Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

30 de Julho de 2014, 15:15

Por

Gaza, Gaza, onde fica Gaza?

gazaEntre 22 de julho e 12 de setembro de 1942, as autoridades nazis mataram ou deportaram 300 mil judeus polacos para campos de extermínio. Só trinta e cinco mil foram autorizados a ficar no gueto de Varsóvia. Esses, que se sabiam condenados, prepararam-se para o pior, porque o exército ocupante os podia exterminar sem piedade a qualquer momento.

Escavaram túneis. Reforçaram caves e bunkers. Fabricaram bombas. Esconderam armas e alimentos para resistir. Todos os edifícios foram transformados pelos sobreviventes em lugares de resistência.

Quando em abril do ano seguinte as tropas nazis entraram no gueto para dizimar a população, as milícias, 550 homens e mulheres com o apoio de todos, responderam. Combateram prédio a prédio, sala a sala, túnel a túnel. O mais forte exército do planeta contra civis que lutavam pela vida e pela humanidade.

O mundo ignorou-os e foram poucos os que conseguiram escapar da morte.

Foi uma das mais brilhantes histórias de coragem da modernidade e durou um mês. Marcou-nos para todo o tempo.

Gaza, a maior prisão ao ar livre do mundo, está a ser metodicamente destruída há vinte e três dias.

Comentários

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  3. Só queria fazer uma pergunta aos apoiantes desta chacina, com um armamento tão avançado, como é que acertam sempre nos escudos humanos? que falta de pontaria…Ja que são tão azelhas a acertar nos seus alvos, que tal não o fazerem hein? É que esta desculpa dos escudos humanos…

  4. O grande problema é que a ONU nunca poderia atribuir território da Palestina aos judeus sionistas como o fez em 1946 após a Segunda Guerra Mundial para os compensar pelas mortes nessa guerra! E depois deixarem que conquistassem quase todo o território expulsando os palestinos e criando milhões de refugiados. O pior é que esta é a raíz do ódio e do terrorismo dos muçulmanos em relação aos EUA e à Europa!

    1. Sim, o resultado da guerra de 1947-8 foi uma ocupação e a expropriação da população palestiniana. Foi uma guerra que começou todas as outras guerras.

    2. Já para não falar da forma como foi repartida em termos geográficos. Quanto mais se escava neste conflito mais se compreende o desespero a onde se chegou… Btw estou em loop no documentário “5 Broken Cameras” desde ontem e ainda estou a tentar digerir aquilo que acabo de ver.

    3. É um documentário soberbo. Os dois filmes a que me referi noutro post neste blog – Belém e Omar – também são bons.

  5. Na minha opinião , esta Carnificina horrorosa em Gaza da responsabilidade total de Israel e com o apoio de OBAMA e dos EUA , e sem a intervenção da Europa nem da ONU , é pior que o Genocídio NAZI …. E é Pior porque este tipo de actos de terror não podem ser comparados nem a nível quantitativo e menos ainda qualitativo , A grande diferença é que nós estamos a assistir á matança em directo e a discutir e dizer coisas , enquanto não começa o próximo campeonato de futebol , e Não fazemos nada para parar esta matança ….. É ISRAEL o Estado Terrorista do século XXI só comparável ao regime NAZI

  6. Vi ontem na real news uma intervenção de um especialista em assuntos económicos israelita dizer que o que está a acontecer em Gaza está relacionado com a indústria de armamento israelita Segundo ele, as ofensivas periódicas contra Gaza permitiriam a estas empresas testar as suas armas para depois utilizar isso como estratégia publicitária. Realmente se pensarmos em Gaza como um campo de testes, tudo começa a fazer sentido.

