e a arder a rezar para que dê uma coisinha má ao senhor de preferência das que não permitem falar.

    1. Inteiramente de acordo com esta expressiva e muito assertiva constatação de pcosta.Contudo afirmo que nem “toda a gente , (felizmente),vai ficar com o rabo preso e a arder”, como será o meu caso…mas que os haverá, haverá e são muitos. Esses quererão vê-lo numa fria….

  4. Além das vossas 3 perguntas pertinentes, duas sobre o “mau banco” (o velho BES) e a 3ª sobre o “novo banco”, vejo a possibilidade de o “Novo Banco” se revelar como um nado morto devido à previsível fuga paulatina dos seus depositantes para outras entidades e a falta de acesso a novos empréstimos no mercado internacional, isto porque não age como um real banco, porque ainda não é uma sociedade anónima bancária cotada no mercado de acções nesta fase de limbo por um tempo indefinido.

    1. e hoje no wall street journal
      afinal o Moreira Rato tambem éra sócio dos espirito santo
      tá tudo envolvido
      fracote

  5. Excelente e muito esclarecedor contributo de Francisco Louçã e comentaristas diversos a propósito!Tudo o que se está a passar, é assustador e jamais visto em Portugal, mas há muito esperado. Mas é ou não verdade que ,muitas das irregularidades, agora referidas e proclamadas, pelo Governador do Banco de Portugal eram ,desde Novembro de 2013, do conhecimento deste Governador ,por denuncia, após devassa feita a mando de Pedro Queirós Pereira ( no seguimento do caso SEMAPA/PORTUCEL), de todas as irregularidades cometidas pelo GES aqui e fora do Pais?E que essa denuncia fora materializada com dados documentados e mais que provados?E porque não foi imediatamente suspensa toda a admnistração do BES/GES que se servia do BES , como de coisa sua se tratasse? Não! Os culpados “morais”estão também na supervisão,na CMVM e no Governo…

  6. Qual a relação desta intervenção com o facto do BESA ter perdido a garantia do estado angolano de 4.2 mil mios Euros no mesmo fim de semana ? O Banco de Portugal foi avisado? Viu que isso iria juntar mais quanto (até 3.600 mil Mios €)? aos 4.253,5 milhões de imparidades reconhecidas a 30 Junho ? Juntos come o capital todo do Banco. Não conseguiram resistir a Angola? Vamos nós pagar pela anulação da garantia existente ? Foi este o filme ? Seria muito grave se fosse o caso. Mas pareço ser o único a fazer a relação. Devo pois estar enganado. Por favor desmintam-me..

    1. Este comentário já tinha sido publicado, mas aproveito para corrigir um erro meu, porque respondi que não sabia de alguma alteração em Angola. De facto, José Mendes tem razão e as garantias públicas angolanas ao BESA (provavelmente ilegais em Angola) foram mesmo anuladas pelo Presidente Eduardo dos Santos. Isso não implica necessariamente a perda dos mais de 3 mil milhões emprestados pelo BES ao BESA mas cria um forte risco. Voltarei ao assunto quando tiver mais informação.

  7. Boa tarde (estou na Costa Leste americana). Gostava de referir alguns elementos, até agora ausentes quer do comentário inicial quer dos interessantes comentários publicados, com excepção do comentário do Carlos Martins que penso ser o único que apresenta uma validade especial dado que denuncia algo que pode mudar completamente em este caso, de simples dolo para o cálculo frio ao longo de anos a fio, algo que será culpabilizante para toda a acutal ceifa de governantes. Em primeiro lugar os factos: nenhum jornal em Novembro referia as acções no luxemburgo vendidas aos balcões como complemento ao empréstimo CR7. Facto: existe desde Agosto de 2013 um blogue chamado BES: o novo BPP que foi divulgado nas redes sociais levando a milhões em levantamentos de vários clientes mais avisados. Facto: este blogue não teve ainda uma só notícia dedicada a ele em nenhum jornal português. Ou seja, nenhum dos jornalistas que agora dança em cima do cadáver do BES se deu ao trabalho “jornalístico” de verificar coisas tão simples como códigos de obrigações na Bolsa do Luxemburgo, presentes no blogue BES: o novo BPP. Sendo que para fazer isso apenas era preciso fazer copy/paste dos códigos das obrigações conclui-se que não é possível a sonegação da informação do respectivo blogue aos jornais portugueses não tenha sido intencional por parte das direcções e proprietários dos mesmo orgãos de comunicação social. Os mesmos jornais que perseguem uma bimba pelas discotecas lisboetas certamente consegue num computador fazer copy/paste de um código de uma obrigação. Facto: n existe nenhuma acção movida pelo BES aos admnistradores do BESA. Existiu a notícia de tal acção mas nunca existiu a acção. Nem nunca o BdP achou necessário perguntar como é que uma filial pode pedir uma garantia de crédito no valor da capitalização total da casa-mãe. Tal facto é, facto de novo, em si mesmo um crime e como tal o BdP deveria ter sido imediatamente investigado pela PGR. Facto: António Sobrinho continua a ser visto publicamente com vários homens da extrema confiança de Ricardo Salgado, mas já aconteceu uma quase confrontação física entre ele o o Ricciardi filho em Paris, no famoso Gordon a le Trianon. Tal supõe que não existe nenhum adversidade entre Ricardo Salgado e o homem que o privou de 3.3MM de euros. Mais ainda constata-se que o Banco mau em nada responsabiliza a família. De facto a família ES tinha os 20% de acções do BES hipotecadas várias vezes de várias formas, não sendo de maneira nenhuma responsável por estas neste momento. Sendo assim, novo facto, a família ES em nada é prejudicada com o Banco Mau, apenas os accionistas, 40% dos quais foram ao aumento de capital e foram acumulando acções do BES fundeados nas acções e palavras do Governador do Banco de Portugal. Facto: pelo referido anteriormente, e pelas pessoas individuais da família em nada serem responsáveis na gestão das empresas referidas, em nada a família ES será afectada pela falência de todas essas empresas. Curiosamente a famosa Herdade da Comporta foi vendida recentemente a uma holding suiça sem qualquer ligação à família ES. Mas curiosamente ninguém saiu das várias casas que lá estão, quem me dera ter um senhorio assim complacente. Facto: o buraco do BES ajusta-se na perfeição aos fundos disponíveis para o fechar. Numa outra notícia um comentador do Público.pt resumiu aquilo que é a impossibilidade de isto ser uma coincidência: “imagine que eu saiu de casa para pagar uma fatura de luz de 50 euros sem dinheiro para a pagar. Quais as possibilidades de entre a minha casa e a payshop eu encontrar exactamente 50 euros?”. A resposta é simples: quase nenhuma. Porém curiosaemnte há dois anos que os portugueses pagem juros de dinheiro que supostamente não seria necessário. Ou seja, novo facto, há dois anos que o buraco do BES é conhecido sem existir na totalidade. Novo facto: o buraco do BES foi alargado até esta dimensão com o acordo tácito dos governante portugueses. Novo facto: Portugal é uma oligarquia em muito mais despodurada que a russa, dado que até no fim de semana se passam leis que na semana anterior nem se sabia que iam ser necessárias. Em relação a este último facto, talvez a minha opinião seja um pouco optimista, e Portugal seja mesmo uma ditadura. Os portugueses aparentemente não querem saber destes factos.

    1. Bom dia caro José Pacheco ( :-) aqui CST, também nos USA) – faço a exacta mesma leitura, além de um protectorado, Portugal é, como sugere, uma ditadura. A contribuição de FL (http://www.ipp-jcs.org/wp-content/uploads/2014/07/report-1-2014_.pdf) é um trabalho de referência que aplaudo, e espero que de leitura obrigatória para quem quer os números que descreve o problema e a sua possível gestão. Mas como vc, também eu não vejo qualquer possibilidade da sua execução sem resolver o contexto em que um povo de gente livre se submete voluntariamente a uma ditadura de capatazes ao serviço de um casino. Do que vou lendo com a obsessão de quem vive longe, parece-me que as duas referências que balizam uma saída possível desta situação continuam a ser as analises de João Ferreira do Amaral (http://www.fnac.pt/Porque-Devemos-Sair-do-Euro-Joao-Ferreira-do-Amaral/a679835) e Thomas Piketty (http://www.amazon.com/Capital-Twenty-First-Century-Thomas-Piketty/dp/067443000X). Como ambos argumentam, uma análise económica sem uma perspectiva histórica e política é mesmo assim importante, mas não mais do que isso. Especificamente, só a saída do Euro e o reset das desigualdade corrompida que resultaria do inevitável incumprimento, parecem resolver os problemas descritos nessas duas obras. Sem isso, não vejo como o mercado pode re-emergir como um espaço de crescimento e enriquecimento meritocrático, ou como a política pode voltar a ser verdadeiramente representativa e democrática.

  8. Excelentes perguntas que merecem respostas simples, claras e verificáveis. Do lado da judicial este caso será mais uma ocasião para testemunhar a podridão do MP e da justiça.

    1. É sempre um gosto registar um comentário de “Madoff” nas presentes circunstâncias.

    2. lol;
      tens mta graça-
      isto é tudo ordenado por ti-
      devias dedicar-te a tarefas de utilidade geral e assumidamente produtivas e não abastecer os lucros de B de Azevedo.
      ou apenas as receitas. que interessa-
      nada fazes por uma verdadeira renovação cultural

    3. «Do lado da judicial este caso será mais uma ocasião para testemunhar a podridão do MP e da justiça.»

      Ainda acredito que há e pode continuar a haver JUSTIÇA em Portugal (porém, muita coisa tem de ser mudada, como p.e. as caras e as vestimentas políticas). O que não acredito é nos POLÍTICOS carreiristas e/ou profissionais. Discursos, (algumas) boas construções frásicas e olhos iluminados pela paixão do debate. É vê-los na Assembleia da República, quantas vezes em manifesto espetáculo de hipocrisia, gerando, no mínimo, a indignação do CONTRIBUINTE. Ora a Assembleia legisla e, por isso, tem mecanismos ao seu dispôr para travar eventuais desfechos judiciais suscetíveis de gerar vítimas por ocorrência de prescrições. Todavia, perante certos casos nada faz, remetendo-se a um silêncio sepulcral, ou, então, ao oficial «Lamento» ou «Não comentamos decisões judiciais».
      Naturalmente que os «BES» vão SAFAR-SE. É que mesmo que um Procurador os acuse ou um Juíz de Instrução Criminal os pronuncie, há-de haver um FALSO BRILHANTE que se lembrará do Tribunal Constitucional e, quando menos se espera, assistiremos a outro preceitozinho do Código de Processo Penal ser declarado inconstitucional, com todas as consequências a tanto inerentes. O CONTRIBUINTE reclamará, mas como o tempo tudo faz esquecer e a CULPA continuará SOLTEIRA, os CULPADOS serão vítimas e ávidos peticionantes de indeminzação por atentado ao seu BOM NOME, IMAGEM e CONSIDERAÇÃO.
      Os JUÍZES ou o JUÍZ que eventualmente pronunciar ou julgar o caso, cingir-se-á às decisões do Tribunal Constitucional e, por isso, ficará de MÃOS ATADAS sem nada poder fazer, nem sequer EXPLICAR aos CONTRIBUINTES o processo.

