Que vinho para as sardinhas assadas?

Foi esta a pergunta que a Alexandra Maciel nos fez. Nós aqui significa as pessoas (entre especialistas e estreantes) que ela convidou para serem jurados da primeira prova cega de harmonia entre vinhos e pratos portugueses. Juntámo-nos no restaurante Verde Gaio, em Campo de Ourique, Lisboa, e provámos 13 vinhos diferentes, em copos negros para não sabermos sequer se eram brancos ou tintos. Havia vinhos verdes (um deles verde tinto, o Quinta da Lixa Vinhão), vinhos do Douro, das Beiras, do Dão, do Tejo, de Lisboa, de Setúbal e do Alentejo. E, curiosamente, nos dois primeiros lugares ficaram os dois vinhos do Tejo: Conde Vimioso tinto 2009, e Conde Vimioso rosé 2010. Em terceiro lugar ficou o Piornos Reserva tinto 2007. Os brancos, decididamente ficaram para outros pratos que não as sardinhas.

Aprendi muitas coisas sobre provas de vinhos e sobre este modelo muito mais exigente: as provas de harmonização. Tudo isto parte de um projecto da Alexandra, que se lançou na aventura de fazer 50 provas de harmonia ao longo de um ano. No final haverá um livro com a descrição das provas, a história dos restaurantes, informações sobre os vinhos e sobre os pratos escolhidos. Posso já revelar que o próximo prato será um desafio difícil: cavala de escabeche (a prova será no Cafeína, no  Porto). E mais não posso contar porque estou a guardar para um artigo que há-de sair no Fugas (não no próximo sábado mas no seguinte).

8 comentários a Que vinho para as sardinhas assadas?

  1. Um Tejo tinto ainda poderá passar, mas um rosé?… E se tiver sido, como suponho que foi, um dos típicos rosés portugueses, pesados doces e xaroposos, imagino a agonia dos pobres peixes… Na realidade a sardinha é um bicho complexo, de sabores fortes e generosa gordura: precisa, portanto, de vinho que aguente. E, na minha opinião, só a acidez de um verde tinto minhoto, declaradamente rude e francamente carrascão, faz frente ao vigor natural do animal. Sardinhada é, portanto, com aquela pinga que pinta o dente, preferencialmente bebida, à boa moda minhota, em malga branca.

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    • E lá estava, de facto, um verde tinto, o Quinta da Lixa Vinhão – que teve adeptos. É daqueles casos em que quem gosta gosta mesmo. Malga branca é que não havia (em prova cega era difícil…) mas é pena.

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    • Tem toda a razão na crítica. É o que faz fazer posts à meia-noite. As sardinhas transformaram-se em carapaus (a foto era melhor, de facto, mas o rigor é importante). Já lá estão as sardinhas. E de vinho nunca disse que percebia alguma coisa. Aliás, o objectivo da prova era, como explico no post, misturar estreantes com especialistas – e eu estou nos primeiros. Quis apenas divulgar uma iniciativa que me parece interessante.

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    • As sardinhas foram uma dor de cabeça para o dono do restaurante. Logo nesse dia, em que tinha mesmo que apresentar sardinhas, não as conseguia comprar em lado nenhum. O mar tinha estado mau e simplesmente não havia sardinhas. Conseguiu finalmente em Peniche encontrar algumas, que cumpriram a sua função e salvaram a noite, mas gordas não eram…

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