  7. Peço desculpa pela insistencia. Compreendo e respeito a sua resposta e fico contente porque aparentemente concorda comigo. Eu suponho que não foi isto que se passou, mas quase que parece que alguem disse a esses partidos: “Chamem ladrão ao Passos Coelho 1000 vezes ao dia se quiserem, mas quanto às críticas aos patrões americanos – bolinha baixa porque o guarda-redes é anão”. Quanto ao Sr Luis Cearense só gostava de lhe dizer que não vejo qualquer diferença, nem moral nem ideológica, entre Israel e o Terceiro Reich. Ambos acham que representam o povo escolhido e que as vidas de outros povos, o direito internacional, as normas de convívio entre seres humanos e mesmo as regras humanitárias mais elementares valem zero, mas mesmo zero. Os Estados Unidos e os seus indignos e ridículos lacaios europeus, com o seu silêncio cúmplice ou a suprema hipocrisia de igualar a vítima ao assassino não têm moral para apontar o dedo acusador a ninguém, como tanto gostam de fazer

    1. “quanto ao Sr Luis Cearense só gostava de lhe dizer que não vejo qualquer diferença, nem moral nem ideológica, entre Israel e o Terceiro Reich”

      Caro Nuno, a diferença é quantitativa e qualitativa. Não se podem comparar os efeitos do genocídio perpetrado pelos nazis com a guerra, muito infeliz, sim, é verdade, que Israel move aos palestinos. Compare o número de mortos resultantes dos dois acontecimentos ao longo do tempo e diga-me se é igual. E qualitativamente é também muito diferente. Sabe de israelitas que tenham colocado palestinos em campos de concentração como os dos nazis (antecipando a réplica, a faixa de gaza não é um campo de concentração, é um território ocupado). Sabe de fuzilamentos sumários a pessoas desarmadas? Sabe de comboios de carne humana? Sabe de recolha selectiva de dentes de ouro? Sabe de câmaras de gás e fornos? Não sabe? Então, quando souber, compare, e eu serei o primeiro a admitir essa equivalência, que é claramente falsa só como é proposta por si. Obrigado.

    2. na minha opiniao isto ainda é pior que os nazis! nazis estavam sem controlo! sem informacao, sabes da selecao de ouro e das camaras pq te contaram historias! agora.. nos vemos isto a acontecer! esta a frente de todos! onde está a ONU? é coincidência que a ONU só entra juntamente com o EUA e que por ventura e COINCIDENCIA é od esta petroleo? isto é degradante, grandes empresarios comandam o mundo e tratam as pessoas como se fossem materia prima! ja estava na altura da internet, politica, economia e principalmente o DINHEIRO levarem uma restruturaçao! mas as grandes cabeças deste mundo só ligam a $ … e o medo controla as massas!

  8. Esta análise é facciosa e falaciosa. O Louçã faz uma incorreta analogia entre o Hamas, um grupo terrorista, e os judeus que tinham um legitimo direito à defesa na Segunda Guerra. A falácia está em pressupor que os israelitas (que no artigo do Louçã são confundidos com Judeus, outra generalização falsa) querem exterminar os palestinos, erradicá-los da face terra, como pretendia o nacional-socialismo do 3º Reich. Não é claramente o caso. Israel quer erradicar quem cobardemente se coloca por baixo de uma população que diz defender, apenas para atacar um país civilizado, no qual, por exemplo, a liberdade religiosa é permitida — ao contrário do fanatismo islâmico que serve de pretexto para armar crianças-bomba. Alguém com a responsabilidade social do Louçã deveria ter mais cuidado na divulgação destes memes sectários. Era mais honesto e corajoso dizer o que racionalmente se apresenta como mais plausível: que os dois lados têm culpa e que deveriam ser parados por alguém com cabeça e sem posições doutrinárias.

    1. É peo menos animador saber que “Luis Cearense” admite que há culpa de Israel.