      Não podemos esquecer que depois de um tempo passado, enterram-se as memórias, os CULPADOS surgirão louvados com honras da comenda de Cristo, por serviços prestados ao Estado e/ou recomendados para Conselheiros de Estado.
      Hum…tudo vivido no mais amplo espaço estético, dito fino e seleto de um bom bairro social ou pelo menos tornado assim pelas imobiliárias do costume.
      Quanto ao BRILHANTE defensor ( será mais BRILHANTE se falar muito em ESTADO de DIREITO), há-de ser chamado para entrevistas, dar pitadas em Direito e eventualmente ser BASTONÁRIO…
      O Defensor das vítimas – assistentes – será rotulado de INIMIGO e calar-se-á, a não ser que continue com o chumbo ativo e sem medo…(porque existe dessa espécie em PORTUGAL).

      Portanto, vamos ter espetáculo, com altos e baixos, mas a FINAL, tudo acabará em BEM.
      Macacos que se andam a meter com a família Espírito Santo…uma espécie de Kennedy no Estoril…aqui nos Estados Unidos, os Madoffs quando são apanhados são encarcerados em muitas LIFE SENTENCES….e arranca que o trânsito não pára.

  9. Parece-me que existe pelo menos uma confusão no terceiro ponto.

    O estado não ficou com nenhuma acção especial no BCP nem no BPI. O que o estado fez foi a compra de instrumentos financeiros de capital contingente que contavam para os rácios do banco, por forma a estes ficarem de acordo com os limites estabelecidos pelo banco de Portugal. Esses instrumentos têm vindo a ser pagos pelos dois bancos com taxas entre os 9 e 10 por cento.
    De acordo com a legislação na altura em vigor esses bancos ficaram sujeitos a restrições a nível de operações e tiveram de obedecer a um plano aprovado pela UE, que passava pelo redimensionamento. O estado também decorrente da mesma legislação tinha de colocar alguém no CA dos bancos.
    No caso do bes, a legislação também mantem as mesmas restrições, e o estado através do BDP basicamente nomeou a equipa de gestão que quis para o Novo Banco.

    As perdas decorrentes da alienação do novo banco ficaram a cargo do fundo de resolução, e como ja foi hoje explicado pela ministra o emprestimo feito ao fundo tem a duração de 3meses sendo renovável ate ao máximo de 2 anos, sempre com penalização nos juros pela renovação.

    O BAD bank terá de funcionar como uma qualquer insolvência em Portugal. Não tem nenhum direito especial.

    A maior questão disto é o apuramento de responsabilidades, e a mim parece-me incrível como a cmvm e kpmg estão a passar nos intervalos da chuva. E isto sim seria uma boa luta que era obrigar as empresas do PSI 20 pagarem uma taxa a cmvm , para esta escolher a empresa que iria auditar durante 3 anos, sendo que passado esse prazo, teria de ser uma nova empresa e não um novo roc.

    Quanto ao ponto 2, o mercado accionista tem risco associado, mas da mesma maneira que alguém perdeu dinheiro com a queda muita gente também ganhou dinheiro. As regras do jogo a nível do risco sao claras. Para mim a única questão pode ter que ver com o ultimo aumento de capital, mas esse problema na minha maneira de ver, ficou isolado no BAD bank, se a massa falida der para pagar os credores e todas as contingências judiciais que possam advir então tudo bem, se não der, como qualquer insolvência focam os credores a arder.

    1. Precisamente: os instrumentos financeiros de capital contingente foram o artificio jurídico para uma compra de acções sem direitos.

  10. Pingback: Anónimo
  11. Ao ler todos os pertinentes comentários aqui inscritos, fica a sensação que o Banco Portugal disse-nos muito pouco, a nós – cidadãos deste País. Outra das possíveis conclusões é, constatar nestas linhas o fim de um determinado capitalismo. Um “capitalismo à portuguesa”. As redes, a promiscuidade entre política e negócios, o cruzamento de poderes, a influência, as redes informais. Para trás fica o escândalo «Portucale»(abate de milhares de sobreiros» e o desaparecimento de cena do ex-ministro do Ambiente do Partido visado, e a zanga com o seu Presidente; o enigma das «luvas» dos submarinos e do papel da Escom; o inside trading e as ações da EDP; a operação Monte Branco; os(muitos) políticos que vêm do Banco e do Grupo BES diretamente para o Governo e para ocupar lugares no Estado; as práticas fraudulentas; o desaparecimento de milhões de euros no BESA; o poder tentacular do ex-Presidente do Conselho de Administração e a sua aproximação aos primeiros-ministros e a proposta na sua mansão de um candidato a Presidente da República, etc. Em suma, a Casa de Câmbios que nasce no início do século XX, e que se desenvolve através de uma dinastia e, depois, de uma esquema de holdings em cascata e de cinco ramos da família, desparece sem dó nem glória nesta segunda década do século XXI. E pasme-se, o seu homem-forte, com o “mundo” a cair ao seu redor, ainda não deu conta da realidade, e já prometeu vir a terreiro falar quando tudo assentar.

    1. É isso mesmo, José Figueiredo. Não se sabe nada de detalhado sobre a solução, nada de concreto sobre as investigações a escândalos passados, alguns com mais de uma década.

  12. > “o capítulo sobre a resolução bancária ou o resumo inicial de duas páginas. As soluções técnicas não são simples, simples é a demagogia e esse relatório detesta a demagogia.”

    Ufff, li com atenção a sua proposta (http://www.ipp-jcs.org/wp-content/uploads/2014/07/report-1-2014_.pdf) e sou no final assaltado por pensamentos pouco democráticos sobre a alínea 15 “A proposta pressupõe negociação e acordo com a União Europeia e os credores, mas a sua implementação é igualmente possível caso não haja acordo, neste caso com decorrentes alterações.”

    Nem a História nem as forças que empurram a UE para a federalização sugerem que a Democracia seja particularmente eficaz em gerir a alínea 15. Talvez neste contexto a sua defesa da Democracia formal (partidária, a única possível no tempo útil da resolução da dívida soberana e da subordinação irreversívelmente empobercedora ao protetorado pela UE) na resposta aos comentários deste artigo seja ela própria algo demagógica. Acho fascinante que a sua primeira referência nessa proposta seja a de um comentário pelo Adriano Moreira (http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=600564&tm=9&layout=122&visual=61) que não é provavelmente o seu modelo de democrata. Leva-me a pensar que a alternativa também lhe passa pela cabeça. Talvez uma saída forçada (incumpridora) do Euro e da EU, talvez a reboque das ondas histórica (pela vetusta direita patriótica? pelos quase extintos militares? pela apagada esquerda revolucionária?) que a potencial saída do Reino Unido em 2017 certamente causariam, sejam o contrapondo da sua alínea 15. É este o calendário das alternativas às suas propostas? Paradoxal que a sua análise me deixa cheio de esperança no futuro, pela alternativa se não for seguida a sua proposta :-D.

    1. É sempre difícil raciocinar na base de contrafactuais ou de meras hipóteses. Apresentar uma proposta competente e sólida tem uma função essencial: provar que é possível reestruturar a dívida soberana, que é necessario intervir no sistema bancário, que se pode reduzir a dívida externa, e forçar assim o debate a elevar-se para soluções trabalhadas e quantificadas. Adriano Moreira é citado a respeito de uma constatação em que concordamos com ele, Portugal tornou-se um protectorado; não vale a pena inferir outras convergências filosóficas, que aliás não são legítimas em nenhum caso em que se cite um qualquer autor.
      Finalmente, a União Europeia prejudica essas soluções razoáveis, sim. É por isso que indicamos o problema do Tratado Orçamental. Pensamos em alternativas, e discuti-las-emos depois, mas para já concentramo-nos em discutir o que nunca ninguém tinha apresentado, um modelo viável e concreto para o que um governo competente tinha que fazer quanto à dívida.

    1. Só são excluidas mensagens que sejam insultuosas, conforme politica geral do jornal, com a qual concordamos. Não encontro registo de nenhum comentario seu.

    2. No comunicado do BP lê-se que (…) b) A realização de operações de colocação de títulos, envolvendo o Banco Espírito Santo, o Grupo Espírito Santo e a Eurofin Securities, que determinaram um registo de perdas nas contas do Banco Espírito Santo no valor total de 1249 milhões de euros, com referência a 30 de junho de 2014. (…)

      A Eurofin tem como CEO um tal Alexandre Cadosh, com ligações a Monfortinho (Monfortur SA), empresa especialmente acarinhada por Ricardo Salgado. Há anos a Eurofin comprou a Nau Capital, cujos sócios eram na altura João Poppe (hoje na Eurofin) e – imagine-se! – João Moreira Rato (actual administrador financeiro do Novo Banco). Tenho uma curiosidade: quem apontou Moreira Rato para o BES?

      Mas há mais, muito mais. São milhares as empresas relacionadas directa ou indirectamente com o tal “banco mau”, numa teia de interesses que um punhado de “financeiros” pacientemente cerzidou ao longo de muitos anos.

  13. Encontraram um novo algoritmo não muito subtil para socializar perdas sem nacionalizar ganhos. De resto dada aquela que me parece ser a recente reconfiguração da economia política (perdoem-me o economês de antão) portuguesa… a informática é a de socializar perdas, internacionalizar ganhos.

  14. Parece crime organizado tudo o que se tem passado à volta do BES. O problema entre privados passou a mexer no bolso de todos com uma necessidade colossal de dinheiro. Os governantes ( PR, governo e BP) induziram todos a apostar no BES. Mediante a falta de honestidade e com a nomeação de J Moreira RAto seria bom perceber quais os investimentos e resultados obtidos com os fundos de pensões sejam da CGA, Seg Social Bancos etc. Haverá a publicação periódica dos movimentos destes valores detidos nos fundos de pensões (dinheiro de todos)?

    1. Não surgiu até agora nenhuma evidência de comportamento anormal de fundos de pensões no caso do BES, que eu saiba.

  15. Vão pouco mais de 15 dias entre estas declarações do Governador do Banco de Portugal na Assembleia da República e o que disse ontem – 03 de Agosto de 2014 – na conferência de imprensa: http://www.tvi.iol.pt/videos/14169228
    Uma vez um político cá da casa disse que o mundo mudou salvo erro em 1 dia … este senhor pelo menos demorou 15 dias para vir dizer que o mundo mudou! Isto ou é ingenuidade, ou é incompetência ou então isto foi tudo um sucessão de actos doloso de manipulação de mercado. O que me pode dizer sobre isto? Obrigado.

    1. A forma como o governador interveio nas últimas semanas foi sinuosa e enigmática. A forma como permitiu que Ricardo Salgado continuasse a dirigir o BES depois do reconhecimentos do esquecimento da prenda de 8 ou 14 milhões, é inaceitável.

