Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

31 de Julho de 2014, 19:15

Por

A traição que rasga a vida, em dois filmes: “Omar” e “Belém”

Cartaz_BELE´M omar copy

Enquanto tão longe continua a guerra em Gaza, dois filmes de 2013 estreiam quase simultaneamente entre nós, um há duas semanas, outro hoje, contando a mesma história, ou como se fosse a mesma história, passada na tragédia da guerra da Palestina. “Omar” foi realizado pelo palestiniano Hany Abu-Assad e foi candidato ao Óscar do Melhor Filme Estrangeiro, tendo recebido o prémio especial do júri em Cannes; “Belém” é do israelita Yuval Adler e recebeu seis prémios Ophir da Academia de Cinema Israelita. Quando os vir, verificará que não retratam dois lados da fronteira nem dois povos, mas sim pessoas dilaceradas pela desgraça que é o amor numa guerra que nenhum pode ganhar.

Os serviços secretos israelitas recrutam ou chantageiam jovens palestinianos para se tornarem seus informadores, mas a relação entre o oficial controlador e a sua vítima é cheia de ambiguidades e até de cumplicidade: ambos estão presos na mesma tragédia, ambos sobrevivem sem perdão. O ódio milenar alimenta a traição, a vida é tanta traição: traição do informador à resistência, traição do oficial aos seus chefes, traição de uns e outros pelos favores da amada. Banal, mesquinha, calculista, instintiva, é traição num mundo de identidades paranóicas, traição para viver e traição para matar, esta vida é um inferno dos dois lados do muro.

Terror e tortura, não há valores morais nesta guerra, mas há uma tentativa angustiada de compreensão entre as vítimas. Para chegarem ao fim, pois vivem sem saída, a jogar o jogo que os condena: um morrerá e o outro não viverá. O que os dois filmes contam magistralmente, um de um israelita e outro de um palestiniano, é que a mesma história tem o mesmo final, visto de um lado como do outro. Nesta guerra não sobra nada.

Comentários

  1. Traição é a palavra que sobressai e que de facto contrsta fortemente com meritocracia.
    E a traição é vivida dia a dia num país aparentemente pacato e sem guerra que dilcacere corpos…a gurra é outra… ou parece… mas o sofrimento, esse, pode nõa ser assim tão diferente
    Os sentimentos a as emoções humanas nõa perdoam nunca

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Tópicos

Pesquisa

Arquivo