    2. Sr Luis Cearense, só gostava de lhe dizer que não vejo qualquer diferença, nem moral nem ideológica, entre Israel e o Terceiro Reich. Ambos acham que representam o povo escolhido e que as vidas de outros povos, o direito internacional, as normas de convívio entre seres humanos e mesmo as regras humanitárias mais elementares valem zero, mas mesmo zero. Os Estados Unidos e os seus indignos e ridículos lacaios europeus, com o seu silêncio cúmplice ou a suprema hipocrisia de igualar a vítima ao assassino não têm moral para apontar o dedo acusador a ninguém, como tanto gostam de fazer

    3. A sua resposta, Louçã, incorre noutra conhecida falácia, bem documentada pela lógica informal contemporânea, e que sempre fez as delícias dos retóricos profissionais: a de se ter que desviar o assunto para não se ter de responder ao ataque que fizeram às nossas ideias. Se me permite, quem se predispõe a ter um espaço de opinião e discussão francas não pode usar esses artifícios estilísticos para dissimular a falta de alcance dos seus argumentos. Sempre o admirei por ser franco e directo, não me desiluda agora com essas atitudes intelectualmente pouco nobres. Não insistirei. Obrigado.

    4. Ok, Sr Luis Cearense, reconheço que tem toda a razão quando diz que há uma grande diferença qualitativa e, sobretudo, quantitativa entre os nazis alemães e os nazis israelitas. Mas a ideologia, o desprezo pelos valores humanos mais básicos e a obsessão pela propaganda, está tudo lá.

    5. A análise não é falaciosa, nem poderia sê-lo, uma vez que a tendência sionista representada por Herzl resulta da maturação dum caldo ideológico que produziu outras coisas igualmente desprezíveis, como é o caso dos distintos fascismos.
      Um caldo que às batatas juntou a fraude racial para melhor apurar a supremacia branca. Um caldo do qual, por cruel ironia, se nutrem ainda hoje em simultâneo o regime de apartheid de Tel Aviv e o antissemitismo na Europa.
      O erro não está na assimilação desse sionismo ao nazismo, está antes na forma como, pela demonização exclusiva do nazismo, se passou uma esponja benévola sobre um trajecto comum.

  9. Dr. Francisco Louçã, gostei de ler o que escreveu. É realmente um tema forte que não deixa – e não deve deixar – ninguém indiferente. É chocante saber que 7 em 10 pessoas mortas em gaza são civis inocentes. Tenho a sensação de que estas vidas só contam no momento de morrer e apenas para que se possa culpar o outro lado. A História repete-se e comprova que está na nossa Natureza destruirmo-nos uns aos outros, e por isso, deixo uma pergunta muito simples: como se resolve este conflito?

    1. Como é que se consegue aferir que em 10 pessoas mortas , 7 sao civis ? Naturalmente lamento a situacao e a morte das pessoas (militares ou civis) mas infelizmente já todos percebemos que nao existe ninguem com vontade de dialogar. PAra ambos os lados a guerra transformou-se infelizmente num modo de vida e tambem num negócio. De ambos os lados. A guerra só terminará infelizmente quando um dos lados totalmente ocupar e aniquilar o outro lado. Ate nisso creio que nao existe vontade. Pq acabando com todos, acabaria a ” infeliz tradiçao” e modo de vida daquela gente

    2. Tal Cearense, o seu deserto de ideias impregnado de censo comum embrulhado em pretensas análises imparciais, acabou por se assumir como porta voz do sionista Netanyahu. Fruto desse descampado chamado cérebro, reitera o conceito do uso de escudos humanos pelo Hamas, desconhecendo por completo o que é Gaza, verdadeiro campo de concentração. Já agora: os hospitais e escolas da ONU são refúgios do Hamas. Saiba que Israel massacra, com toda a fúria, sempre que existe um acordo eminente entre palestiniano. Sabia que o Hamas e a Al Fatha estavam a entender-se? Aqui não existe um conflito, existe uma agressão bárbara, um massacre à maneira nazi contra o Povo Palestiniano.
      Muito bem Francisco, pelo artigo e pela resposta. Há quem não mereça mais.

  10. a unica solucao sera juntar todos os palestinos num so terreno e dar-lhe acesso ao mar e mesmo assim penso que amanha ja estavam em guerra uns contra os outros ou contra israel.