  16. Confesso que quando li o título fiquei com a sensação que podia encontrar a resposta a 3 questões que me parecem evidentes. No fim de contas as 3 questões eram outras. Não menos pertinentes, pelo contrário até. Mas a estas acrescentaria outras 3:

    1. No caso do Novo Banco ser “vendido” por menos dinheiro do que aquele que será injectado no fundo de resolução por parte do Estado quem cobrirá o remanescente? O estado poderá constituir-se accionista nestas condições ou este valor será incorporado nas contas do estado como despesa pública?
    2. Cenário oposto. No caso do Novo Banco ser “vendido” por mais dinheiro do que aquele que será injectado no fundo de resolução há a possibilidade dessa diferença ser aproveitada por parte da estrutura accionista do BES (“banco mau”) para cobrir parte dos prejuízos? No final de contas, os accionistas eram donos dos activos e dos passivos.
    3. Quem representará legalmente os pequenos accionistas ou independentes (cerca de 40% ) detentores do capital disperso, cujos direitos não podem ver defendidos por uma massa representativa e que devido à condição de se encontrarem dispersos têm muito mais dificuldades em mobilizar forças para defender os seus interesses? (Provavelmente para esta última questão existirá já uma resposta prevista na lei, e deverá passar por uma comissão que os represente, mas confesso que a desconheço)

    1. No primeiro caso, parece evidente que cabe ao Estado pagar a diferença, a não ser que os bancos envolvidos no fundo de resolução não tenham obtido garantias – o que eu não acredito. Não há nenhuma comissão para representar os pequenos accionistas, só se se agruparem, como parece que alguns já estão a fazer.

    2. No cenário 1, o estado pode tornar-se accionista de uma parte do Novo Banco? Penso que a questão que aqui se levanta, e cujos os contornos legais são ainda desconhecidos, tem a ver principalmente com o facto do fundo de resolução ser detido principalmente por bancos e este por sua vez detém o Novo Banco. O Estado empresta o dinheiro ao fundo mas não tem participação no fundo. Ou seja, aqui o Estado funciona apenas como um credor do fundo de resolução que terá de assumir as perdas se elas existirem ou pode de alguma forma “penhorar” (o que representaria “nacionalizar”) parte do Novo Banco?

  17. Excelente reflexão, como sempre. Acrescentaria apenas o seguinte: o BdP e o Governo podem dizer o que quiserem acerca do dinheiro dos contribuintes, mas a verdade é que seremos sempre prejudicados com esta operação. Senão vejamos. Mentira nº 1: os 4.9 mil milhões não são dos contribuintes, são da troika. Ora, que bem me lembre estamos a pagar juros sobre o dinheiro que a troika nos emprestou. Se estes 4.9 mil milhões não fossem usados, poderiam ser simplesmente devolvidos, amortizados na dívida pública; Mentira nº 2: se o NovoBanco não pagar, quem vai pagar não são os contribuintes, serão os bancos que constituem o tal Fundo. Tudo muito bem se esquecermos que a CGD é dos contribuintes e esquecermos também que o BANIF na prática também é dos contribuintes e ainda que os contribuintes têm muito dinheiro seu no BCP;
    É absolutamente inqualificável que o Governo que retirou nos últimos 3 anos aos salários e às pensões cerca de 3.6 mil milhões de euros, “empreste” em 3 dias à banca 4.9 mil milhões. Se era para usar todo o dinheiro da troika, então que se usasse em proveito de todos os cidadãos e da economia em geral, investindo, e não a salvar bancos privados.

    1. Sim, esse dinheiro paga juros, mas o risco maior até é que se perca parte do empréstimo numa operação de curto prazo que tem muitas condições para resultar mal.

  18. Boa tarde,

    Caro Louçã, antes de mais quero dar-lhe os parabéns pelo artigo, realmente são boas perguntas que ninguém parece querer fazer o que para mim é difícil perceber… mas haverão muitas mais, continuo a não perceber como é que se “cria” todo um “novo banco” num fim de semana? Eu nem para abrir uma papelaria conseguiria pensar nos detalhes todos apenas com um fim de semana (pelo menos com garantias de viabilidade económica)… Pergunto eu, não estaria o mesmo já “criado” antecipadamente? E se estava já criado antecipadamente há quanto tempo estaria planeado este “golpe”? E como é que se seleccionam/distinguem os activos e passivos “bons” daqueles que são “tóxicos”? E como é que a parte “toxica” vai sobreviver sem a parte “boa”? Se a parte “toxica” não é suposto sobreviver quem vai ficar de fora? Essa parte “toxica” são negócios claros que correram mal ou negócios obscuros que ninguém parece querer saber? E sendo assim a solução tão fácil e rápida não poderei aplicar a outros casos também? Se não posso então porquê? Quase que me dá vontade de perguntar ao actual executivo se não quer fazer o mesmo com o estado… então, corta-se o “toxico” e fica só um estado “bom” com os activos e dinheiros públicos. É tão simples… basta apenas um fim de semana, nem precisa ser prolongado.

  19. Recuperar a democracia será a meu ver impossível com o actual sistema político, no meu ponto de vista constato que os interesses sobrepõe-se aos valores e que no sistema de mercado livre o lucro sobrepõe-se há ética, por mais legítimo que seja vivemos num regime com falsas qualidades democráticas que a todos reduz há condição de meros peões. O caminho que seguimos concentração de riqueza e poder é potencialmente implosivo, leva sempre como a experiencia histórica nos ensina a degenerar em totalitarismo com a consequente perda das liberdades e a desenlaces drásticos, ora é precisamente isso que devemos evitar. Seguindo este raciocínio há que criar uma melhor forma de governar, parece-me que devíamos tentar a democracia directa.Há medida que a política de referendo avançar a responsabilidade de ter a última palavra nas decisões públicas, aumenta a consciência da importância de tal acto. Obriga a exercitar os músculos políticos de cada um, o que faz crescer a capacidade individual de compreender e analisar a realidade. Assim que um projeto destes subisse ao poder era necessário iniciar imediatamente campanhas de incremento da cidadania usando todos os meios tv, imprensa e net, penso que feitas com inteligência teriam resultados mais rápidos e visíveis do que há primeira vista poderemos pensar, veja-se o resultado de campanhas com propósitos opostos. Paralelamente era essencial uma reforma na educação, tanto nos programas como nos processos. É claro que é de esperar uma reação enérgica de todos os que sentirem o status ameaçado, criando uma união dos mais privilegiados com actual situação. Penso que o verdadeiro desafio intelectual deste sistema será modernizar os ideais e as virtudes da democracia.

  20. Em aditamento ao meu post, quero, em primeiro lugar, retificar o erro: leia-se “selvagem” e não “salvagem”. Mas sobretudo quero aqui deixar um alerta, porventura, para os meus concidadãos menos atentos, se me permitem. A questão tem a ver com os “cozinhados” das nomeações que se fizeram antes e Ricardo Salgado sair de Presidente do Conselho de Administração do BES. Não sei se se lembram mas apareceu o nome de Paulo Mota Pinto, deputado de quem, confesso, nada tenho contra a sua pessoa. O problema está que o deputado Mota Pinto era o Presidente da Comissão que controlava as “secretas”. Pergunta simples: não será eticamente reprovável que alguém saia desse pelouro no Parlamento diretamente para chairman de um Grupo financeiro? Não terá de haver um período de nojo?

    1. O problema foi discutido nesse momento e vários analistas sublinharam o enviesamento PSD da nova administração.

  21. Amigo Louçã, obrigado não só pelo texto mas pelas respostas pacientes aos comentários, que ainda mais me esclareceram. Como ex-admnistrador de uma sociedade satélite do BES denunciei há vários meses que o BESA tinha sido utilizado para esvaziar o BES para garantir o dinheiro da família Espírito Santo. O que me aconteceu? Apesar de ter feito a denúncia ao Banco de Portugal fui despedido do BES com ordem para não falar aos orgãos de comunicação social e o Banco de Portugal disse que as provas que tinha apresentado eram “insuficientes”. Agora o BES está falido, o BESA foi nacionalizado e O António Sobrinho continua sem um processo movido por ninguém, puro como a neve. Gostava de ter podido fazer mais mas o desemprego deixou-me num estado emocional não condizente para grandes lutas. Agora a família Espírito Santo fica-se a rir disto tudo com cerca de 6.000.000.000 de euros. Julgo, julgo, que isto foi feito com a conivência do Governo pois como é que é possível ter sido feito um buraco da exacta medida do dinheiro disponível? Como é que no meio disto tudo o Governo aceita fazer isto aos contribuintes? Mais uma coisa. José Maria Ricciardi não é nenhum santo. O problema é que da maneira que as coisas foram feitas no BESA o ramo da família dele ficou sem acesso ao dinheiro desviado e portanto eram os únicos que não tinham o golden parachute. Espero que um dia os documentos que entreguei ao Banco de Portugal e ao Correio da Manhã venham a público e se faça algum tipo de justiça

    1. Se os documentos não forem confidenciais, permito-me sugerir-lhe que mande para um jornal de referência, como o Público.

    2. Ora cá está finalmente qualquer coisa que faz sentido. Sempre me tinha perguntado como é que o BES aprovou a capitalização de um banco sem requerer quaisquer garantias da admnistração e sem que o seu presidente fosse sequer processado? E se realmente denunciou o caso ao BdP, como é que o BES soube das suas acções? Esssa do buraco ser do tamanho dos fundos disponíveis também me deixou com a mosca atrás da orelha. Ou seja, algures no mundo descansam 3 mil e 300 milhões de euros que vão servir para um dia, ironicamente, a família Espirito Santo comprar o BES de volta. E ninguém corre o risco de ir preso porque os “crimes” aconteceram todos em Angola, terra onde só há crime quando o Futungo não recebe a parte que lhe é devida. Um plano de mestre. O senhor desculpe mas tem de publcar isso de qualquer maneira. Nem que seja num blogue, que nos media está tudo comprado, o Público que me perdoe por esta afirmação final.

    3. O quê? Os tipos esvaziaram o Banco via Angola e os portugueses é que o vão meter lá agora? Deve estar tudo na Comporta a rir-se de todos nós, otários que somos. Obrigado pelo seu comentário, juntamente com o texto de Francisco Louçã é o comentário que fez mais sentido até este momento. Ler o seu comentário foi como ver uma lâmpada a acender-se na minha cabeça.

    4. Caro Carlos Martins, estou solidário com as suas acções… (já sofri na pele por ter tentado denunciar determinados casos relativos a outras situações com as quais nos deparamos na vida e tanto nos revoltam). A minha pergunta é: Não são esses “documentos pertinentes” para a acusação no processo que decorre contra os gestores do BES?

    5. O senhor trouxe uma réstia de esperança a todos os pequenos investidores que foram lesados e enganados pelas várias entidades envolvidas neste processo!

      Porque não faz chegar esses documentos a prestigiados meios de comunicação internacional? Em Portugal arrisca-se a que seja tudo abafado.

      Ajude-nos!

    6. O comentário de Carlos Martins de 4 de Agosto, 2014 às 16:49 é demasiado grave para que O Público e Francisco Louçã não tivessem confirmado, antes de o publicar, a identidade de Carlos Martins e o cargo que diz ter exercido: «… administrador de uma sociedade satélite do BES…».

      Podem garantir-me que houve esse cuidado mínimo?

      José Nunes

    7. Não, meu caro José Paulo Gascão, não nos compete investigar a carreira e vida dos autores dos comentários, que só se responsabilizam a si próprios. Convirá que isso é impossível e inadequado, tal como seria impossível verificar quem é José Paulo Gascão. Ao mandar o seu mail e a sua opinião do seu IP, é somente a sua opinião que é apresentada.

