Até já (no Algarve), Leonel Pereira

Foi com um jantar no Eleven, ao lado do chefe Joachim Koerper, que Leonel Pereira se despediu de Lisboa.

Chefe Leonel Pereira

 

Leonel deixou o Panorama, do Hotel Sheraton, mas os fiéis seguidores do seu trabalho não têm que ir muito longe para provar a partir de agora as suas criações. Leonel Pereira estará no Algarve, no São Gabriel, na Quinta do Lago. E a boa notícia é que, liberto dos constrangimentos inevitáveis de quem trabalha num restaurante de hotel, o chefe tem mais disponibilidade para trabalhar na sua cozinha de autor.

Algarvio de nascença, Leonel Pereira volta assim à sua terra, desta vez para trabalhar num restaurante que conquistou já uma estrela Michelin e que até agora era dirigido por Michael Grünbacher. Sorridente, descontraído, bem disposto, Leonel Pereira aproveitou o tempo antes e depois do jantar para conversar com todos os que quiseram despedir-se dele, e explicou que não tenciona fazer rupturas no que tem sido o trabalho do São Gabriel – vai dar continuidade, introduzindo, claro, a sua marca.

“Quero conquistar quem é cliente habitual e quem vem pela primeira vez, mas prometo que a exigência na execução, na qualidade dos produtos e o sabor estarão sempre em primeiro lugar”, tinha já dito anteriormente. Terá uma equipa muito mais pequena e um período de férias maior (o São Gabriel tem um período de encerramento durante o Inverno, quando o Algarve se esvazia), que lhe permitirá viajar, algo de fundamental para qualquer chefe hoje.

A nova carta já está pronta, e alguns dos pratos serão criações que os frequentadores do Panorama já conhecem. Leonel Pereira trouxe uma delas para o jantar no Eleven, um falso gaspacho com tomate em várias texturas, que parece um prato perfeito para o Algarve, com tomate que, antes de se revelar em todo o seu sabor, se fez anunciar pelo cheiro – o cheiro a tomate fresco que desapareceu da grande maioria dos tomates que cruzam as nossas vidas. Só por ele, já valia a pena ir até ao Algarve.

Leonel Pereira apresentou de seguida um peixe-galo salteado com xerém de berbigão e poejo e molho de coentros, e depois cedeu o palco ao anfitrião, Koerper, que trouxe até às mesas um duo de porco alentejano com puré de aipo fumado e molho de vinho tinto. O jantar, que foi acompanhado pelos vinhos do Douro, dos Lavradores de Feitoria (Três Bagos Sauvignon Blanc branco 2011, Meruge branco 2010, Três Bagos tinto 2009 e Quinta Costa das Aguaneiras tinto 2008), terminou com um pudim abade de priscos com sorbet de citrinos do Algarve (claro) e coulis de frutos vermelhos.

Não foi uma despedida. Chamaram-lhe Até já Lisboa – o que, na minha leitura, é um convite para que visitemos Leonel Pereira na Quinta do Lago. Ele vai herdar muitos dos clientes estrangeiros que ao longo dos últimos 15 anos se habituaram a ir ao São Gabriel, mas vai também estar à espera dos seus muitos amigos de Lisboa.

O São Gabriel (que mudou de dono, tendo sido comprado por um empresário algarvio)  serve jantares de terça e domingo, e almoços também ao domingo.

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