    1. O desconhecimento da história, com culpa ou sem culpa, será compreensível, mas comentários deste tipo, de um tal Marcelino, revelam uma imbecilidade sem limites. Só um indivíduo sem sentimentos, sem o mínimo de escrúpulos e respeito pela vida humana, desrespeita um povo.

  11. Não é só o silencio da União Europeia que é ensurdecedor. Porque é que o BE e o PCP desde há alguns anos declararam a politica externa um não-tema? Nem perante este holocausto perpetrado pelos nazis israelitas se indignam (se o fazem , ninguem dá por isso)

    1. Isso é uma pergunta que deve fazer aos partidos de esquerda. Aqui respondemos por razões e por argumentos. Este artigo, e outros que publicarei nos próximos dias, demonstram o que penso.

  12. Os horrores sofridos pelas populações judias na segunda guerra mundial (e, enfim, em tantos outros momentos da história), são sempre o argumento usado para justificar este comportamento sem consequências para o atacante. E se criticar qualquer ato de um país contra populações inocentes é visto como liberdade da expressão e da indignação, criticar a invasão, o terrorismo praticado por Israel nas últimas décadas é contra-atacado com acusações de anti-semitismo, de neo-nazismo.
    A proteção que Israel tem (pelos EUA em particular) permite que este governo expresse a legitimidade de matar em nome de uma terra que é sua porque algures na Bíblia diz que sim. EUA esses que estariam na linha da frente do ataque (verbal ou físico), da ameaça a outra nação que atacasse com os mesmos critérios uma nação vizinha (amiga dos EUA ou com algum petróleo ou outro recurso importante).
    Defender os interesses dos EUA, Europa, Israel parece ser o único valor válido no mundo.
    Hoje em dia, invadir, matar, humilhar em nome dos EUA ou Israel é lutar pela liberdade e pela democracia; mas um desgraçado que veja a sua família morta às mãos de israelitas, que vejas as suas terras e casas invadidas e contra-ataca é chamado terrorista.

    Ou seja… hoje em dia, a palavra “terrorismo” significa: “lutar (mesmo que em legítima defesa) contra interesses do ocidente”.

  13. o que aumenta a minha indignação é o massacre em gaza, ter o apoio da dita comunidade internacional, particularmente dos estados unidos que continuam a ceder armamento a israel para continuar a matança…

    1. Sim, os EUA acabam de fornecer munições a Israel, mesmo depois de terem criticado o bombardeamento da escola da ONU. O silêncio institucional da União Europeia é também ensurdecedor.

  14. Temos de admitir que, à medida que vamos crescendo e ficando adultos, nós (mutantes) tornamo-nos, na maioria dos casos, uma merda. São as crianças (os seres humanos mais belos do mundo) que sofrem com os comportamentos irracionais dos graúdos. Resta, às mulheres e homens que escapam àquela regra, lutarem por um mundo melhor com as armas que conseguirem…

    1. Mal. Mas essa perseguição aos judeus na URSS ou em qualquer outro país cria alguma legitimidade histórica para bombardear escolas da ONU com crianças palestinianas?

  15. Compreende-se perfeitamente a mensagem: lembrança horrorosa da História e a realidade criminosa dos dias de hoje.
    E o mundo continua, em desnorte de matança!

    1. pois não, não pode continuar em Gaza, não pode continuar na Síria, Líbano, Líbia, Iraque, Ucrânia… eu sei que a situação de Gaza é distinta, mas as demais não são menos atrozes.
      não pode continuar, mas só quando a opinião pública exercer real pressão, se fará alguma coisa. e o pior para a opinião pública e para a expressão expansiva da mesma é a desinformação e o efeito anestésico que hoje em dias horrendamente se presencia ante imagens de guerra, a forma como são absorvidas.
      o “problema” de Gaza existe há demasiado tempo. sente-se que existe alguma mudança na forma como os ‘media’ estão a tratar a questão, mas surtirá algum efeito real ou gerará meramente hipocrisia? há demasiados interesses cruzados e não há um único líder, de entre os que mundialmente detêm o poder, que não tenha algo de psicopata em si.

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