  22. 1- sendo a marca “novo banco” um ativo do BCP pode o objeto da operação indiciar uma fusão bancaria fora do mercado?
    2- houveram nas operações das últimas semanas, comandada pelo BP, fugas de capitais do BES para o BCP e BPI?
    3- houve informação privilegiada a alguns acionistas que justifiquem as sucessivas diferenças na dimensão do “buraco” do dia 15 de julho ao dia um de agosto?
    4- a operação patrocinada pelo BP corresponde na realidade à consignação de divida privada à divida soberana?
    5- é expetável prever em quanto vai aumentar a divida soberana?
    6- e o deficit público de 2014?

    1. Os cálculos acerca do efeito na dívida soberana dependem do resultado final da operação, só saberemos no fim de 2014. Não há ainda números sobre fuga de depósitos, mas antecipo que tenha sido grande. A existêcnia ou não de informação privilegiada só pode ser esclarecida pela CMVM, mas o facto é que este regulador suspendeu a cotação do BES (talvez tarde demais).

  23. Achei bastante interessantes todas as questões aqui colocadas, mas confesso que me assalta uma dúvida desde ontem. Publicou-se o relatório-contas do BES no fim do dia de Quarta-feira. A bomba explodiu violentamente! Era lógico esperar o que aconteceu nos restantes dois da semana em relação às ações do Banco: caíram a pique, deu-se uma desvalorização “salvagem”. E tal refere o Doutor Francisco Louçã, houve quedas de 40 e 50% nesses dois dias. A falência só podia ser o resultado final. Então porque não se esperou por Sexta-feira à noite para publicar o relatório-contas semestral, sabendo-se dos buracos financeiros entretanto detetados? Será que se quis precipitar toda a situação? Se assim foi, a quem a serviu a falência do BES, onde milhares de pequenos investidores colocaram as suas economias aquando do último aumento de capital?

    1. Tem toda a razão. O timing da última semana é ou espantosamente incompetente ou a prova de um descontrolo acentuado.

  24. Em que critérios se basearam estes “engenheiros financeiros” para alocar os obrigacionistas sénior para um bom banco e os obrigacionistas subordinados para um mau banco? Afinal de contas, ambos são credores do anterior BES !!! Sacrificam uns e salvam outros!? Que justiça é esta? Não foi esta uma forma engenhosa de se livrarem de passivos e de descartarem investidores – com um peso de 750 milhões de euros – que confiaram e emprestaram dinheiro a uma instituição bancária? Resta-me dizer que estão a acabar com a confiança que depositamos no sistema. Creio que quem deveria suportar as perdas deveriam ser os acionistas. Estou correcto?

  25. SRº LOUÇA os democratas de que fala e que mandam no país nasceram de famílias do tempo da ditadura tem todos educação da ditadura essa mesma que se manteve 48 anos porque se organizou de forma a que as classes média fossem uma utopia criada pelos bancos através do endividamento.o SRº sabe que o pais numca sofreu uma ruptura portanto nunca pode ser democrático. a democracia é uma mentira pegada.

  26. Tantas opiniões e tantas preocupações mas não vi ninguém a ser contra a existência de banca privada, uma coisa que só existe para dar riqueza imerecida a uns tantos. Não bastaria uma Caixa Geral de Depósitos com a dimensão necessária para satisfação das necessidades nacionais e, sobretudo, para que os seus lucros – lucros previstos e votados pelo Legislativo Nacional – fossem incorporados no Orçamento de Estado.CLV

    1. Acho que accionistas e depositantes são coisas muito diferentes. Accionistas, até pequenos, são gente que brinca com fogo, gente que quer ganhar sem trabalhar, só porque já tem dinheiro. Depositantes são gente que não espera nada do banco, só não quer estacionar o seu dinheiro abaixo da almofada. De facto, sempre perdemos dinheiro que depositamos numa conta normal, mas não faz mal.
      Por tudo isso não tenho pena com accionistas. E é lógico que há uma segurança para depositantes, mas não para accionistas.

    2. Um banco único ??? uff essa até me doeu na alma. Sr Carlos, até já Cuba ou a Coreia do Norte abandonaram essas ideias. Uma das mais eficazes formas de defesa do consumidor é a existência de concorrência de mercado. Mesmo que a da banca não seja a mais bem regulamentada.

    3. Oops, o outro comentário meu não foi uma resposta a si, mas ao artigo. Mas provavelmente já reparou porque não tinha nada a ver com o seu comentário :)

      Seja como for, eu concordo que os bancos “menos privados” são melhores. Na Alemanha por exemplo os bancos públicos são os melhores, os mais robustos, os que menos sofrem durante crises financeiras, os que producem menos escándalos e criminalidade. Juntos os públicos têm 40% do capital de todos os bancos alemães (privados, semi-públicos, públicos).

      Os privados têm o alvo de ganhar tanto como possivel, o qual sempre causa problemas e até crime.

    4. Em Portugal também nos podemos perguntar qual seria a confiança no sistema financeiro se não fosse o peso da CGD.

  27. O Sr. Louçã até pode ser muito boa pessoa e ter as melhores das intenções, mas não deixa de ser um político. E os políticos são…

    Entre os que têm o dinheiro e os que têm o poder, resta a população honesta e trabalhadora para os alimentar.

    Por último e em forma de curiosidade, antigamente uma das qualidades mais apreciadas era a honestidade, hoje é a flexibilidade. Assim, hoje caminha-se num sentido, amanhã no oposto e no dia seguinte logo se vê…

  28. Às 13:06 coloquei uma pergunta ao Prof. Louçã: Então o que fazer para se ir resolvendo estes erros e desmandos dos sistemas financeiros?
    A resposta foi: Precisamos de recuperar a democracia.
    Muito poucos estarão contra esta afirmação, tão verdadeira e genérica que ela é.
    No entanto ela será suficiente? Por outras palavras: a democracia resolve por ela própria os imbróglios dos sistemas financeiros onde eles se manifestam?
    Em todo o caso e mesmo que não obtenha nenhuma resposta neste forum, fico muito agradado pela qualidade dos posts, pelas achegas do Prof. Louçã e pelas inúmeras questões pertinentes levantadas.

    1. Tem toda a razão: não é suficiente, mas é uma condição. Hoje temos uma democracia, mesmo que muito aprisionada pelas regras da austeridade e por compromissos com rendas financeiras, mas não tem sido capaz de encontrar soluções. É preciso elevar o patamar do debate nacional e exigir estudos e propostas muito consolidados (a que apresentei, http://www.ipp-jcs.org/pt/ipp-report-1-2014/, procura responder a esse critério).

  29. No comunicado do BP lê-se que (…) b) A realização de operações de colocação de títulos, envolvendo o Banco Espírito Santo, o Grupo Espírito Santo e a Eurofin Securities, que determinaram um registo de perdas nas contas do Banco Espírito Santo no valor total de 1249 milhões de euros, com referência a 30 de junho de 2014. (…)

    A Eurofin tem como CEO um tal Alexandre Cobosh, com ligações a Monfortinho (Monfortur SA), empresa especialmente acarinhada por Rodrigo Salgado. Há anos a Eurofin comprou a Nau Capital, cujos sócios eram na altura João Poppe (hoje na Eurofin) e João Moreira Rato (BES e Novo Banco).

    Mas há mais, muito mais. São milhares as empresas relacionadas directa ou indirectamente com o tal “banco mau”, numa teia de interesses que um punhado de (…) (falta-me o nome) pacientemente cerzidou ao longo de muitos anos.

    1. Rectificação: Em vez de Alexandre Cobosh, ler Alexandre Cadosch e em vez de Rodrigo Salgado, ler Ricardo Salgado.
      As minhas desculpas pelo lapso.

  30. O que é mais extraordinário é que aqueles que rejeitam o endividamento do Estado e promovem a austeridade, aqueles que acham que o Estado deve ser menos social, logo menos solidário, e que se opõem a soluções de restruturação da dívida por respeito a credores e investidores, por respeito ao sistema, os mesmo que acusam os beneficiários do RSI de espoliarem o Estado e os acusam de não querer trabalhar para o mais ínfimo ordenado mínimo por 40 horas por semana, esses mesmos agora acham normal a invenção de um “Bad Bank” onde tudo o que foi metido (dinheiro) desaparece sem deixar rasto e provavelmente sem deixar responsabilidade civil e criminal.
    Portugal não pode renegociar uma dívida que foi alvo de especulação por respeito aos credores mas o Banco Espírito Santo faz desaparecer milhões, deixa milhares de milhões de dívida por pagar e os sorrisos são de orelha a orelha. Não percebo.

  31. Boa tarde,

    Sr Prof. Francisco Louçã, não ache que seria conveniente ter uma entidade supervisora mais activa? Será que o Banco de Portugal dispõe de todas as ferramentas para regular de forma eficaz o sistema bancário? Os Bancos estão atolados em burocracia (entenda-se a banca comercial), pois para um cidadão “normal”, abrir uma conta é necessário uma mão cheia de impressos, de cópias, de assinaturas e rubricas entre uma “tonelada” de outras operações…mas depois onde o regulador deveria ser eficiente nem sempore consegue desempenher o seu papel preventivo…outra questão, se os Bancos são regulados pelo Banco de Portugal, e se as empresas que detêm capital dos bancos e vice-versa podem estar muitas vezes cotadas na bolsa, existe cooperação entre a CMVM e o Banco de Portugal?

    1. A CMVM e o BdP têm funções diferentes. Ambas precisam de ser mais activas e o BdP, que é a instituição que tem sido mais vulnerável à fraude, precisará talvez de melhor direcção, de mais empenho e de menos confiança nos administradores. Ainda por cima, o governador, Carlos Costa, conhece bem o assunto, porque foi director internacional do BCP quando este banco estava a operar sociedades offshores para maquilhar as suas contas, segundo a acusação da CMVM.

  32. Boa tarde, custa-me a perceber a inoperância do Banco de Portugal, em todos estes casos envolvendo bancos portugueses. Não deveria ser o Banco de Portugal a “controlar” tudo aquilo que se passa, em todos os bancos portugueses? Porque razão o governador do Banco de Portugal não é também ele chamado a contas? Agora, talvez fugindo um pouco ao assunto, mas como apenas hoje descobri este seu espaço, e dado que fez parte da oposição durante alguns anos gostaria de lhe colocar umas questões. Não sei se serei eu que ando pouco atento, e se assim for peço desculpa, mas gostaria de saber porque razão, nunca nenhum partido, propôs que fossem retiradas por completo as subvenções do estado para as campanhas eleitorais? Julgo que não será correcto que eu, como contribuinte, esteja a pagar uma campanha para que outros lucrem com os benefícios daí obtidos. Porque razão nunca nenhum partido propôs acabar com os enormes benefícios dados aos deputados? Será justo que eu como cidadão tenha de fazer a minha vida utilizando o meu carro e gasolina (que sai do meu bolso), e vejo por outro lado os funcionários do estado a utilizarem os carros das secretarias (os famosos carros pretos) para irem, por exemplo, buscar almoço para a família? Que eu tenha conhecimento nenhum partido propôs terminar com todas as regalias dadas aos deputados e aos partidos, nem mesmo veja bem, em altura de uma das maiores crises que já atravessamos. Até hoje os nossos governos foram muito fracos mas infelizmente a nossa oposição também e ideias para terminar com estes gastos ridículos foram zero, ou quase. Mais uma vez repito, talvez seja eu que ando distraído, e afinal até hoje fizeram todos (governo e oposição) um excelente trabalho, basta para isso ver o estado a que chegou o país! Para quando umas reformas profundas na mentalidade e ideais dos partidos? Os anos 60, 70 e 80 já lá vão à muito tempo! Cumprimentos de um cidadão muito preocupado com o rumo que levamos!

    1. Não sei bem a que benefícios se refere quanto a deputados. Não o sendo, estou à vontade para o dizer. Já não acedem a pensões vitalícias, descontam para a segurança social como todos os outros cidadãos, não tem carros de serviço, e muito do que corre nas redes sociais é falso. Quanto ao financiamento, acho que o modelo corruptor é as campanhas eleitorais serem pagas por empresas. Quanto ao resto, de acordo, todos têm de assumir responsabilidade pelas suas decisões e por isso partilho a preocupação. Cumprimentos.

    1. Não se sabe o detalhe, mas suspeito que todas as obrigações que sejam de empresas do Grupo perderão todo o valor.

  33. Caro Dr. Louca,
    Nao me parece que estes detalhes tenham ficado por esclarecer.
    Primeiro detalhe: os bancos nao se responsabilizam pelo emprestimo. O que os bancos fazem e pagar contribuicoes para o fundo de acordo com a lei, e a sua responsabilidade termina ai. O risco de desvalorizacao do Novo Banco corre por conta do Estado. Tal como acontece na sua proposta de resolucao do sistema bancario, em que o Estado se torna o maior accionista de todos os bancos.
    Segundo detalhe: tal como na sua proposta, os accionistas e credores subordinados perdem tudo. Porque e que na sua proposta isto e viavel mas neste caso nao?
    Terceiro detalhe: o controlo nao e entregue aos outros bancos. O fundo de resolucao e gerido por representantes do banco de Portugal e do governo, os bancos nao tem qualquer poder.

    1. A diferença é que neste caso o Estado põe o dinheiro e não tem qualquer poder de gestão, ao contrario do que aconteceu nos casos anteriores. O fundo de resolução é financiado pelo Estado mas de responsabilidade directa (se não houver garantias) dos 80 bancos.

    2. No seu artigo diz que o Estado “entrega o controlo da coisa aos outros bancos e não tem uma palavra a dizer sobre a condução e estratégia das operações financeiras”. Isto nao e verdade, como demonstra o link que indiquei acima. Quem controla e o Estado. Os bancos so contribuem com o financiamento e nao tem qualquer poder. Nao sao mais “donos” do fundo do que os bancos americanos sao “donos” do FDIC, que o seu relatorio apresenta como melhor pratica internacional nesta area.

  34. Portugal já resgatou 3 bancos (e mais 2 instituições geridas em ambiente criminoso), e países como a Espanha, Grécia, Irlanda, Islândia, Bélgica, Reino Unido ou Chipre também resgataram bancos em dificuldades. É assim tão disparatado o que se está a fazer ao BES ? (descontando o apuramento de responsabilidade). E o que o leva a afirmar que esta operação tem custos para o contribuinte se o dinheiro estava já disponível para este tipo de intervenção orçamentado a taxas de juro entre os 2,5 e os 3,5% sendo cobrado 8% ao BES ? Só mesmo se o banco acabar por falir ou não cumprir o pagamento, mas nos exemplos de BCP, BPI e até BANIF, os pagamentos foram inclusive saldados antes do estipulado.

    1. Não. Basta que o banco seja vendido por menos de 4900 milhões. E o que se passará no “banco mau” é outra incógnita.

    2. O Estado, ou seja, as nossos carteiras, recebe de 5,5 a 6,5% por esta operação, mas os nossos queridos jornalistas e políticos da oposição continuam a querer arranjar assunto para vender mais jornais.

    3. É um gosto encontrar uma pessoa satisfeita com o que se está a passar. É uma das grandes vantagens do pluralismo, leio com gosto esta opinião. Estamos todos a ganhar com isto, isto está tudo a correr bem. Aleluia.

  35. Julgo que o problema de Portugal é só um: os portugueses!

    Quem vota em Portugal? Quem nos representa na Assembleia da Républica? Quem administra os Bancos? etc..

    Tenho 35 anos, pago os impostos (diretos e indiretos). Mas para quê e para quem?
    Saúde pública: Não tenho acesso.
    Segurança: Não tenho acesso.
    Ensino: A minha filhota não tem acesso.
    Reforma: Não vou ter acesso.

    Solução: Basar de Portugal, já não me identifico com esta sociedade!
    Não devo nada a ninguém, pago o que me e imposto e o que recebo da sociedade.. SOL, PRAIAS… o q? sim o q??

    1. Perdoe-me o Francisco Louçã…
      Saúde pública: Já esteve melhor, nos últimos tempos perdeu alguma qualidade mas continua a ser dos melhores e mais abrangentes sistemas de saúde do mundo.
      Segurança: Portugal é um país seguro. Retirando alguma especulação para vender jornais, é um país seguro e tranquilo.
      Ensino: Repito o que escrevi sobre a saúde.
      Reforma: Se não houvesse tanta fuga aos impostos talvez a tivesse garantida.
      Portugal é constituído por portugueses, agora lutadores logo desistentes…
      É assim que somos. Mas não é sair do país, não é desistir que faz o país melhor, bem pelo contrário.

  36. Pelos vistos faltam muitas respostas ao tema em questão. Por exemplo: as obrigações da Rio Forte tem alguma probabilidade de ser pagas? Agradeço resposta do Sr. Prof. Loução.

    1. Sim, tem probabilidade de serem pagas as obrigações de Rio Forte subscritas por investidores não qualificados.

    2. Voltando ao assunto em questão agradecia que quer o Prof. Louçã quer o Sr. Octávio Viana me esclarecessem acerca da discrepância das respectivas respostas. Desde já o meu muito obrigado.

  37. Neste imbróglio do BES/GES e consequente falência, muitos nomes e personagens têm feito parangonas. O Ricardo Salgado tem sido zurzido devido à salgalhada que criou através das pantominices que foi praticando. Com o Ricardo, outros associados do clã e fora dele terão de prestar contas pelos ilícitos que vão brotando, tal lava de vulcão, ao longo das últimas semanas. De ressaltar que inúmeras vozes que, noutros tempos, foram lestas em atacar/vilipendiar Victor Constâncio pelos males do sistema financeiro (leia-se BPN, BPP, BCP) andam calados como ratos (por exº Portas e os “meninos” do PP) talvez pela oferta dos Espíritos de 1 milhão de eur, que foi fraccionada em parcelas de 12.500 como “doações” de militantes.. Um universo de esqueletos está escondido nos bastidores e tudo se fará para que sejam cremados e as cinzas desapareçam. Mas, da suspeição e descrédito generalizados já não se livram. Apenas me ocorre uma pergunta.. está relacionada com o BES.Angola. Já se sabe que o buraco escavado naquele apêndice-filhote do clã Esp Santo é colossal. Que houve pantominice e vigarice de arrepiar. Em país onde a tessitura cerzida entre os vips do regime e as Instituições de Crédito é ainda mais espessa (e por isso opaca) é natural que se saiba pouco e que os nomes não sejam citados. Mas, não deixa de ser grave. Permite extrapolar a forma rapidissima como os gangsters rapidamente se organizam com tentáculos em diferentes geografias. A minha pergunta é simples..: Porque será que o PCP que tanto se encarniça contra a famiglia de vígaros e contra as autoridades governamentais-e-de-regulação em Portugal, não questiona nada acerca do que se passou em Angola ? O que mantém o PCP tão arreigado a velhas camaradagens mesmo se os camaradas estão travestidos em sociopatas cheios de rapacidade?

    1. Discuti essa questão numa livro recente (janeiro de 2014), com dois colegas, “Os Donos Angolanos de Portugal”. O capítulo sobre o BES é muito esclarecedor sobre o que se viria a passar algum tempo depois…

  38. Sr. Professor Francisco Louçã. Chamo-me Pedro, tenho 38 anos, e tanto eu como a minha mulher estamos empregados. Neste momento, posso dizer que tenho uma vida feliz. No entanto, como Português estou muitíssimo preocupado com o futuro, e passo a explicar porquê.
    Após três anos de governo psd / cds, a vida da população piorou imenso nas suas várias vertentes, seja na saúde, na educação, no mercado de trabalho, no poder de compra. Esta diminuição nas nossas condições, foi-nos explicada como sendo uma exigência da Troika e como um “sacrifício” para o bem do país. No entanto, o futuro do país, não se afigura positivo, devido principalmente á saída maciça de jovens para o estrangeiro. Lá fora, encontram quem aproveite as suas competências e esteja disposta a pagar-lhes o valor justo pela sua capacidade. Ao mesmo tempo, os grandes grupos privados, tem carta branca para não se gerirem correctamente e eticamente, pois sabem, que em caso de necessidade, o país é chamado a pagar as suas dívidas.
    Sem querer ofender ninguém, a minha pergunta /desabafo é esta: como é possível que desde o vinte e cinco de Abril, os partidos que estão no governo sejam sempre os mesmos? Porque será que os portugueses não dão a oportunidade a outros partidos, e são tantos os que estão na folha de voto? Porquê continuámos a premiar quem nos governa mal?

    1. Essa é uma boa pergunta, mas cada um só pode responder por si. Como imagina, tenho defendido que é preciso sair do círculo vicioso da alternância e das políticas de austeridade, mas também acho que é preciso fazer muito mais e muito melhor para que isso seja possível.

  39. Mesmo que sejam os bancos, como se diz, a suportar a eventual menos-valia da futura venta do “Novo Banco”, e sendo a CGD uma entidade de fundos públicos e a maior entidade do sector financeiro, isso não faz com que no fim de contas o contribuinte possa na mesma ter que pagar por esse risco de desvalorização do “Novo Banco” através das contribuições extraordinárias que a CGD tenha que efectuar para esse fundo?

    1. O estatuto da participação de cada banco e as eventuais garantias que recebeu não é conhecido. Mas existe o risco que identifica.

  40. Caro Sr. Francisco Louçã

    Sem dúvida que apresenta questões pertinentes. No entanto, e por uma questão de honestidade intelectual, gostaria de ver por si propagandeado o excelente negócio dos contribuintes no caso de as coisas correrem bem aquando da venda no futuro. Se houver lucro, o que também poderá acontecer à semelhança do Lloyds bank no UK, tenho dúvidas que venha dispensar a mesma quantidade de energia em comparação com aquela que dispensaria no caso de a venda futura registar um prejuízo. Note que também é nestas subtilezas que se cria uma barreira entre a população em geral e os políticos e comentadores.

    É evidente que se perdeu com o BPN… e muito (havia alternativa?), da mesma forma que se ganhou e se ganha com o BPI e BCP onde paga a 3% e se cobra a 8%, um exagero do qual me alegro e que muito tem incomodado os accionistas tal o estímulo que têm tido em se verem livres dos Cocos.

    Não me leve a mal o seguinte comentário, mas terá muito a ganhar se não deixar questões que apresenta condimentadas por pressupostos que toma certos e que provavelmente podem não se verificar, nomeadamente quando os mesmos servem para sustentar uma conclusão tão arriscada como a que apresenta: “Mas as três perguntas que não ficaram respondidas é que vão custar muito caro aos contribuintes”. A inteligência ao serviço de ideologias parece que tem o condão de destruir o melhor que as pessoas têm para dar.

    Cumprimentos
    Pedro Bazaliza

    1. desculpe lá sr Pedro,
      voçê está a falar do loyds bank ? aquele banco Britânico que esteve evolvido num enorme escândalo em que foi apanhado numa fraude que consistia simplesmente em manobras para tirar dinheiro dos cofres do estado e do banco de Inglaterra, bem como lavagem de dinheiro para o hezzbolahh? voçê está a comparar o BES aos criminosos do loydz bank ?
      parece que quanto mais fraudulento e mais corrupto o banco maior é a recompensa no país de sua majestade !!
      no que toca ao BPN, sim , havia alternativa era deixar falir como deveria ter sido feito, e proceder com o processo de insolvência e mais nada. o que o esquema do BPN concretizou foi fraude pura e dura em qualquer perspectiva, e a nacionalização deste banco foi nada mais que a bomba das contas públicas nacionais possivelmente a fraude do século numa longa lista de fraudes aos cofres do estado, e quem decidiu nacionalizar este banco devia ser severamente punido por alta traição ao estado português, se por acaso em vez de ser o estado português a nacionalizar o banco, se fosse um banco privado a fazer a aquisição deste banco falido e cheio de activos tóxicos, seria certamente impedido por lei num pais normal e impedido pelo concelho de administração do banco comprador, na nossa legislação penso que existem normas que não permitem este tipo de transacção, mas não vou enveredar por este trilho … mas como portugal é um país onde tudo é possível já nada me espanta… o BDP na sua enorme Futilidade deveria ser extinto, pois as operações bancárias “duvidosas” continuam a prejudicar as contas públicas e a manchar a credibilidade do mercado português, e os Srs do BDP não fazem os trabalho de casa e recebem milhões em prémios e ordenados milionários e regalias. esta merda tem de acabar!

      mas o sr Pedro tem toda a razão, estas manobras do BES vão dar muito dinheiro a ganhar a alguém, só que não vai ser ao contribuinte português….

    2. Pedro…

      O Sr. Dr. Francisco Louçã não deve ter visto o seu comentário, 😀

  41. O comunismo não funciona porque tem que ser imposto, é contra a natureza humana…
    O capitalismo basta deixar as coisas à vontade (há umas leis e tal para inglês ver…) e depois olha…
    Democracia não existe e nunca vai existir, é ilusória!….

    1. Quem não funciona mesmo, é o capitalismo. Nem é reciclável, por mais que alguns “socialistas” de uma certa esquerda nos tentem convencer. Ah, e o comunismo não é contra a “natureza humana”. O que é contra a natureza humana é o roubo, a especulação, a exploração, o mercantilismo, o consumismo, que está na génese económica do capitalismo.

  42. Os depósitos até 100 mil euros estão garantidos pelo FGD. Mas pergunto-me… dada a envergadura do BES, há dinheiro suficiente nesse fundo para garantir que os depósitos estão seguros? …

    1. Sim, têm de estar seguros porque, mesmo que o fundo de garantia não esteja capitalizado, o Estado tem sempre de garantir esses depósitos.

    1. Mas onde está a democracia realmente??? É um voto a um domingo de 4 em 4 anos? E depois o senhor eleito escolhe quem ele bem entende (troca de favores) para formar governo!… E nas grandes questões que dirigem o futuro de uma nação, onde está o povo?? Será que a democracia é tão utópica quanto o comunismo??

    2. A democracia está tão impotente perante as questões mais urgentes da nossa época que nenhuma consequência positiva se consegue avistar da sua defesa incondicional. Se votar já é quase uma farça então que se leve esta caminho até ao fim e se implante uma nova ditadura que no teatro de nos dar alguma escolha nos faça ao menos seguir um melhor caminho.

  43. O problema é o sistema bancário. Soluções simples: Bancos de menor dimensão,mais bancos, com exposição reduzida a outros bancos.Se forem a falência não são um risco sistémico nem pagaremos as tolices dos outros. Perderemos alguns ganhos de eficiência; mas ganharemos robustez no sistema bancário.
    Depósitos garantidos até 100 000 euros , como agora mas apenas isso.

  44. Entendi as perguntas oportunas do Prof. Louçã. Estas perguntas são bem vindas num ambiente de guerra de informação, onde predominam os soldados do regime, os tais porta-vozes e comentadores simpáticos que monopolizam a televisão. É bom conhecer as opiniões de “espíritos livres” que nos ajudam a formar a opinião.
    O Prof. Louçã é um dos “espíritos livres” que sabe diagnosticar os problemas.
    A actual arquitetura financeira que está estabelecida na Europa e no mundo não possui órgãos de regulação e de controlo capazes de antecipar os erros e desmandos de gestão nem tão pouco identificá-los quando ainda estão em fase incipiente. Sendo assim, no nosso retangulo vamos continuar a viver estas crises, resultado de falência mais ou menos fraudulentas de bancos, seguradoras e outros. Os exemplos são por demais evidentes em numero e em extensão. Mas se virarmos para a Europa à procura de soluções salvadoras, nada vemos de útil. Ponho uma pergunta ao Prof. Louçã: O que Portugal e os portugueses têm de fazer?

    1. Creio que não se pode contar com a União Europeia, com as suas regras e tratados, para nos ajudar. Precisamos de recuperar democracia, e est crise demonstra-o em absoluto.

  45. Uma pergunta que ainda ninguém fez ao Dr.Francisco Louça.Se fosse governador do banco de Portugal como resolveria o Problema a partir de ontem?Deixemos o passado e passemos ao futuro.

    1. Pelo contrário, a solução existe mas só é solução se responder aos problemas. E eles são estruturais, exigem soluções pensadas, profundas e bem calculadas.

  46. Bom dia a todos!

    Gostaria apenas de deixar bem claro que tudo isto que se relaciona com comunicacao social e bolsa de valores da sempre buraco.
    Pura e simplesmente porque sao elaborados esquemas complexos aos olhos da maioria, simples aos olhos de alguns.
    Mesmo que o BES estivesse fortemente capitalizado poderiam-se sempre utilizar estes esquemas articulados para manipular o valor em bolsa do banco e com jogadas estrategicas na comunicacao social e na bolsa afundar o banco, levando muitos a miseria e alguns a riqueza.
    E demasiado simples realizar este tipo de fraudes, mas demasiado complexo, aparentemente, criar mecanismos legais que possam abulir este tipo de esquemas.
    Mais do que esquemas sao problemas de gestao e fraudes gigantescas que evoluiem e destroiem aos poucos o sonho de um pais com tudo e com nada ao mesmo tempo.
    Na verdade, tudo isto acontece devido a ganancia e ao fosso que existe entre ricos e pobres.
    Tudo isto acontece porque nas escolas nao existe educacao financeira, porque poucos ou quase nenhuns sabem como realmente funcionam os activos e passivos, o que pode ser benefico ou prejudicial do ponto de vista financeiro.
    Digamos que as pessoas se equivocam em quase tudo que esta relacionado com financas, pura e simplesmente porque os magnatas restrinjem o acesso a informacao financeira tanto quanto possivel e milhares sao iludidos por ideais estrategicamente criados.
    Na verdade colocar dinheiro num banco nunca sera uma ideia inteligente.
    Quando o capital atinge um determinado patamar deve ser distribuido por varias instituicoes bancarias, ou ainda, investido em activos, algo que a medio ou a longo prazo traga retorno.
    Nao sou um expert, mas entendo financas e bastou apenas algumas horas e iniciativa para obter informacao.
    So para dar um cheirinho do que se pode aprender, leiam o livro Pai rico, Pai pobre.
    A moeda perde valor todos os anos com a inflacao dos mercados.
    Logo, as taxas de juro fornecidas pelos bancos sao um engano, porque mesmo incrementando o valor do capital estara a perder dinheiro com a inflacao anual.
    Mas o principal problema de tudo isto e mesmo a destruicao imposta ao mercado interno, ao sector energetico, as PME’s, a escassez de obras publicas, etc.
    A verdade e que se destroiem valores sociais dia apos dia, conquistados ao longo de dezenas de anos pelos nossos avos e pelos nossos pais.
    O liberalismo meticulosamente disfarcado de socialismo capitalista destroi o coracao de um pais a todos os niveis, infelizmente para todos os portugueses ao redor do mundo.

    Portugal e o 8 eo 80, um dos mais ricos em termos geograficos, culturais, paisagisticos, etc.
    Um dos mais pobres em termos economicos e financeiros.
    Fara isto sentido ?

    Diga-me se estou errado Dr. Francisco Louca, ou se faltam mais pessoas como eu na politica do nosso pais.

  47. Estou encantado com o meu País. Aqui tudo é novo. Temos um Novo Banco criado, qual licenciatura de Sócrates, num domingo em que alguma Loja do Cidadão abriu para a criação de uma nova “Empresa na Hora”, em que o Estado anuncia a transferência de uma pipa de massa, em linguagem Barrosã- enquanto o primeiro ministro se preocupa com o possível ataque de uma brigada de peixes-aranha.
    Sinto-me feliz. Vivo num País que, penso, já foi vendido e não é meu, mas que é governado por um tablet. Vivo num Estado Novo, como o banco.

  48. Mas eu tenho mais uma pergunta: porque é que, com fundadas suspeitas (eu diria mesmo mais do que fundadas), o banco de Portugal não suspendeu, um mês atrás, a direção executiva do BES?! Será que esperava que, entretanto, os suspeitos se peniteciassem e passassem a rezar todos os dias pela própria salvação, apenas?!

  49. Eu diria que o governo está a pagar o preço da sua própria ideologia. Liberalizar e privatizar está a tornar-se numa panela de pipocas completamente a transbordar. Num mercado global existem soluções técnicas globais pelo que um supervisor nacional não consegue seguir o caminho dos negócios. Neste caso, o sr governador do BdP, habituado à competência de pessoas com o sr Armando Vara, veio admitir que tudo correu mal num espaço de tempo de vários dias. Desculpa de incompetente. Se não pode exercer eficazmente o seu trabalho de supervisor deve sugerir ao governo, medidas que o coloquem com esse poder. Não o fez. E não colocou logo fora o sr Salgado porquê? Em nome de uma velha amizade? Também não percebo como pode o Estado emprestar 4400 milhões num universo de 4900 e não ter palavra na gestão desta fase do banco. Empresta-se o dinheiro a privados e confia-se na gestão privada? E que garantias exige o Estado ao fundo de resolução? Para financiar a economia não havia dinheiro mas para não deixar morrer mais um banco, volta a haver. Uma vez que o governo muda de política, teremos de ser nós a mudar politicamente o governo.

    1. Faz uma boa pergunta. E a resposta é simples: O familiar do Dr. Francisco Louçã, desconfiava da solidez do BES e sempre foi intransigente com alocação dos fundos destinados à banca, para a economia. Ele sabia que o GES iria estoirar, não sabia quando ou se este conseguia resolver per si, os seus problemas. Por isso o dinheiro nunca foi usado e nunca foi devolvido à troika. Já pensou nisso Paulo Baptista? Os portugueses que ficaram satisfeitos com a saída de Vitor Gaspar como Paulo Portas e Pires de Lima, podem colocar agora o ex-ministro das finanças no pedestal, caso contrário seria uma desgraça ainda maior para o país. Ora diga lá de sua justiça Dr. Louçã? Tenho ou não tenho razão?

    2. Não deixa de ser interessante o facto do empréstimo do Estado ao novo banco ficar muito justo com o montante que ainda estava disponível para o efeito. Parece até que a sobra estava ali para o que desse e viesse. E veio mesmo.

  50. Eu não tenho as respostas para essas perguntas, mas a Dona Inércia, o CR7 e o Anselmo Ralph certamente terão…
    PS: Obrigado pelo artigo ! Um abraço !

  51. em Portugal passa-se fome e destrói-se empregos em prol da economia e de economistas que nem sequer sabem gerir a sua própria casa…

  52. Há duas perguntas que gostava também de ver respondidas:
    Estão as entidades competentes a investigar o destino de tantos milhões? Afinal que se abotoou com a massa?
    Está a justiça a investigar para julgar e punir os autores da fraude?

  53. Será que não se investiga a informação privilegiada que nas duas últimas semanas foi passada aos investidores institucionais: “desfaçam-se imediatamente das acções BES”, enquanto se escondia aos pequenos acionistas a real situação do banco, mais, o pŕoprio regulador veio a púlpito informar que os acionistas podiam e deviam recapitalizar o banco pois era seguro comprar as acções da recapitalização, uma fraude gigantesca que saqueou cerca de 30 mil pequenos aforradores numa estratégia de os afastar definitivamente da bolsa. Será que em Portugal vamos ter uma “bolsa” só para institucionais e milionários? A classe média deve afastar-se da bolsa? O país é tão rico que dispensa a participação das pequenas economias na construção de Portugal?
    Para mim ficou claro que as pequenas economias só estão seguras em bancos estrangeiros, os de Portugal parece-me que não dão quaisquer garantias de que sejam capazes de guardar dinheiro…A tentação é muito grande e as facilidades de mobilidade de capitais favorecem situações de fraude como aquela a que assistimos

    1. E pode-se acrescentar a atitude do Bradesco nos últimos dias, e a queda de 42% num dia e de quase 50% no outro dia – alguém estava a vender muitas acções do BES.

    2. Pois, essa queda só pode ter a ver com avisos prévios: “vendam e depressa”.
      A bem da transparência seria limpo publicar o nome de todos os acionistas vendedores das duas últimas semanas, é que enquanto eles “os avisados” vendiam o Zé povinho comprava gato por lebre, ou melhor, comprava “nada” por euros julgando que fazia bom negócio, como sempre, o povo é vítima de acreditar nos que detêm o poder.

    3. Nunca comprei acções de empresas do universo BES porque conheço há muitos anos, como qualquer português atento, o estilo de gestão do Ricardo Salgados (umas vezes gerindo influências e outras recorrendo a habilidades menos lícitas). Motivo pelo qual não lamento o infortúnio dos accionistas do BES, que investiram numa empresa gerida pelo “Dono Disto Tudo”.

    4. Então não viram o Salgado a desfazer-se antecipadamente das acções do BES? Estavam à espera de quê?

  54. Penso que esta questão ainda não foi respondida. O que vai acontecer aos accionistas, que embalados pela conversa das autoridades, compraram acções nestes últimos tempos? E aos obrigacionistas? Para que banco foram, para o bom ou para o mau?

  55. Dr. para mim levanta uma dúvida pertinente quanto ao prazo. Não parece razoável acreditar que o banco possa ser vendido no curto prazo, talvez uma pequena IPO inicial, mas não que disperse todo o capital em bolsa.

    Agora na sua crítica não vejo, ou encontro um voto de louvor a uma solução que pelo menos do ponto de vista técnico-académico parece excelente. A acção foi decisiva, dentro do que o Banco de Portugal podia fazer, chegados aqui, para dar confiança ao mercado fez.

    De forma objectiva como resolvia este imbróglio?

    E não lhe fica bem dizer que muita gente vai tirar os depósitos na 2ª de manhã, como figura pública tem o dever moral de dizer exactamente o contrário, por muito que lhe doa, para contribuir para a confiança de todos. Tenho visto esta atitude de transmissão de confiança em quase todos os comentadores da praça, fica-lhe mal navegar por outro caminho..
    Porque nenhum sistema bancário funciona sem muita confiança.

    1. Caro Fausto Amaral: eu não tenho o dever de enganar ou de cantar num coro de mentiras. Nos últimos dias, a saída de capitais do BES é enorme, como não podia deixar de ser. Lamento, mas quem está a destruir a confiança é a estratégia de Ricardo Salgado e a inoperacionalidade do regulador.
      E a solução não é excelente do ponto de vista tecnico-académico: é errada do ponto de vista tecnico-académico, como provou Ricardo Cabral num post neste blog.

  56. Sou um desses dois milhões de depositantes do BES, não tenho uma fortuna no banco, mas tenho as minhas pequenas poupanças. Sempre confiei neste banco, talvez por acreditar na boa fé da minha gestora de conta. Lembro-me que já o ano passado tinha abordado com ela esta questão do jogo de poderes no bes, o que me queria levar a abandonar os meus depósitos no banco, mas como tinha umas taxas de juro atrativas nos meus depósitos, pois eram depósitos com algum tempo, deixei prolongar esta situação. Ontem estive atento e a espera ansioso pela solução dos senhores do poder central. Depois de tudo o que ouvi, vi e li, continuo com uma incerteza, que faça, vou hoje a correr ao Bes e levanto as minhas poupanças? Confio neste novo banco? Confio em qualquer outro banco? Vamos todos voltar a guardar as nossas poupanças no colchão? Sinceramente, não sei o que faça. Pois acredito que se nada tivesse sido feito ontem ao Bes, teria ruido todo o sistema financeiro português, pois acredito que os outros bancos tem telhados de vidro, e quem não me garante que daqui a um ano não há outro BES? Foi a solução perfeita, não sei o tempo dirá, mas como português atento que sou, não percebo, porque as forças politicas do nosso país, não se juntam em prol de um Portugal melhor, deixando de lado o interesse partidário. Mas independentemente da solução que foi proposta ontem sendo esta certa ou errada, o que eu sinto e muitos portugueses sentem, é que não há justiça, pois já tivemos muitos Salgados e estes ficaram sempre impunes. Porque não vão sobre a fortuna pessoal da família Espirito Santo? Punir os culpados é o que faz falta. Não tenho ainda 30 anos e sou um sonhador e acredito num Portugal melhor, mas começa a ser difícil, dá vontade de procurar um país melhor, onde possa sonhar com um futuro e não viver num pesadelo.

    1. Percebo a sua preocupação. Os depósitos até cem mil euros estão sempre protegidos pela lei e pelo Estado. Mas esta crise não pode ficar sem culpa formada, tem toda a razão.

  57. Aproveito a disponibilidade demonstrada pelo prof. Francisco Louçã em responder a questões para que possa, caso saiba, esboçar uma resposta à dúvida que mais me inquieta: se os créditos ao GES e os do BESA serão concentrados num banco mau, de onde vêm as necessidades de capital do Novo Banco?

    1. João Garcia: qualquer banco tem de cumprir rácios de capital que determinam a base de capital que é indispensável para conceder empréstimos.

    2. Mas não é suficiente o dinheiro dos depositantes para cobrir essa necessidade de capital?

    3. O dinheiro dos depositantes não é capital, a empresa financeira tem de ter recursos próprios como garantia da sua actividade, é assim a lei – e é até muito generosa, nenhuma empresa senão os bancos poderia trabalhar com um rácio de capital de 7%.

    4. Temo não me ter feito entender.

      Bem sei que os bancos têm de operar sob rácios de capital, bem como sei quais os items que estão no numerador e no denominador dos rácios de Core Tier.

      Aquilo que me faz confusão é o seguinte: se bem me parece, as necessidades de capital do Novo Banco derivam da destruição de capital próprio que ocorreu por via dos prejuízos do 1º semestre, por sua vez devidos, em grande parte, ao reconhecimento de perdas potenciais com activos ligados ao GES e BESA.

      A solução que se encontrou foi a retirada dos activos relativos à activade bancária regular do BES, deixando os activos tóxicos no banco mau. Ora, sendo que os items responsáveis pelas brutais imparidades estão fora do balanço do Novo Banco, de onde vem a necessidade dos 5 mil milhões? Vem de alguma impossibilidade de transferir capitais próprios do BES para o Novo Banco, pelo que o empréstimo do Estado ao Fundo serve como capitais próprios disfarçados?

    5. a resposta é +/- a seguintes:
      a conta de capital do BES que totalizaria hoje à volta de 3 mM€ foi evacuada para o bad bank, assim como os activos nos quais haviam sido reconhecidas imparidades, e outros ainda (como o bes miami, tripoli, etc.). nesse terá que se construir um balanço com activos (ainda que com imparidades, mas não de valor zero) que terão de fazer a equivalência contabilística com o capital próprio e outras responsabilidades de passivo. será interessante ver qual o tamanho do balanço do bad bank. os activos serão depois liquidados e os frutos distribuídos pelos accionistas e outros
      ao contrário do que se diz os accionistas não perderam tudo tudo. tudo depende do fruto da liquidação dos activos do bad bank.

      Mas esta operação de separação deixa na entidade original um balanço (do q será o novo banco) sem conta de capital, ou zero de conta de capital. seria um banco na mesma, mas sem capitalistas seus donos (seria a “autogestão” dos depositantes). no entanto é de lei não só que os capitalistas tenham bancos como a conta representativa dessa propriedade equivalha a 7% do activo (valor que é uma “prebenda” do sistema).
      é aí que entra o empréstimo do gov/troika e o fundo de resolução. que basicamente vai comprar o banco a ninguém por 4,9 mM €. vai como que adquirir o direito de exercer a actividade sobre esse balanço ( dar crédito e receber depósitos, etc). e vai adquiri-lo entregando ao balanço do próprio banco 4,9 mM€.
      é esta a base de capital, que teoricamente vem no inicio, mas aqui vai ser reposta nesta altura porque se deu a intervenção do cangalheiro, segundo a parada do serão de ontem / o corte, segundo os ditame do amor semiótico em futuro.

  58. Francisco Louçã, e que tal a criação de uma lei clara e inequívoca onde nos casos de empresas públicas pu privadas que mexam a este nível com economia real nacional desta forma e respectivos resultados se forçasse o confisco sumário dos bens de todos os gestores de topo? Não seria tudo mais fácil e rápido e levaria esses gestores a pensar duas vezes antes de avançarem para esquemas elaborados deste calibre?

    1. Os gestores têm sempre de ser responsabilizados se cometem crimes, e até o BdP indica que isso pode ter acontecido.

  59. Como é que alguém pode dizer que o empréstimo do estado vai custar dinheiro aos contribuintes ??? Quanto é que custou os empréstimos ao BANIF, BCP e BPI ? NADA! Muito pelo contrário. O Estado disponibiliza o dinheiro que estava reservado PRECISAMENTE destinado para ajuda à banca, contratado a juros entre os 2,5 e os 3,5% e emprestado ao BES a 8%. É difícil fazer contas ? ou só se fazem as que convém ? o Estado só perdia dinheiro se o banco falisse ou não pudesse pagar o empréstimo, o que não há qualquer expectativa que possa acontecer, mas sei que Louçã adoraria ver realizar-se. Porque será ?

    1. Acho que se fizer as contas do BPN, concluiria de outra forma. E pode-se perguntar porque é que não foi então usado o mesmo esquema que no empréstimo ao BCP e BPI?

    2. O dinheiro estava reservado para a recapitalização de bancos, sim, mas o BES não o usou. Rejeitou. E o Estado já está a perder dinheiro desde o momento em que assinou o acordo com a troika. Quer saber como o Estado, neste caso os contribuintes, perderam o dinheiro? Eu digo-lhe. Anote: no desemprego forçado pela troika, nas privatizações de empresas que davam lucro ao Estado, nos cortes das pensões e dos salários, no aumento brutal de impostos, na falta de financiamento da economia pelos bancos, na falências de milhares de empresas, na pobreza que se instalou. Tudo isto para recuperar a pré-falência do Estado, agravada pela falência de bancos privados. E já agora, só mais uma coisa, o fundo de resolução é uma espécie de cooperativa bancária. Certo? E qual é o papel da CGD nisto? E se a cooperativa não funcionar e tiver de indemnizar o Estado, como fica a CGD? A quem pertence a CGD? Humm?

    3. O seu comentário começa com um erro de palmatória, o empréstimo ao Novo Banco é feito a 2,95%.

      Da mesma forma a comparar o BES com outro Banco, apenas o BPN.

      Acredita mesmo que este Novo Banco, com a fuga de capitais continuada e um plano de reestruturação que irá encerrar balcões e as auditorias que vão continuar a empilhar golpadas e imparidades vale 4,4 mil milhões????

      É que se é para vender no curto prazo e o $$$ ficar curto, quem paga a diferença????

  60. Podemos ver o exemplo de Espanha em que o “Contribuinte não pagaria 1 cêntimo”, dois anos volvidos e a factura já vai em 12mil milhões de euros…

    1. Nos últimos anos, também temos exemplos disso.
      Há poucas semanas, o prejuízo anunciado para o BES era de 200 milhões no primeiro semestre. Acaba por registar imparidades de 4500 milhões, vinte e poucas vezes mais. Se isto não preocupa os contribuintes…

    1. É por isso que é tão importante proteger o contribuinte. É uma condição de democracia.

  61. Eu também gostava de respostas a estas e outras perguntas mas também gostava de “ouvir” da pena dum ilustre economista algumas palavras sobre soluções que eventualmente considera melhores, ou menos màs, para todos. Como não as sugeriu é porque não as tem.
    Em relação à corrida dos depositantes a levantar o seu dinheiro…tudo está nas maiores calmas, felizmente para toda a gente!

    1. Ou seja, se não se tem um proposta alternativa, devemos estar calados e aceitar sem piar as soluções que nos enfiam pela goela abaixo. Era só o que faltava, a castração do rebanho!
      Se as soluções não são razoáveis cabe aos eleitos e ao seu exército de assessores e consultoras avaliar a pertinencia das criticas e fazer melhor. É para isso que são (bem) pagos!

    2. A sugestão do economista é que a economia funcione com transparência e com meticulosa separação de dinheiros públicos e privados, com regras que promovam a equidade dos agentes económicos independentemente da sua dimensão e sobretudo que a esfera financeira não cumpra a tradição de influenciar a política nos corredores, restaurantes e salas de reunião. A sugestão do economista é que as pessoas ocupem as posições que devem ocupar numa sociedade com base no seu mérito e não com base na dimensão e importância da sua lista telefónica, que o conjunto de burlões que pairam como abutres sobre o cemitério que o país se está a tornar seja punido de acordo com a gravidade dos actos cometidos.
      Se você não entende isso poderá com certeza ser dos que ainda anda a juntar uns trocos para um dia destes comprar umas acções com base num conjunto de informações que você não entende mas acha que sim e fica todo satisfeito por isso apesar de essa informação ser manipulada, tratada, censurada, processada. enfeitada e por fim apresentada aos otários do costume.

    3. A sugestão do economista é que a economia funcione com transparência e com meticulosa separação de dinheiros públicos e privados, com regras que promovam a equidade dos agentes económicos independentemente da sua dimensão e sobretudo que a esfera financeira não cumpra a tradição de influenciar a política nos corredores, restaurantes e salas de reunião. A sugestão do economista é que as pessoas ocupem as posições que devem ocupar numa sociedade com base no seu mérito e não com base na dimensão e importância da sua lista telefónica, que o conjunto de burlões que pairam como abutres sobre o cemitério que o país se está a tornar seja punido de acordo com a gravidade dos actos cometidos.

    4. Fui espreitar a sua proposta no link indicado e vejo um relatorio de 74 paginas, dedicado ao tema da reestruturacao da divida portuguesa.

      Tinha a esperance que conseguiria explicar, sinteticamente e de forma acessivel a leigos em financas e economia, qual e’ EXACTAMENTE a sua proposta para resolver este imbroglio…?

    5. Sugiro-lhe que leia o capítulo sobre a resolução bancária ou o resumo inicial de duas páginas. As soluções técnicas não são simples, simples é a demagogia e esse relatório detesta a demagogia.

    6. Saúdo a existência de propostas, ao invés do típico comentário “não sei como fazer, mas assim é que não está bem”.

      Numa análise rápida a proposta de resolução sistémica de todo o sistema bancário parece-me ainda mais custosa para a generalidade dos cidadão e para o País.

      Apenas os depositantes com menos de 100.000 € de todo o sistema bancário português ficariam salvaguardados.
      Todos os demais (não são só “ricos”, haveria muitas PME afetadas) assumiriam grandes perdas de valor 13,1% e de liquidez, depósitos por acções), cujo efeitos em cascata poderiam levar falências e incumprimentos vários. A confiança no sistema bancário português e na sua economia sairiam muito afetados e de forma global.

      Estariamos a revolver todo o sistema bancário em vez de uma parte.

      Apesar de tudo, prefiro o risco poder vir a ser chamado a cobrir o que daqui correr mal (acredito que algo vai correr mal), do que ver o país a ruir de forma desordenada.

      Se interpretei mal a proposta, desde já as minhas desculpas.

    7. A proposta responde a um problema muito mais profundo: a insustentabilidade da dívida externa – que não é um risco, é uma certeza. Uma parte do seu trabalho e dos seus impostos sai da economia portuguesa para financiar essa renda. Por isso, uma resolução sistémica protege o futuro do país e, sobretudo, cria bancos mais sólidos. Quanto à fragilidade do sistema actual, com a crise explosiva do BES, I rest my case…

    8. “A proposta responde a um problema muito mais profundo: a insustentabilidade da dívida externa — que não é um risco, é uma certeza.”

      Muitos concordam que dívida é insustentável e é necessário tomar medidas duras e profundas, como a restruturação da dívida. O que muitos não concordam, é a forma encapotada como essa solução dura (até brutal) é transmitida pela esquerda, nomeadamente PCP e BE. O partidos da esquerda falam dos sacrifícios do povo, da desgraça colectiva trazida pelas soluções da direita, e apresentam a restruturação da divida como algo indolor em comparação.

      Podem dizer que é a solução necessária e até posso concordar, mas não transmitam uma imagem cor de rosa da solução, o povo merece saber as implicações de tal saída (que até concordo possa ser necessária).

    9. Conhece por certo a proposta técnica que apresentei, com três outros economistas, para essa reestruturação da dívida. Tem as contas todas, não é indolor, é apresentada com todo o detalhe, porque é isso que a seriedde da questão exige. Até hoje, é a única proposta concreta apresentada em Portugal.

    10. “Conhece por certo a proposta técnica que apresentei, com três outros economistas, para essa reestruturação da dívida”

      Vamos separar o que é politica, do que é técnico. O Dr. Louçã consegue bem a diferença entre as duas, e não é por produzir um documento técnico detalhado que a esquerda deixa te der uma obrigação politica de comunicar de forma simples os impactos da restruturação, até porque não têm qualquer problema em criticar de forma simplista as medidas da direita. Não é por produzirem um documento técnico e detalhado, que podem em fóruns políticos transmitir com ligeireza a ideia de um solução indolor.

      Compreende certamente bem a diferença, pois fez este artigo de cariz político (sem detalhe técnico) e a alternativa contraponto é um link para um documento de 74 páginas. Se critica de forma simples, deve explicar as suas ideias de forma simples também.

  62. As informações desconexas e contraditórias criam uma nebulosa sobre as operações finaneiras que se realizaram e, agora sobre o bail out estatal. A aliteracia financeira de 99% da população cauciona em definitivo este ardil. A assimetria de informação é abismal. Nem por via da AR o cidadão consegue controlar estas acções. O Governo não explica e a oposição tem sido medíocre. Esta democracia faliu. Poderiamos efetuar uma outra questão rudimentar (simplista, talvez). Se os accionistas faliram ou assumiram as perdas, porque são necessários os 4900 milhões?

    1. O valor do resgate do banco é o que o BdP considerou necessário para repor os rácios obrigatórios de capital. O problema é que há muito a temer sobre os efeitos da desvalorização do banco.

    2. Srº Francisco Louçã. Resunindo e concluindo. Somos comandados por uma cambada de gatunos. Dos 230 representantes do povo não há um que se safe. Todos falam e fazem promessas antes de terem o cu na cadeira mas depois só querem é tratar da vidinha. O que era preciso era o povo se unir e correr com todos a bofetada. Não me venha dizer que as coisas não se resolvem assim porque desde 74 que andamos a ser roubados. Chego a conclusão que Portugal é um País rico, tanto canalha a roubar aos milhões e o dinheiro não acaba. Já os Romanos diziam que raio de povo aquele que não se governa nem se deixa governar.

  63. Como sempre, nos pobres mortais só ficamos a perceber a questão quando ‘e explicada por Francisco Louça. O comentador que não tem o privilegio do tal telefonema simpático, o que diga-se de passagem não precisa, o seu objectivo não ‘e camuflar a questão mas explica-la.São de-facto três boas perguntas, que só por si me levaram a pensar que vai sobrar novamente para nos..

    1. O post de Ricardo Cabral analisa ainda mais em detalhe a questão: todos os riscos estão na nossa carteira.

    2. Realmente, cara Lúcia, como o artigo do Francisco Louçã evidencia de forma clara ficam muitas questões por responder e não é o comunicado do BP com o governo a espreitar à esquina da porta, que irão descansar os depositantes e os trabalhadores do banco. Aliás, nos últimos dias o governo e o BP têm-se desdobrado em comunicados que vão sendo desmentidos com o passar do tempo… A questão que eu coloco é o que estão as autoridades a fazer para arrestar sem demora todos os bens dos corruptos, que foram desviados de quem trabalha e paga impostos, para sustentar os seus casinos e fortunas oriundas do crime organizado?

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